Shakespeare sobre o Amor Soneto 7

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Em um limbo qualquer
Caindo sem parar
Espero pelo dia
Da minha queda chegar

O nada e um algo

Eu não tenho nada
Pois o nada posso ter
Se o vazio me inunda
Com a ausência do seu ser


O meu peito vira um muro
Que afasta o teu olhar
E no eco desse escuro
Não consigo te tocar


Guardo a farsa na memória
Com o medo de perder
O final da nossa história
Se a verdade amanhecer

O Chão Oculto

O vazio não tem pressa,
muda de forma no escuro.
Caminho por uma promessa,
pisando em vidro inseguro.


Olho nos olhos que amo,
com o peito em sobressalto.
Sinto o peso do que chamo
de silêncio que grita alto.


A verdade é uma sombra
que ameaça me tocar.
O vazio me assombra,
pois o chão pode quebrar.

O Farol Deserto


Sou o mar que bate na rocha,
Insistindo em te moldar.
Você é a chama que apaga a tocha,
Se recusando a me queimar.


Rego a planta de plástico frio,
Esperando a flor brotar.
Sou o leito de um grande rio,
Que o teu deserto quer secar.


Grito forte em sala vazia,
Onde o eco é o meu rival.
Sua presença é moldura fria,
De um quadro sem final.

Mesmo com a máscara branca...
a pele negra fala mais alto.

Tudo
me faz
p e c a r.

Minha mente nunca esteve vazia.
Nem por isso, deixou de ser a
OFICINA DO DIABO.

A acuidade revela o mundo;
a lucidez revela
o custo de vê-lo.

Argúcia é inteligência com dentes;
perspicácia, com silêncio.

A sagacidade percebe antes, e, por isso,
paga antes também.

A sofisticação sem ética
é o ornamento da desigualdade.

Complexidade não confunde;
quem simplifica demais
é que oculta.

Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.

Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.

A semântica é um
território de disputa;
quem nomeia, organiza o mundo
e, em certa medida,
administra a realidade.

A sintaxe dispõe as palavras,
mas também disciplina
o fluxo do pensamento
e distribui o lugar de cada sentido.

A eloquência encanta;
a precisão sustenta.
Uma seduz a superfície,
a outra responde pela espessura.

A concisão
é uma forma
superior de autoridade:

cortar exige critério,
e critério pressupõe visão.

A cadência governa
o tempo do dizer;
quem controla o ritmo,
orienta a escuta e conduz a adesão.

A retórica pode erguer uma liberdade verbal ou refiná-la em
instrumento de domesticação;

tudo depende
da ética de quem a maneja.