Se quer ser Amado Ame
De vez em quando, meditando
Eu suponho ser um pássaro
Ou um inseto voador qualquer
E saio por ai voando
Imaginando um Mundo melhor
Das paisagens que Deus me permite ver
Prefiro as da natureza
As manhãs orvalhadas e a vegetação
A imagem da Lua espelhada no Mar
Não há nada mais divertido
do que ver a branca luz refletida
dançando lentamente
Entre as coisas criadas por gente
Eu prefiro, indubitavelmente
A Imagem da Mona Lisa
A Poesia de Vicente de Carvalho
O brilho de limpeza muito pura
dos assoalhos simples e humildes
Mas nada se compara
Aos insetos caminhando sobre galhos
Procurando atalhos que os leve
ao bico de alguma ave
Ao fundo de tudo isso
O som suave da gaita e do violão
Os sorrisos dos meus filhos
Aline e Raul, Marina e Murilo
e o do meu irmão mais velho
A vida correndo sobre os trilhos
e voltando a mim mesmo,
em questão de minutos
Assim eu começo meu dia
Muito antes do nascer do Sol
Muito obrigado, Meu Deus!
Faça agora, enquanto é tempo
Quando escurecer, poderá ser tarde
A vida continua, mas não é contínua
Fale agora, enquanto há tempo
Este Mundo pode parecer concreto
Mas não existe certeza de nada
O escuro manto da noite existe
Escondido, sob o fino véu da madrugada
Hoje há Mundo, há luz, há vida, há tempo
O tempo é um novelo de lã
a cada momento mais desenrolado
Pode ser que amanhã
Não haja nada.
Amor, pra quê amar?
O que vem a ser isso?
É se doar, havendo ou não
Compromisso.
É sentir-se feliz
com qualquer gesto.
Nem sempre ter o que quis
e ser feliz com o que vem.
Amor não liga pra ouro
ou algo assim
É algo que dura até o fim
Mesmo que o fim venha antes
se for amor de verdade
Você há de amar distante
Mesmo havendo a liberdade
de não mais amar
O amor é algo
Que excede a própria vontade
Amar é saber onde é o Mar
e não ir lá
Sem um amor pra te acompanhar
Amar é ter um calo que dói
Suportar a dor e ir trabalhar
Amar é sentir
Saudade de quem viu de manhã
E sentir-se feliz ao rever
Amar
É sentir medo de perder
E jamais fazer segredo
desse amor
Amar é gostar
de alguém que existe
Mesmo que esse amor
às vezes seja meio triste
Se for amor, o amor insiste
Amor era algo escrito
Antes que a gente nascesse
Amor é como a flor do deserto
Que resiste
sem haver nada por perto
E cresce e vive, não desiste
e ninguém vê
Mas sendo amor
Existe, mesmo sem haver porquê.
edsonricardopaiva
A verdadeira liberdade
Não consiste em poder ir
Muito menos querer ficar
Ser livre
é algo um tanto mais profundo
e muitos passos mais
À frente
É conhecer a verdade
como algo que ocorre
corriqueiramente
deixar a janela aberta
sem medo
viver num mundo
onde todos tenham
Conhecido a palavra certa
o mais básico segredo:
Aquele que diz
Que só conhecendo a verdade
A gente finalmente
Se liberta
Um dia a gente promete
Promete pra gente mesmo
Que com a gente
Vai ser tudo diferente
E que vai mudar muita coisa
Um dia a gente percebe
descontente
Que este mundo engana a gente
A uns menos, a outros mais
E por mais que a gente tente
A vida condena a gente
à mesma sina que nossos pais
A natureza da vida
Os caminhos do Mundo
A mesma chuva caindo
E roupa secando no varal
Muita coisa muda
e no final a gente percebe
Que o tempo mudou tanto a gente
Pra depois finalmente
A gente constatar
Que pra bem ou pra mal
Não há nada diferente
e tudo aquilo que fizemos
Acabou deixando a gente
Muito igual
Pode ser que aconteça
De um dia a gente conseguir
Firmar os nossos pés
Naquele lugar
Onde queremos chegar
Eu desejo demais
Que a vida nos dê essa chance
Ao calor do meio-dia
Há sempre excesso de energia
O calar da madrugada
Sempre se assemelha
Ao findar da centelha de vida
Já não tenho mais
Tanto tempo assim
Não consigo nem pensar
O que será de mim
Caso as asas do tempo me alcancem
Há sempre histórias sem fim
Enfim, é pouco
O que vou deixar ao mundo
Nem todas as coisas bonitas
Que deviam acontecer
Estão escritas
Eu só escrevo as que consigo
Preciso antes dizer
Que aquele sorriso
Que um dia me conquistou
Carrego sempre comigo
A todo lugar onde vou
Tem sido o meu Céu e meu chão
Minha única esperança
E será também a última lembrança
Que um dia haverei de carregar
No lugar reservado
às lembranças felizes
Que eu trago aqui no coração
Chega a ser triste
Que tanta gente distante
Seja presença constante
No coração da gente
E a gente
de coração transbordante
Tentando fazer um ninho
Nos corações daqueles
Que estão a um passo da gente
Porque será
Que aqueles que nem ligam pra gente
Nos momentos
em que a gente mais precisa
São sempre os mesmos
Que precisam da gente
Quando finalmente
A gente está tão distante
Parece que o amor
É uma semente de mostarda
Que muito tarda a crescer
Por que será
Que a gente tanto reclama, descontente
da rotina e pasmaceira
Que às vezes a vida apresenta
E depois percebe
Mais descontente ainda
Que a vida já correu
Passou-se, quase que inteira
E a gente não teve tempo
Pra quase nada
O tempo correu
E a gente não está mais lá
E também nunca esteve aqui
A gente nunca está onde precisa
E nos lugares onde está
Ninguém precisa da gente
Por que será
Que naqueles momentos
Em que nos sentíamos
tão perdidos
Na verdade, foram os únicos momentos
Em que a gente realmente
Sabia onde estava?
