Seus Olhos Verde Mar

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Com a extravagância de corpos
enlaçados e apaixonados,
Com os nossos olhos fechados
e corações abertos temos
a urgência do próximo ato,
Porque deixamos nos seduzir
pela brincadeira e o perfume
natural do amor que viciados
nós estamos sem volta
e sem tédio totalmente gamados.


Embalados pelos voluptuosos
sons dos nossos ais deliciados
por alternâncias quentíssimas
e ondas divertidas de total prazer,
A luxúria evidenciada nos pertence
com aura magnética e todo o poder.


O caos amável que te trouxe é que
desde o dia que me conheceu a tua
régua romântica nunca mais foi,
e nem será mais a mesma por ter
conhecido de perto e ter nas mãos
o domínio do meu encanto sem igual
de tocá-lo inteiro por dentro do meu
jeito por ninguém conhecido e genial.


Envolvidos pelo sabor do amor,
e do doce de Araticum-açu
nos lábios para declamar tudo
o que é cabido para ser eternizado,
E para que seja recordado
nos meus Versos Intimistas
escritos da gente ter se encontrado.

Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.


Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.


Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.


E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.


Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:

- Já para casa, menina!


...


Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":


​"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."

O Canto de Reis envolvente
me leva a encontrar os teus
maravilhosos olhos felizes,
Debaixo do Angico-branco
no levando pelo ritmo hipnótico,
Proclamei-te como o meu
sublime amado erótico,
Assim eternizei na mais
alta tradição poética da terra,
Para que fique bem claro
que o amor não permite guerra,
e renova os votos de paz
por ter encontrado o que terna.

Ostento no coração igual
a florada Manduirana
reverente sob o céu austral
que o olhos encanta.


Nascendo sob a guarda
da Mata Atlântica, do Cerrado,
e até mesmo da Caatinga,
porque tudo aqui é poesia.


Habitante do pensamento
é o suficiente para tornar-me
o teu favorito sentimento.


O tempo que para uns dilui
usualmente o charme,
traz aliança e estabelecimento.

Diante dos teus olhos que
são onde convergem o céu
e monumentos do tempo,
Mesmo que ventos contrários
soprem nas nossas faces,
Convicta ando insistindo
para que o nosso mundo
íntimo não tenha destino
igual ao da Linha Durand.


Pisoteei caleidoscópios,
rasguei todos calendários
e quebrei muitos relógios,
Por recusar viver a vida
toda a mercê do acordo
entre o cavaleiro e o emir,
Está para nascer quem irá
ditar os meus valores a seguir.


Por saber que a história
não começou a partir daí,
As minhas próprias regras
fui eu quem escrevi,
E uma delas é que impérios
sempre as próprias covas
por si mesmos cavarão.


Confio na predição forjada
por lágrimas, sangue e fogo,
e na sublime ambição
que converge na sua direção
levando o teu amor no coração
com a certeza da tua retribuição.

Teus olhos magníficos
iluminam infinitos,
com luares crescentes
nos dois contidos.


Fazendo-me Vitória-régia
nívea na Mata de Igapó,
Esperando na tua pele
e para a dança me leve.


Sob a tua seda das noites
tornar-me a rósea sutil
da satisfação e pendores,
para sermos senhores.


Não sentiremos nenhuma
receio, fome, sede ou frio,
Apenas seremos convictos
que o amor não traz desafio.

Os Bonecos do Berbigão do Boca
durante o sonho com os olhos abertos
quando estava a dançar contigo,
Pareciam que já estavam sabendo
que o amor era o nosso destino,
Então, até o Sol raiar fica comigo,
porque à partir de hoje não podemos
mais sair do nosso doce caminho.

Nos meus olhos fazem
um cortejo gentil a Sirius,
a Betelgeuse, a Rigel
a Canopus e as Pleiades,
não nasci para flertar
com terrenas inverdades.


O sublime sentimento
de ver a Lua Crescente
em noite de céu aberto,
visitando a sofrida Gaza,
transcende a fotografia.


Traz para mim a nostalgia
imersiva da casa destruída,
e as saudades da família
que nunca mais será vista,
e jamais será esquecida.


O coração por licença
humanista toma a liberdade
de se tornar a tenda
do palestino iluminada
em pleno Ramadão,
para evocar a pacificação,
e o futuro de reconstrução.


(Ninguém pode deter
o futuro de uma Nação).

Olhos na vitrine psicodélica,
países do Oriente divididos,
Paredes coloridas sem sentido,
jamais desviarem do destino.


A felicidade floresce discreta,
entre o futuro e o encontro,
Ah, coração profundo e tolo!


Caminhamos pela mesma rua
como se fôssemos inimigos,
Tudo por causa dos impérios
e seus bombardeios cognitivos.

