Se eu Pudesse Pegar todos seus Problemas
O segredo da vida é que estamos todos perdidos no espaço mas não fazemos a menor ideia disso. Calculando isso, dá 42.
Um dia, todos nós partiremos rumo ao grande mistério do desconhecido — uma jornada sem retorno, onde nenhum viajante regressou para revelar o que encontrou. O que nos aguarda além dessa fronteira invisível. Será um reino de luz e serenidade, ou algo que transcende qualquer forma de compreensão humana.
Esse é o enigma silencioso da vida: quem partiu não voltou para narrar, e quem permanece não guarda lembrança desse outro lado.
Vivemos cercados por um oceano de informações, opiniões e certezas aparentes. Contudo, no âmago de nossa existência, pouco sabemos de fato. Em nossa busca incessante por conhecimento, acabamos por nos mover em círculos, como peregrinos em um labirinto sem saída, onde o verdadeiro saber parece sempre escapar ao nosso alcance.
Talvez a sabedoria não esteja em desvendar o mistério, mas em aprender a caminhar com humildade diante dele — reconhecendo que o desconhecido não é apenas ausência de respostas, mas também a fonte inesgotável de nossa esperança, fé e contemplação.
Flores
Uma Gardénia sincera pintei, inocentemente de branca!
Flor que a todos enleva, qual Florbela que me Espanca!
Fita-me depois uma Margarida pequenina e inocente,
Ali e acolá, às escondidas da Gardénia e de toda a gente...
Uma Gerbera baloiça alegre e sem saber de nada
É engolida por uma voraz Papoila encantada!
Bela flor, a Irmã do Nenúfar em água mergulhado!
Plantei juntas, estas duas irmãs do meu agrado!
Violeta e Alfazema no meu jardim vieram encontrar
Uma Rosa que queria, num poema ser plantada!
Mas nenhuma das três a viu acabada. A poesia!
Foi de dia, que uma Flor de Laranjeira me deu
Uma honra nua, que na minha lembrança e na sua
Para sempre ficará!
Flores perfeitas, onde as há?
Talvez na Índia ache Orquídeas Rainhas!
Alguém as quer suas, mas eu quero-as minhas!
Veste o Jacinto tatuado, um “Sari” encarnado...
Raro vinho tinto que não passou do noivado!
Um postal me deixaram, em jeito de recado...
Um Lírio sedutor e uma Flor de Lis que me calha...
Jogado à minha sorte, bebo no campo de batalha
Tudo o que há pra pecar: suor, luxúria e pecado!
A Coroa Imperial. Do alto da sua sedutora luz e poder,
Rompe a rombos de machado o porte régio do meu ser!
Fico amansado! Mas a Acácia amarela depois me seduz!
Creio ter espinhos e dor! E tem! Creio ser uma cruz!
Se Deus há no Céu… Ele finalmente me prendou...
Cravo branco, amor ardente, mãe de todas as ofertas,
Inexplicável flor, porque todas as outras desconcertas?
Jasmins e Gladíolos com pétalas a esvoaçar,
Prímulas e Cactos que me querem dar a mão!
Antes partir que vergar, a flores que não o são!
Mas que raio...
Uma flor, numa Flor de Lótus sentada está!
É o que esperava? Será?
Por minha culpa, não!
Antes espinhos virão!
Sai da minha sombra Petúnia! Procura a tua luz!
Sal, azedume e dolo, não são o que me seduz!
Cravo Amarelo, cantas bem mas não me contentas!
Cheirei as cores da tua alma e eram todas cinzentas!
O Açafrão e a Azálea Branca das querelas e traições,
Dos saltos pelas janelas e dos arfares dos pulmões
São como a Rosa Lilás! Não me dizem nada!
A professora Camélia, de grandes pétalas e atraente,
Não se deixou regar! Não era pró meu fino dente!
Aconteceu assim este fado…
Talvez o meu jardim não estivesse bem regado!
Adelfas e Magnólias me aquecem como as aqueço,
De dia, vestem-se às direitas, de noite do avesso!
Pergunto porém
À Tulipa Amarela, que sonhos tens acordados?
Malas comigo feitas ou desfeitas aos bocados?
Giesta, flor que dá calor ao espinho que colhi…
Fiel livro que li! Flor que não partiu. Floriu!
Sorri a Dálias, Cardos e Flores do Campo
Antes de perguntar:
Malmequer ou bem-me-quer, o que queres semear?
Regar tais flores é como ter navio e não ter mar!
Às Begónias colhidas, que me foram dadas,
Angústias e uma flor dei, às flores rejeitadas…
Morreram todas...
E lá tudo era perfeito…
Lá, ninguém era cego ou mau olhado
Porque eram todos Reis do Reinado;
Não havia roubos ou ladrões,
Nem corretivos ou cem perdões;
Eram amigas, a pressa e a perfeição;
Quem caçava com gato, tinha cão;
Havia galhos para todos os macacos
E promessas não caiam em sacos;
Águas nunca vinham em bicos,
Os espertos não eram Chicos
E todo o pecado era omisso!
O feiticeiro era amigo do feitiço
E este não se virava a ninguém;
Não havia mentiras a beijar bem,
Todas socavam com verdades;
Casas não tinham portas e grades
Pois não haviam almas gulosas.
Lá dentro havia um mar de rosas
Na carta fechada do casamento
Porque todo o mar era bento.
As rosas não tinham espinhos
E gaviões não seduziam ninhos.