Edson Ricardo Paiva
Pode ser
Que eu saia desta vida
de alma ainda pura
e com o corpo
Completamente quebrado
Se for assim
Creio eu
Que terei logrado
Morrer como queria
Portanto
Não me culpem
das expectativas malogradas
Criadas em meu redor
Cada um tem a própria vida
E não se pode viver duas
Eu sou responsável
Somente pelas minhas palavras
e não pelas suas
Cada um de nós
Vai criando seus próprios problemas
Na medida em que não atenta
Para os sinais tão claros
Às vezes gritantes
Com os quais o mundo acena
todo dia
Eu só faço aquilo que posso
Pra quem deseja um pouco mais
Eu só posso pedir
Que me deixe morrer em paz
Edson Ricardo Paiva
Um sono suave
Pode ser até
Que algum sonho tenha havido
Mas aquela doce vida
Era tão boa
Que a gente nem pensava
Em perder tempo à toa, sonhando
Lá em casa
A gente até quase ria, de vez em quando
Uma voz mais grave
Invariavelmente
Nenhum de nós tinha feito nada
Nas asas do tempo
Um avião de papel ... um brinquedo
Uma luz acesa lá fora
Pode ser que fosse a Lua
Eu não sei quem foi que guardou
As chaves do lugar
Onde se põe para sempre
A lembrança sem par
Do som dos teus passos no portão
Que hora bonita tinha o dia
Silhueta distante
Um vulto no final daquela rua
Uma festa calada
Era muda a alegria, mas era
Essa vida que voa nas asas do tempo
Quando menos se espera
O suave, a voz grave, a alegria
os teus passos.
Até mesmo a própria Lua, tão brilhante
Ainda brilha
Porém hoje brilha menos
Brilha bem menos
Que no tempo bonito e distante
Ninguém sequer o desenhou
Mas tudo isso vai pra sempre estar escrito
Aqui e ali
Nos pedaços mais simples
da vida da gente
Eternamente
Nos espaços vazios do telhado
Que chovia
No traço da luz da Lua
Que fugia do Céu
E invadia o quarto na escuridão
Na ilusão das asas
de um pequeno avião de papel.
Edson Ricardo Paiva.
A vida há de trazer eternamente
Questões difíceis de ser resolvidas
Elas existem, porque a alma existe
Triste quem não percebe
Que a forma mais acertada
É aceitar que nada acontece
Sem que exista pra isso uma causa
um motivo ou razão
Pode ser que seja
um empurrão que a vida dá
Obrigando a um pensamento superior
Você procura escuridão
Na vaidade e a mentira
Mas é nos momentos de calma
Que enxerga a verdade
Se não consegue viver alegria
Um dia encontra a infelicidade
O caminho trilhado
Palmo a palmo, o tempo passa
Um dia há de enxergar
Que as palavras ao vento não foram perdidas
Mas o ódio no pensamento
destruiu tudo que havia de concreto
Um dia o silêncio há falar mais alto
E então você vai perceber
Que a sua alma não se precaveu
E perdeu grandes oportunidades
Deixando ir embora
A tudo que deseja agora
Então você se dá conta
Que deixou passar por entre os dedos
Os sonhos que tinha em mãos
No ato e na ânsia de abraçar com força
A tanta ilusão que a vida trouxe
No formato incorreto de questões
Agora Impossíveis de ser resolvidas.
