Ruth Rocha Amor
ZELO
Tenho tanto zelo pelo amor
Que não o recomendo a qualquer um.
Só aos íntimos puros, aqueles
Cujos corações não só cabem mais amor.
Tenho a vida toda para negar-te
A superfície de salvamento,
Tu que impassível
Valorizas não o amor a ninguém
Porque gritas por um nome
Que não é dos teus referidos?
O amor adoça a boca antes de tocá-la
Porque negar esta cobiça que possuis
Á boca de todos o rigoroso gosto
Suas lembranças detendo a contar-te.
Porque esse riso de incredulidade
Se todos somos algo achado desse amor
Desprezando por ti, por saber amá-lo.
Nada é tão diferente e bom,
Do que provarmos os beijos do amor
Quando este nos quer.
Eu tenho amor pelo meu amor
Eu não o separo assim
Fora ou distante em mim.
AMOR
Difícil falar do amor
Ele fugidio, abstraído, confuso,
Um nome dado a um sentimento,
Sintomático da Silva,
Dos sobrenomes todos da vida.
E quem é ele, um vulto
Na multidão dos mitos
Na reunião dos rebelados,
Rompidos a sangue e fogo,
Com suas práticas sentenciadas.
Difícil dirigir-se a ele,
Pairar sobre as montanhas,
Às vezes ir muito além,
E gritar por qualquer nome,
Até que se manifeste, a virtude
A boa obra, peça finalizada.
E como se anunciará a sua boca
O seu semblante como se verá,
Algo admirpavel, sensível à dor.
Confiante, certo que assim se mostre.
Deve vir como um bruma leve,
Pairando perto e longe, compassivo
Fazendo caras e bocas, brincando à toa,
De tudo entendendo, tudo calando,
O amor vem dando visões de barcos,
Em pleno mar, que ora aparecem,
Logo se escondem por trás das ondas,
Em descompasso, com os olhos turvos
Que sobem e descem desesperados.
DE VERA
Será o teu amor mesmo de vera
Que os meus sonhos nãos são quimeras
És tu que estás a me beijar.
É o nosso amor de uma nascente
Que vem antes de eternamente
Em nossas vidas desaguar.
Terá, este sentido, o do meu canto
Que toca em mim como um acalanto
Amando a ti, quero sonhar.
Certo, eu vejo em tudo primavera
Tira meus dias esta espera
Quanto mais dou, mais quero mais.
Gera do sol nascendo a longa espera
O teu beijo que de amor me intera
De boca a boca me salvar
Tenho amor por ti, a devoção
Que falo em ti na oração
Do amor que eu sinto saberás?
Espera, o teu caminho leva o meu
E eu te calculo neste breu
Do meu olhar te cobiçar
A terra é mesmo o nosso paraíso
E pra te ver eu não é preciso
Ser um arcanjo, nem voar.
O AMOR TEM DESSAS COISAS
Ai, o amor tem dessas coisas
Ora ele se mostra outras nem se vê
E é assim meu bem que eu sei lembrar de você.
Me adianta toda vida
Este amor que tanto amo
E assim vivo dos seus beijos
Nas medidas que há no mundo
Eu também me sinto assim
Me acalma amor
Os seus beijos repetidos
Tira amor de mim de onde mais tiver
Que é preciso ser,
Quem muito fala amor de ti.
A precisão de não querer seu teu amigo
Por que eu amo e assim só fico
A desejar e me maldigo
Na inconfiança .
ODIGETORP
Não falo do meu amor a ninguém
Existe em mim o medo
Que alguém o reconheça
E desenhe
Seu retrato falado
E aí passe a incomodá-lo.
Mas não o enxergam
Os que o buscam
Trancafiado vive o meu amor
Numa cela semi-aberta
E quando se chega
À hora boa e certa
O meu amor
Permanece só comigo.
Pela melodia, pelo cantar
Eu reconheço o meu amor
Por que é assim que ele me fala.
A ALTURA DO MEU AMOR
Não diga do meu amor uma possessão
Nem o mito que eu mesmo não amo
Que de respeito e temores vãos
Não existe em mim essa comoção.
Há o respeito, o medo ao mito
Há a chegada à errada conclusão
Mas se não for amor, não sei porque me explico
Porque este mimo, esta imensidão.
