Se Vi longe e Pq me Apoiei em Ombros de Gigantes
Para Que Sejamos Necessários
Transfere de ti para mim
Essa dor de cabeça, esse desejo, essa vidência.
Que careça em ti o meu excesso
Que me falte o que tu tens de sobra.
Que em mim perdure o que te morre cedo
E que te permaneça o que tenho perdido.
Que cresça, se desenvolva em teus sentidos
Que em mim desapareça.
Dá-me o que de possuir tu não te importas
E eu multiplico o que te falta e em mim existe.
Para que nosso encaixe forme uma unidade.
Indivisível.
- Que não se possa subtrair uma metade.
EU vi teus olhos, tinham paz e não mentiam... teu olhar me dizia o que tua boca tinha medo de falar... mas eu entendi...
Eu senti tua mão sobre a minha e foi uma energia que a ciência ainda desconhece... se juntar toda a força do mar com a suavidade das nuvens, ainda assim não poderei descrever teu toque, me senti como uma folha tremendo nas mãos de um furacão...
Quando dançamos queria que fossemos como as ondas do mar, para que fizéssemos apenas isso... e tornássemos um só!!
O meu sorriso foi a forma que coração usou para dizer que encontrou o que procurava !! ”
Hoje quando me vi pensando em você, falei contigo, te disse um monte de coisas...
Falei de mim,da minha vida,contei histórias passadas...Rimos juntos...
Falei de ontem, voltei lá trás, andei na praia,molhei meus pés,senti o cheiro do sal,do mar...
me vi criança...correndo,rindo,dona de tudo aquilo,peguei conchinhas,fiz um colar,escrevi na areia...
Queimei meu rosto, meu corpo no sol,fiquei morena,queimada,rosada...sentei na pedra,olhei o mar...
Sabe te procurei, principalmente quando olhava aquele barco, bem longe dali, era pequeno,porque o mar era grande
Mas eu sentia que você estava lá.
Que engraçado eu olhava e te acenava, sabe,e você me respondia,que alegria eu sentia,como era bom estar ali.
Ah! Falamos de hoje, ai eu te disse que já no meu sonho,no meu acordar,quando abri os meus olhos,eu já via os teus,você me olhava,você me sorria,nossa que alegria,como era bom.
Falei dos meus planos, do que eu queria fazer... Ah,eu hoje só quero te ver,sentir o seu cheiro...sentar na varanda deitada na
rede, escutar as crianças brincando na rua...Quero ouvir uma musica,aquela que eu escolhi,pra virar como tema da nossa conversa,sabe aquela que você gosta,escuta...está tocando...é
linda...E fecho os meus olhos,por isso não quero nem me mexer,pra não quebrar esse encanto,de estar com você!!!
Torcida contra
Eu sei exatamente o que isso significa.
Já vi de perto o silêncio calculado, o elogio não dado, a curtida evitada como se reconhecimento fosse moeda rara demais para ser oferecida.
Já percebi quem observa tudo, mas prefere não somar.
Quem acompanha, mas não apoia.
Quem admira, mas não admite.
E por muito tempo eu questionei se o problema estava em mim.
Hoje entendo que não.
Existe uma torcida contrária que não grita, ela silencia.
E o silêncio também comunica.
Mas aprendi algo precioso:
o que é verdadeiro não depende de validação pública para existir.
Quem é luz não apaga para caber no desconforto alheio.
Se há quem não suporte minha felicidade, minhas conquistas ou minha inteligência, isso já não me diminui — me revela.
E sim, pessoas assim são necessárias.
Elas me ensinaram a não ser pequena, a não competir por migalhas de reconhecimento, a não economizar aplausos quando vejo alguém brilhando.
Hoje sigo consciente:
não preciso que todos celebrem, mas também não diminuo meu brilho para caber em quem prefere a sombra.
Pela Primeira vez
Quando te vi pela primeira vez, não achava que isso pudesse acontecer.
Nunca iria imaginar encontrar alguém tão perfeito.
E foi como se eu já estivesse vivido com você, como se eu já te conhecesse de outras vidas.
Foi estranho e bom ao mesmo tempo.
E nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, me senti longe,
Senti-me em um lugar totalmente estranho,
Foi como se eu tivesse voltado no tempo.
Tudo pareceu não importar mais e só uma coisa importava,
só uma coisa bastava. Você.
