Romântico
Eu quero ser real e nunca se esquecido, e como premio as lembranças de um homem romântico que um dia eu fui;
Por baixo de todo poeta com sentimentos a flor da pele sempre há um romântico lúcido e insano;
Um verdadeiro cavalheiro com honras ao mérito, merecedor de todo um coração carente que possa entender;
Tentei chorar, mas não consegui, pois não me vejo tão sensível ou tão romântico que me faça merecedor;
Quem me dera ao menos uma vez eu não mais sangrar sozinho e não viver minha solidão como uma forma de vida;
Quero acreditar pelo menos uma vez que minha vida possa ser tão bela como a de qualquer um;
Quero que me entenda e insista de que o amor ainda valha a pena para que a felicidade não pereça e sim rejuvenesça nossas vidas;
“Eu me lembro” é mais romântico do que “eu te amo”.
Eu estive em um relacionamento por algum tempo.
Ele me amou de todas as formas que, teoricamente, alguém deveria ser amado.
Havia esforço.
Paciência.
Constância.
E eu me convenci de que isso precisava ser suficiente.
Mas o que sempre me faltou foi a fluência,
aquela intimidade silenciosa que nasce da atenção.
Ele não se lembrava de mim como eu me lembrava dele.
E eu sei que pode parecer pequeno, quase bobo, mas eu comprava o suco favorito dele porque lembrava do sabor de pêssego que ele gostava.
Eu evitava colocar meu cachorro nos lugares que ele ia, porque sabia que ele tinha alergia.
Eu só não percebi o quanto precisava que isso fosse recíproco até uns dias atrás, quando reencontrei uma pessoa que eu não via há anos.
Não havia absolutamente nenhuma base para um relacionamento.
Nada promissor, nada concreto.
Mas, depois que nos vimos, ela me pegou de surpresa ao dizer:
“Vamos sair para andar.”
E eu respondi, quase automaticamente:
“Só pra te lembrar, eu não posso suar.”
Mesmo depois de um ano sem nos falarmos, ela sorriu e disse:
“Ah, não se preocupa. Eu já comprei seu refresco favorito.”
E eu fiquei parada ali, no meio da cozinha.
Nunca estive apaixonada por aquela pessoa.
E ela nunca esteve apaixonada por mim.
Mas, naquele instante, eu me senti profundamente vista.
E, de um jeito estranho, amada.
Porque não era só sobre lembrar de uma restrição minha.
Era sobre, mesmo depois de um ano de silêncio, ainda existirem detalhes meus que ela achou que valiam a pena guardar.
Aquilo pareceu mais íntimo do que qualquer “eu te amo” que já disseram pra mim.
Porque declarações de amor são palavras.
Mas lembrar é ação.
Você pode fingir que ama alguém,
mas não pode fingir que lembra.
Lembrar significa pensar em alguém mesmo na ausência,
mesmo quando não é conveniente,
mesmo quando a vida segue normalmente.
É quando, sem perceber,
a pessoa aparece.
Eu te encontro no corredor do suco de pêssego.
Eu te encontro na fruteira.
Eu te encontro em milhares de pequenas escolhas que faço sem pensar.
Porque, querendo ou não,
pelo resto da minha vida…
Eu vou lembrar que ele era alérgico a cachorros.
Quero tanto um casamento
romântico, pra não ter dúvidas
que casei por amor, mas a minha
loucura acaba com todo o meu
romantismo.
Este amor transcende o romântico; é um estado de presença que colora a existência. É a reverência pelo nascer do sol, o acolhimento das imperfeições, a mão estendida na dor. É a coragem de se doar sem garantias, de enxergar poesia no trivial e de florescer mesmo na aridez. É um verbo ativo que se faz no cuidado, no respeito e na celebração do simples fato de estar vivo. No fim, toda essa entrega e encantamento se revelam como uma única e profunda verdade: é um amor pela Vida.
Na verdade, sou um paladino do invisível.
Um romântico que ainda caminha de armadura leve, não de ferro, mas de esperança.
Carrego no peito não uma espada,
mas a coragem de sentir.
Acredito no amor como quem acredita no nascer do sol:
mesmo depois da noite mais escura, ele volta.
Sou desses que ainda escrevem versos no silêncio,
que veem eternidade em um olhar sincero
e que entendem que a vida não é batalha para ser vencida,
mas jardim para ser cuidado.
Sim, sou um paladino,
não dos castelos de pedra,
mas dos sentimentos verdadeiros.
E enquanto muitos desacreditam,
eu permaneço,
porque quem ainda acredita no amor
já venceu metade da guerra.
I — Solitário Conhecido
Sou um romântico
no estilo dos anos 50…
preso em uma geração
rápida demais
e profunda de menos.
Enquanto dizem que
viver
é diferente
de estar vivo…
eu sobrevivo.
