Se foi o Tempo Chegou o Tempo
Será que desistir foi mais fácil?
Ir embora foi um ato de coragem, mesmo quebrada. Meu voo foi impulsionado, talvez pela dor, como saber?
É triste deixar quem se ama, mas ficar séria não me amar.
Me reencontrei num processo doloroso, porem libertador.
Desistir de você e ir embora foi um ato de coragem. Ou fui covarde?
Doeu...
É triste deixar quem se ama, mas ficar séria não me amar
Seria cruel comigo e com você.
Essa é a parte dolorosa., sentir e ter que sufocar, tentar esquecer, fingir que não dói. E como está doendo.
Queria que você fosse o último, que nossa estrada fosse longa, que estivéssemos sempre juntos, ainda que fisicamente longe. Que toda mágoa fosse breve. Que fosse leve a nossa caminhada, ainda que pesasse a gente não desistiria do nós...
Que nossa vontade fosse livre.
Queria que pudesse me escolher sempre. E mesmo que eu seja minha, eu sempre seria tua. Mas, não foi assim..
Você mexeu com as minhas certezas, e foi embora.
Porque a ausência grita mais que a presença?
Porque anda no meu pensamento, se não me quis na sua vida. E ainda assim.
I miss you.
"A saudade é a teimosa presença daquilo que já se foi, mas que a alma se recusa a deixar partir. Ela faz da memória morada permanente, consentindo que a ausência habite nossos espaços mais íntimos. Se uns falam dela com leveza, outros escolhem o silêncio, não por indiferença, mas porque mexer em certas lembranças é revisitar abismos contidos."
Nunca foi sobre performance, sim uma boa exegese aplicada com fidelidade em cima do texto, portanto leia, entenda e sendo assim anuncie as boas novas.
Pedágio
(Moacyr Franco)
Minha mãe me fez rezar
Para ser feliz um dia
A felicidade se passou
Foi durante a noite e eu dormia
Fui ao culto, rezei missa
Bebi pinga no terreiro
Vi que a graça nunca vem de graça
E os pecados eu paguei primeiro
Me bati contra o destino
Virei saco de pancada
Quero o braço levantado hoje
Pra depois não acredito em nada
Me ensinaram semear
Plantei rosa. fiz canteiro
Mas enquanto eu reguei semente
Desmataram esse mundo inteiro
Descobri que tanto faz
Sobriedade ou mais um porre
Só se vive mesmo nove meses
Pois o resto, amiga a gente morre
Já morri em nova york
Outro tanto em paris
Mas agora que te conheci
Vou morrendo um pouco mais feliz
E por isso não me fale
No futuro, no amanhã
Paraíso é esse instante aqui
Que comemos da mesma maçã
Faz de mim o que quiser
Faz de conta que é feliz
Deixa o mundo se matar lá fora
E me mate só de amor aqui
Já parti em tantos barcos
Já chorei em tanto cais
Quando digo que te amo assim
É porque te amo muito mais
Quando digo que te amo assim
É porque te amo muito mais
"Aquele que foi criado com pouco descobre cedo que a abundância exterior pode ser apenas um véu de ilusões. O verdadeiro valor das coisas não reside no acúmulo de bens ou na aparência, mas na simplicidade que nutre o espírito e fortalece a existência. Ninguém se define pelo que veste, muito menos pelo que possui, pois a identidade humana não se sustenta na superfície, mas na profundidade de ser."
A escrita foi o primeiro lugar onde consegui existir sem precisar me explicar.
Muito antes dos livros, dos projetos, das entrevistas, da comunicação profissional ou da construção pública da minha trajetória, existia apenas uma menina tentando encontrar uma forma silenciosa de permanecer inteira dentro de si mesma.
Eu comecei a escrever muito cedo.
Tão cedo que, durante muito tempo, nem percebi que aquilo tinha nome.
Enquanto algumas crianças aprendiam a falar sobre o que sentiam, eu observava.
