Saudade de Filho que Estuda Fora
"Um vazio que não é ausência, mas presença escondida."
Douglas Santos - O Deus Silencioso e a Obsessão do Homem por Atenção
"O silêncio não é ausência — é anúncio antecipado."
Douglas Santos - O Deus Silencioso e a Obsessão do Homem por Atenção
Lítio
Hoje estou cansado
não do mundo,
mas da ausência que mastiga meus ossos.
Lítio,
eu amo minha tristeza
como quem acaricia um animal ferido
sabendo que ele pode morder.
Ela é azul-elétrica,
arde na língua,
lateja atrás dos olhos
como um céu prestes a desabar.
Sinto-me exausto.
Há pregos invisíveis nas minhas pálpebras.
A cama é um campo de batalha
onde minha mente marcha
sem trégua,
sem bandeira branca.
Dê-me forças
não as heroicas,
não as que salvam cidades
apenas as pequenas:
levantar da água escura da manhã,
respirar sem afundar,
calar o zumbido de abelhas metálicas
que constroem colmeias na minha cabeça.
Estou atormentado
por uma mente que não dorme,
que escreve cartas de ameaça
no verso dos meus sonhos.
E ainda assim, Lítio,
há algo perversamente doce
em sobreviver a cada noite.
Como se a tristeza
fosse a única prova
de que ainda estou vivo.
E assim, em meio à ausência de escolhas, vivemos o paradoxo: ser humano é abraçar a dor e a beleza de um roteiro não escrito por nós, é lutar por um sentido na inescapável impotência de sermos apenas o que não escolhemos ser.
A ausência de pertencimento não gera rebeldia.
Gera silêncio.
E o silêncio coletivo é um indicador sistêmico de que a escuta falhou.
Tathiane Pereira
Pesquisadora Independente em Comportamento Humano
Autora da TECT | Fundadora do Voz da Sala
Lembro da varanda, do sol, da ausência do sol, da cortina fechando e do teu corpo pairando sobre o meu.
Eu me sinto sem respostas para essa ausência de palavras, para tudo aquilo que quero dizer. Talvez porque deixei tempo demais. Intervalos longos entre quem eu fui e quem me tornei. Sem perceber, sem discutir, sem cobrar. Fui sendo.
E no instante de permissão — não por ter tempo, não por razão, sequer por ter as palavras certas — não pude recuar. Ainda estou ali. Não me posso perder.
Não é que eu não sustente a intensidade. Eu sustento. Talvez esse seja o ponto. Justamente por saber que sustento, não posso me jogar. Há muito mais além de mim para escolher. Há consequências, há territórios que não são só meus.
Não é fuga. Não é negação. É consciência.
Algo me atravessou e permanece. Não como urgência, não como descontrole — mas como presença. Uma parte de mim que desconheço e ainda assim reconheço.
E talvez maturidade seja isso: sentir profundamente, perceber o abismo, saber que poderia atravessar — e ainda assim escolher permanecer inteira.
Ainda estou ali.
E não me perco.
A liberdade que verdadeiramente transforma não é apenas a ausência de correntes físicas. Mais a libertação das cadeias invisíveis da alma.
O meu silêncio não é ausência de sentimento; é o cansaço de tentar explicar a dor para quem a causou.
Não permita que o frio da ausência me alcance. Me levanta, me cuida e me mostra que, ao seu lado, a solidão nunca mais terá vez.
A mentira é a ausência da verdade
que corrompe a alma e sua ingenuidade
estraga relacionamentos e suas amizades
O poder do silêncio não está na ausência de palavras, mas na presença de consciência. Em um mundo onde todos querem falar ao mesmo tempo, silenciar se torna um ato de força. O silêncio organiza pensamentos, acalma emoções e evita respostas impulsivas que muitas vezes machucam mais do que resolvem. Quem entende o valor do silêncio aprende a observar antes de reagir e percebe que nem toda provocação merece resposta, que nem toda discussão precisa ser vencida. Às vezes, calar é proteger a própria paz, é escolher maturidade em vez de conflito. O silêncio também comunica, ele pode expressar decepção, reflexão, respeito ou até despedida, porque há sentimentos que as palavras não alcançam, mas o silêncio traduz com profundidade. Além disso, é no silêncio que encontramos a nós mesmos, escutamos nossos medos, organizamos sonhos e fortalecemos decisões. Enquanto o barulho externo distrai, o silêncio revela. O verdadeiro poder do silêncio está nisso: ele não grita, mas transforma, não impõe, mas ensina, e muitas vezes a resposta mais forte que alguém pode dar é simplesmente não dizer nada.
O niilista encara a ausência de deus e paralisa. O humanista encara a mesma ausência e diz: "Perfeito. Agora somos livres para ser humanos de verdade."
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