Seus Olhos Verde Mar
Um Antigo Piano Novo
Era uma vez um piano. Um erudito piano
Que adorava espalhar seus sons e alegrar o povo cantando
Suas antigas teclas. De marfim amareladas
Já conhecia os tons. Das mãos que as dedilhava
E da cartola do tempo. As melodias tirava
De belíssimas ladainhas. Que o povo todo cantava
Mas lentamente como a brisa viaja o oceano
O tempo corroía as cordas e emudecia o piano
No domo azul do mundo. Nuvens não ficam paradas
E a voz do piano velho. Logo seria trocada
Por outro piano novinho. De teclas brancas resinadas
Que tocava canções de amor. E o povo compartilhava
Porém não foi esquecido o piano antigo de teclas amareladas
Ele vinha na frente todo orgulhoso. Bem vestido e imponente
Abrindo o caminho para o novo. Que timidamente iniciava
Essa linda jornada sagrada. Que é a vida da gente
Descostume
Esse meu descostume
De viver longe do seu perfume
Dos seus cabelos encaracolados
Desse seu jeitinho engraçado
Esse meu descostume
Está acabando comigo
Me fazendo viver isolado
Escondido do sorriso
Nas linhas de um rosto fechado
Sei que fui um cara distraído
Não percebi o amor do meu lado
E hoje fui surpreendido
Com a felicidade desacostumado
Esse meu descostume
De não provar do seu beijo suave
De lado a lado com você deitado
Naquela paz alegre interminável
Esse meu descostume
Me fisgou nas malhas do desejo
E contido nessa armadilha
Quem era água agora sente sede
A religião é sagrada porque seus atos sagrados são praticados e repetidos eternamente.
E o seu casamento é sagrado?
Esta é a floresta primitiva, seus plangentes pinheiros, com verdes paramentos de folhagem, de musgo e formas indecisas. Parecem no crepúsculo os antigos, com tristes poetas, ou harpistas, cujas barbas brancas e longas sobre o peito descem. De seus rochedos fala nas cavernas, com voz alta e profunda o mar vizinho, e respondem em tom desolado os lúgubres lamentos do passado. Esta é a floresta primitiva, dos corações que palpitavam à sombra dela, como a pantera que a voz ouviu do caçador, onde os tetos estão da aldeia desses homens, cujas vidas corriam como os rios que as florestas regam pelas sombras da terra escurecidos, sem que deixem de refletir do céu uma imagem dos seus donos, dispersos como as folhas que de outubro os vendavais a um lugar distante arrojam. Só resta a tradição. Quem acredita em ascensões que esperam e resignadas sofrem, pois que existem mulheres de devoções firmes e belas, a lutuosa tradição escute, que ainda os pinheiros cantam de amor história passada, onde um povo feliz seus lábios teve. Nessa floresta primitiva construímos nosso ninho, de esbeltos passarinhos, marinheiros da selva no verde cristalino do mar clandestino, como seus peixes dourados a se espraiar na areia como oferendas, na frondosa amizade de todos os ares. E cantamos um hino à natureza, com tom grave e melodiosas vozes. E podemos dizer que somos o presente que o passado guardou com paciência e no ninho de tantos pássaros abundam sementes que nossos dedos escrevem. E somos para sempre parte desse expectro e plantamos árvores que se encontram no horizonte. E eu diria que esse poema é um ipê rosa, suave como nosso amor habitante da floresta primitiva, de nossos mais impetuosos desejos, que pulsam na natureza humana. E esse poema voa céus e te encontra sereno a pensar em seus caminhos.
Existe um universo de paz entre os seus braços, e é nesse porto seguro que eu escolho ancorar todos os meus dias.
Enzo Ruchell
Enquanto uns choram seus pais que só lhes deixaram aquilo que dinheiro nenhum pode comprar, outros, miseráveis, que não têm nada além do dinheiro — desumanizam os seus.
Tão medonho quanto aos seus problemas, é um país acumular a mesma quantidade de especialistas que eles.
Tão medonho quanto aos seus problemas, é um país acumular a mesma quantidade de especialistas que eles.
O brasileiro, em sua maioria, carrega dentro de si a estranha mania de se achar especialista em quase tudo — é médico nas segundas, repórter nas terças, técnico de futebol nas quartas, teólogo aos domingos, juiz e cientista político em tempo integral.
Opina com tanta convicção sobre o que nem consumiu e sentencia com a segurança de quem jamais se atreveu a se questionar.
Tão ávidos e apaixonados pelas respostas, ignoramos que o mundo subsiste mais pelas perguntas…
Talvez seja tão somente uma forma de sobrevivência intelectual em meio ao caos — ou, quem sabe, um capricho coletivo para não ficar a dever aos políticos que também aprenderam a ser influencers de quase tudo e especialistas em quase nada.
E assim seguimos, palpitando — sempre cheios de certezas — enquanto a ignorância se disfarça de sabedoria e a vaidade faz parecer que já desbravamos e entendemos o mundo, quando mal entendemos a nós mesmos.
Que o Senhor — o Dono da Verdade — nos livre do infortúnio de tropeçar na demonização da dúvida!
Amem!
Nosso país e o mundo precisam subsistir, assim suponho!
O Vício de Brincar com as Palavras e as Imagens, tem seus Riscos: às vezes são elas que se juntam para brincar com a gente!
Brincar com Palavras e Imagens sempre parece um gesto inocente — quase infantil.
Mas quem se arrisca nesse ofício sabe: nada é tão simples quanto parece.
Porque, palavras têm memória!
Imagens têm humor.
E ambas, quando percebem que estamos distraídos, fazem complô.
Às vezes se juntam para dizer o que não ousamos.
Por vezes até revelam o que tentamos esconder.
