Saudade Presenca do Ausente
Um adolescente doente, tentando mudar algo que nunca entendeu e talvez nunca entenderá, é uma fase da vida que não dá para replicar, a revolta antiga sonhos passados, o que queria para um futuro mas não vai alcançar.
As tragédias que o tempo não nos deixam revisar e voltar fazer diferente tentar consertar ...O paradoxo eu.
São quase zumbis conscientes um vício irônico ,não tenho certeza, uma tapa trágico e cômico.
Se pudesse julgar talvez eu diria com toda certeza, filhos bastardos dos mestres da persuasão, mas talvez seja eu um deles, sem ver com clareza, com argumentos certeiros , mas sem serem verdadeiros.
O grito da mídia domina você, quer dormir acordar sempre ao teu lado te fazer de irmão te fazer de escravo.
Mas agora não importa mais, vivemos a brevidade da vida.
E fizemos o contrário , acumulamos conhecimento, que era coisa de otários.
Por mais real que ainda pareça ser, as mentiras bem contadas dizem que nosso choro é em vão, mas são clichês repetitivos ao longo de milhares de anos, mas não me parecem reais.
O mundo pela janela e os muros dessa prisão, fazem da minha vida numa história um filme, de ficção, meus olhos nos olhos dela numa cena de emoção.
Ô Johnny Alf...
Teu piano acendeu a alvorada
Antes mesmo da Bossa nascer
Tua harmonia já iluminava
O caminho do novo viver
Ô Johnny Alf...
Gênio simples da noite vadia
Te escondeste da fama e da cor
Mas teu nome ficou na poesia
Como estrela maior do amor
Segundo Shakespeare, nascemos chorando nesse teatro de loucos.
Eu nasci negando.
Nego tudo, nego a origem.
Nego o passado, nego o presente, nego o futuro.
Nego a ideia de túmulo eterno,
a ideia do pó que volta ao pó.
A intensidade do pensamento é tão grande, tão imensa,
mas a gente pensa que isso, essa energia etérea,
aprendeu a migrar para outros mundos,
outros fundos, outros abismos.
E aí, mesmo essa ideia que seria sublime, confortante, eu nego,
porque não há plenitude na mente que estaciona
e aceita qualquer coisa como verdade absoluta.
Os lábios que um dia beijavas,
hoje tornaram-se marcas de pneus,
poças de lama numa estrada abandonada.
O amor que um dia existiu
e a doçura do mel de nossas lágrimas,
hoje são desertos,
campos sombrios,
o tenebroso rio de mágoas.
Vivemos o êxtase da primavera,
semeamos esperança
e colhemos flores.
Chegou o inverno,
superamos.
Mas, no outono onde estamos,
vivemos sós,
como folhas mortas carregadas ao vento,
separados por abismos silenciosos
que as repetições das ofensas constroem.
Então nos perguntamos:
qual foi a causa?
Onde foi que erramos?
Erramos, talvez,
por persistir em mudar,
mudar a si próprio
e mudar o outro,
para pertencer ao grupo dos normais.
Mas somos pessoas,
somos humanos,
seres distintos,
pobres mortais.
Você parece desses que, mesmo triste, tenta não despejar suas dores nos ombros errados. Isso é maturidade espiritual. Nem santo consegue sorrir o tempo inteiro, mas existe uma enorme diferença entre sofrer e transformar sofrimento em veneno coletivo.
Os antigos já sabiam: palavra tem axé.
O sujeito pode passar a vida inteira dizendo que é racional demais pra essas coisas, que religião é invenção humana, que tudo se explica pela ciência. Mas basta o elevador balançar, o telefone tocar de madrugada ou o coração apertar numa rua vazia depois da meia-noite… e o homem procura alguma proteção invisível. Nem que seja dentro dele mesmo.
O Rio não permite soberba por muito tempo. A paisagem é divina, mas a vida cobra pedágio. Entre o mar e o morro, entre o cartão-postal e a sirene, o povo aprende cedo que ninguém controla tudo. E talvez seja daí que nasça essa mistura tão brasileira de fé, superstição, respeito e sobrevivência.
Morar no Rio de Janeiro é aprender que coragem não é ausência de medo; é vestir o medo e mesmo assim pegar o ônibus, atravessar a rua, abrir a porta de casa e seguir vivendo.
Hoje eu acordei com o vento manso
Falando baixo no meu coração
Que a vida pede mais calma no passo
E menos peso na preocupação
Quem carrega um terreiro de paz dentro de si percebe essas coisas. Aprende a selecionar companhia, palavra e energia. Não por arrogância, mas por sobrevivência emocional. Porque a alma também pega poluição.
Existe um tipo de gente que o mundo quase nunca percebe direito.
Não faz alarde, não bate no peito dizendo que é bom,
Não transforma gentileza em propaganda.
Apenas segue vivendo — tentando não ferir ninguém enquanto atravessa os próprios temporais.
