Sair da Casa da Mae

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⁠O Encontro no Ônibus

Estava eu, mais uma vez, indo para a casa de minha avó. Para tanto, preciso pegar dois ônibus ou ir a pé até o ponto do segundo. Com muita cautela, vou. Passo atenciosamente de rua em rua, esquivando-me das esquinas como quem evita lembranças indesejadas.

Decido ir a pé. Chego ao segundo ponto um pouco cansado, o corpo denunciando a caminhada, e logo vejo meu ônibus se aproximar. Entro, pago e me assento. Como em qualquer outro dia, encaro a janela como uma tela em branco, onde os cenários passam rápido demais para serem compreendidos. Imagino tudo, porém nada de importância.

Um bairro se passou quando sinto um toque no braço, leve como o roçar de um galho ao vento. Vinha de alguém que se assentava do meu lado direito. Penso que foi apenas um esbarro casual e volto ao meu devaneio, mas novamente sinto. Dessa vez, decido me virar e entender o que estava acontecendo.

Era uma senhora, pequena e franzina, de mãos trêmulas e olhar perdido. Tentava, com delicadeza, chamar minha atenção. Algo havia de diferente em seu olhar — um brilho úmido que parecia conter todo o peso do mundo. O marejar de seus olhos já me inundava, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela segurou minha mão com firmeza, como quem busca âncora na tempestade.

Sem dizer uma palavra, ela apenas suspirou fundo, como se aquele gesto contivesse anos de histórias acumuladas. Seus dedos enrugados e frágeis envolviam minha mão como se segurassem um último pedaço de esperança. Por um instante, o mundo se reduziu àquele toque, e o barulho do ônibus se tornou um murmúrio distante.

Aos poucos, seus lábios se abriram, e num sussurro quase inaudível, ela disse:
— Você se parece com meu filho...

Houve um silêncio denso, como se o universo contivesse o fôlego. Não sabia o que responder, e talvez ela nem esperasse uma resposta. Apenas segurava minha mão, fixando o olhar num ponto indefinido do corredor.

— Ele partiu faz tanto tempo... — murmurou, com a voz quebrada pela saudade.
Um nó se formou na minha garganta. Respirei fundo, sentindo o peso daquele instante. Então, num gesto instintivo, apertei a mão dela com carinho e disse:
— Eu estou aqui... Pode me contar sobre ele, se quiser.

Ela pareceu surpresa, como se aquela simples oferta fosse um presente inesperado. Seus olhos marejados se voltaram para mim, e um sorriso tímido despontou, como um raio de sol por entre nuvens carregadas.
— Ele tinha esse jeito quieto... sempre olhava pela janela, pensativo. Gostava de imaginar histórias. E quando eu estava triste, ele só segurava minha mão, como você está fazendo agora.

Senti meu coração pulsar mais forte. Eu não era apenas eu — naquele instante, eu era um fragmento de memória viva. Ela continuou falando, e a cada palavra seu rosto se iluminava, como se a lembrança trouxesse o calor de um reencontro.

— Ele dizia que as nuvens eram mapas de terras mágicas — disse ela, sorrindo leve.
— Sempre acreditava que, se prestássemos atenção, descobriríamos um caminho que só os sonhadores enxergam.

Sorri também, e sem perceber, comecei a compartilhar minhas próprias memórias de viagens e pensamentos perdidos olhando pela janela. Ela escutava atenta, como quem encontra companhia na dor e na saudade.

Quando o ônibus freou bruscamente, ela soltou minha mão com delicadeza, como se devolvesse à realidade o que fora apenas um breve consolo. Antes de descer, olhou para mim com um sorriso pequeno, mas sincero, carregado de um agradecimento mudo.
— Obrigada... Você me fez lembrar que o amor não morre... Só se transforma em saudade.

Olhei para ela e, com um sorriso sincero, respondi:
— Talvez ele ainda segure sua mão... de algum jeito, através de quem traz um pouco dele no olhar.

Ela desviou o olhar por um momento, tentando conter as lágrimas. Mas quando voltou a me encarar, havia uma serenidade nova ali, como se minhas palavras tivessem encontrado um canto acolhedor dentro dela.