E eu não posso perdê-lo, os dias sem você sangram e a distância entre nós
É apenas um obstáculo que devemos superar. Mas como superar?
Longe de você é tudo preto e branco, longe de você é tudo terrível.
Como viver sem esses olhos castanhos? Como viver sem esse seu sorriso encantador?
Tu és meu porto seguro, meu ponto fraco. Tu és metade de mim, é a minha outra metade que procurei á vida inteira.
A mudança de posição no tabuleiro não define o jogo
Eu já vi, aprendi que minhas conquistas são sempre passageiras, porque na verdade não são minhas. Já aprendi que meus medos serão pra sempre, porque nunca tenho uma resposta consistente pra eles. Não sei por que me sinto assim, é sempre a mesma sensação de missão cumprida.
Estou sempre procurando algo pra me provar que sou capaz, e sou bom no que faço, já mudei o curso de muita coisa e me envolvi com elas, tanto que o sofrimento é inevitável na hora de se despedir.
O coração tem ligação direta com a felicidade, se ele está bem, todas as coisas demais serão acrescentadas, a experiência nos deixa convicta disso. Não espero ser feliz assim, mais o que é vida se não uma aventura, um lugar hostil onde todos os dias, travamos batalhas pra sobreviver!
Mais a maior batalha de todas é aquela nos campos do coração onde nos dedicamos pra sobreviver na vida de alguém, onde é exigido tudo de nós, sermos fortes, perseverantes, ter fé, ser estratégico, e a maior de todas as armas e também a mais dolorida, a hora de desprezar, de ver que essa disputa não nos serve mais. Ser humilde para aceitar isso e partir pra uma nova batalha.
Mais como se despreza que nos faz bem, essa é uma pura covardia, como se renega o prazer de viver feliz ao lado de alguém como dizer não para as coisas boas como o carinho a atenção o respeito, ora porquanto é melhor não tentar entender, o melhor é tentar sobreviver, pois o desprezo há o desprezo, esse é fatal é fulminante e ao mesmo tempo é uma dor latente!
Entra devagar pelos poros e vai se disseminando pelo corpo todo, faz doer nos ossos e faz a gente tremer, não costuma sobrar muita coisa, enquanto alguém segue a vida faz plano e resolve problemas, é tão forte que você para um tempo apenas pra tentar sobreviver, falta o ar, falta à vontade, sobra desânimo, e como recomeçar de novo?
Estou nu, e visto a camisa com honra, e esperar novamente a vez de ser chamado, pois se cumpro tão bem meus deveres, os problemas nunca acabam. Um dom, só é especial quando você tem capacidade de usá-lo, e ter a capacidade de ajudar, e fazer a felicidade aflorar na vida de alguém é incrível, mais como é incrível que exista alguém que pode fazer isso por você mais infelizmente nada pode fazer por ela, a não ser aquilo que ela mesma desejar mais como despertar o seu desejo?
Assim como existem pessoas que não conseguem pedir ajuda, existem pessoas que sabem resolver seus problemas, essas últimas não querem ajuda querem algo mais, talvez serem compreendidas, talvez apenas ser amadas ou como a situação lhe convir.
Isto não quer dizer que não amem mais este é seu jeito de amar, de decidir, siga a sua vida e elas saberão a hora certa de te procurar, se já fez isso demais, conviva um pouco com ela agora!
"Vi que, independente de tudo e acima de qualquer coisa, o amor é um sentimento que vive em mim, que caminha ao meu lado, que me acompanha aonde quer que eu vá. Não posso me perder dele, tampouco abrir os dedos e deixar que ele se vá. É por isso que eu acho que a gente deve cuidar de quem ama como se fosse a primeira vez."
Ignorar. Abstrair. Fingir mesmo que não vi. Deixar certas pessoas pensarem que ganharam a briga, e em troca, ganhar a tranquilidade. Dar importância ao que é realmente importante. E acrescenta. E me faz só bem. Não entrar na dança da mediocridade. Do baixo astral. Das más vibrações. Ficar em silêncio quando não tiver a capacidade de disparar doçuras e delicadezas por aí. Humildade e capacidade de reconhecer erros, são qualidades que não se impõe a ninguém. São coisas que a vida ensina. Os dias, os tombos. Não vou tentar forçar. Exigir que todos tenham. Vou buscar corrigir meus defeitos. Tenho alguns que até criaram raízes.
