Sair da Casa da Mae
Lembro de quando eu deitava na entrada de casa pra ficar olhando as nuvens em dias ensolarados e sentir aquele ventinho gostoso, era, no mínimo algo normal, habitual, era uma criança que olhava as nuvens tentando dar-lhes formas. Não, não era. Eu, somente olhava, não pensava em nada, só.. olhava. Pacientemente, eu olhava.
Em outros momentos mais tarde, eu preferia dias nublados, sempre me fizeram sentir melhor, não sei, no mais profundo de mim mesma eu acho, como se eu pudesse entender coisas que não imaginava que fosse me perguntar. E era tão triste e intenso os dias nublados. Os dias nublados sempre são tristes e intensos pra mim.
Sem poder dizer: "levei minha namorada de carro até sua casa/ Portanto ando a 666 quilômetros na contramão e desenvolvi asas
Atenção
A gente estava vendo um filme. Eram quase sete horas na noite. Eu não estava em casa. A gente se reuniu na casa do Wilian, o único de nós que tinha um aparelho de dvd na favela de quem a gente era chegado.
Eu resolvi ir embora. Alguém me mandou ficar mas eu não quis. Alguém falou que tinha algo errado mas eu não estava atento.
Atenção. Atenção é o que separa muitos de nós, vivos, do cemitério da vila formosa. Atenção é um bem precioso. Um pai que a tem salva o filho das drogas. Um operário salva o braço. Um motorista evita a colisão de frente. Da Vinci percebe o sorriso da mona Liza. Você aprende. Se mantém vivo.
Atenção. O pugilista não prestou atenção ao direto de direita que o derrotou. A mulher não deu atenção a dor suave e suportável com que o corpo a alertava sobre o câncer no estômago. O executivo não teve atenção à tímida previsão do analista novato que teria salvo sua empresa da crise mundial. Controladores de tráfego aéreo teriam percebido um avião fora de rota e avisado a defesa aérea no dia onze de setembro de dois mil e um.
Não atentei para a rua de entrada da favela deserta as sete da noite de um sábado. Não atentei para a possibilidade de correr um perigo sem volta. Não percebi que a favela estava em guerra, mais uma vez.
Atravessei o portão de grade e antes que eu me desse conta que estava na rua senti algo gelado e áspero na lateral do meu pescoço. Eu teria em qualquer outra situação colocado a mão no lugar para saber o que me causava o frio mas por estranho milagre não o fiz. Sabia o que era. Olhei para o chão e a lâmpada do poste projetava uma sombra fácil de decifrar e difícil de aceitar. Um ser apontava uma arma pra outro. Era uma arma grande. O mais baixo se encontrava parado na mira do primeiro. Perceber que eu não tinha uma arma na mão fez com que minha barriga e nuca gelassem tanto que a arma me pareceu relativamente quente ao meu pescoço.
A sensação de morte é algo estranho. Já vi a morte de frente algumas vezes mas nunca realmente acreditei que fosse morrer por mais que fosse óbvio. Essa noite foi um desses casos. Não me movi por um segundo que me pareceu uma hora e pensei "Se me mexer ele atira, mas tenho que explicar que não sou inimigo, um invasor de outra quebrada" - ainda que ele pudesse ser.
Tentei ficar calmo e prestar atenção, ainda que tardia. Ele não disse nada. Hoje nada me ocorre mais plausível do que aquele segundo que alguém espera, um pouco antes de atirar fatalmente em alguém que não tem chance de defesa. Acho que por isso os vilões quando tem o herói na mira ficam discursando em vez de executar logo o rival. Não é fácil - pra minha sorte - se tornar um carrasco. Não tem volta. Atirar em alguém que pode ser uma ameaça é mais fácil que subjugar alguém com tanta covardia, pelo menos para quem tem algum escrúpulo.
Ouvi a arma ser engatilhada. A sombra no chão confirmou o áudio como um retrovisor. Ele ia atirar em mim. Eu ia morrer ali naquela calçada. Nunca teria visto a minha esposa nem tão pouco acalentado minha filha. Não teria visto o rosto no espelho com barba. Seria só mais um. Pensei em tudo isso nos quatro ou cinco segundos que durou toda a cena mas nem assim eu acreditei que ia morrer. Não era a hora. Como alguém que crê no gol até o último minuto e quando o juíz apita o fim sente que mais um último ataque seria eficiente. Percebi que é fácil perder mas não é possível aceitar a derrota sem vê-la face a face.