Fiquei observando-a partir, pequena e delicada, desaparecendo na multidão. O ônibus seguiu viagem, mas aquela sensação permaneceu em mim — uma mistura de melancolia e gratidão por ter sido, ainda que por poucos minutos, um porto seguro para alguém que precisava ancorar suas lembranças.

No caminho até a casa de minha avó, pensei sobre a força que existe em simplesmente estar ali para alguém. Às vezes, somos chamados a ser companhia em meio ao tumulto da cidade, como se a vida nos empurrasse para encontros que não esperávamos, mas que, de alguma forma, precisávamos viver.

E ali, entre a dor e o alívio, aprendi que às vezes somos porto, outras vezes somos naufrágio — e, no intervalo entre os dois, a vida nos permite tocar o coração de um desconhecido, deixando nele um pouco de calma, e levando conosco a certeza de que a humanidade sobrevive nos detalhes.

Inserida por DanielAvancini

⁠Lar não é uma casa ou lugar. Lar é onde estão aqueles que se importam com você, que te amam e lembram de ti a qualquer custo.

Inserida por ryu_c0mms

⁠A casa de um cristão sem louvor e um funeral sem choro são idênticos

Inserida por histemi_teleioo

⁠⚠️Essa frase é para quem castra animais machos e prende animais dentro de casa.⚠️

Deixe seu gato em paz, ele não te ama, só te suporta; mas quando ele não te aguentar mais, ele vai fugir e não vai mais voltar ou vai morrer.

Inserida por rayssa_barbosa_1

⁠15/05/25



A casa estava linda e organizada, assim como o jardim lá fora.
Um vento impetuoso surgiu e, com agressividade, modificou o estado harmonioso para caótico.
Móveis espalhados pela casa, folhas secas ao chão, misturadas com areia.
Quando o vento passou e tudo acalmou, as marcas ficaram. Na alma e na casa. Trabalho para reestruturar e nada mais ficará no lugar como outrora.
Não é o fim, mas um novo começo, um novo ciclo que se inicia e que podemos harmonizar novamente, com a experiência que o vento deixou.
Evitaremos a fadiga permanecendo intocáveis na condição pós-caos? Mas... alguém aprende sem lição? Faremos o quê?
Aprendemos e crescemos com eventos aleatórios da vida.
Paciência é uma virtude para o filósofo sem angústia e para o acomodado sem futuro?
O sangue pulsa na corrente de quem tem fibra e vontade de viver.
Vida tão simples e difícil de viver.
Basta apenas uma fagulha para acender o pavio.
A vida é para quem sabe viver e não para quem sabe morrer, mesmo estando vivo.
Nega sua essência, sofrerá por isso.
A vida é assim, como uma casa, como um jardim.
Há quem diga: a porta está trancada e o meu jardim, selado. Nada poderá acontecer.
A fome assola o estômago faminto; atrás de sustento vai, a cautela deixa de existir, dando lugar ao partir do ser humano por inteiro, aflito, sem direção.
Triste solidão.

Inserida por ROGRGS

⁠Castração de animais machos e de gatas fêmeas antes de procriar, prender animais dentro de casa, obrigá-los a ser como gente e não deixá-los comer de tudo, menos veneno e balas de goma tipo "fine", também é maus-tratos e é muita hipocrisia. Mãe de pet não existe; existe mãe adotiva. Mães não tiram vidas e nem destroem. Amar não é sufocar. Não confundam o amor com carência.

Inserida por rayssa_barbosa_1

⁠Onde está o seu berço, na escola ou no lar?!!! - alguns só o conhecem por casa, que é somente espaço físico e isso difere do antro familiar, portanto, desconhecem a palavra educação.

Inserida por TONINHOCARLOS1955

⁠Casa de Versos

Escrevo pra poucos.
Poesia escolhe os seus.
Vem mansa, mas não mente,
toca onde o barulho não chega,
acende o canto dos olhos,
sussurra o que o peito calou.


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Não escrevo pra multidões,
nem pra mãos apressadas.
Escrevo pra quem cultiva silêncios,
pra quem sente o mundo em segredo
e se emociona com o que não se diz.


