Saudade e a certeza de ter Vivido
Apesar dos pesares que tenho vivido, ainda guardo carinho e atenção por você, mulher encantadora.
Sei que você tem dúvidas sobre o que sinto, mas os meus sentimentos calados não te expulsaram da minha vida — afinal, você não é apenas parte do mundo: somos sobreviventes.
E na sobrevivência, cada um aprende a brilhar com sua própria luz.
Mesmo com todo o carinho que sinto por você, seguirei sem você.
Guarde na caixinha dos teus sentimentos: não é ódio, nem vingança — é apenas sobrevivência, em busca de uma vida digna.
Viver longe de você não tem sentido nem sabor, quero estar contigo para que cada dia seja vivido em plenitude, com a magia e a intensidade que só o verdadeiro amor é capaz de proporcionar. Quero construir contigo a felicidade que os nossos corações reconhecem e desejam ardentemente juntos.
Ninguém valoriza o processo que é vivido por quem tenta chegar até o sucesso, tanto é que só o resultado final produz efeito de impressionar.
Ao completar 34 anos, parei para refletir sobre a vida e, diante de cada momento vivido, dificuldade, acertos, passei a valorizar muito mais cada amanhecer e ao respirar. Por isso, agradeço a cada alimento que degustei, a cada música que escutei, por cada pessoa que conheci, pela oportunidade de fazer o bem. Tudo se tornou aprendizado. A existência, então, é a base; o objetivo é viver, e a meta é chegar ao final do ciclo de vida em paz.
“Entre o que foi vivido e o que virá, há um intervalo sagrado: reconhecer o que deve morrer para que algo mais verdadeiro possa nascer.” - Leonardo Azevedo.
É paz com o próprio legado, sim — mas sobretudo com o fato de ter vivido de modo autêntico, fiel ao que era.
E essa paz nasce do reconhecimento de que essa autenticidade alcançou e despertou algo nos outros.
William Contraponto
Refletir sobre o que já foi vivido é um passo fundamental para integrar as experiências e seguir adiante com mais consciência. O passado não pode ser modificado, mas pode ser compreendido, ressignificado e transformado em aprendizado, sem a necessidade de permanecer preso à culpa ou à ruminação.
Quando essa elaboração acontece, abre-se espaço para escolhas mais maduras no presente. Em um relacionamento, por exemplo, este processo se expressa na disposição para um diálogo profundo e honesto, que permita reconhecer limites, sentimentos e responsabilidades, conduzindo, de forma consciente, à decisão de reconstruir a relação ou de seguir o próprio caminho.
Crescer é aceitar que nem tudo será compreendido, mas ainda assim precisa ser vivido com responsabilidade.
Não é preciso ser doutor para tratar a dor de amar. Amor vivido não correspondido, sempre dor trará.
Que importa? Importa sim, não desistir jamais de amar.
Ame-se primeiro e busque pois, o amor verdadeiro.
Um sentimento vívido, uma ilusão frustrante que ativou meu amor como um vulcão adormecido.
Amo, mas não sou amado, talvez seja o preço que devo pagar dos meus erros do passado.
Entre sussurros e saudades, confidências de um amor incontido, como em uma relação que se perdeu no acaso.
“Certezas”
Considero ter vivido muito até aqui.
Tive oportunidades, caminhos, histórias…
mas apenas vivia, sem realmente entender.
Até conhecer você.
Todas as certezas que eu carregava
se desfizeram como poeira ao vento.
E então me perguntei:
que sentimento é esse
que tomou conta de mim?
De onde vem?
Não pode ser deste mundo,
nem um capricho meu —
pois nunca me vi tão desarmado,
tão verdadeiro, tão sem vaidades.
Pela primeira vez,
fiquei diante de algo
para o qual eu não tinha resposta,
nem coragem imediata,
apenas a necessidade de compreender
o que estava acontecendo comigo.
E foi aí que percebi:
este sentimento é diferente de tudo.
Ele faz bem,
ele acende,
ele devolve vontade de viver.
Não me lembro de ter sentido
nada parecido antes.
A vida tem dessas ironias…
Ela nos prega a maior peça
quando finalmente nos ensina
o valor real do amor:
querer, acima de tudo,
que o outro esteja bem,
que o outro seja feliz.
Grandes foram os conflitos dentro de mim
até entender que minha busca havia cessado,
que minha ansiedade humana
havia, enfim, encontrado repouso.
Descobri que não sou muralha,
que não controlo tudo,
que a tal “certeza”
é apenas uma ilusão orgulhosa.
Muitos passam a vida inteira
procurando o que eu encontrei:
o mais valioso de todos os tesouros — o amor.
Ainda tenho o que melhorar em mim,
e sei que há coisas
que só o tempo coloca no lugar.
Mas esse tesouro,
esse brilho raro,
eu guardo onde ninguém alcança:
no meu coração.
Porque ele muda a minha energia,
ele me eleva,
ele me impulsiona
a seguir em frente.
Ela é terra rara, morada daqueles que ousam sentir a vida. Talvez eu devesse ter vivido mais assim: mais solto, mais inteiro. Mas não esqueço o momento em que essa liberdade tocou meu coração, como um chamado profundo.
Temos tanto a ser vivido, temos tanto o que escrever em nossos "livros diários", tantas páginas. Que tentamos ao menos fazer com que as decepções não nos derrotem mas, se assim fizer-nos, que cada derrota então sirva-nos de aprendizagem sem nos roubar a PAZ, o AMOR e a PALAVRA.
Flávia Abib
