Ruth Rocha Amor

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O ÚLTIMO ENDEREÇO

Outros beberão os nossos sonhos
E farão isso ainda quando sonhamos
Os devaneadores do mundo
Deixarão papéis com algoritmos
De mapas de tesouros fincados aonde?
Os outros de depois
E escavarão o mundo todo
Colhendo o que não amanham
Distante se chamarão do nosso nome
Legados para parentes, principalmente
E isto não nos perpetua
Porque o mundo e o tempo
Coligados desde o começo
Tratarão de derrubar
O entusiasmo dos outros
E lembrarão do esquecimento de nós
E não terá mais sentido
Nem pela noite nem pelo dia
Lembrar-nos pelo que deixamos
Nem como eram nosso nome
Não erguerão, os outros, os olhos
Pra nos lembrarem mesmo
Se deixamos nossa assinatura
No vão da parede que sustentam a casa
E a casa, pelas pequenas intervenções de agora
Já será deles, como invadiram
Os filhos dos meus filhos
Nos terão esquecido
Mesmo que utilizem nossos nomes
Repetidas vezes, a cada geração.
Nem os nossos retratos amarelos
Farão com que alguém nos lembre.
Mas haverá, menos de um dia
Em que lembrarão de nós encobertos
Por várias cortinas, totalmente esquecidos
E este pedaço de dia será
Do dia que em que precisem urgentemente
Da casa que fizeram para nós.
O único, o último endereço
E nós os acolheremos por ser mistério
Estas fazes de Deus.

Inserida por naenorocha

PLANO DE VOO

No plano alucinado
Já no degrau maior
Estrelas se enroscam em mim
E eu tomo conta delas.
São jorge é uma ilusão.
Não acreditem que São Jorge
É um guardião da lua
Quem poderia fazer mal a lua
Uma mulher solitária que só vê seus filhos
Não acreditem em São Jorge.
O homem por sua conta
Criou os dogmas, as ilusões, os mistérios
E por todas as naus
Que singram o luar disperso
Não nos trazem informações sobre
O que se preferimos ver com nossos próprios olhos
Porque o encanto se demudaria um quebranto
E as infinitas entradas trancadas
Por rendas de sedas e ornados
Se concretizariam tais as madeiras
Das portas de nossas casas.
No plano dos sonhos tudo acontece
Da forma que ninguém fale
Aqui os mistérios são tratados como mistérios
E não nos entrançamos com estrelas
Nem damos de comer à lua
E a chamamos bonitas
Porque não vive entre nós
E a distância de nós a ela
É motivo de pesquisa da NASA.

Inserida por naenorocha

Confiança é algo que as vezes levamos anos para conquistar e apenas alguns minutos para perder.

Inserida por izzorocha

CARTAS À MIM

A tarde da tarde se põe num céu quieto
E a noite já está chegando, eu não sei desse segredo.
Quero que me reconheçam por meu deserto
Distante e longe do lugar do meu degredo.

Marco o meu passado em um extenso mapa
Lugares onde fui e ultrapassei
O tempo com sua contagem, um desagrado
As balizas nos caminhos de mim herdei.

Não busco estrelas para saltar o pedágio
Os meu desígnio é de saber quem sou
E de num instante remoto, tempo ágil
Vejo os alaridos no tempo que vou.

Como tantos que se perdem na viagem
Jurei outros caminhos mais verdadeiros
E me retive na bifurcação que fazem
Alma perdida, coração aflito, de mim mensageiro.

Carrego o intrépido volume de cartas
E escritos ilegíveis mandados à mim
Num desaforo que vou desarmar
Meu espírito santo e louco assim.

Inserida por naenorocha

O silêncio do olhar pode revelar muito mais do que você imagina.

Inserida por izzorocha

Não desista da vida, deixe a preguiça de lado, atualize-se sempre em tudo que for possível.

Inserida por izzorocha

A pior velhice é a mental. Quando ela lhe comanda, rapidamente tudo se acaba.