Linda verdade que pode ser dita
E prazeroso assim o meu amor todo é
Não invisível, não anda escondida.
Ele é o mimo, um vagalume no escuro
Depois da chuva do que era duro
Depois da reza do terço o Bendito.
GERMINA
Não deixa que o amor
Em ti resvale
Amor a conta dele
É simulada
E a boca é tua
E o beijo é dela
Amor te entrego
Ainda com garantia
Amor que repetir sempre te dou
Tanta esperança
E o sol já levantou
Amor tomas que cuide a sementeira
A ti eu trouxe
Flores vermelhas
Tudo o que dou
Meu colo aninha
Germina em ti
Como o que sou.
ACOLHE
Não fale do amor a crueldade
Pedaços do vestido dela acabem
A que não fique só amizade.
Que o amor rasteie o bem como seu guia
Um acervo de bondade e mais carícias
Que seja assim, que seja assim
O teu lugar cabendo a mim.
O meu lado direito que há da minha
A terna boa, aquele passarinho
Que junta palhas e faz um ninho.
Carrega os gestos como quem foi
Que todo movimento é de fazer
Cair dos céus ou levar num balde
Fermento, águas levar e trazer
É bom pra tudo, que renascer.
Acolhe as mãos da renascida
O filho todo o tempo apetecido
Que se repete toda alegria
E faz aquilo, tão repetida
Nosso amor é como o mar bravio e tempestuoso;
e eu,sou um barco que nele navego,sendo levada
pelas ondas até você,meu porto,minha vida!
"Tudo que é capaz um grande amor, morrer ressussitar depois, colher paroaras e seus espinhos. Andar como um peixe na maré dando braçadas de viés, cheio de amor o seu convés! Só pro meu amor olhar pra mim, me atirei balas de festim, tomei diazepan com gim"
Desse amor eu não quero
nem um pedaço de pão.
Desse amor eu não quero
nem mesmo uma refeição.
Estando morto na vida,
num canto da noite,
não venha buscar-me,
estarei bem aonde esteja,
entenda, eu não quero morrer.
Roupa rasgada na rua,
é bem melhor que amargura,
dentes cobertos de neve,
é bem melhor que guardados.
Estando torto da vida,
não tente mudar-me
não faça votos, não seja tão casta,
meu bem, não tente
virar pra beijar-me.
" Amor quando eu saí o cais deu prum deserto, aí eu fiquei tão triste e certo: Que o amor é coisa dolorosa, qua a lágrima fria é saborosa"
COM RAZÃO
Tem uma razão para esta minha tristeza.
O meu amor não tem cumprido com sua palavra
De todas as manhãs me acordar
Dando-me beijos
Dizendo que me ama
Abrindo as cortinas
Falando de um dia lindo lá fora.
Tem coerência esta minha saudade
O meu amor anda viajando
Pelo mundo andando
Não sei o que, procurando
Algo que a deixe entretida
E eu esqueça o olhar severo da vida
O meu amor sabe de mim, tanto
Que não lhe causa espanto
Antes causa ciúme
Porque é pela vida
Que derramo meu pranto.
Tem cabimento
Toda esta ausência
Eu sou um que está longe de casa
Fora do ninho
Sem ver meu amor
Sem carícias do abandono
Sem o meu amor amar.
"O amor de Deus é a força que move os ventos e lança as marés contra os barcos esquecidos na areia da praia"
Quando existe amor nada é passageiro, cada ato, cada atitude, cada gesto é ditado pelo coração e assim torna-se eterno.
LUMINOSA FLOR
Lindeza de flor
Sitiada de espinhos
Fiéis em seus postos
Como chegar ao meu amor
E minha a rosa que eu quero
São meus os sonhos em que ela se deita
E se transfigura de magnificência.
Do seu amor eu já provei
E ela sorveu o meu mundo
Encantou-se com o frescor molhado
Da fonte onde morreu minha sede
Onde, presumi, a quis amar.
E quase morro também
Sob a sombra do corpo dela
Anverso como uma encosta
Que protege caminhos
Qual predador acercando
Sua presa, antes de abancar-lhe.
Luminosa flor
Guarda-me contigo aonde fores
É por mim e pelo mundo todo
Este favor
É por ti, que ninguém vive
Sem um amor.