Nem sempre conseguirei agir assim. Mas tentar é sempre um bom começo rumo à evolução espiritual. Em busca da verdadeira beleza de ser. Leve. E de bem com a vida. E carregada de boas vibrações. Plantar delicadezas, pra colher a paz. É só isso que eu preciso pra manter um sorriso de verdade. No rosto e na alma.
amor, conheço?
Já ouvi falar do amor, mas não o conheço pessoalmente, eu acho que já o vi por algumas vezes, acho que já tirei os olhos dele, fingi não vê-lo, já fingi revê-lo, fingi, apenas fingir, o amor têm medo de mim da mesma forma que eu tenho medo dele, mas não se esconde de mim o quanto eu me escondo dele, eu tenho um poder imensurável pra amar, mas eu não quero amar, o amor é imensurável, mas ele também não me quer, na verdade, talvez sejamos inimigos mortais, mas, o amor não é mortal, mortal é apenas eu, o amor nunca morreu, ele está dentro de tudo, inclusive dentro de espaços vazios, o amor é o som do silêncio, o amor preenche a vácuo, o amor é sublime, suas conseqüências são inimagináveis, eu mataria por amor mas de amor eu não morro, eu não sou imune à ele, mas ele é impune, por isso o temo, o respeito e às vezes até o compreendo, o amor te faz crescer e ficar pequeno, te derruba e o te faz grande, o amor que pode ser descrito é pequeno, o amor com um feliz fim não é eterno, o amor que te prende não te condena, o amor que constrói não imagina o que corrói, o amor é simplesmente indescritível mas eu sou tão insano à ponto de tentar descrevê-lo.
Porque não foi um pouco antes? Porque não apareceu quando tudo era mais simples, quando a minha vida era menos complexa, quando eu estava descobrindo tudo o que me fazia bem e não tinha um pingo de medo de viver tudo o que eu tinha para viver? Porque não veio mais cedo, não cruzou meu caminho numa daquelas longas viagens, porque não nos esbarramos numa dessas calçadas, num desses bares? Porque tudo agora, tão recente, sem termos a mínima chance de descobrirmos se a gente pode ser feliz, se a gente se completa como nosso abraço diz nos completar? Porque todo esse fingimento, essa farsa de um amor embutido numa amizade linda demais, companheira demais? No entanto, só nós sabemos o quanto nos precisamos, nos fazemos bem, somos felizes juntos.
Porque tudo agora? Tão tarde?
Tudo bem. Conformei-me, já.
É só um momento. Na verdade, é que agora estou aqui sozinha lembrando e com saudades. Todas as vezes que tenho esses momentos eu me revolto com o tempo, me revolto com as ironias do destino, e escrevo. Como se fosse um surto. É rápido. Logo passa. O que não passa mesmo é essa vontade de estar ao seu lado e todas as noites ouvir a sua respiração aqui no meu ouvido, sentir o seu cheiro; mesmo você estando longe, aí, também com saudades porque acabou de me confessar por uma mensagem.
Vai ser assim, pra sempre. Só não se esquece de me levar no pensamento, porque eu te levarei.
É-me impossível.
Vi-te hoje radioso, com um sorriso na cara,
E com simpatia contagiante.
Por escassos segundos senti que não havia amanhã,
Apenas aquele momento maravilhoso...
Senti felicidade aconchegando-me a alma...
Senti-me poderosa e rainha do meu trono...
As palavras ditas antes...? Quantas delas interessam?
Não certamente aquelas em que fiz promessas de te esquecer,
Ou de te tentar afastar de mim.
É-me impossível.
Cada dia é novo, especial.
Como tu, percebes?
É algo a que é impossível escapar, é um fenómeno inevitável.
Sim, aqueles preciosos momentos fascinam-me e ardem-me por dentro...
É-me impossível fugir de ti,
Da tua essência incandescente e frágil...
Vou lutar. E talvez cair (uma vez mais),
Pois sei que o amor é algo construído pouco a pouco.
Mas que a todos calha, com um pouco de sorte!
Penso que ainda será possível abraçar-me a ti,
Beijar-te sem medo,
Fazer-te feliz com todas as minhas forças,
Pronunciar ao teu ouvido a linda palavra de amor,
Que todos sabem dizer, mas poucos sabem sentir.
Sem ti, sou inércia.
Contigo, radiosidade e felicidade constante.
É-me impossível esconder o meu amor por ti!
