Rita
Todo dia é dia de aprender um pouco do muito que a vida traz...
Ermo
Chega a ser dor
esse amor;
latejando as horas vagas.
Compondo o tantos dos dias,
por acúmulo da saudade,
intransponível...
sem abrigo,
sem morada.
Queria ...
tão somente a despedida,
em teu sentir
deixar gravado
O tanto de mim,
que permanece
nesta paz, tão almejada.
Vou seguindo por caminhos imprecisos,
sem destino,
diluindo as minhas mágoas.
Te buscando nos recantos esquecidos,
um alívio para alma.
Rita Eduardo
Des(caso)
Ostra lacrada
Horizonte sem vislumbre
Liquidando o ser
No descaso dos dias nulos.
Sonho ultrajado
Demasiado desatino
No torpor em frenesi.
Pérola ferida
Substância afetada
Sem valor
Inacabada
No meu mar de ilusões.
Rita Eduardo
Ciclo
Sou flor que desabrochou por encanto
E por tempo se quedou.
Gravo em mim a semente da lembrança.
Acrescida de esperanças
Acolhida em outras estâncias
O meu ciclo se renova
Renascendo em esplendor.
Rita Eduardo
Alternâncias
Hoje o dia se fez manhã para trilhar os caminhos costumeiros.
Tangendo o coração, trazendo a tona as lembranças represadas.
Alardeando a vontade de regresso, onde a alegria habitava.
Repudiando a razão, despindo o tino.
Hoje o dia se fez tarde para deixar as amarras soltas.
Vasculhando os porões, desabrigando os espaços reprimidos.
Desmascarando a face, distorcendo o semblante.
Invadindo os sentidos.
Impondo a tua presença.
Sem licença...
Hoje o dia se fez noite.
Rita Eduardo
Insana(mente)
No labirinto da mente
que sempre mente
pede fuga a saudade
inesperada(mente)
uma lágrima
silenciosa(mente)
desarma o ego
crendo então
sentimental(mente)
que em tudo vives
amorosa(mente)
indefinida(mente).
Rita Eduardo
Diuturnamente
O dia adormece
e a alma (dor)mente
por esperas dolentes
abraça as saudades latentes
incessantemente.
O dia amanhece
revigorantemente
pois só o Amor enobrece
o destino do ser
permanentemente.
Rita Eduardo
Acrisalar
As asas se desfazem
neste ciclo que se fecha.
Meu jardim foram quimeras.
Fez-se o tempo de acrisalar
os anseios vãos.
E no silêncio do casulo
acolher a solidão.
Esquecer as desditas
Encontrar a paz perdida
Refazer a poesia
Desabrigar o coração.
Hoje vou rescindir
De asas novas me vestir
Em outros sonhos vou pousar
Quando a minha primavera
retornar...
Rita Eduardo
Era suposto sermos como um conto de fadas... "Felizes para sempre" mas deixamos que a realidade falasse mais alto e que o amor acabasse.
CICLOS
Não é nada fácil, todos os meses, sangrar por dias seguidos, sentido as dores de um parto e não parir ninguém.
Porque em um trabalho de parto, a recompensa da dor é um filho em nossos braços, o que faz tudo valer a pena.
Não é nada fácil, acordar com vontade de chorar sem saber porque, ler uma mensagem besta no watts e ficar o dia inteiro grilada, achando que era um "recado" quando na verdade era somente uma brincadeira, que aliás foi você quem começou.
Não é nada fácil se olhar no espelho e se deparar com uma retenção de líquidos que te faz sentir a mulher mais pesada do mundo, mais feia e mais chata, e ter de fato uma razão que justifique tanto choro.
Não é nada fácil não poder dormir de bruços porque os seios doem tanto que parece que foram arrancados no cru.
Não é nada fácil ouvir alguns nos chamarem de "fresca", ouvir que TPM É "PANTINHO" e que ninguém tem obrigação de aguentar.
Não é nada fácil....
Começar um texto e não saber terminar, porque a vontade que estou é de chorar!!!!
COISAS DA VIDA
Uma velha escada de ferro.
Prédios caindo aos pedaços, abrigam pessoas abandonadas ao próprio destino.
Em meio a este caos urbano,
com seu azul imponente, o mar, ao longe, testemunha a desordem e as contradições daquele lugar.
O ar fresco e agradável de uma tarde no fim do outono,
a paz e a discrição tão cúmplice de quem busca a solidão,
torna o ambiente propício para momentos de confissões sofridas, entregas inesperadas e lágrimas que aliviam a alma.
Duas pessoas praticamente desconhecidas, compartilham uma cumplicidade, vinda não se sabe de onde.
Há um entendimento entre as retinas que dispensa explicações.
Os olhos buscam-se a todo instante, ao mesmo tempo que repelem-se, tentando não sucumbir ao desejo de um contato físico acolhedor.
A relação entre eles, é de quem busca um refúgio emocional, um lugar para se esconder da rotina diária que consome tempo e saúde.
Buscam entre sí um pouso, querem descansar a cabeça da ciranda da vida, que por vezes tira todas coisas do eixo, com o único objetivo de colocar tudo no seu devido lugar.
- Relacionados
- Frases de Rita Lee
- Poemas de Maria Rita
- Frases de Maria Rita