As cercas não eram puladas
Nem por bruxas nem por fadas;
Maridos diabos eram santos;
Não havia querelas pelos cantos;
Judas era coisa que não havia
Nem sequer no dicionário;
O vinho não batia nas cabeças
E a culpa casava-se sempre
Quanto mais não seja
Com o confessionário!
Amor, solução de todos os conflitos
Por quem tendes vós afinal
Laços feitos, nós engasgados?
Das roseiras do vosso quintal
Perdoais aos espinhos os pecados?
Que passarinhos do vosso beiral
Saciais de braços cruzados?
O amor que se dá, é o que fica
Do que se partilha e abdica.
Tempo, esse devorador avarento
Do amor baptizado de intemporal,
Que os anos tingem de cinzento
O que já foi da cor da cal.
Para remediar tal desalento
E a cor da neve ser a final,
Candeias iluminem o que definha
A branca neve, a vossa e a minha!
Amor de mãe, pai ou conjugal,
Do estranho ao parente,
Amar o próximo é igual
A concertar o gemido doente,
A arrancar qualquer mal
E a fortalecer a fraca gente.
Solução de todos os conflitos,
Dores, desamores e gritos!
O primeiro amor
Antes de tudo e todos, vem o primeiro
Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez,
Uma flor que se dá ou não por inteiro
Ou o primeiro amor ou a primeira vez.
Pousa a borboleta na flor de um jeito,
Que no mel de seu ventre faz encosto,
Como o tolo coração, que fora do peito
Bate, antes de lhe bater um desgosto.
O primeiro beijo é tépido e desajeitado,
A prima paixão, tonta e sem medida
E a primeira vez é um céu estrelado!
Nada é eterno! Tudo é início e partida.
E o primeiro amor dura só um bocado
Até vir o primeiro desgosto da vida.
Nella città II - Meu véu
Todos dizem ter a verdade, como se fosse um objeto que se guarda no bolso, ou algo a ser fatiado, repartido em porções individuais: este pedaço é meu, aquele é seu. Mas a verdade... a verdade não se deixa possuir. Ela apenas é. Está lá — livre e inteira — mesmo quando ninguém a vê.
Eu a sinto, às vezes, num instante que passa, incapturável pela compreensão. Ela não se deixa ressignificar. Não cabe em palavras, não se curva à vontade alheia. É. Como a luz que atravessa uma janela, mesmo quando o vidro está empoeirado. O que vejo... é sempre manchado pelo que sou.
Mas o erro — o erro é pensar que a verdade é minha só porque a vi. Não é. Ela não é minha, não é tua, não é de ninguém. É só dela. Minha é a percepção. E percebo com mãos trêmulas, com olhos que mentem, com o silêncio do que ainda não entendi.
Os valores humanos são guias para a conduta do empreendedor, mas, devem ser reverenciados em todos os momentos.
O empreendedor deve ser criança todos os dias diante de eventos novos para manter acesa a arte de aprender.
"O suave supera o duro;
o gentil supera o rígido.
Todos sabem que isso é verdade,
mas poucos conseguem colocar em prática."
A desigualdade começa onde a justiça termina, devemos construir um mundo onde todos têm o poder de moldar suas vidas
O FARDO INVISÍVEL
Ele acordou cedo, como fazia todos os dias. Espreguiçou-se devagar, sentindo o peso do mundo nas costas, ainda que seus ombros não mostrassem sinais visíveis de cansaço. Vestiu-se com cuidado, ajustando a gravata como quem prepara uma armadura para enfrentar as batalhas diárias.
No autocarro, entre o som dos motores e o burburinho das conversas, seu olhar fixava-se em nada. Era como se contemplasse um outro lugar, uma realidade paralela onde pudesse, finalmente, libertar-se do peso que carregava no peito. Mas, como sempre, ele apenas suspirava e voltava ao presente, deixando aquele mundo imaginário para trás.
No trabalho, era uma figura impecável: educado, eficiente, sempre com uma resposta pronta. Os colegas o admiravam pela calma e pela forma como parecia estar acima de qualquer problema. “Como você consegue ser tão tranquilo?”, perguntavam. Ele sorria, um sorriso discreto, que escondia o que ninguém conseguia ver.
À noite, no retorno para casa, o fardo parecia mais pesado. O silêncio da sala vazia, a luz fraca do abajur e os ecos de pensamentos represados o acompanhavam como uma sombra. Às vezes, ele queria falar. Queria abrir a boca e dizer: "Estou cansado, tenho medo, não sei se vou conseguir." Mas as palavras se perdiam, engolidas por uma voz interna que lhe dizia que ninguém entenderia.
O que ele carregava? Não sabia dizer. Talvez fossem os sonhos não realizados, as culpas que nunca confessou, os medos que não ousava encarar. Era o peso de ser quem era, ou talvez quem esperavam que ele fosse.
Assim seguia ele, como muitos outros, carregando um fardo invisível. Um peso que não se mede, não se toca, mas que está sempre ali, escondido no sorriso, no olhar distante, no silêncio das noites solitárias.
E enquanto a cidade dormia, ele se perguntava: quantos mais caminhavam ao seu lado, carregando fardos que nunca confessaram? Quantos suportavam o peso da vida com a mesma coragem silenciosa, sem nunca pedir ajuda?
Ele nunca teve uma resposta. Talvez ninguém tenha.
A coragem para ser feliz é refletida nas pequenas escolhas que fazemos todos os dias. Quando a estrutura interna é forte, não há enredo que nos tire da possibilidade de nos entregarmos para o amor.
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