Se eu Tivesse Asas

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⁠Por mais que eu não seja compreendida, nunca desistirei dos meus ideais

⁠Quanto mais eu tenho vontade de gritar, mais me curvo ao silêncio.

Eu não te peço amor como súplica,
nem imploro que faças da tua vida um altar para mim.
Peço apenas que sejas verdadeira,
que não me ofereças migalhas quando tens um universo dentro de ti.
Se não fores capaz de incendiar teus dias ao meu lado,
se não fores capaz de viver o teu melhor comigo,
então não posso permanecer na sombra do que poderíamos ser.
Prefiro a solidão honesta
ao abraço morno que não me sustenta.
Prefiro partir com a dignidade intacta
do que ficar onde o coração não floresce.
Eu sou feito de intensidade,
de horizontes que pedem coragem,
de sonhos que exigem presença.
E só quem ousa viver o próprio melhor
pode caminhar comigo até o fim.

Eu implorei a deus pelo remédio, mas não tenho mais certeza.

A revolução começa aqui, a indústria treme
Eu sou estranho, mas são todos iguais a mim
Por isso eu sou gigante
Eu poderia ficar muito rico
Eu preciso disso porque eu sinto fome
O dinheiro é um desperdício, só faz rima pobre
A revolução começa aqui, a indústria treme
Eu sou estranho, mas são todos iguais a mim
Sou gigante
Sim, eu poderia ficar muito rico
Eu preciso disso porque eu sinto fome
O dinheiro é um desperdício

Eu tenho uma mente muito perceptiva pra espionagem... afinal de contas eu também já espionei

Eu te apresentei o mundo das possibilidades
e você correu com a metade da minha vida

Eu olho pro meu passado e rio. Rio porque se eu não rir das minhas próprias brincadeiras, alguém vai e provavelmente já riu. Quando eu era mais novo, o bairro não era só onde eu morava, era meu palco. E eu, humildemente, era a atração principal. Não pedi esse talento, nasci com ele.


Cada rua guarda uma memória que eu claramente ajudei a criar. A bola que sempre caía no quintal errado (coincidência nenhuma), a campainha tocada e a corrida digna de atleta olímpico, as reuniões improvisadas na calçada que terminavam em bagunça sem plano e sem motivo. Tudo extremamente organizado dentro do caos.


Eu não fazia brincadeira pequena. Se era pra aprontar, era com criatividade. Se era pra irritar, era com estilo. Os vizinhos não sabiam meu nome completo, mas sabiam exatamente quem eu era. Ícone local. Lenda urbana em construção.


O melhor é lembrar da confiança. Eu tinha certeza absoluta de que nada dava errado se ninguém fosse pego. E quase nunca éramos. Quando éramos, vinha aquele discurso interno: “relaxa, isso vai virar história”. E virou. Sempre vira.


Hoje eu crio memórias rindo das antigas. Eu exagero? Óbvio. Mas se eu não valorizar meu próprio legado, quem vai? Aquela bagunça toda virou repertório, virou risada, virou aquela frase clássica: “cara, lembra daquela vez?”. Lembro. Como esquecer?


No fim, eu não me arrependo das brincadeiras. Elas me deram histórias, cicatrizes pequenas e um ego levemente inflado. Eu não era só mais um moleque do bairro. Eu era o moleque que fez o bairro ter assunto por anos.


E sinceramente? Se um dia alguém escrever sobre aquela rua, meu nome pode não estar lá… mas minha bagunça com certeza vai estar.


— Cyrox

Dessa vez eu vou falar sério. Sem piada, sem exagero, sem fingir que tá tudo bem. Eu paro, penso, respiro e tento lembrar de quem eu era quando era mais novo, quando o bairro inteiro já conhecia meu nome não por mérito, mas por bagunça. Aquela época em que a rua era extensão de casa e o juízo claramente tinha tirado férias.


Eu olho pra trás e até tento dar um significado bonito, dizer que era liberdade, infância, energia demais. Mas a verdade é que era só eu sendo eu: barulhento, inquieto e convencido de que nada tinha consequência. Cada esquina guardava uma história, quase nunca uma boa ideia.


Só que… não dá. Eu não consigo manter esse tom sério por muito tempo. Porque falar sério sobre isso exige maturidade, e eu ainda rio lembrando das fugas, das risadas abafadas, dos olhares tortos dos vizinhos. Eu tento parecer reflexivo, mas minha memória faz questão de me entregar.


No fundo, eu sei que era imaturo demais pra entender limites. E talvez ainda seja imaturo demais pra falar disso sem sorrir. Porque aquele garoto bagunceiro ainda mora aqui dentro, só que agora ele pensa um pouco mais antes de aprontar. Às vezes.


Eu cresci, mudei, aprendi algumas coisas. Outras eu só disfarcei melhor. O bairro já não escuta meu nome com tanta frequência, mas as lembranças continuam andando pelas mesmas ruas.


E o final não é sobre arrependimento nem sobre saudade. É só a constatação de que eu não virei um adulto sério e certinho. Virei alguém que olha pro passado, balança a cabeça e pensa: eu não sabia o que tava fazendo… e, sendo sincero, ainda não sei.


— Cyrox

As vezes da vontade de andar, o vento bater, e eu desaparecer.

Eu não fui feita para me encaixar, fui feita para me expandir.

Refletindo no riacho
Eu te acho em clara água
Quando nada mais dá certo
Teu olhar ventila a dor
Ventilador
Trás bem-me-quer furta-cor.

Em cada passo que eu dou
Levo um gesto de amor.

Tirando os meus 3000 defeitos
Eu sou perfeito.

⁠Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde

Legião Urbana

Nota: Trecho da música Os barcos.

Se eu tiver alguém, vou ser feliz. — uma ilusão perigosa.

⁠...Eu gritei. O eco do meu grito foi mais forte que o sopro do lobo,
Ele, sem esforço, derrubou Minha casa de alvenaria,
Agora só há Escombros por todo lugar, Difíceis de juntar,
Assim como as folhas no chão, Depois da primavera.

Não sou a mesma pessoa de antes, mas ainda sou eu, apenas olhando de outro ângulo da vida.

Eu sou um grande admirador de pessoas grotescamente verdadeiras e tenho pavor de pessoas delicadamente mentirosas.

Eu tinha muita fé. Tudo alcançava com fé. Era inacreditável!
Depois de conviver com alguns cristãos a razão passou a falar mais alto.
Que Deus me proteja!