Saudades de Quem Mora longe
Saudades do meu amor, só queria poder acordar amanhã sem lembrar de nada.
Talvez a dor poderia ser menor.
Todo dia é uma luta. Do nada, bate aquela saudade… e o pior é saber que nem um ‘oi’ posso dar. No fim, viramos isso: estranhos que já se conheceram demais.
“Nem todo silêncio é ausência de voz, às vezes, é presença de sabedoria.”
Há momentos em que o melhor argumento é o silêncio. Especialmente quando alguém está convicto de uma verdade que não abre espaço para escuta, insistir é como tentar acender uma luz em quem escolheu fechar os olhos.
Manter-se em silêncio diante de certas certezas alheias não é sinal de fraqueza ou de omissão, mas de maturidade emocional. É compreender que nem toda conversa precisa de resposta imediata, e que nem toda batalha merece desgaste.
Silenciar, nesses momentos, é um ato de autocuidado, respeito e inteligência.
É confiar que o tempo ensina o que o ego ainda não permite aprender.
Saudade não é apenas lembrar. É sentir o vazio de algo que já foi, mas que nunca mais será igual. É o eco de um momento que ficou no passado, mas que ainda bate no presente. Saudade dói porque nos lembra que o tempo não volta, que as pessoas mudam e que o que um dia foi, nunca será da mesma forma outra vez.
A saudade não faz barulho. Ela se esconde nos detalhes, no perfume esquecido na roupa, no café tomado sozinho, na música que toca sem avisar. Saudade não grita, mas ecoa onde ninguém pode ouvir.
O tempo leva pessoas, momentos, histórias. Mas a saudade é o eco do que foi bonito demais para ser esquecido. Quem partiu ainda vive na lembrança, nas palavras que ficaram, naquilo que o coração se recusa a deixar ir.
Saudade é quando alguém parte, mas nunca sai de verdade. O corpo se vai, mas os gestos ficam, os risos permanecem, os momentos insistem em visitar a memória. Há ausências que pesam mais do que presenças distraídas.
A saudade é um espaço vazio que insiste em não ser preenchido. Tentamos seguir em frente, mas ela nos acompanha como sombra, lembrando que há coisas que não voltam, mas nunca realmente partem.
A força não é ausência de fragilidade, mas a coragem de seguir em frente mesmo quando tudo dentro de nós treme.
Envolvo cada pedaço seu e alivio a dor da ausência com a memória da existência de que vamos nos encontrar. Seu beijo é vivo e o calor da sua ausência me consome. Quero-te na intensidade de um olhar, te quero na manhã de um despertar, te espero para saborear o mel trazido pelo gosto gostoso que é beijar você.
A música tocava a uma distância difícil de decifrar. O rádio jaz esquecido, e o volume das suas notas jaz desprezado. O vazio e escuro espaço se fez sentir, e o nervosismo juvenil invadiu os dois corpos que ali estavam dividindo lembranças de um momento que já experimentaram. Provaram dos beijos quando estavam longe, provaram dos beijos na proximidade de uma sensação, provaram dos beijos na estampa de uma novidade, provaram as duas bocas enquanto o corpo estava são. Viveram a intensa forma da reciprocidade.
Já venci o sono para saber de você, um pouco mais do que você queria me dizer! Já venci distâncias para poder te levar, pegar em sua mão e tatear um sorriso num rosto que se abria para minha imaginação. Minha cabeça dormiu contigo um sono carinhoso, sono de uma noite inteira! Enquanto a escuridão da terra nos ocultava, enquanto a lua só era vista porque eu voltava, esse imenso planeta girava com seus vivos e seus mortos na cabeceira! No meio de uma frase um beijo, no meio desse beijo uma alucinação. Perguntei se aquilo de fato era verdadeiro ou seu meus braços que rodeavam sua cintura, estavam envolvidos por devaneios!
