Saudades de Quem Mora longe

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A verdadeira cura não é a ausência de dor, mas a nova relação de respeito que você estabelece com ela.

O tempo não apaga a memória, mas ensina a conviver com a ausência sem perder a urgência do presente.

A saudade é a janela aberta para o quarto onde a felicidade ainda mora.

A distância é só um conceito geográfico, a alma não sabe caminhar sozinha.

A paz não é a ausência de conflitos, mas a certeza de que a presença d’Ele é um escudo inquebrável.

A saudade da simplicidade é o luto por um tempo em que os problemas eram menores que a inocência.

A liberdade não é a ausência de correntes, mas a decisão de não se submeter à vontade de ninguém.

A saudade é a prova de que o tempo anda para trás, ao menos na memória.

O homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra por saudade.

A humildade não é a ausência de força, mas a sabedoria de reconhecer que a vida é um empréstimo temporário, e que todo o sucesso material que alcançamos pode ser varrido pelo vento da impermanência em um instante, deixando apenas o saldo das nossas ações invisíveis, aquelas que nutrimos no silêncio do coração. O maior tesouro que um homem pode acumular é a lembrança de ter sido um canal de paz e auxílio, pois a verdadeira riqueza não está no que se guarda nos cofres, mas naquilo que se distribui sem alarde, e na leveza da alma que sabe que a mão que se estende jamais se sente vazia.

A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.

A saudade tem cheiro, tem peso, tem pulso, ela me abraça quando menos espero, e me faz lembrar que sentir é humano, só não deixo que ela me afogue, eu respiro fundo e sigo carregando memórias.

Quando me perco na profundidade dos teus olhos, não vejo ausência, mas um amor em armadura, erguido tijolo por tijolo pelo medo do futuro. É um jardim de promessas blindadas, onde a flor mais rara é a coragem de simplesmente se desfazer no instante.

A entrega total é um salto de olhos fechados no escuro, onde a única garantia é a ausência de garantias. Toda a magnificência de amar reside justamente no tremor da possibilidade de que tudo se dissolva, quem se contém, evita a queda, mas perde o voo.

Nós construímos muralhas para manter a dor distante, mas acabamos aprisionando a única pessoa que realmente importava: o nosso próprio potencial de amar. O cinismo é uma máscara pesada demais para carregar, e a resistência à alegria é a mais triste das renúncias.

O amor reprimido é um grito abafado na garganta, uma energia densa que se manifesta em distanciamento. Quando a palavra certa é engolida pelo receio, ela se transforma em chuva fria que escorre entre os dedos, levando o calor que poderia nos salvar.

A saudade existe porque a alma não
esquece o que foi verdadeiro, ela dói, mas também afaga, e eu aceito essa dualidade
com maturidade, pois amar sempre
deixa marcas.

A coragem é o medo que disse 'sim' e levantou, ela não é a ausência de pavor, mas a ação apesar dele.

A leveza não é a ausência de problemas, é a forma como a gente os carrega, é a escolha de não ser âncora do seu próprio navio.

O silêncio não é ausência, é a superpopulação sufocante de vozes não externalizadas, a massa crítica da psique, ele é a cripta sagrada onde a alma, despida de ruído, realiza sua operação mais brutal e honesta.