Às vezes devolvem à nossa própria mente uma pergunta que nem formulamos…
mas que, de alguma forma, já nos habitava.
Brincar com elas é um vício, e sim, — do tipo que não pede perdão.
E cada frase escrita, cada imagem criada ou editada, leva um pouco de nós…
mas também devolve algo que não sabíamos termos entregue.
No fundo, talvez o risco maior não seja brincar com elas.
O risco mesmo é quando elas resolvem brincar conosco —
e, sem pedir licença, sem medo e sem culpa, revelam aquilo que nós estávamos evitando descobrir.
Só há um jeito dos políticos-influencers manterem os aluguéis das cabeças dos seus asseclas em dia: criando conteúdos ruidosos.
Não se trata de informar, mas de ocupar espaço — preencher cada fresta de silêncio com indignação fabricada, cada intervalo de dúvida com certezas prontas para consumo.
O barulho não é um efeito colateral; é o próprio produto.
Nesse mercado de atenção, a lucidez é muito pouco rentável.
O que engaja é o exagero, o recorte enviesado, a simplificação que transforma complexidade em torcida organizada.
Quanto mais estridente o discurso, menos espaço sobra para reflexão — e é justamente nesse esvaziamento que o controle se fortalece.
Na Economia da Atenção, quem grita não precisa explicar; quem repete, não precisa pensar.
Há também um pacto implícito: o seguidor recebe pertencimento e direção, enquanto entrega autonomia e senso crítico.
É um aluguel confortável, quase imperceptível, pago em parcelas de compartilhamentos, curtidas e indignações automáticas.
E, como todo contrato mal lido, cobra seu preço quando já é tarde demais.
Romper esse ciclo exige algo raro: disposição para o desconforto do silêncio, para a pausa antes da reação, para o exame das próprias convicções.
Porque, no fim, o antídoto para o ruído não é um contra-ruído mais alto — é a coragem de pensar sem trilha sonora.
Para manter o aluguel das cabeças dos seus asseclas, os especialistas em guerras palavrosas são capazes de qualquer coisa.
Inclusive fingir conversão.
Há quem transforme a política em púlpito e a vitimização em liturgia.
Não para curar feridas reais, mas para mantê-las abertas, sangrando o suficiente para justificar discursos inflamados e as lealdades cegas.
Na seara política, especialmente na brasileira, a martirização já virou estratégia.
Quanto mais alto for o grito de perseguição, mais baixo o compromisso com a verdade.
E assim, os especialistas em guerras palavrosas ensaiam conversões repentinas, não por arrependimento, mas por conveniência — porque nada mobiliza mais que a fantasia do justo injustiçado.
Fingem mudança de fé, de tom e até de valores…
Não para abandonar a trincheira, mas para trocar o figurino.
É a ecdise: a troca de pele das serpentes…
O inimigo continua sendo necessário; afinal, sem ele, como justificar o aluguel permanente das cabeças dos seus asseclas?
O vitimismo, quando profissionalizado, dispensa coerência.
Hoje é cruz, amanhã é espada.
E hoje é silêncio estratégico, amanhã é grito de censura.
Tudo serve, desde que mantenha a plateia refém da emoção e distante do pensamento crítico.
Mas há um detalhe que a encenação não controla: o tempo.
Ele tem a estranha mania de desmascarar conversões oportunistas e mártires de ocasião.
E, quando o espetáculo se esgota, resta apenas o vazio de quem nunca quis justiça — apenas palco.
Porque quem realmente muda, não precisa se vitimizar…
E quem verdadeiramente sofre não transforma a dor em palanque.
O político influencer tem o direito de considerar idiotas seus asseclas apaixonados, mas não mais que ele.
O manipulador convencido de ser o único inquilino das cabeças dos seus asseclas, pode até lhes mandar buscar o chicote para chicoteá-los.
Para alugar as cabeças dos seus asseclas, os políticos-influencers são capazes de qualquer coisa, inclusive deixá-los acreditar que ainda pensam.
Para alugar as cabeças dos seus asseclas, os políticos-influencers são capazes de qualquer coisa, inclusive deixá-los acreditar que ainda pensam.
E talvez seja justamente aí que reside a perversidade mais sutil: não no comando explícito, mas na ilusão da autonomia.
É quando a manipulação se disfarça de opinião própria, quando o eco é confundido com voz, quando a convicção já vem pronta — só esperando alguém para repeti-la com entusiasmo.
A tragédia não está apenas nos que manipulam, mas nos que se orgulham da coleira — acreditando que ela é um colar de autenticidade.
E enquanto celebram essa liberdade fictícia, vão cedendo, pouco a pouco, a única posse que realmente lhes pertencia: a capacidade de “Pensar Por Conta Própria”.
No fim, talvez o maior ato de rebeldia seja recuperar o próprio silêncio interior… só para descobrir, enfim, qual pensamento ainda é verdadeiramente seu, entremeio à enxurrada deles — pensados noutras cabeças.
Qualquer político-influencer pode até acreditar que seus “asseclas mais apaixonados” sejam tão idiotas quanto ele.
A arrogância — especialmente a que se traja de bravura — costuma precisar desse autoengano para sobreviver.
O que não lhe cabe, jamais, é estender tão medonho juízo de valor a todo um povo.
O povo não é rebanho permanente, nem plateia cativa de narrativas requentadas.
Ele erra, sim, — mas também aprende, desperta, compara e aprende a cobrar.
Subestimá-lo é confissão de covardia: medo da lucidez alheia, temor do dia em que o encantamento se rompe e a máscara cai.
No fim, quem trata o povo como idiota útil, revela menos sobre o povo e muito mais sobre a própria pequenez.
E, como são pequenos os políticos-influencers, e qualquer da vida pública, que fingem zelar pelo povo, produzindo conteúdos fragmentados.
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