Se quer ser Amado Ame
MORIBUNDA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Nas frestas do ser, tecido em sombra e peste, dorme a carne, e a alma se reveste de ferrugem, pó e lama vil;
sou fruto putrefato de um solo hostil.
No ventre úmido do tempo triste e agreste, minh'alma enferma e macilenta investe, num sonho tosco, em busca do porvir; mas tudo é vão.
O osso, o mofo, o verme persistem. E neste palco de miséria e desatino, represento o triste destino de um bicho que sonhou sentir.
E ama, e chora, e continua a perecer.
Meus olhos, duas candeias já sem brilho, pendem cansados para o chão senil;
a vida foge, fria, sutil,
e só me resta o gosto vil da dúvida que rói todo o perfil.
Sinto no peito um breu sem consolo,
um poço sem fundo, um verso sem solo.
E nesta agonia, um réquiem vago a vida entoa, zombando do meu pranto que ainda condoa.
Sou barro e lodo, sombra e lama, verme que deseja chama, mas só sabe se arrastar.
E, ermo em vão, me vou sem norte,
levando no peito a própria morte,
que vive a sussurrar. Assim... num mundo vão
me desfaço e me consumi, num riso amargo e vão que não sorri.
E a noite é tudo o que sei e serei e senti.
" Ser espírita não consiste apenas em acreditar na imortalidade da alma.
Consiste em cultivar uma disciplina intelectual.
Questionar.
Pesquisar.
Comparar.
Estudar.
Corrigir-se.
Abandonar opiniões quando os fatos demonstram seu erro. "
SER ESPÍRITA.
O ser espírita compreende, pouco a pouco, que não estamos na Terra para habitarmos um parque de diversões destinado aos caprichos transitórios da personalidade. A existência corpórea é uma escola venerável, um educandário da alma, onde cada experiência encerra uma lição e cada desafio contém uma oportunidade de engrandecimento moral. A aula já vai começar para muitos corações, e a consciência deverá despertar ante os acontecimentos que se desenham no horizonte da humanidade.
Viemos de um pretérito profundamente compromissado. Trazemos na intimidade do ser débitos acumulados, equívocos esquecidos pela memória biológica, mas registrados nas profundezas do Espírito. Contudo, trazemos igualmente conquistas silenciosas, virtudes em germinação e tesouros morais adquiridos ao longo da jornada multimilenar. Somos herdeiros de nossas próprias obras.
A dor, essa sombra de justiça que habita os caminhos da evolução, caminha lado a lado com a alegria. Não surge como castigo, mas como instrumento educativo. Ela visita as lágrimas para ensinar o valor da serenidade. Aproxima-se do vazio existencial para recordar à criatura que nenhuma realização material consegue preencher as regiões mais profundas da alma. O sofrimento, quando compreendido sob a luz da imortalidade, converte-se em oficina de renovação interior.
O Espiritismo apresenta-se como uma bênção de luz para as consciências inquietas. Diminui as indagações que atormentam o pensamento. Clareia as noites de perdição moral. Alimenta a fome de significado. Sacia a sede de transcendência que tantas vezes buscamos inutilmente nos prazeres efêmeros da existência terrestre. Sua mensagem convida ao equilíbrio, à responsabilidade e ao autoconhecimento.
Quantos corações vagueiam entre os ruídos do mundo carregando silenciosamente uma tristeza sem nome. Quantos sorriem exteriormente enquanto padecem de profunda exaustão espiritual. O vazio existencial não nasce da ausência de bens, mas do afastamento dos valores eternos. Quando a alma perde o sentido de sua origem e de seu destino, instala-se a inquietação que nenhuma conquista terrestre consegue dissipar.
Por isso o compromisso para com o Espiritismo não deve limitar-se ao estudo intelectual. Trata-se de um compromisso com a própria transformação moral. Não basta conhecer as leis espirituais. É necessário vivê-las. Não basta admirar o Evangelho. É indispensável incorporá-lo às atitudes diárias. O verdadeiro espírita reconhece que cada palavra estudada exige uma correspondente renovação de conduta.
A felicidade não é um prêmio reservado aos que jamais choram. Ela floresce justamente no coração que aprendeu a atribuir significado às lágrimas. A serenidade não consiste na ausência de provas, mas na capacidade de atravessá-las sem perder a confiança em Deus. O homem verdadeiramente feliz é aquele que descobriu que sua paz não depende das circunstâncias exteriores,
mas da harmonia de sua consciência. O Espiritismo permanece como o grande Consolador prometido pelo Cristo. Não porque elimine todas as dores, mas porque lhes oferece explicação. Não porque suprima as provas da vida, mas porque revela sua finalidade educativa. Não porque afaste as lágrimas, mas porque lhes confere dignidade e esperança. É o Cristo redigido em princípios, esclarecendo a razão sem sufocar o sentimento. É a luz que dialoga com a inteligência e aquece o coração. É o convite permanente para que o ser humano abandone a condição de simples habitante do mundo e se torne, conscientemente, um viajante da eternidade.
Marcelo Caetano Monteiro.
" Cada amanhecer oferece uma escolha silenciosa. Podemos ser espectadores que julgam ou viajantes que compreendem. Podemos acumular críticas ou semear significado. E, ao final, são as experiências vividas com humanidade que permanecem como o verdadeiro patrimônio da consciência. "
"Desconfie de tudo que lhe seja oferecido sem esforço, pois a facilidade costuma ser o disfarce da mediocridade."
"Ser é mais difícil do que parecer, pois a aparência exige aplauso, enquanto a essência exige verdade."
