Saber Cuidar - Leonardo Boff
O amor é capaz de tudo, de desejar ter ou ter que abrir mão, o amor é coisa absurda aos olhos e ouvidos dos que não entendem, diferente da paixão, o amor está acima de qualquer sentimento pois é simplesmente inexplicável, é fazer o bem, é querer o mesmo bem que se idealiza para si ao outro, amar não é esperar a devolução, é sentir a alegria e felicidade alheia, é querer ver o próximo igual ou acima de sua alegria, longânimo, é gratidão por simplesmente sentir.
Amor sem brigas não é amor, é apenas uma amizade, se não há "briguinhas", em um dos dois há a falsidade.
As brigas e discussões são como um ácido que corrói qualquer corda, causam insegurança, mágoa, rancor e tristeza.
Meiga em cada gesto e olhar,
Encantanda o mundo ao passar.
Nasce nela a força de vencer,
Iluminando tudo ao crescer.
Nobre é o seu jeito de ser,
Alegria que faz florescer.
Viva, intensa e tão rara,
Inteligência que não se compara.
Tu tens o brilho da glória,
Onde passa, deixa memória.
Risonha, doce e guerreira,
Inspiração para a vida inteira,
Amenina que é pura vitória.
”Hoje te entendo. Quantas vezes te doaste. Quantas vezes te sacrificaste. Quantas vezes não te permitiste. Quantas noites não dormiste. Hoje me basto e me permito. Me permito ter. Me permito ser. Hoje te entendo.”
”Hoje compreendo tua entrega. As renúncias, os silêncios, as noites em claro. Hoje, ao me permitir, te honro. Ao me bastar, te compreendo.”
“Demorei a entender o quanto te apagaste para que outros brilhassem. Hoje, ao acender minha própria luz, reconheço a tua.”
“Hoje te reconheço nas sombras do que foste. Doaste tanto que quase não restou nada. Agora, ao me preencher, percebo teu vazio. E nele, tua força.”
“O envelhecimento do corpo não impede a juventude da mente. Mas uma alma envelhecida pode obscurecer até os corações mais jovens.”
“Não delegues responsabilidades que a ti pertencem. Não atribuas a outrem a culpa pelos erros que são teus. Não te delegues. Tua liberdade te impõe um triste destino: ser réu e juiz da tua própria vida.”
“A liberdade, quando real, recusa terceirizações: ela exige que sejas autor, réu e julgador do que te tornas.”
”Um dia pode ser pouco tempo. Um dia pode bastar. Um dia pode ser inesquecível. Um dia, para se esquecer. Um dia de paz. Um dia de guerra. Um dia feliz. Um dia triste. Um dia, aprendemos. Um dia, não lembramos mais. Um dia com saúde. Um dia sem forças. Um longo dia. Um breve dia. Um dia, morremos.”
”Tudo pode mudar em um dia. Tudo pode acabar em um dia. Um dia é tudo o que temos. E um dia, não teremos mais nenhum.”
“Há dias que duram uma eternidade, e outros que passam como um sopro. Dias que ensinam, dias que dilaceram, dias que curam. Cada dia contém o todo, e mesmo o último ainda carrega o mistério do que fomos.”
”Um dia começa, outro termina. E entre o nascer e o pôr, vivemos tudo o que somos capazes. No fim, não é o tempo que importa, mas o que fizemos dele.”
”Tememos a escuridão porque ela nos devolve ao essencial. Sem cenário, sem plateia, sem distração. Apenas o que somos quando ninguém vê.”
I. Entre a luz que revela e a sombra que protege
Nem toda luz é revelação. Há claridades tão intensas que cegam. Desnudam o que ainda não está pronto, queimam o que germinava em silêncio. E há sombras que não escondem, apenas resguardam. Guardam o que é semente, não o que é ruína.
Vivemos entre clarões e penumbras, mas o medo nos ensinou a preferir a luz mesmo quando ela fere. Aprendemos a temer a escuridão como se fosse sempre ameaça, mas esquecemos que nela repousa o mistério, e é no mistério que a alma respira. A noite, quando acolhe, não sufoca. Ela sussurra verdades que o dia, apressado, ignora.
A luz exterior muitas vezes ofusca a centelha interior. E a escuridão, por vezes, é o caminho necessário para reencontrá-la. Há silêncios que só se escutam no escuro. Há encontros que só acontecem longe da luz pública, no íntimo do não dito, do não visto, do que permanece em suspensão.
A sabedoria não mora na claridade constante, mas na dança entre os polos. Saber acender a própria luz sem negar a sombra é o princípio da lucidez. Reconciliar-se com o escuro é devolver à alma sua capacidade de habitar o tempo sem medo do invisível.
