Shakespeare sobre o Amor Soneto 7
Calmamente seguindo a rota,
Adoçando docemente a rosa,
Colhendo simplesmente
- a semente -
Que um dia plantaste.
Psicodélica é a forma,
Que me desfolho e me revelo,
Corajosa de alma e coração,
- sou tua aquisição
A tua vaidade garbosa,
Honrada a cada delírio de paixão.
Sedutoramente revelando a rosa,
Desabrochando sensualmente a rota,
Embalando ritmicamente
- só o que sensibiliza -
Porque é o quê nos faz sentido.
Perca em mim o juízo,
Assim é como te quero,
- doce e carente -
Não menos contente,
E totalmente entregue...,
Para ser todo dos meus beijos quentes.
Testemunho versal
dos amores dos outros,
A minha poesia é
refúgio indestrutível
Feita de talvez,
salto no abismo
De peito aberto,
sem asas,
Porque é humana.
Abrigo celestial
dos rumores da vida,
A minha utopia é
amor impossível
Cheio de esperança.
Sentimento invernal
das dores do mundo,
A minha nostalgia é
por ti desnorteada
Porque te perdi.
Motivo abissal
dos desejos profundos,
A minha magia é
de amor inesquecível,
Para vencer a distância,
causa por mim reconhecida:
Insegurança feminina,
voto de amor eterno,
Que por medo não vivi.
Leia-me com poética,
e não literalmente...
Porque sem poética,
não haverá compreensão.
Versa-me nas letras,
e não espiritualmente...
Porque sem profética
não haverá reconciliação.
Desnude-se para me ler,
porque só assim captará
Que o amor dos outros
foi distração poética,
Para um amor desesperado
e quase sem salvação.
Porque o porquê destes versos,
na verdade sempre foram teus;
Na esperança de vivê-los
para brindar a vida com paixão.
AMOR: os versos que escrevi para nós, só você saberá identificar.
De que adianta ter olhos
E não ter coração?
Ter olhos e não ter coração
De nada adianta,
Porque sem coração
Não se enxerga nada.
Os versos que escrevi
E não te contei estão
- aqui -
Os poucos que escrevi
Me distraí com amores
Dos outros esperando
Tu chegares de longe.
De que adianta não ter
Os teus olhos e coração?
Não tê-los me reduziram
Ao grau máximo do nada.
Escritos com lágrimas,
Talvez não mais belos,
Versos de sangue,
Rimas com bravura
Quero viver mil vidas,
Para dizer ao mundo
Que sem o teu amor
Atinjo a [loucura].
Meus versos são tentativas,
Que talvez jamais serão
- lidas-
O nosso reencontro
Não tem previsão,
Poderá ocorrer daqui
Algum tempo ou nunca,
E não sei [onde].
Só digo mais uma coisa:
- A literatura salva da morte,
E a poesia salva da vida,
Só me resta saber se serei
Para os teus braços devolvida.
O céu despencou,
O chão se abriu,
O peito sangrou
O ciúmes surgiu.
Cartas enviadas
Não esclarecidas,
Cartas malcriadas
Palavras engolidas.
O tempo passou,
O amor sobreviveu,
O tempo [surgiu,
O coração não esqueceu.
Cartas não respondidas,
Devolvidas e rasgadas;
Cartas persistentes
Palavras perdidas.
Guarde contigo:
rima de sonhar,
verso peregrino,
canção de mimar.
Além continentes:
trilhas poéticas,
poemas amáveis,
rotas contentes.
Doces vertentes
sabem velejar
poesias silentes
sabem mapear.
Alma envolvente:
feita de [mar],
verso continente,
quero te beijar.
Gira o mundo ao nosso redor,
Dançam as horas o minueto,
Sina de quem vive esperando
Viver uma história de amor.
Lira segundo o soneto,
Frescor da madrugada,
Versos finos e madrigais,
De quem será a tua amada.
Brisa os teus segundos em prosas,
Brincam os versos amplexos,
Profetiza a vinda apaixonada
De uma alma feita de mel e rosas.
Divisa feita de oceano,
União de desejos,
Certezas e planos,
Hábeis como ciganos.
Brindam com doçuras!
Foram abertas as travessas,
E enfeitadas com açucenas;
Almas plenas de ternuras.
Vibram com a chegada da poesia,
Vinda travessa de alto mar,
Repleta de si e de arco-íris,
Nascida para te (amar).
Desabrochou a Lua repleta
como uma rosa branca,
A preocupação aberta e franca
de alguém que voltou a ser criança.
Altaneira missão concreta
como uma flecha pungente,
A alma não estancada
de um peito atravessado,
Fazendo a sua prece discreta.
Despontou a Lua inquieta
para roubar o sono do poeta,
Ao ponto de embalar a vontade
que não se dobra e não sossega.
Alvissareira canção que encoraja
porque um plano foi escrito:
A lembrança não o apaga
por tuas carícias penetrantes,
Revivendo como quem te abraça.
Desenhou o destino a teu gosto,
como quem rouba o juízo,
Despir a noite das estrelas
como que tira um vestido,
Amanhecer com você, eu preciso!
Deixar-te livre para o descanso
Significa que te quero refeito
E não longe de meus afetos,
É imperativo que carrego
Porque te quero inteiro;
Para que você venha pleno
Do espírito de [recomeço].
Aceito os teus cansaços,
A necessidade de oxigênio,
E da tua respiração
Retiro versos inéditos
Como encontro de regaços.
Deixando-te livre para o voo,
Confiante no teu retorno:
Entregarei os versos retirados,
Para que os sinta aconchegados,
E em cada parte do teu corpo
Venha emitir arrepios requintados.