Observava os silêncios das pessoas.
Os desconfortos escondidos atrás de respostas rápidas.
As mudanças sutis de comportamento.
Os olhares cansados.
As emoções interrompidas no meio da frase.
Desde pequena, eu sentia o mundo de forma intensa demais para caber apenas na superfície das conversas comuns.
E talvez tenha sido exatamente por isso que a escrita apareceu tão cedo na minha vida.
Ela não surgiu como escolha estética.
Surgiu como necessidade emocional.
Escrever era a maneira que eu encontrava de organizar aquilo que ainda não sabia explicar.
Enquanto o mundo seguia rápido do lado de fora, eu escrevia para desacelerar o que acontecia dentro de mim.
E naquele espaço silencioso entre pensamento e palavra, algo começava lentamente a fazer sentido.
A escrita foi o primeiro lugar onde não precisei simplificar minha percepção para caber no ritmo das outras pessoas.
Porque existem experiências humanas que não conseguem nascer completamente na fala.
Alguns sentimentos precisam de pausa.
Precisam de tempo.
Precisam atravessar silêncio antes de virarem linguagem.
E foi escrevendo que comecei a entender algo que me acompanha até hoje:
nem toda comunicação acontece através da voz.
Algumas das conexões mais profundas da vida acontecem quando alguém finalmente encontra palavras para sentimentos que carregou sozinho por anos.
Talvez por isso eu nunca tenha conseguido escrever de maneira superficial.
Para mim, palavras nunca foram apenas ferramentas.
Elas sempre carregaram presença.
Cada frase que escrevo nasce primeiro da observação humana.
Da escuta.
Da tentativa de compreender aquilo que geralmente passa despercebido nas pessoas.
Porque eu sempre senti que existiam dores muito silenciosas escondidas dentro de pessoas aparentemente funcionais.
Existiam mulheres cansadas sendo chamadas apenas de fortes.
Existiam crianças tentando sobreviver emocionalmente enquanto ainda aprendiam a existir socialmente.
Existiam pessoas sorrindo em ambientes onde já estavam emocionalmente ausentes há muito tempo.
E sem perceber, fui transformando tudo isso em escrita.
Não para produzir efeito.
Mas porque era a única maneira honesta que encontrei de permanecer conectada ao mundo sem me afastar de mim mesma.
A escrita se tornou meu espaço de tradução interna.
Ali eu conseguia transformar excesso em clareza.
Confusão em percepção.
Silêncio em linguagem.
E durante muito tempo, meus cadernos guardaram partes minhas que eu ainda não conseguia mostrar para ninguém.
Ideias soltas.
Perguntas difíceis.
Reflexões inacabadas.
Medos que eu ainda não compreendia totalmente.
Observações sobre pessoas que talvez nem imaginassem o quanto revelavam através dos pequenos detalhes.
Hoje entendo que comecei a escrever antes mesmo de saber exatamente quem eu era.
E talvez tenha sido justamente a escrita que me ajudou a construir essa resposta ao longo dos anos.
Porque escrever nunca foi apenas sobre produzir textos.
Foi sobre aprender a existir emocionalmente sem me abandonar no processo.
Foi sobre encontrar uma forma legítima de comunicação em um mundo que muitas vezes exige rapidez de pessoas profundamente sensíveis.
Talvez por isso meus livros nunca tenham sido apenas projetos editoriais.
Cada obra carrega experiências emocionais que passaram primeiro por dentro de mim antes de chegarem até o leitor.
Cada texto nasce de algo que precisei observar, sentir, compreender ou sobreviver emocionalmente de alguma forma.
Porque eu nunca consegui escrever apenas para informar.
Eu escrevo para tentar alcançar lugares humanos que normalmente permanecem sem linguagem.
O cansaço que ninguém valida.
A solidão escondida dentro da funcionalidade.
As perguntas silenciosas que as pessoas fazem para si mesmas durante a madrugada.