"Há uma coragem rara em ser gentil num mundo que frequentemente recompensa a dureza e a indiferença."
"A liberdade não é o direito de fazer o que queremos, mas a coragem de ser o que somos, mesmo quando o mundo pede que sejamos outro."
"A morte não é o fim da história, mas o momento em que ela deixa de ser escrita por nós para ser lida por todos os que nos amaram."
RECOMEÇAR COMO ATO DE SOBERANIA DA CONSCIÊNCIA.
A história interior do ser humano não se organiza como uma linha reta e previsível. Ela assemelha-se muito mais a um percurso de avanços, quedas, reflexões e reconstruções. Cada existência revela-se como um processo contínuo de aprendizagem moral e psicológica. Nesse contexto, a ideia de recomeçar não deve ser compreendida como um simples gesto circunstancial, mas como uma faculdade profunda da consciência. Recomeçar é uma manifestação da liberdade interior do espírito.
Do ponto de vista filosófico, a capacidade de reiniciar um caminho representa uma das expressões mais elevadas da autonomia humana. O indivíduo não está condenado a permanecer eternamente vinculado às decisões do passado. A consciência possui a faculdade de examinar a própria trajetória, reconhecer erros e estabelecer novas direções. Esse movimento constitui aquilo que a filosofia moral compreende como retificação do agir.
A reflexão introspectiva desempenha papel fundamental nesse processo. Quando o ser humano recolhe-se ao exame de si mesmo, ele inicia uma operação silenciosa de análise da própria conduta. Tal exercício exige coragem psicológica. É necessário admitir equívocos, reconhecer limitações e perceber as consequências das próprias escolhas. No entanto, essa lucidez não deve conduzir à paralisação da culpa. Ao contrário, deve converter-se em energia de transformação.
Sob a perspectiva psicológica, o recomeço está intimamente ligado à capacidade de ressignificação da experiência. Os acontecimentos dolorosos ou os fracassos não possuem um significado fixo e imutável. A mente humana possui a extraordinária aptidão de reinterpretar o vivido. Quando essa releitura ocorre com maturidade, aquilo que antes parecia apenas derrota passa a revelar-se como fonte de aprendizado e amadurecimento.
O sofrimento, nesse sentido, frequentemente funciona como um laboratório moral da alma. Não é o sofrimento em si que engrandece o indivíduo, mas a maneira como ele é compreendido e assimilado. Quando o espírito decide não permanecer prisioneiro da amargura, inaugura-se uma nova etapa de desenvolvimento interior. Recomeçar significa libertar-se do peso psicológico da estagnação.
Essa atitude exige disciplina mental e serenidade reflexiva. O ser humano que decide reconstruir-se precisa reorganizar os próprios valores. Precisa revisar hábitos, modificar padrões de pensamento e fortalecer a vontade. O recomeço não é um evento instantâneo. Ele é um processo gradual de reconstrução da identidade moral.
Nesse percurso, a esperança exerce uma função estruturante. A esperança não deve ser confundida com uma expectativa ingênua de que tudo se resolverá sem esforço. Trata-se, na verdade, de uma disposição interior que permite ao espírito perseverar mesmo diante das dificuldades. Ela atua como uma força silenciosa que sustenta a continuidade da caminhada.
Sob a ótica espiritual, a possibilidade de recomeçar revela um princípio essencial da evolução do espírito. A existência não se limita a uma sequência de erros irreparáveis. Cada experiência representa uma oportunidade de crescimento. A vida oferece constantemente novas circunstâncias nas quais o indivíduo pode aplicar o aprendizado adquirido.
Assim, o recomeço não é uma fuga do passado. Ele é uma reorganização consciente da própria história. O passado permanece como memória e como lição. Contudo, deixa de exercer domínio absoluto sobre o presente. A consciência madura transforma lembranças em fundamentos de sabedoria.
Há momentos em que o ser humano acredita ter perdido todas as possibilidades. A decepção, o fracasso ou a culpa podem produzir a sensação de que o caminho terminou. Entretanto, a experiência histórica demonstra exatamente o contrário. Muitas das mais notáveis reconstruções humanas nasceram em circunstâncias de profunda adversidade.
A grandeza moral não reside na ausência de quedas. Ela manifesta-se na capacidade de levantar-se novamente com maior lucidez. O indivíduo que compreende essa verdade começa a perceber que cada recomeço amplia sua maturidade psicológica e sua sensibilidade ética.
A vida, portanto, não deve ser vista como um tribunal implacável que condena definitivamente o erro humano. Ela assemelha-se muito mais a uma escola espiritual na qual cada etapa oferece novas oportunidades de aprendizado. O verdadeiro progresso interior nasce quando o indivíduo decide assumir responsabilidade pela própria transformação.
Recomeçar, em sua dimensão mais profunda, significa afirmar a soberania da consciência sobre as circunstâncias. Significa reconhecer que a história pessoal não está concluída enquanto houver disposição para aprender, corrigir e prosseguir.
E toda vez que a consciência humana decide erguer-se novamente, algo silencioso e grandioso acontece no interior da existência. O espírito redescobre que ainda há caminho, ainda há horizonte e ainda há possibilidade de tornar-se melhor do que ontem.
" O texto explica que o mundo espiritual não pode ser representado com exatidão por meio de desenhos ou mapas materiais, pois sua substância é formada por elementos fluídicos e mentais. "
Do livro: Cidade No Além.
"O egoísmo é uma prisão invisível. O prisioneiro acredita ser senhor, mas apenas vai se encerrando em si mesmo."
As ilusões se camuflam no prazer, e o prazer pode ser um beco sem saída, que pode acabar mal ou bem.
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