Edson Ricardo Paiva.
Um dia
Num tempo
Hoje não longe
Nem por isso perto
Existia um lugar
Que não chegava a ser deserto
Mas era distante do mar
E ficava em frente a uma janela
Onde havia acima um Céu
Não sei dizer se as estrelas
Que brilhavam naquelas noites
Costumam sair ainda
Meus olhos agora
Enxergam muito mais, quando fechados
Um dia
Reluzia esperanças
Que olhando neste momento
Penso ser melhor esquecê-las
deixá-las de lado
Relegar ao esquecimento
Agora
O silêncio daqueles dias
Ganhou voz e hoje me diz
Que era por não saber
Que eu trazia guardado no peito
O sonho de ser feliz
A gente era apenas criança
Que não sabe nem mais querer
O que um dia quis.
Edson Ricardo Paiva.
A nuvem no horizonte
Não diz, nem quis dizer nada
ou pode ser que hoje chova
E forme um canteiro de flores
Naquela sombra escondida
que existe por sob a ponte
No final da longa estrada
A Lua minguante à luz do dia
Quem sabe exerça influência
E revire totalmente
Esse oceano de melancolia
Trazendo outra flor
e outra semente
Pode ser que outra dor somente
Os pássaros voltam
Quando o Sol brilha mais forte
Assim como o copo de cristal
Emite um som diferente
Varia a tonalidade
Harmonia em lugar de ruido
nas cores da luz do dia
Festa em fundos de quintal
A luz do Sol na janela partida
Um arco-íris de cacos
Aquarela, mosaico, poesia
Um castelo no ar termina
Tristemente o cristal partido
As cores quentes
Algo a surgir das ruínas
Pode ser que a nuvem feliz
Quis ser sinal no horizonte
a chover por sobre a gente
Conforme o escrito e prometido
e antes que termine a tarde
A vida passe a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva.
De tanto querer
possuir brilho de estrela
Em vez de ser
Apenas gente
Fez brilhar
Seu brilhar mais ruim
E de tanto querer
Navegar ou voar
Afogou-se
No ar que respirou
Em vez de viver
A vida que trouxe
Na própria bagagem
Assim que desceu do Céu
Foi querer navegar
E voar para Céu
Pra ser mais uma estrela
E depois olhar de lá
descobrir
Que tão bela era a vida
da qual declinou
E tão boa era a pessoa
Que podia ter sido
e não quis.
Edson Ricardo Paiva.
Poesia Sutil.
Eu penso ser muito bom
O fato de a flor não saber
Pois, se a flor dedicasse atenção
À tamanha admiração
daquele que a fita
Pode ser que aconteceria
de a flor então desejar
Querer ficar mais bonita
A estranha rareza a que se busca
Alçada no ver da vaidade
é beleza irreconhecível
Pois o olhar da cobiça a ofusca
Conduzindo almas perdidas
Nos caminhos da ilusão
Felicidade ... rara; querida!
Pobre plágio de alegria
A transforma num fácil jogo
E vem a falsa impressão
de estar dando as cartas
Farta-se em vê-las perdidas
Difícil esse jogo da vida
Perceba a felicidade
em andrajos vestida
Fingindo desenxabida
Morando na casa ao lado
Simplicidade é ter um valor
Invisível aos olhos de ver
Que nem ao menos pára para iludir
Infinita ... reluzente
Milhões de vezes mais cara
Real essência da vida
Modesta, invisível
Contrasta ao que não se basta
Do desejo em possuir
Àquilo que a alma enleva
Palavra jamais aludida
Uma entrave obsessiva
Insistente em mentir pra verdade
Suave arremedo, perdida
Enquanto a beleza mais bonita
É o fato de a flor
Ser bela sem o saber
A beleza mais bela da vida
É aquela que a gente não vê.
Edson Ricardo Paiva.
A vida da gente
É um labirinto
Que pode ser que seja breve
E pode ser que o veja imenso
Mas é tudo ilusão
Penso que há
Quem tenha passado por ele
Na desenvoltura de um sonho leve
Há quem o apenas transforme
Numa enorme moldura de espelho
Sem noção do próprio orgulho
Pra ver a si mesmo perdido
A vida pode ser um Céu
Repleto de ventos mornos
Carregado de estrelas brilhantes
Pode ser um jornal que se lê
Simplesmente um tribunal
Repleto de juízes, cadafalsos
Um estábulo, um patíbulo
e acusações sem perdão
Ou então pode ser que seja
Um lindo jardim florido, onde há Sol.