Respiro…
sendo apenas mais um
solitário conhecido.
E me pergunto:
será que é isso?
Meu destino é este?
Porque ficar sozinho dói…
mas amar
consegue ser
ainda mais difícil.
Às vezes eu acho
que as pessoas se apaixonam por mim
antes mesmo
de me conhecerem.
Não se apaixonam
por quem eu sou.
Se apaixonam
pela versão silenciosa
que projetam em mim.
Mas não veem
a mente que não desacelera.
O cansaço de quem
organiza o caos
todos os dias.
E quando percebem
um pouco da tempestade
que mora aqui dentro…
vão embora.
Ou simplesmente
escolhem
não entender.
Mesmo assim
algo em mim
insiste em acreditar:
Em algum lugar
deste mundo imenso
alguém há de me encontrar.
Talvez ela esteja por aí…
tentando me encontrar
do mesmo jeito
que eu estou aqui
tentando encontrá-la.
Mas às vezes
o tempo pesa.
E eu temo
que quando nossos caminhos
finalmente se cruzarem…
eu já tenha aprendido
a viver
apenas na imaginação.
Mesmo sabendo
nome
e sobrenome…
o caminho até ela
ainda se perde
na névoa.
E foi na imaginação
que eu construí
minha casa.
Uma casa feita
de memórias
que nunca vivi.
E foi com muito custo
que eu entendi algo curioso:
o ápice da tristeza
é sorrir.
E o ápice da felicidade
é chorar.
Estranho, não é?
Um solitário conhecido
vivendo com um sorriso
no rosto…
e chorando apenas
quando volta
para a imaginação.
Às vezes me pergunto
se não é mais fácil
assim.
Porque a realidade
custa caro.
E talvez
seja melhor
ser feliz
na imaginação
do que triste
na realidade.
Porque talvez
eu seja apenas isso:
um romântico dos anos 50
preso em uma geração
rápida demais
e profunda de menos.
E talvez seja assim
que tudo acabe:
um solitário conhecido
apaixonado por alguém
que talvez exista…
ou talvez
só exista
dentro de mim.
Mas quando se fala de amor romântico, algo muda de tom.
O amor, nesse sentido, não é apenas afeição ou hábito: é um chamado profundo, uma força que reclama exclusividade de presença, ainda que não de posse.
Não se trata de uma regra moral, mas de uma experiência de inteireza.
Amar, de fato, alguém é estar inteiro na entrega — e não há inteireza duplicada.
Pode-se sentir desejo por muitos, admiração por vários, ternura por incontáveis.
Mas quando o amor romântico floresce, ele exige uma atenção que não se reparte sem perder a própria essência.
Tentar amar duas pessoas no mesmo sopro romântico é como tentar ouvir, ao mesmo tempo, duas melodias complexas: talvez se perceba as notas, mas a canção se desfaz.
O coração até pode se dividir em afetos, mas o amor que se reconhece como paixão de alma — aquele que nos move a transcender o ego e nos lança na vulnerabilidade — esse, por sua própria natureza, pede a unidade de quem o sente.
Espírito profundamente romântico, coração grande, demasiadamente, intenso, estrutura bela e suave, serenidade nos olhos, lindos cabelos, charme incomparável, tem o sentimento de liberdade, porém, não se aparta do devido senso, enxerga a riqueza da simplicidade, possui um amor esplêndido, a natureza de uma rosa apaixonante, curvas sublimes nas suas pétalas, essência forte, floresce apesar dos espinhos, das mudanças de tempo, das pedras do caminho, demonstrando a força de um renascimento constante, superando alguns desafios com vitórias emocionantes, prevalecendo várias vezes, a sua resiliência a cada estação, então, uma mulher exuberante, uma bênção, que fomenta a inspiração como um frescor da renascença.
Ser romântico não é fechar os olhos para a realidade; é acreditar no amor genuíno, ainda que pareça impossível.
❝ ...O Pacto Selvagem do Amor (Romântico da Loba)
Minha alma não te buscou no mapa que a razão traça, Mas no uivo ancestral que só a Lua sabe ouvir. Não foi escolha; foi instinto, a lei que não se disfarça, O chamado selvagem que me fez, enfim, sorrir...❞
----------------------- Eliana Angel Wolf
O sentimento romântico por alguém vem sempre com um temor de dar errado.
Seja na cama
Seja nos gastos.
De tanto romântico ser
Anti-romântico se tornou
Pelas cartas que escreveu, dos poemas que recitou
Tudo o que produziu, a desilusão levou.
E então descobriu, o verdadeiro significado
Do romantismo, pregado e idealizado
O poeta disse: deve ser evitado.
Em estórias escritas de romances massivos
Ensinava ao público a tudo momento
Afim de evitar escravizar os iludidos
A lei do anti-romântico desse moderno tempo.
