Se ela quer Voar a porque tem Asas
Percebi que o progresso técnico da vida não tem voz comparada ao grito silencioso de um coração quebrado. É inútil tentar provar o amor por meio de dados e gráficos. A superação não está em esquecer, mas em transformar a dor em motivação para ser melhor, e buscar a verdade que sempre esteve na simplicidade do afeto mútuo.
A verdade tem dentes, mas não morde para matar, morde para acordar. Quando a digo, sinto-a arrancar peles de desculpa. O processo é doloroso, ainda assim, necessário. Porque uma verdade tortuosa vale mais que conforto fingido. E sobrevivo à mordida sabendo que cura virá depois.
Viver é colecionar adeuses discretos. Nem todo fim tem trombetas, muitos se vão por uma janela fechada. Eu faço inventário desses pequenos fins, para não esquecê-los. Cada adeus me ensina a salvar pedaços para recomeços. E, mais uma vez, o coração vira caixa de sobras transformáveis.
A dor tem uma língua própria, poucos se oferecem para traduzi-la. Conto-a com as mãos e às vezes com olhos partidos. Não peço aplausos, só que alguém tente entender o sotaque. Quando encontro esse ouvido, a dor muda de tom e emagrece. Dividir o idioma do ferimento é já metade da cura.
As promessas alheias têm pouco valor, as próprias valem por instinto. Prometer para si é firmar um tratado íntimo. Nem sempre cumpro, mas a tentativa já é território conquistado. Renegociar com gentileza é parte do acordo. E assim construo um caminho que me pertence, aos poucos.
Há palavras que têm o peso de pedras e outras, a leveza do lenço. Escolho as que abraço como lenços, para limpar, não para ferir. Dizer pode ser armas ou remédio, prefiro a medicina. Meu vocabulário tem dias de luta e dias de trégua. Aprendo a calibrar a voz como quem regula uma balança.
A autodisciplina é a forma mais profunda de amor-próprio. O futuro agradece o rigor que você tem hoje.
Não busco ser lembrado pelo que sofri, mas pelo que sobrevivi, minhas histórias têm cortes profundos, mas também têm reviravoltas luminosas, e é isso que me define.
Existe um Deus que faz morada nas cinzas e tem o poder de ressuscitar o que estava morto, transformando o luto em dança e a tristeza em uma nova melodia de vida. Ele é o Mestre que não risca nada do papel quando os nossos planos falham, pois Seus projetos são mais altos e Seus sonhos para nós são maiores do que os nossos mais ousados rascunhos. A história de vida que parecia ter chegado ao fim é apenas o prelúdio de um novo tempo de graça, onde o que foi perdido será restaurado e o que parecia impossível será a prova viva do Seu poder.
Quando o inimigo tenta nos convencer de que a situação não tem mais solução e que os gigantes são grandes demais para serem vencidos, lembramos que a nossa força não vem de nós, mas do Deus que cria o mar e a terra. A voz do desespero se cala diante da promessa irrevogável de que Ele peleja por nós e nos dá asas para voar sobre o medo, transformando-nos em campeões e vencedores. A vitória não é para os sortudos, é para os persistentes que nunca param de lutar, pois a sua fé inabalável os torna imbatíveis e os coloca no controle divino de cada situação.
O futuro pertence a quem tem a audácia de recomeçar do zero quantas vezes for preciso, e quem não se apega à falência do passado.
A ilusão tem a beleza efêmera de um castelo de areia na maré alta e o desmoronamento ensina o valor do que é sólido.
Há um silêncio que tem cheiro de infância perdida. Ele se esconde nas gavetas e nos retalhos do falar. Quando me ponho a escrever, o silêncio ensina como ferir com calma. Sinto que as palavras são pontes frágeis entre mundos. E atravessá-las é ato de coragem e covardia.
O silêncio da manhã tem gosto de promessa adiada. Bebo o café e conto os minutos que ainda podem mudar. Há um desejo subterrâneo que insiste em florir. Mas a rotina é jardineira rígida, poda tudo com mãos frias. Mesmo assim, algo nasce, teimoso, entre as pedras.
A tristeza tem territórios que eu ainda não visitei. Vou a pé, com uma lanterna de medo e coragem. Algumas ruas são estranhas e pedem licença para entrar. Outras me reconhecem e me oferecem cadeiras antigas. Sento-me e descubro que conversar com a dor é arte.
A cidade tem lembranças afiadas como cacos de vidro. Passo descalço por algumas ruas e sinto as marcas. Cada cicatriz urbana me conta quem já soube amar. Há um consolo no reconhecimento das próprias falhas. E, por isso, volto ao lugar que me fez aprender.
Minha história tem capítulos escritos com caneta de mão trêmula. Alguns trechos foram riscados com dor e coragem. Reescrevo às vezes em silêncio de madrugada. Não por inventar, mas por entender as linhas antigas. E cada reescrita é cura, ainda que lenta.
O medo que carrego tem nome e endereço. Se eu chamasse, apareceria com mala pronta. Mas prefiro observar de longe, sem travar porta. Aprendi que é sábio não convidar certos inquilinos. Eles ficam, mas não precisam morar na sala principal.
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