Vivi, senti, passei provações, em algumas aprovadas, em muitas outras tornei ao aprendizado; Vi perante a face às lágrimas daqueles que ainda não choram; Vi a solidão daqueles que estão em festa; Vi o coração contrito, avisei-o da liberdade futura, mas minhas palavras caíram ao chão; Em alegrias fui abatido ao sepulcro e em tristezas resgatado dos mais altos Céus; Na minha aflição, desespero e confusão, escutei o conselho dos lábios que não falam e falei aos ouvidos que não ouvem, não aos seus olhos; Disseram-me: o que tens para mim? Respondi: não sei o que tenho, mas do que não conheço lhe entrego! Então uma voz bradou e disse: ora, quebre-o, junte seus pedaços, refaça suas medidas e coloque-o ao fogo para firmar-se. Pensando estar pronto, fui sentir a brisa do vento, mas quente ainda pelo calor do fogo, minha estrutura trincou-se, fui abatido por brisas, minha força ajoelhou-se perante o poder de uma pequena corrente de vento. Então me disseram: O que tens para mim? Respondi: decerto, nada tenho além de minha vontade própria e meu desejo de sentir-me bem; achando-me preparado, desci à arena e fui engolido por leões, rasgado por formigas, destruído internamente por alimentos, meu “amor” não resistiu ao próximo e virou-se contra mim, tornando-se meu inimigo íntimo, meus conhecimentos me destroem, pois não consigo calá-los, minha força se tornou assolação e minha esperança um deserto sem água. Hoje, entrego-lhes meu coração despedaçado, minha fraqueza, meu deserto, meu inimigo, meus conhecimentos e convicções e por fim, minhas vontades. Então a mesma voz bradou e disse: Vais, retorne à arena, pois o que eu poderia lhe oferecer que já não esteja em suas mãos homem? Se te formar novamente, tornarás a ter a imagem da força e da convicção, e decerto, em breve serás testado; mas estando fraco e com frio, onde estaria sua provação? Agora sois o mais forte dentre os fortes, pois sois o mais fraco dentre eles, e, caindo qualquer um, onde cairão senão em seus braços já que estais abaixo de todos eles? E se retornares a ficar acima, quem lhe protegerá?
Hoje, não apenas escuto, mas ouço ao mesmo tempo, toco e sinto, vejo e enxergo, caminho e prossigo, retorno e regrido, amo e sou odiado, bebo água mas tenho fome, como alimento mas sinto sede, na fartura há necessidade, na falta deparo-me com a abundância, espero com esperança, não porque vejo, mas porque espero. Aprender a ficar em pé, é, antes de tudo, aprender levantar e equilibrar-se. Aprendi que vivo, mas a partir de você que vivo e sem você, nada tem sentido, por isso sofri e sofro, pra ser aquilo que lhe falta, pois você, de alguma forma, me complementa... Viva!
Eu vi você gritar quando ninguém pode ouvir. Você sempre sente vergonha de que alguém poderia ser tão importante que, sem ela, você sentiria como nada. Ninguém nunca vai entender o quanto dói. Você se sente sem esperança, como se nada pudesse salvá-lo. Então, quando acaba, e termina, você quase deseja ter todas aquelas coisas ruins de volta, para que assim você pudesse ter as boas.
- Você é feliz?
- Não.
- Já tentou correr atrás da felicidade?
- Sim, mas desisti quando vi ela beijando outro.
E no final de todos os dias, eu só peço a Deus que só o que for verdadeiro permaneça na minha vida (...)
A vóz do anjo sussurrou no meu ouvido.... Eu não duvido....Já escuto os teus sinais.... Que tu virias numa manhã de domingo... Eu te anuncio.... Nos sinais das catedrais....Tu vens, tu vens , eu já escuto os teus sinais.
Ninguém conhece minhas lutas. Portanto, eu não preciso provar nada, a não ser sapatos, roupas, vinhos e cachaça.
CLADISSA - ROMANCE. N° 59.
LIVRO - 59
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"CAPÍTULO VI"
"A DIGNIDADE ENTRE A TERRA E O OLHAR"
A Úmbria do século XI não era apenas geografia. Era estrutura feudal, era hierarquia sacramentada, era ordem imposta sob o duplo jugo da espada e do altar. Após a fragmentação do poder carolíngio, as pequenas senhorias tornaram-se centros autônomos de comando, onde a vida camponesa se submetia à lógica da dependência e da proteção. Naquele contexto, a mulher sem linhagem era invisível aos registros, mas não aos olhares.