Inserida por izzorocha

DILIGÊNCIA

Vou sair, não diga a hora gritantemente
Que a hora já passa do tempo.
Que me preparo sem litígio e penses
O que faço não é fuga nem tormento.
Quero sonhar a trégua que minha alma urgente
Sem que a mim se refugiem sentimentos de alegria
Das estradas e sombras que me sentem
No comboio ardil e minha alma diria
Não andarei nem falso nem quem
Que todo, sou um mártir de tuas escrituras
Ante o fim do tempo da ida risonho
Procurarei ainda o fim do futuro
Para alguma coisa dizer-te imponho
O tempo meu que manhosamente aturo.
Vens amor querido nesta viagem impotente
Onde poderás ser guia e em mim não se desfaça
A obediência dos teus instantes
E qualquer uma coisa, o meu olhar disfarça.
Vamos amor contar nossos pés acima
Do meu controle fugirei que passa
Por tua diligência tudo o que sou e passo ainda.

Inserida por naenorocha

VULTO

Eu queria ser alguém da história
Um vulto entre tantos outros destruídos
Com os meus sinais de glórias e onipresenças.
Captar todo momento num tempo exíguo
Queria minha vida escrita nos livros
Queria ser falado, discutido e diminuido dos meus feitos
Despertar em cada leitor a me imporem novos combates
Tendo já conquistado praças, albergues, cidades, continentes.
Disso tudo poderiam esquecerem-se os críticos de minha vida
Queria ser da multidão que glorificou Jesus Cristo
E ser cético, quanto a contar as verdades mais fincadas.
Me disporia da vida vivida em tempo real
Pra ser esse menestrel que carrega o seu piano
Que de mim e de todos, a minha vida não duraria
Um capítulo dedicado aos fanfarrões e lunáticos.
Que tudo se leria a caminho do ônibus
E que, por sua dureza apenas um traço me justificava
E entederia o leitor algo que poderia ser, ou não.
Um personagem menos importante
E seria assim por minha vida toda.
Destilada nos corredores das escolas
Ante o olhar piedoso ou indignado
Do faltoso aluno e do professor apressado
E minha vida era vivida assim, rápida como um cometa
Sem durar o tempo cruel de se viver cada dia
Cada mês e cada ano
Eu não me sentiria um malogrado
Se me assentassem um ítem de um formulário
A ser corrigido, vivido e passado a limpo.

Inserida por naenorocha

SONHO

Não, nem dormindo, quando abro as pernas
Sinto a liberdade que cubram meus dias
De amar a quem colherá os meus prantos
... A dedicada que prefere a mim à vida.
Nem sonhando tenho as carícias do sol.
E o sonho é tempo calculado como vida
Porque neles nos aventuramos e somos
Débeis, cobardes, ardilosos e clarividentes.
Não, nem dormindo eu sonho mais
Tudo fica tal e qual o real como um pesadelo.
A ausência fortifica o sonho
E o sonho debilita-se, e não há remédios
Que diretamente, toque no sistema nervoso central
A atacar a dor nociva canibalesca.
Sonhando estamos dormindo sem cuidados
E nos tornamos fáceis como a presa solta.
E quando sonhamos, somos nós
A presa, o predador, e nós por piedade.
Nem num sonho extenso a vida é compassiva
E avisa: Já que veio, tome arreio
E se constrange além de nós o sono de liberdade.
E se completa de medo. E abrimos os olhos.

Inserida por naenorocha

Estou bem comigo mesmo, tenho a minha consciência limpa em tudo que fiz nesta vida, e você?

Inserida por izzorocha

Quem tem maldade no coração tem que se arrepender e pagar pelos seus pecados, somente assim conseguirá adquirir o direito à evolução espiritual.

Inserida por izzorocha

É gratificante ter a possibilidade de praticar o bem a quem precisa, a quem está vivendo uma angustia, uma aflição.

Inserida por izzorocha

Nunca ignore quem te ama, pois quando você tiver consciência do erro poderá ser tarde demais.

Inserida por izzorocha

Você só descobre a importância e o valor de um amigo quando ele lhe socorre de boa fé, sem nada exigir.