Um pasto de capim a ser comido
Uma cama sem lençol
Um bornal de mau-caratismo
Um abrigo, um abísmo
Um vasto caminho
Onde estamos todos perdidos
Eu, buscando alguma saída
Enquanto a minha própria vida
Simplesmente espera por mim
Porém, num ver mais profundo
Ninguém vive mais que uma vida
A vida é vivida no mundo
O mundo uma estrada
A estrada uma esfera
A vida é uma espera
Onde nada, absolutamente nada
Um dia não chegue ao fim.
Edson Ricardo Paiva
"Se um pobre pode sentir-se rico
Sabe ser mais rico que um rei que não sente nada"
Edson Ricardo Paiva.
Se a gente fosse olhar direito
O que podia ser tão simples
Complicado, carregado de defeitos
Pode ser que sem querer
a gente compre
O que há muito
Deus já tinha dado
Parece
Que olhando do Céu
Esse pedaço esquecido
O tempo do verbo
Ficou no passado
E por menos que se divida
No final da tarde
É madrugada
Nada mais
Além de espaço
O vácuo Indescritível
Um sinal de igualdade
Um papel amassado
À esquerda o passado
Do lado direito o moderno
Qual se fosse o resultado
de tudo que a vida trouxe
Mas por menos que a gente divida
O produto final é nada
Na mente da gente
Um inferno e um Céu
Um tempo presente
Eternamente passageiro
Transitório
Inclusive o mundo inteiro
Até mesmo o papel
e a conta que estava errada
Na regra de três
Muito simples
A linha torta
Três retas
O passado retratado
Era quadrado
Fica sempre mais difícil
Quando o simples, complicado
Colocando distante o bem perto
Escrevendo o errado
Por seus próprios méritos
O tempo presente
No momento seguinte
Pretérito.
Edson Ricardo Paiva.
Aprendi a ser eu mesmo
Praticando ato de ser
A mim mesmo de vez em quando
Eu não posso e não preciso
Ir a todos os lugares
Mas posso olhar calado
E descobrir o que não quero ser
O que restar, sou eu
Aquele que traz no coração
O que merece ser lembrado
Aprendi a errar sem pedir ajuda
Meus erros me ensinam
Que o mundo muda
Mas que há coisas no mundo
Que serão sempre as mesmas
Do pouco que aprendi
Eu sei que tem coisas ali
Que devo levar comigo
Pois não devem ser ensinadas
A mais pura manifestação de vida se dá
Nos momentos em que não se sabe como agir
Pra todas as outras se olha os ponteiros
Enquanto o relógio enferruja
Sem que se veja
Qual dos dois tempos foi mais verdadeiro.
Edson Ricardo Paiva.
"A parte importante de mim
não está em mim
e portanto não pode ser vista
mas quem gosta de mim a vê
porque gosta de mim
e mais nada
Pois a parte importante de mim
e de qualquer outra pessoa
é a parte que não tem, não quer ter
e também não exige
A nada que não lhe pertença
deseja somente a presença
da parte boa que não se vê
Senão com o olhar da alma
A parte importante da gente
É a parte que pressente
a finitude da vida
e percebe
que a melhor atitude perante ela
é querer a companhia
da parte que consigo não carrega nada
Pois a vida que se tem à vista
é passageira
e desta vida não se leva nada
Além da parte fraterna
Que não se via
Eis aqui toda verdade
Um dia
Essa parte há de ser vista
e benquista e companheira
de quem a quis pelo bem querer
Assim há de ser
por toda uma eternidade"
Edson Ricardo Paiva
Luzes.
A melhor qualidade da alma
Se esconde na faculdade
dela não poder ser vista
Pois é isso que intensifica
Essa luz que determina
A nossa maneira de lêr
O mundo que nos rodeia
Pois de todas as janelas
Que nele existem
As paisagens sempre haverão
de mostrarem-se diferentes
Olhando por elas se aprende
A enxergar a verdade que vai
Separada do todo que fica
Uma certa sensibilidade
No tato mais apurado
Distingüir de lama
A água cristalina
Sem jamais esquecer
Que do lodo a colheita germina
Pois assim se aprende
Que não nos é dado o direito
A prescindir de nada
As causas da vida são muitas
E a corrente do rio
As vai tornando diferentes
Quando juntas
Eternamente separadas
Apesar de aparentar pequenas
Apenas acontecem
Pra que a gente entenda
Que em todas as dimensões
Um olhar mais acurado
Não desvenda o segredo da vida
Mas indica a direção
Que de certa forma nos aproxima
Ao Sublime conhecimento
Da existência de algumas normas
Unindo a luz, cá de dentro
À luz que vem lá de cima
Em cada Universo um poema
E em cada verso uma rima.
Edson Ricardo Paiva.
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