Ruth Rocha Amor
Quer esconder o natural?
Por que amar sem demonstrar?
Se o próprio amor dá o sinal:
te faz sorrir com o olhar
Que sensação bonita essa de quando o silêncio vem nos dar prazer! O amor grita no mesmo instante em que não há mais nada para se dizer
Já relacionei o amor com Deus e o mundo
do abstrato ao mais palpável
Descobri que o amor é compatível com tudo
contudo, é incomparável
Eu pedi
desenhei
escrevi
insisti
e até supliquei
em vão
O amor entendeu tudo errado
e fez o que quis com o meu coração
Transformo o amor em palavras
e dou um sumiço no resto
Eu não sei fazer mais nada
é só pra isso que eu presto
Um amor tão delicado que, de repente, não se sente mais. Mas ele vem, acordado, constantemente encantado, na janela do banco de trás
Responda-me quem for capaz: amor de verdade praticamente não existe ou existe mas não se pratica mais?
Amor doente, grita e chora, insistentemente, sem cessar. Está ciente que, mais cedo ou mais tarde, sua hora vai chegar
Nosso amor é primavera, época mais bonita do ano. Nosso amor é o que se espera de uma nova música do Caetano
Um pouco de amor pus no olhar. Um pouco no sorriso, nas frases ensaiadas. O troco foi pro improviso. Pus um pouco nos gracejos e nas gargalhadas. Um bom tanto pro desejo - tanto que um pouco eu gaguejo, por não conseguir segurar. E ainda tem tanto amor nos planos, nas palavras, nos gestos. Tem amor pra mais de metro. E o que eu faço com todo o resto, se você ainda não abriu o coração pra me ajudar?
Guardei um pouco daquele amor como lembrança, como criança, como esperança de um dia tudo se acertar
Quem quer, não adianta pedir. Quem não quer, não consegue impedir. O amor cresceu - chega quando quer e sai sem hora para voltar
É na malícia de um sorriso que o amor perde o juízo. Queima como palha. Deita na navalha. Quer se torturar
O amor anda tão complicado. Que tal simplificar? E simplesmente ficar lado a lado, deixando o amor se mostrar