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Poesia não bate à porta —
chega como brisa de fim de tarde,
se aninha sem alarde,
faz morada sem pedir.


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Quem habita meus versos
ouve música como quem respira,
sente o vinho como memória,
dança com a própria sombra
e descansa na solitude,
como quem voltou pra casa.

Jonatas Evangelista

Inserida por jonatas_evangelista_1

⁠"Quando nada fizer sentido, lembre-se que aqui não é casa, é caminho. Continue"

Inserida por JaneSilvva

⁠Em algum momento toda luta termina. Às vezes levamos a medalha pra casa e em algumas vezes levamos apenas os nossos corpos cansados e desanimados. Mas precisamos de qualquer maneira nos preparar para a próxima batalha. Ela vem, ela sempre vem.

Nunca permitiremos que as pessoas aprendam, cresçam e amadureçam se fizermos a sua lição de casa.

Inserida por Alecansei

⁠Não importa a casa onde seu corpo habita e sim a pessoa que reside em seu corpo.

Inserida por IvenioHermes

Vou sempre acreditar no poder da autodefesa, dentro da minha casa serei sempre o Juiz, Promotor e o Advogado, tendo a sentença a critério da Imbel 380.

Inserida por ReinaldoVasconcelos

⁠Ditado modificado

Em casa de ferreiro, espeto...
Só no churrasco.

Inserida por don_de_moura

⁠"Os JOVENS E A BAGUNÇA -- Mamães se o seu filho é organizado em casa, levante a mão para o céu e agradeça. Existe quase uma unanimidade na avaliação das mães em taxar seus filhos de bagunceiro: não arrumam a cama, deixam as roupas jogadas (muitas vezes no chão), toalhas, e todos objetos pessoais largados em qualquer lugar, inclusive documentos pessoais, que quando precisam, fazem uma revolução em casa para encontra-los; quando encontram.
Na maioria das vezes a cabeça deles estão também desorganizada. Ajude a sua mãe que ela te ajudará.

Inserida por Ademarborba46

⁠A tempestade não passa
Ela se torna casa vez mais forte
As luzes vão embora
A escuridão domina tudo
Mas será que a escuridão não é meu verdadeiro lugar?

Inserida por Reimes

⁠Hoje voltei para casa.
Estou morando em mim.

Inserida por PaduaDias

⁠Admirar a natureza verde através da janela, trazer também plantas para decorar o quintal e a casa promove ao ambiente um clima tranquilo e relaxante.
O canto dos pássaros quebra a monotonia e alivia a tensão do dia a dia proporcionando uma vida com mais qualidade mental.
Setembro/2022

Inserida por editelima

⁠PROSAICO
Nós poderíamos ter ido juntos para casa
Às dezoito horas de todo dia ou de alguns dias,
Talvez eu fosse pra academia na terça-feira
E tu fosses pro futebol todas as quartas
Eu teria o meu jantar com as amigas nas quintas-feiras,
E tu o jogo de canastra toda a sexta.
Talvez não fosse prosaico assim como imagino,
Eu reclamaria do teu cheiro de cigarro,
Tu me dirias que eu sou chata e redundante
E eu ainda teria ciúme das amantes
Que tiveras na tua vida antes de mim,
E tu me questionarias sobre os homens que eu tive antes de ti.
Mas nós deveríamos ter dado uma chance ao destino
E ter ido juntos para casa às seis da tarde,
Todos os dias ou alguns dias da semana,
Dividir as tarefas, o jantar e uma cama
Talvez, quem sabe, nós seríamos tão felizes
Que seria difícil de acreditar que era verdade.
Nós deveríamos ter ido juntos para casa às seis da tarde...

Inserida por LIGIAMARIASCARELLO

⁠Eu sou hóspede do mundo
Minha casa é a floresta
O céu é pequena fresta
Onde do luar me inundo
No espaço dum segundo
Tenho um belo espetáculo
Quando o sol no seu pináculo
Traz a lua pruma dança
E meu coração balança
Sem encontrar obstáculo.

Inserida por eliezeraguiar