Segredos
*Nem todo anjo vem do céu*
Cuidado com quem você confia os teus segredos. Existem pessoas que falam como anjo, se vestem como anjo, se comportam como anjo... mas são verdadeiros demônios por trás de você.
Aprendi que aparência não é essência.
E que Deus revela o que a boca esconde, ainda que doa descobrir.
Prefiro uma verdade que liberta do que uma mentira que me abraça disfarçada de anjo.
_Van Escher_
As Memórias e os Segredos do Relógio
Por Celso Roberto Nadilo
Muito antes do que se vê hoje, o antigo Mercado da Vila era apenas um galpão vazio, coberto por teias de aranha, onde às vezes eu tirava um cochilo no silêncio da tarde. Lembro-me do tempo das casas de solteiros, pousadas simples onde a gente descansava. Eram épocas distintas: lembro de ver onças caçadas sendo expostas perto do cinema, marcas de um tempo em que a mata ainda ditava suas regras com violência.
A Fazendinha fazia parte do caminho da Sabesp, e na ponte de madeira o perigo era constante: cobras cascavéis ou corais surgiam entre as tábuas. Nos pés de chuchu, jararacas e surucucus se escondiam para comer os brotos, e os acidentes com picadas eram quase parte do cotidiano. Ao redor da vila, o cenário se completava com indígenas vendendo seu artesanato, hippies de passagem e ciganos acampados nas redondezas.
Foi exatamente nessa época que ouvi a história do velho maquinista. Ele estava prestes a se aposentar quando sua esposa, netos, nora e sogro morreram em um trágico acidente de carro. Aquela seria a sua viagem de despedida nos trilhos. O que ninguém sabia é que ele também já havia partido: era o seu próprio espírito que conduzia a locomotiva desgovernada. Hoje, o campo de futebol serve de pátio para a sucata dessa mesma locomotiva, que chegou sozinha ao seu destino de descanso eterno.
Mais acima, o emblemático relógio da estação parece flutuar sobre as nuvens. A história conta que ele foi trazido peça por peça da Inglaterra — e há quem jure que Jack, o Estripador, veio escondido na mesma embarcação para recomeçar sua trajetória trágica no Brasil. Afinal, como diz o ditado, o lobo muda de pele, mas não perde o vício.
Há também o enigma do escravo que morreu nas engrenagens do relógio após descobrir ouro nas entranhas da serra; um segredo rapidamente enterrado, pois as lendas alimentam o próprio mito da caverna. E quando o grande engenheiro chefe finalmente faleceu, seu corpo foi embalsamado e levado de volta ao seu país de origem. Porém, sua alma nunca deixou Paranapiacaba: permanece na vila como um vigia eterno, observando a memória de sua família passear pelas ruas de pedra sob a neblina.
Profundo resistir
Na fronteiras de segredos a obsessão e o teor que se dispersa na profundidade dos sentimentos.
Tão puro o cranio vazio em outras vidas foste a vida que morreu...
Dentro do retrocesso da desavenças sois o amargo temor da morte.
Deste mundo para viver no último suspiro se deu por vencido aceitou o destino.
Tão vivo seu sentimento morto e tão vivo em meus pensamentos...
Fragmentos fragis da lembrança da sua face...
Atos insanos medonhos serão frutos das almas perdida em pensamentos.
Por Celso Roberto Nadilo
Flores de inverno
nos desvaneios da noite, onde o silêncio dança,
guardo segredos profundos, como notas numa pauta.
palavras que se escondem nas sombras do meu ser,
como rios subterrâneos que buscam o mar a renascer.
no vazio do meu peito, habita uma melodia,
revelando sonhos ocultos, teias da fantasia.
segredos que me envolvem, como um manto a me guiar,
num labirinto de mistérios que só eu posso desvendar.
em cada suspiro, em cada olhar que não se vê,
são segredos silenciados, histórias que não pude dizer.
nos traços da minha face, em linhas esculpidas pelo tempo,
reside a alma inquieta, um segredo em cada momento.
e sigo adiante, com sorrisos e máscaras no rosto,
escondendo do mundo as chagas que ainda não foram expostas.
mas na verdade mais íntima, na essência que me faz pulsar,
os segredos se agitam, clamam para se libertar.
e se um dia a coragem me invadir como um vendaval,
desnudarei minha alma, soltarei cada segredo nesse ritual.
para que a verdade, enfim, desabroche como uma flor,
e revele ao mundo inteiro o que guardo com fervor.
pois na escuridão do segredo, há uma força a se erguer,
um fogo que arde e anseia por se fazer conhecer.
e quando finalmente eu abrir o livro do meu ser,
descobrirei a paz que tanto busquei e nunca soube onde obter.
então, envolto em coragem, desvendarei cada véu,
e na música dos segredos, encontrarei meu eu.
pois no fundo de todos nós, há histórias por contar,
e nas entrelinhas da vida, os segredos estão a se revelar.
