Saber Cuidar - Leonardo Boff
Saber deixar partir
Saber deixar partir. Há quem defenda que o amor é isso mesmo.
Respeitar a liberdade do outro é um acto de amor. Dou o exemplo dos pais que vêem crescer os filhos e que depois os vêem sair de casa para viverem as suas próprias vidas.
Saber deixar partir é ter a convicção intrínseca de que tudo é efémero, ou de que nada é eterno; a consciência plena de que todas as histórias tem um princípio e um fim, até mesmo as de amor. Pena é que a maior parte das pessoas não possua a maturidade emocional necessária para “saber deixar partir”. São essas pessoas com “mau perder” que exterminam muitas vezes o amor, apagando todas as recordações dos momentos bons e tornando a vida do outro num verdadeiro inferno.
Por outro lado, aquilo que me é dado a observar numa grande parte dos casais que mantêm um relacionamento de aparências é o seu sentimento de posse no lugar onde deveria existir o sentimento de cumplicidade.
Ninguém pertence a ninguém, cada pessoa é única e basta-se a si mesma, tentar moldar a personalidade do outro é limitar a sua própria oportunidade de amar na sua essência; ninguém pode sentir-se feliz ou fazer outrem feliz se não poder expressar livremente o seu eu.
Saber deixar partir requer tanta preparação como saber partir. Quase sempre quem não sabe deixar partir e quem não sabe partir é movido pelos mesmos motivos: o medo de ficar só, a incapacidade de sentir-se independente, o medo de não ser socialmente aceite...
Uma relação de amor é como uma intervenção cirúrgica onde os sinais vitais deverão prevalecer sobre todas as coisas. Deve lutar-se sempre pela sobrevivência de uma relação, mas quando se chega à conclusão de que já se tentou com todas as forças e não se conseguiu, há que ter a coragem de deixar partir ou mesmo de partir, caso contrário, corre-se o risco de culpar o outro pela nossa infelicidade.
Muitos de nós, assistem assim, impávidos e serenos à morte do amor, muitas vezes camuflada por um casamento. Ofuscados pelo brilho da taça içada bem alto, muitos esquecem-se que a mesma está, não raras vezes, erguida sobre um monte de cinzas.
A poesia é isso mesmo...
É saber regar os olhos
para que a cada dia floresça um mundo.
Um dia a gente se torna planta por completo
e nos enraizamos de vez na terra.
Se isso não acontecer,
é por que nossos frutos ainda alimentam os ouvidos,
os olhos, enchendo a boca
com toda videira que foram os versos.
Saber viver é uma arte, saber desculpar é um dom, mas saber ser feliz é a esperança que nos faz acreditar no FUTURO.
Estar distante de ti, é sentir-se sufocado com o próprio ar,
é não saber pra onde olhar, pois os próprios olhos não se acham,
é se sentir perdido e só em meio a uma multidão,
é saber que a distância pode ser eterna, e que assim eterno não será mais o amor. Estar distante de ti é chorar sem vergonha da lágrima, é não ter que falar belas e essenciais palavras. Estar distante de ti é morrer a cada segundo, é jogar fora uma parte da vida, é ver o nascer do sol e já querer a noite. Estar distante de ti é triste, é amargo, é ruim, pois amo a tua presença, pois amo você.
Como pode acontecer
Eu não entendo apenas o porquê
Nem quero saber o que o destino me guardou
Quero apenas aproveitar
Tudo que a vida poderá me dar
E ao teu lado eu desejo estar
E só contigo meu amor
Juro que não posso mais acreditar que eu posso viver
Sem ter você me amando cada dia mais
Refrão:
Estar com você
É muito mais do que eu quero ter por toda vida
Estar com você
É mais do que eu posso merecer pra curar minhas feridas
Estar com você
É sonho de amor, é meu prazer, é minha vida
Estar com você
É algo que eu não posso descrever que não se explica
Juro posso até mudar
Mas meu tesouro sempre vou guardar
Peça a ele que eu posso chamar
De teu amor
Quero não sentir mais medo
Não guardar segredos que me trazem dor
Segura minha mão
Por que ao teu lado eu sei que sou um vencedor
É triste ainda te ter nas lembraças
E saber que eu não fui forte o suficiente pra aceitar o que sentia.
Não nego fui fraca, deixei o medo falar mais alto e perdi o momento que eu mais queria que acontecesse, o nosso primeiro beijo.
Eu te procurei por tanto tempo sem ao menos saber que você existia e agora que te tenho parece tão irreal.
No caminho.
Só pergunte dos meus passos
se comigo vais andar
Queira saber meus caminhos
se por eles for passar
Questione meus momentos
se parte deles tu fores
Interrompa meus silêncios
se neles gritam minhas dores
Não ti posso prometer
que estável possa ser
Pois só me faço entender
quando em loucas tempestades
Crio as minhas, e as alimento;
Se sou chuva, seja vento!
Sopre suave... traga alento...
Faça planos bem sinceros
Que inteiros caibam em um dia,
ti darei minhas horas doces
E ti faço companhia
Mas se acaso te assusta
Essas minhas intempéries
Por favor, seja sutil e me deixe devagar
Peço que, por gentiliza
ponha tudo em seu lugar
Me devolva as tempestades
me faça de novo calar
Que eu retorne ao meu caminho
e não mais saia de lá.
