Remorso do Filho Ingrato
*Para quem errou...*
Erraste e, agora, sentes o remorso corroer-te o coração, qual ácido inclemente.
Te deixaste levar pela precipitação ou pela invigilância e lamentas as consequências do ato impensado.
Realmente, a consciência lesada constitui uma grande fonte de dores.
Entretanto, não te lamentes nem te entregues ao desânimo.
No mundo e no além, todos erram.
Aquele que pretende o progresso, porém, converte o fracasso em lição e segue adiante.
Assim, não te perturbes mais pelo erro cometido.
Apoia-te na fé em Deus e caminha para a frente, agindo no Bem.
Usa a alavanca da vontade para remover o peso da culpa e renova-te por dentro.
O Bem que faças hoje é água limpa a lavar os efeitos negativos dos teus enganos.
A experiência é mestra e o tempo, amigo.
Trabalha e confia.
Irmã Scheilla (espírito)
Fonte: A Mensagem do Dia. Volume II. Médium Clayton B. Levy. Editora Allan Kardec.
"O arrependimento não é apenas remorso, é a coragem de assumir uma nova postura e tratar cada ser humano com o valor que ele merece."
O poeta contra o tempo
Diante da frieza do tempo, que passa sem remorso —
a angústia da finitude.
O poema é estático;
mas o tempo, carrasco, segue em fluxo.
E nessa discrepância entre obra e vida,
tudo escorre pelas linhas do tempo —
e o poeta, impotente, apenas escreve.
Enquanto o arrependimento é o ato de repousar o olhar no descanso, na paz... Com o remorso - às vezes confundido como arrependimento - a pessoa é consumida: focado na culpa, na punição, na ausência de paz, e sem o encontro ou reencontro com Deus.
Pedro negou Jesus, o galo cantou e ele chorou amargamente - quando se lembrou das Palavras de Jesus.
Arrependido, entregou a sua vida ao renovo de Cristo - trocando o pecado pela vida no espírito, com Deus.
Judas, ao contrário, seguiu outro caminho. Ele recebeu de Jesus à advertência do erro e o apelo para se arrepender, mas optou por escolher a morte espiritual e se enforcou - consumando, também, a morte física.
Remorso e Renascimento.
Por: Rafaela A. Dalle.
Remorso:
Inquietação, abatimento da consciência que percebe ter cometido uma falta, um erro; arrependimento, remordimento.
Renascimento:
Ação de renascer, de nascer novamente, de dar nova vida, existência ou vigor a; renascença: o renascimento do romantismo.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Nasceram gêmeos, fruto da mesma árvore, hospedeiro da mesma mãe, divisores da mesma casa e subsequentemente donos da mesma cova.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Pelos vizinho e pessoas das ruas, benção infinita. Para a família, maldição eterna.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
O favoritismo veio do berço e era inegável. Suas certidões denunciavam de quem gostavam mais. A propósito, eles dividiram o mesmo berço.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso gostou de uma garota, Renascimento a conquistou primeiro. Remorso começou a desenhar, Renascimento já finalizava pinturas. Remorso escrevia ensaios e poemas, Renascimento completava seu terceiro livro. Remorso tirava uns acordes no violão, Renascimento acabara sua primeira música.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Festa de aniversário, data importante. Banquete, jantar, jogos e muitos convidados, presentes bem embrulhados, caros com laços vermelhos num nó perfeitamente impossível de se desamarrar.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Ao assoprar as velas, dividiram as fatias de bolo para os convidados e Renascimento foi-se paparicado por todos os presentes, já Remorso quase foi barrado na entrada.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Todos os presentes foram para Renascimento. Foi entregue a Remorso tudo o que Renascimento não quis ou julgou ser apropriado para o gêmeo de mesma face.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Formatura. Se Remorso tinha média nove, Renascimento dava um jeito de arranjar média onze. Se Remorso se mostrava habilidoso com uma matéria em especifico, Renascimento aprimorava-se o suficiente para superar o irmão. E se Remorso se formou e começaria uma faculdade de medicina, Renascimento faria igual.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Dito e feito. Gêmeos na mesma turma, andando nos mesmos corredores com focos diferentes. Renascimento queria ultrapassar o irmão que já estava tão atrás, Remorso apenas gostaria de um emprego longe do...