Às vezes percebo que
tenho vivido assim:
rumo à uma Pátria
desconhecida.
Mulheres rebeldes
fazem história
ou viram poesia.
Aguardo notícias suas
vindas do outro lado,
Talvez virão a nado
Cruzando o [oceano];
Espero com rimas nuas.
Porque o poeta nasceu
para não ter Pátria,
Ele possui a poesia
como o seu passaporte,
Para ele não tem altura
e fronteiras não existem;
Ele crê na beleza da jura.
Respiro ansiedades
vindas do meu peito,
Certas de que vivem
entre dois [mundos];
Desejam por liberdades.
Vendo os pescadores
caindo de mil amores
Nos encantos das sereias
todas livres e [solteiras:
decidi escrever
Com minh'alma morena,
E entreguei este poema.
Não existe nada mais
- fascinante -
Do que a sensualidade
- educada -
Pois ela é virtude fêmea
e elegante:
feita para deixar a alma
- masculina -
Envolvida e eriçada.
No sinal do nosso desencontro
não diminuiu a vontade de ter,
No final um dia eu te conto,
que nunca passou a vontade
De ter imensamente [você].
No final da minha noite
não tenho como não 'dizer':
- Transbordo a leveza de ser
e a indizível crença de te ter.
Da mais enternecida cadena,
sou a rebelde prisioneira,
Só você tem a chave dela;
que desperta a [obediência
De revelar a doce cadência.
No sinal que me trazes,
ele me deslumbra toda...,
A vontade de ter você
é incrível e não é pouca,
Tu me deixas [louca]....
Tu me punes e me abres,
eis o nosso paraíso!...
Tu me corriges,
eis o nosso feitiço!...
Tu me beijas e me levas,
eis o nosso rebuliço!....
Tu me dobras,
E eu não me nego;
Por você perco o juízo.
Trago em mim o infinito,
O invisível talvez;
Porque me guardas em ti,
E bem dentro do teu peito.
Deixo em ti o divino,
- A liberdade certa -
Porque em mim guardo
O quê há de mais bonito.
Beijo espiritual em versos
O amável e vero;
Porque em segredo intenso
Eu sempre te [espero.
Corpo natural em chamas,
- Beijo frágil feito louça -
Corpo feito para morar
Sem nenhuma roupa.
Artesanato feito à beira mar,
Poesia de moça,
Declamada em voz rouca,
Para você 'amar'.
Resolvi escrever este verso
para dizer sem engano:
- Que o meu desejo é maior
do que todo o [oceano.
Acolhi a bailante rima
para remar na corrente,
Quero o teu beijo quente,
Que a vontade [atiça].
Percorri o dobrar das ondas
para dizer sem delongas:
- Que te quero além...,
E que você já é o meu [bem.
Sou a frondosa flor
Descoberta por você,
Com encantos esbanjados
Sonhadora e habilidosa
Escrita por você.
Com poemas ensinados,
Lascivos e desejosos,
Enamorados por você.
Eis a presa obediente
Encontrada por você,
Com doçuras entregues,
Carinhosas e cultivadas
Inteiras por você,
Destas doidas ânsias,
- impronunciáveis
Fazem desta imagem a tua
Desenhada ao teu gosto,
É meu o teu corpo
Sou o sagrado e o profano
Mito de sexo e de amor
Todos por ti incansáveis.
Guardada por um bravo
Vestido de armadura
Rosada e branca
Tingido de esperança,
Gentil sentinela
Que observa visitas tuas
Lá do alto da torre
Guarda a flor e o paraíso,
Preserva o quê é bonito
Segredo que te encanta,
E te faz perder o 'juízo'.
O paraíso é meu,
Nada [importa...,
Ele é sem trato,
Possui vegetação
- rasteira -
Abrigando flor rara
De pétalas brancas
E com [cor-de-rosa;
O paraíso é selvagem,
- surpreendente -
Por ser doce paragem,
Brilha como uma miragem,
Aroma que não se esquece,
Imagem que [enternece]...
Como diz o ditado
"Para um bom entendedor
um pingo é letra"
e no Dia dos Namorados:
eu continuo poetisa.
Talvez te
ver mais
uma vez,
talvez!...
Transitando
entre a tua
gente,
pode ser,
Fui na beira
da praia
na areia
No afã
de escrever
o teu nome
Só para te
esquecer:
não consegui
- corri!
E eu que acreditava
que os meus poros
Eram impenetráveis,
- você está neles
Ocupando
com todos
os teus
aromas,
- os mais
primaveris
aromas
Tomaste-me
de mim
para ti,
Dominada
estou pelas tuas
pompas.
Rompo com o mundo
para me dobrar,
Para me ceder
ao cortesão
[atirado,
Teu primaveril
perfume perfuma,
Esse verso sobre
o teu corpo deitado,
Findando
esse soneto
[enamorado.
Haverás de me rever refeita,
Ainda mais tua - e perfeita,
Porque a trova que plantamos
A acácia mais bela [semeia].
Acabaram de vez os [freios,
Só a espaço para desejos e flores,
Conhecemos a vida e os [sabores,
É por isso que nos escolhemos.
Nós sabemos o quê queremos,
Amor de verdade é o quê temos,
Um sentimento de pertença,
Com doses de [indecência].
Carinhos que irão sempre [adiante,
Gostamos de tudo que seja insinuante,
As nossas índoles são [picantes,
No melhor do arfar - extasiantes.
Os nossos beijos são o [alimento],
Os nossos corpos formarão um casulo,
Decidimos estamos pelo nosso futuro,
Nós nos escolhemos por porto seguro.