Com os olhos e o coração
voltados para Deus
e o Hemisfério Celestial Sul,
Sempre recebo borboletas
como as melhores companhias,
A minha voz empresto sempre
a quem precisa nesta vida.


Livros, papel, caneta e poesia,
forte ligação com a Natureza
e com a minha Pátria nativa,
A influência indígena sempre
mantenho viva desde pequenina:
Assim fui, sou e sempre serei,
mantenho inquebrável esta grei.

Há um romance sonâmbulo
sob os teus olhos de Lorca...


Palavras pretensiosas arremessadas,
e um arranque automático
entre algo épico
e o pesadelo lírico,
na alta madrugada.


Com o peso da alma
cheia de poesia intensa,
onde o mundo olha
para as personagens
que não podem corresponder
devido à profundidade,
à leveza e à liberdade
de ser o que sou — escolhi.


Diante da lua cigana,
num estado de êxtase,
sob os teus olhos de Lorca,
ainda talvez acordada
todavia desejo o real,
pois a essência segue intacta.


Firme vivendo o suspense
de um romance sonâmbulo:
"Ver-te que te quero ver-te",
nos teus braços que também
querem ver-me em meio ao verde.


Onde não sei como, quem dará
e qual será o passo primordial,
ao se se conseguirá alcançar o pleno final.

Não me interessa nunca
mais olhar para trás,
Desde que encontrei
com os meus olhos austrais
os teus olhos sensuais
mais supreendentes,
Outros caminhos
não conheço mais.


Reviver o que se foi,
é querer viver sem rumo.
Sem olhar para trás,
quero seguir em frente,
Agora tenho direção
e não quero conhecer
mais outros caminhos
porque qualquer
outro não me levarão
até o seu caminho.


Como chuva mansa,
o teu coração tomarei
de um jeito inusitado,
E quando você se der
conta estará capturado,
e nas tuas mãos te darei
o poder do meu coração
perdidamente apaixonado.

Não é a primeira vez que pedi
para você aprender a voltar
os teus olhos para o céu austral
de ponta a ponta no continente.
Eles querem que percamos
o interesse pela gente para sempre.


Com as mãos eu pego a conjunção
de Vênus, Júpiter e da aurora matutina.
Daqui a pouco vai ter jogo da Copa do Mundo,
enquanto a Bolívia marcha sozinha,
difamada, torturada e esquecida pela rua,
ultrapassando até memória bíblica,
mas vivendo o seu autêntico deserto.


Há um jogo imundo que ninguém
sairá ileso por covardia da tentativa
de fazer vista grossa,
Não perceberam que estamos
atravessando independente
da direção e da bandeira,
a fase mais perigosa da travessia
goste ou não, queira ou não queira.


Por causa da anomia alheia,
cheguei até a jurar que nunca mais
iria escrever poesia política,
Não por falta de empatia ou coisa parecida,
mas por cansaço de ver que o poder
vampiriza a última gota de sangue,
e por ser difícil buscar quem realmente
com a vida se envolve e de fato se alia.
Como calar sufoca, até represa transborda,
não retenho o que é de natureza reativa.

Durante a travessia encontrei
quem procurava com os olhos
atentos no meio da multidão,
para tornar parte do coração.


Mantenho com toda doçura
a beleza da preparação
para nutrir pensamentos belos
para os caminhos serem libertos,
e quem sabe unir universos?


Tenho sonhado o tempo inteiro
com os meus dois olhos
amáveis, convictos e abertos,
para dar passos concretos.

A Ibirá-puita-guassú
em floração de outubro,
a aliteração do futuro
nos teus olhos vislumbro
enraizada no coração.


O milagre de ser poesia
retirando o eu todo o dia,
passando a ser mais nós
como quem conversa,
canta, reza e protesta.


Ao encontro com a verdade
devida até onde a leveza
e liberdade se enraizam,
vou para que as asas cresçam,
e os sonhos aconteçam.

Não consigo mais olhar
com os mesmos olhos ingênuos
o céu da nossa América Austral,
Não dá para não imaginar
o Deus da Guerra e da consequência
dançando sobre algum
de nós sem tremer inteira,
Seja sob o Sol ou sob a Lua
está difícil de tirar o olhar
do céu sem embalar
o pior no coração e na cabeça,
Não dá nunca mais
para continuar sendo a mesma:
É sobre vulnerabilidade o poema.

A melhor forma de elevar a frequência do pensamento é orar, alimentar os olhos e os ouvidos com tudo aquilo que te deixe contente, e se não conseguir falar algo positivo fique em silêncio e busque fontes de energia para mudar o seu foco.

⁠"Algumas pessoas procuram diamantes com os olhos treinados para vidro."

Não quero muitas mulheres, quero aquela que faz os meus olhos brilharem."

Não aceito o lacrimejar dos meus olhos. A teimosia faz o poeta."