Segredos da Natureza
Bolhas viajam por rios de areia...
As mesmas areias que carregam rochas,
aquelas que parecem caminhar solitárias.
Longe dali, pedras flutuam em nuvens,
erguidas pelo vento que esculpe o céu.
Até nas imagens de Marte,
onde a pareidolia desenha rostos alienígenas,
a matéria se move.
Rochas andam, vivas,
como as árvores ancestrais da Amazônia.
São os segredos da natureza.
Os mesmos que ecoam no mar profundo,
onde, na escuridão do abismo,
encontramos o sentido da vida —
e o reflexo das profundezas da nossa alma.
À margem de tudo, redemoinhos de fogo se erguem.
Parecem criaturas famintas, distintas, ferozes.
O que serão elas?
Não sabemos,
pois a vida é feita de surpresas.
Mulheres escondem coisas..
guardam segredos..
as vezes mentem..
outrora sao loucas.. santas... ou ate mesmo sarcasticas..
mas nunca deixam de ser mulheres...
ou simplesmente... elas mesmas..
FÓRMULA PERDIDA
No caderno da existência,
De mistério e de beleza,
Há segredos que escaparam
Da maior inteligência.
Foi um deles, certamente,
Que vestiu tanta grandeza.
Quando Deus moldou o mundo,
Com perfeita harmonia,
Misturou luz e esperança,
Cor, perfume e poesia;
Mas guardou um ingrediente
Que ninguém mais descobriria.
Quando passeia no jardim,
As flores a invejam, sem pudor;
Se aparece na janela,
O beija-flor canta de amor.
Até o vento muda o rumo
Só pra sentir seu calor.
Quando vai passear na praia,
Baleias fazem reverência;
Golfinhos saltam nas ondas
Em alegre efervescência.
Como artistas do oceano,
Saúdam sua presença.
Se vai à noite pra janela,
Os meteoritos, em desatino,
Perdem a rota no espaço
Mudando o próprio destino.
Pois até o céu se distrai
Diante de encanto divino.
A lua perde o brilho,
As estrelas a direção;
O arco-íris se pergunta
Qual é sua verdadeira cor então.
Toda beleza do universo
Lhe rende admiração.
Nem os sábios descobriram
A receita da perfeição;
Nem a ciência decifrou
Tão sublime criação.
É um enigma que desafia
Toda lógica e razão.
A natureza perdeu a fórmula
Quando fez minha Bela;
Gastou toda a perfeição
Na mais bonita aquarela.
Depois disso, nunca mais
Criou outra igual a Ela.
A lua conta segredos das estrelas, que cintilam de prazer... e até uma cadente se arrisca no horizonte. A lua compartilha com o sol, junta todo brilho, para aquecer os corações dia e noite para alcançar o céu da vida!
A lua esconde segredos e mistérios no céu do coração!
Façamos como coruja, em seus segredos mistérios, observa tudo com sabedoria e atenção. Seus olhos vagam na escuridão, sente-se à vontade meio a solidão.
Flores abrem o peito ao sol, pétalas sopram segredos ao vento — cada uma é verso, cada uma é vida, beleza que nasce, brilha e se faz eternidade no momento.
O UNIVERSO NOS TEUS OLHOS.
O universo dormia em silêncio encantado,
guardando segredos de estrela e luar;
mas viu teus olhos, tão claros, dourados,
e aprendeu novamente a sonhar.
Tua respiração, suave melodia,
é sopro de vida no imenso jardim;
alimenta os mundos com doce poesia,
e faz o infinito florescer dentro de mim.
Se uma rosa distante pudesse falar,
diria ao pequeno viajante da imensidão:
“Há corações que nasceram para amar,
pois carregam o céu dentro da mão.”
E quando a noite beijar a amplidão,
e a lua repousar sobre o mar,
o universo guardará tua recordação:
um olhar onde estrelas vieram morar.
- Marcelo Caetano Monteiro.
Cílios que varrem
Demolidora de olhares,
Diplomática nos segredos,
Perfume de encantamentos para os mortais,
Precipitação das fragilidades do corpo e das fraquezas dos sonhos das almas,
Tu és, desde o oráculo afrodisíaco dos ancestrais, as perdições dos anciões.
No crepúsculo, o dia entrega seus segredos à noite, e é ali que a alma percebe o peso silencioso de tudo que nunca foi dito.
EduardoSantiago