O medo de não ser compreendido.
A exaustão de precisar parecer forte o tempo inteiro.
E talvez tenha sido exatamente aí que descobri o verdadeiro poder da escrita.
Palavras não servem apenas para transmitir ideias.
Às vezes, elas devolvem reconhecimento emocional para alguém.
Às vezes uma pessoa lê uma frase e sente, pela primeira vez em muito tempo:
“alguém finalmente conseguiu traduzir isso.”
E sinceramente… existem poucas formas de conexão humana tão profundas quanto essa.
Com o tempo, percebi que escrever não diminuía a complexidade da vida.
Mas me ajudava a atravessá-la sem endurecer emocionalmente.
Porque a escrita não exige perfeição.
Ela exige verdade.
E verdade emocional talvez seja uma das coisas mais raras da nossa época.
Hoje, olhando para tudo o que construí, consigo perceber que muito antes da profissão existir, a escrita já estava lá.
Silenciosa.
Discreta.
Paciente.
Me esperando crescer até entender que ela nunca era apenas um talento.
Era linguagem da alma.
Era percepção organizada em humanidade.
Era a forma mais honesta que encontrei de tocar o mundo sem precisar gritar para ser ouvida.
No fim, percebi algo que mudou completamente minha relação com as palavras:
eu nunca escrevi apenas para publicar livros.
Eu escrevi para deixar partes minhas respirarem fora de mim.
E talvez seja isso que um texto verdadeiramente humano faça.
Ele atravessa o silêncio de alguém
e sussurra, com delicadeza:
“você não foi o único a sentir tudo isso.”
A cada fim de dia você tem um motivo para agradecer por ele e, e se não foi tão bom assim uma oportunidade para acreditar que amanhã vai ser melhor.
Paixão é bicho selvagem, não aceita rédeas nem arreio. Criatura humana alguma já foi capaz de domá-lá.
INCREDULIDADE
A morte, por si só, nunca foi a obsessão que assombra a vida da humanidade desde os tempos mais remotos, mas sim o desejo pela imortalidade que, infelizmente, está associado ao sonho de manter a juventude eterna ligada a frescuras inesgotáveis.
Isso porque, para os incrédulos, uma vida eterna devastada pela fraqueza, pelas doenças, pelas deficiências, pelas limitações, pelo declínio do corpo e pela deterioração dos sentidos não seria senão a somatória da infelicidade com a miserabilidade, de tal forma que o sonho da imortalidade se transforma em um verdadeiro pesadelo, e a morte avassaladora passa a ser vista como um desejo.
Rosimara Saraiva Caparroz
O chamado de Deus realmente se parece com as águas de um rio: ele não foi feito para ficar parado, ele encontra caminho, atravessa terrenos difíceis, contorna obstáculos e continua avançando até cumprir o propósito para o qual foi liberado.
"A Ilusão de Poder"
Dessa vez foi diferente.
Ele tentou outra vez.
Como sempre fazia.
Com pressão, intimidação, palavras atravessadas
e aquela necessidade doentia
de controlar tudo ao redor.
Mas dessa vez…
eu não abaixei a cabeça.
Eu me ergui.
Coloquei a mão à frente
e disse:
“Não.
Hoje não.”
E pela primeira vez,
eu confrontei não apenas o homem diante de mim…
mas tudo aquilo que ele representava dentro da minha vida.
O medo.
O silêncio.
A culpa.
A submissão.
Porque chega um momento
em que permanecer calado
começa a destruir mais do que o confronto.
E eu percebi que o verdadeiro perigo
não era perder alguém pela violência…
mas pela ausência de sabedoria.
Pela ambição vazia.
Pela fome miserável de status, dinheiro sujo
e uma sensação de poder
que, no fundo, nunca existiu.
Alguns homens passam a vida inteira
tentando parecer grandes.
Porque jamais conseguiram suportar
o vazio de serem pequenos por dentro.
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