Cladissa caminhava pelos campos como quem carrega não apenas feixes de trigo, mas o peso de uma condição social irreversível. Órfã de camponeses, destituída de dote, alheia às alianças matrimoniais que sustentavam a economia feudal, ela não possuía moeda de troca. Ainda assim, despertava investidas.
A razão não residia na posse, mas na presença.
A mentalidade medieval compreendia a mulher sob três categorias recorrentes, a virgem, a esposa, a pecadora. Tal tripartição, difundida pela teologia latina e consolidada na cultura eclesiástica do período, formava o horizonte moral da época. A autoridade espiritual exercida por centros como a Abadia de Monte Cassino, sob influência da tradição beneditina fundada por São Bento de Núrsia, impregnava o imaginário com uma disciplina que exaltava o silêncio e a submissão.
Mas havia outra força. A política.
A região da Úmbria encontrava-se sob disputas constantes entre a autoridade imperial do Henrique IV e o poder papal de Gregório VII, cujo conflito culminaria na chamada Querela das Investiduras. O poder era tensão. A tensão infiltrava-se nas aldeias. Onde há instabilidade, há oportunismo.
Cladissa representava algo raro. Beleza associada à altivez moral. Não era a sedução vulgar das feiras itinerantes, nem o riso fácil das tavernas. Era compostura. Em uma sociedade rigidamente estratificada, a dignidade em corpo pobre provoca inquietação. Ela não se inclinava além do necessário. Não oferecia palavras supérfluas. Não solicitava proteção. Isso bastava para despertar desejo e desafio.
Os jovens escudeiros viam nela a possibilidade de conquista. Para eles, a mulher sem tutela masculina constituía território disponível. Alguns pequenos proprietários a percebiam como eventual concubina útil. Havia também homens sinceros, que a observavam com respeito contido, temerosos de aproximar-se por não possuírem recursos para elevá-la socialmente.
A estrutura feudal operava sob pactos. Casamento era contrato econômico. Amor era luxo. Uma camponesa órfã, ainda que virtuosa, raramente ascendia sem mediação clerical ou proteção senhorial. No entanto, a história demonstra que períodos de transição institucional abrem fissuras nas hierarquias. A instabilidade do império, as tensões entre Roma e os príncipes germânicos, o enfraquecimento de determinadas casas locais criavam margens de mobilidade inesperada.
Cladissa não compreendia os tratados políticos, mas percebia as mudanças no ar. Mais soldados cruzavam as estradas. Mensageiros passavam com pressa. Homens discutiam tributos nas portas das igrejas.
Ela sentia que algo maior movia-se.
Seu silêncio não era ignorância. Era prudência.
No interior da pequena igreja rural, sob afrescos já desbotados pelo tempo, Cladissa ajoelhava-se não por submissão servil, mas por convicção íntima. A fé medieval era simultaneamente temor e esperança. O sermão falava de culpa, de pecado, de vigilância. Contudo, para ela, Deus era abrigo. Não ameaça.
Essa distinção interior tornava-a ainda mais singular.
Entre a terra que lhe sujava as mãos e o olhar que lhe sondava o destino, Cladissa começava a compreender que a verdadeira herança não era dote nem brasão, mas caráter. Em uma era onde o sangue definia o valor, ela intuía que a nobreza podia nascer da conduta.
Os campos permaneciam os mesmos. As muralhas continuavam erguidas. A ordem social não se alterara visivelmente.
Mas dentro dela, algo se consolidava.
E quando a dignidade de uma mulher enraíza-se na própria consciência, nenhuma estrutura feudal consegue mantê-la para sempre confinada ao chão que pisa.
Carrego comigo dentro do meu coração todos os lugares onde estive ,todas as paisagens que vi através de janelas,todos os sonhos que sonhei,todo momento vivido,todo sentimento surgido,amores vividos. tudo isso, que foi tanto,que é tanto
Mas sempre quero mais,e mais e mais...
Já vi muitos jovens cristãos cometerem erros sérios e tolos por agirem sob algum impulso irracional ou “por palpite”, em vez de se valerem poderiam fazer suas as palavras de Bernard Baruch: “Todos os fracassos que tive, todos os erros que cometi, todas as tolices que já vi por aí, tanto na vida pública como na particular , foram a conseqüência de uma ação não pensada.”