Inserida por izzorocha

EM TUDO ÉS

É necessário que a saudade sobreviva por muito tempo
Porque assim eu te projeto em qualquer branco
Que a me inventar redobro os cuidados do meu amor.
Qualifica-me a ausência a te pensar pelo tempo
Dá-me honra e alegria o teu amor sucumbido em mim
E não me resta outro pensamento que não seja saudade.
Já falei de saudade, com esta, três vezes
E em todas ponho-te dentro
Te imagino na figura que na lonjura dos meus olhos
Construo as tuas diferenças e valorizo
E por elas me arrebatei primeiro
Visões que tenho pensado como os dias de manhãs
No tanto que amo as tuas partes comuns
Como os teus olhos, que são os mais bonitos
Teus cabelos, que são mais macios e cheirosos
Tuas pernas, mais lisas de uma única cor
Tua boca, mais generosa e mais gostosa.

Inserida por naenorocha

VIDA

Vida, é um risco contempla-la
Quando se mostra boa e harmoniosa
Não é bom achegar-se dela e tocá-la
Nos seus trages de furta cor e curiosa

E eu falo assim por um desmando
Não me permitiram citá-la
Mas apenas por eu ter uma já distando
Nem por isso é bom beijá-la

E ela em tudo me atrai como sinais
Tão próprios dela chegando na dispersão
Ausência ruim e nos abala muito mais
Saber que somos nós que temos coração.

Ah, como me inebria e me cativa
E é, por sua graça muito mais caprichada
Quando ela passa bonita, altiva
E já não temos mais como chegá-la.

Ela é minha parece tão desordeira
Indiferente, incomunicável, nata
Que é desgosto afirma-la passageira
Por ser um grande mistério camuflada.

Guarda-te porque num dia
Em que passes no caminho lentamente
Já estais velha e a tua beleza que ardia
Sejas no fim de passos tão lentamente.

Inserida por naenorocha

SONHOS

Sonhos matinais sonhos de cristais
Límpidas águas, sugerem contornar seus rios
E nesta inclusão até o azul se traz
Projetado em nossos olhos fitos
E metemos a cara em suas janelas,vistas
Para o vento que lança essas visões do céu
O amor do significado aberto, distas
E não comoves as nuvens que vão ao léu.
Sonhos de amores revestidos, flores
Dizem pra si mesmo quando quieta
E todo o jardim que semeia amores
Deixando um caminho de pesar a regra
Sonhos de amores, completa saudade
Acolchoada bruma de manhãs agora
Já o tempo traz nova, a claridade
Só o inconsciente num surto, canora
O mesmo efeito das tintas do céu
A lavoura verde filha da luz da aurora
Que o oculto lado não te dá brandura, os ramos de véu

Inserida por naenorocha

TE AGUARDO NO LIMITE

Quando tuas mãos cingirem as minhas
Assim tão densamente
Há a penúria de um beijo entre nós
Da alma de anjos por nossas frentes.
Enquanto os meus jeitos
Circundarem os teus dedos
Fazemos o aceno de um arrebatado com o mundo
Alguém que não vê distorções em tudo o que faz
Alguém que se banha de suas próprias lágriamas
E que refreia os seus soluços, e por começo
Acaba por enxergar o perigo que provém do mundo.
Tido o experimento de algo igualmente
Do amor que se exila
Da cominação do mundo
E impõe-se ao infortúnio
De nunca mais chorar, nunca culpar o mundo
O mundo que dirão, foram eles que fizeram.
Mas o momento não é de se discorrer isso
Algo que seria pra nós uma contravenção
Nos desobrigar-se e meus dedos permanecerem acesos
Na falta de tua mão que me guia.
Quando estou nesta timidez
A vida ou o abraço, do, amor um traço
Eu serei recaído e fingido, amor
Que não me amas, com planos para outras ceifas boas
Que o amor deve regressar
Se revelar diante de nós
Num repentino chamejar das centelha fogo
Saindo de dentro de nós.

Inserida por naenorocha

Quando estamos no chão uma única palavra de apoio pode nos levantar.

Inserida por izzorocha