O Wilian gritou algo de dentro do portão. A frase tinha um nome próprio e uma explicação que me absolvia, mas me apliquei tanto em prestar atenção no meu executor para quem eu ainda não havia olhado que não ouvi o que o wilian disse. Outra frase se seguiu me chamando para dentro, mas eu não tinha ação. Uma mão me puxou para dentro com violência e eu finalmente olhei para o atirador - que não atirou. Era alto, careca, de camiseta regata. Parecia o MV Bill com uma espingarda calibre doze cromada de cano serrado. Não me lembro do seu rosto mas me lembro da arma. Senti a ponta áspera do cano dela na minha cabeça. Nunca vou esquece-la. O portão se fechou. Eu estava vivo.
Victor Arapê
Numa tarde de abril 1998 encontrei meu amor, levei-o para casa agarrado em meus braços, ficamos juntos por 13 anos, mas no dia 17/07/2011 ele morreu nos meus braços. Não sabia que amava tanto um ser de outra espécie. O nome dele era Chip, um cão pastor belga de olhar calmo e sereno. Muitos diziam que tinha olhar de tristeza ou bondade. Foi meu amor dentre todos os seres.
O amor pode ser comparado a uma casa. O amor se constrói com as nossas próprias mãos, com os nossos sentimentos, com a nossa força e com o que a gente tem pra dar. Por mais que se tenha feito de uma maneira “errada”, de uma maneira que pode desabar a qualquer momento, devemos consertar, correr atrás, e buscar um jeito de formar um raiz naquele lugar, mas isso somente se tivermos a certeza de que aquele é o lugar certo. Talvez passe um vento e acabe com tudo aquilo, tudo o que voce construi e tudo o que voce juntou para formar o que se tem hoje. Mas as lembranças, estarão no coração do mesmo jeito, as lembranças de um lugar aonde voce foi feliz , um lar. Se o lar fosse o seu coração e a casa o amor, agora sim, voce acreditaria que há possibilidade de ser feliz ?
"Largou a saudade em casa e foi lá fingir que era feliz (...) ao voltar, viu que larga-la sozinha é perigoso, ela era inocente demais."
Entra e sai
Como se estivesse em sua casa,
e não em meu coração
Machuca e dar risada
Como se eu fosse um brinquedo de diversão.
Ele : uma casa lotada de mulheres .. meu sonho *-*
Ela : uma casa, com um unico homem, que me ame de verdade… é o meu sonho *-*
“O coração é uma casa sem portas onde quase todos entram para bagunçar e poucos aparecem para arrumar.”
Parceiro feio é que nem pantufa: dentro de casa pode até ser confortável, mas na rua dá uma vergonha!!!
Vou à casa dele do mesmo jeito de sempre
Me encosto na porta com o mesmo sorriso de sempre
Só não faço a mesma pergunta de sempre
Pois a resposta eu já tenho
E será a mesma
Para sempre
TEM JEITO
Prevalece, porque não seria
A desordem
Como deixaram a casa
Quando racharam as paredes
E pendulou o teto.
E algumas coisas precisam
Com o esforço de outras coisas
Ficarem de pé.
Na posição de partida
Na porta da saída
Porque ameaça o temporal maior.
Eram dois prenunciados
Um fez o que fez
Com a faltosa ajuda das pessoas.
Ficou por que não passou a miséria
Esperando o fotógrafo
Para que se registre o dia
O dia claro como poderia ser
Direcionado todo para os nosso olhos
E o perdemos no temporal escabroso.
Rachada pela caliça
Alaga-se a casa e os livros.
E permanece o dia mostrando
Que é vulnerável a vida
E é muito frágil o mito
Que deus não Dorme
Mas necessita olhar
Para todos os lados.
- Com o temor dos homens.
A vida vence e lança no chão do mundo
O perdedor.
Mas não me disseram nada do mistério.
E eles agora são tão visíveis
E sentidos a todo o momento
No que agora fico sabendo
Pensamento.
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