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Lua, garota da faculdade. Linda como a lua. Se interessou por Remorso. Renascimento, interveio na relação incompleta e tentou conquista-la. Lua não deu ouvidos para o outro gêmeo, se focou em Remorso.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Renascimento a fez propostas de altas quantias em dinheiro, ela recusou. Renascimento tentou inventar traições, nenhum deles acreditou. Renascimento espalhava mentiras pelas aulas, e eles não ligavam.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Não se casaram, mas disseram a família que esperavam um bebê. Renascimento atravessou países e mundos, até encontrar, o mais rápido possível, qualquer mulher disposta a ter um filho dele.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Nasceu, de Remorso, menina. Nasceu, de Renascimento, menino. A menina de Remorso foi chamada de Sol. O menino de Renascimento foi chamado Eco.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Eles se formaram na faculdade e começariam a trabalhar.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso anunciou seu casamento com Lua. Renascimento catou a mulher que teve seu filho para se casar, nem que ele a pagasse mensalmente para a tarefa.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso anunciou que se casaria em agosto, Renascimento, dias depois, decidiu se casar em julho.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso disse ao irmão gêmeo que teria mais um filho. Renascimento, após seu casamento, catou sua mulher para ter mais um filho, mas a esposa recusou e separou-se dele, levando o menino, Eco.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Era tudo mentira de Remorso, ele não teria mais um filho. Não naquele período de tempo.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso abria crânios, Renascimento tremia com o bisturi em mãos. Remorso ganhou um prêmio após salvar todo um exército, Renascimento matou todo um exército.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Renascimento foi expulso do hospital e Remorso fazia as mais diversas cirurgias que ele tanto gostava. Renascimento voltou para a casa dos pais e Remorso comprava a mais nova casa da cidade. Renascimento vendeu suas pinturas, seus livros e suas músicas, Remorso foi quem comprou cada um deles.
— Valeu me perseguir por todos esses anos, Renascimento?
— Não valeu.
— Valeu trilhar meus passos para ser melhor e se afundar em cada um deles?
— Não valeu.
— Valeu perder a sua mulher e seu filho pois queria competir comigo e com a minha família?
— Não valeu.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
— Pois bem. Tem remorso?
— Tenho.
— Então te darei minha casa e meu dinheiro, você seguirá a especialização que quiser e tomará o contato com sua mulher e seu filho.
— Por qual motivo faz isso, irmão?
— Você já se respondeu.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Nasceram do mesmo ventre e foram enterrados na mesma cova. Renascimento foi quem morreu primeiro, deixando uma esposa e dois filhos, Eco e Regret.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso morreu dia seguinte de Renascimento, deixou uma esposa e uma filha crescida, Sol.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Uma mensagem foi deixada por Renascimento, antes de morrer.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Te segui por toda a minha vida, tínhamos a mesma face, mas não o mesmo comportamento. Você nunca competiu comigo, mas eu sempre competi com você. Sendo assim, eu espero que não morra antes de mim, ou eu terei de te acompanhar até o túmulo.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
O remorso que carrego é fósforo que às vezes acende. Ilumina o que precisa ser reparado. Não há vergonha em ver a própria falha à luz. A vergonha vem quando escondemos e furtamos o conserto. Por sorte, sempre há tempo de apagar e recomeçar.
... segundo
os mentores da luz: de tão
copioso abalo causado pelo remorso,
advém a justa razão e o misericordioso
acesso àquilo que, ontem, alvo de nossos desvios, hoje nos reencontra
para um redentor
reparo!
A riqueza que honra a Deus é aquela que, ao ser conquistada, traz paz ao coração e não remorso à consciência.
Não sinta medo, remorso ou raiva!
Isso só te trará energias ruins e pesadelos à noite.
Encontre Deus em seu interior e nunca mais terá falta de paz.
O amor transbordará em você por toda a vida.
A omissão também pode causar remorso. Teus pesadelos são reflexos do que não fizestes de bem durante o dia.
O ESPÍRITO DE CASTELNAUDARY:
A CONSCIÊNCIA APRISIONADA PELO REMORSO E O CAMINHO DA REGENERAÇÃO
UMA ANÁLISE ESPÍRITA À LUZ DE ALLAN KARDEC E ANDRÉ LUIZ.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Encontraremos entre os relatos publicados por Allan Kardec na Revista Espírita de 1860, encontra-se um dos estudos mais profundos sobre o sofrimento moral de um Espírito após a desencarnação: o caso conhecido como “História de um danado” ou “Espírito de Castelnaudary”. Longe de representar uma condenação eterna, o episódio revela, sob a ótica espírita, como a própria consciência pode transformar-se em tribunal interior quando permanece dominada pelo remorso, pelo apego ao passado e pela ausência de compreensão espiritual.
O CENÁRIO DO DRAMA ESPIRITUAL.
O acontecimento estava ligado a uma pequena casa próxima de Castelnaudary, na França, onde, segundo os relatos recebidos pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, ocorriam manifestações consideradas perturbadoras. A tradição local associava aquele ambiente a um antigo crime ocorrido séculos antes.
Nas comunicações mediúnicas, revelou-se a presença de um Espírito profundamente perturbado, que inicialmente demonstrava revolta, agressividade e incapacidade de dialogar. Durante uma das manifestações, apresentou sinais de intensa agitação, chegando a quebrar lápis e lançar objetos, demonstrando o estado de desequilíbrio íntimo em que se encontrava.
Posteriormente, através do diálogo conduzido por Allan Kardec, esclareceu-se a origem daquele sofrimento.
