Se ela quer Voar a porque tem Asas

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Deus não tem a promessa de anular o obstáculo, mas de fortalecer a articulação que se dobra em busca de socorro.

O passado só tem poder sobre você se a sua memória for mais forte do que a sua vontade de seguir em frente.

A compaixão sem discernimento é o alto preço que se paga por tentar resgatar o náufrago que tem prazer mórbido na própria submersão.

O passado só tem poder se você continuar voltando para visitar as ruínas.

Aquele que não tem nada tem cruz pesada pra carregar, ensinando na dor o valor da resiliência e da humildade.

O deserto não é um erro de percurso, é a escola forçada onde a água tem, finalmente, o seu verdadeiro valor.

Recomeçar é a prova biológica e espiritual de que a alma tem mais vida do que o corpo pode suportar.

O dia chuvoso tem o poder alquímico de lavar a poeira da alma que a luz do sol insiste em manter visível.

O mar não tem pressa, ele ensina a eternidade a cada onda que se desfaz.

O artista tem a missão de cantar a dor que a estatística insiste em ignorar.

O sol da manhã tem o poder de lavar a noite e renovar a promessa da vida.

O pior dos vazios é aquele preenchido por distrações, onde a alma não tem espaço para respirar a sua própria dor.

Percebi que o progresso técnico da vida não tem voz comparada ao grito silencioso de um coração quebrado. É inútil tentar provar o amor por meio de dados e gráficos. A superação não está em esquecer, mas em transformar a dor em motivação para ser melhor, e buscar a verdade que sempre esteve na simplicidade do afeto mútuo.

O passado é um fantasma que só tem força quando o presente não tem graça.

O teu riso é o sol de inverno que tem a força de descongelar qualquer mágoa.

A verdade tem dentes, mas não morde para matar, morde para acordar. Quando a digo, sinto-a arrancar peles de desculpa. O processo é doloroso, ainda assim, necessário. Porque uma verdade tortuosa vale mais que conforto fingido. E sobrevivo à mordida sabendo que cura virá depois.

Viver é colecionar adeuses discretos. Nem todo fim tem trombetas, muitos se vão por uma janela fechada. Eu faço inventário desses pequenos fins, para não esquecê-los. Cada adeus me ensina a salvar pedaços para recomeços. E, mais uma vez, o coração vira caixa de sobras transformáveis.

A dor tem uma língua própria, poucos se oferecem para traduzi-la. Conto-a com as mãos e às vezes com olhos partidos. Não peço aplausos, só que alguém tente entender o sotaque. Quando encontro esse ouvido, a dor muda de tom e emagrece. Dividir o idioma do ferimento é já metade da cura.

As promessas alheias têm pouco valor, as próprias valem por instinto. Prometer para si é firmar um tratado íntimo. Nem sempre cumpro, mas a tentativa já é território conquistado. Renegociar com gentileza é parte do acordo. E assim construo um caminho que me pertence, aos poucos.

Há palavras que têm o peso de pedras e outras, a leveza do lenço. Escolho as que abraço como lenços, para limpar, não para ferir. Dizer pode ser armas ou remédio, prefiro a medicina. Meu vocabulário tem dias de luta e dias de trégua. Aprendo a calibrar a voz como quem regula uma balança.