O CRIME OCORRIDO EM 1608.
O Espírito declarou chamar-se Pierre Dupont e relatou que, quando encarnado, era salsicheiro em Castelnaudary. Segundo seu depoimento, seu irmão mais velho, Charles Dupont, assassinou-o com um punhal na noite de 6 de maio de 1608, tomado por ciúme e por uma suspeita infundada relacionada a uma mulher por quem nutria sentimentos.
O crime não terminou ali. A mulher envolvida na história, Marguerite Aeder, esposa Dupont, também teria sido assassinada posteriormente pelo mesmo homem, movido pelo ciúme e por interesses pessoais.
Entretanto, o Espírito que se manifestava nas sessões não era Pierre Dupont, mas aquele que carregava a responsabilidade moral pelos acontecimentos e permanecia ligado ao cenário do crime.
DUZENTOS ANOS DE SOFRIMENTO: A ILUSÃO DO TEMPO ESPIRITUAL.
Esse é um dos pontos mais impressionantes do relato é a afirmação do Espírito de que sofria havia duzentos anos. Questionado sobre quando cometera o crime, respondeu: “Em 1608”, afirmando permanecer naquele estado desde então.
Para compreender esse ponto, é necessário recorrer à explicação espírita sobre o tempo no mundo espiritual. Kardec estudou que o Espírito, fora do corpo físico, não experimenta o tempo exatamente como o encarnado. Contudo, quando permanece preso a uma ideia fixa, o sofrimento pode adquirir uma duração psicológica imensa.
O Espírito de Castelnaudary vivia uma espécie de aprisionamento mental. Ele não estava apenas preso a uma casa física, mas principalmente ao próprio campo vibratório de sua consciência.
Como explicou o Espírito São Luís nas comunicações analisadas por Kardec, o suplício daquele ser consistia em permanecer ligado ao local do crime, com o pensamento constantemente voltado para o acontecimento doloroso, como se a cena estivesse sempre diante de seus olhos.
O VERDADEIRO MOTIVO DO SOFRIMENTO.
À luz do Espiritismo, o sofrimento não era uma punição arbitrária imposta por Deus, mas uma consequência natural do estado moral do Espírito.
A maior dor daquele Espírito não estava apenas na lembrança do crime cometido, mas na percepção interior da própria culpa. Ele carregava a imagem do passado como uma ferida aberta.
Kardec demonstra, nesse estudo, que a consciência espiritual possui mecanismos profundos: enquanto o Espírito não aceita a necessidade de transformação, ele permanece envolvido pelas próprias sombras.
O sofrimento moral era, portanto, uma manifestação da lei de causa e efeito: a criatura colhia os reflexos espirituais das escolhas equivocadas que havia realizado.
Essa compreensão concorda com O Livro dos Espíritos, especialmente na questão 621, quando os Espíritos Superiores ensinam que a lei divina está gravada na consciência humana.
UMA ANALOGIA COM ANDRÉ LUIZ E A VIDA ESPIRITUAL.
Os relatos de André Luiz, especialmente na obra Nosso Lar, psicografada por Francisco Cândido Xavier, apresentam uma descrição compatível com esse princípio: o Espírito desencarnado leva consigo suas conquistas morais, seus pensamentos e seus estados íntimos.
Em Nosso Lar, André Luiz descreve sua própria experiência após a morte física, quando desperta em uma condição de sofrimento, denominada Umbral, região espiritual caracterizada pelo desequilíbrio de consciências ainda vinculadas às próprias imperfeições.
A analogia com o Espírito de Castelnaudary é evidente: ambos revelam que a realidade espiritual não é determinada apenas pelo local onde o Espírito se encontra, mas principalmente pelo estado de sua consciência.
O Espírito culpado constrói, através dos próprios pensamentos, ambientes de sofrimento. A mente torna-se instrumento de libertação ou de aprisionamento.
Assim como André Luiz precisou modificar sua visão interior para iniciar sua recuperação espiritual, o Espírito de Castelnaudary necessitou despertar para o arrependimento e para a misericórdia divina.
O DESPERTAR PELO ARREPENDIMENTO.
Um dos momentos mais belos do relato é a transformação gradual daquele Espírito.
Inicialmente, dominado pelo desespero, afirmava acreditar que seu sofrimento seria eterno. Entretanto, através das preces e do diálogo fraterno, começou a modificar-se.
Quando questionado se começava a ter esperança, respondeu:
“Sim, meu arrependimento é grande.”
Essa frase demonstra o início da cura espiritual.
O arrependimento, dentro da visão espírita, não é simplesmente remorso passivo. É o primeiro movimento da alma em direção à renovação.
O Espírito que antes dizia não existir perdão começou a perceber que a misericórdia divina não abandona nenhuma criatura.
A GRANDE LIÇÃO DO CASO.
O episódio de Castelnaudary ensina que ninguém está condenado ao mal eternamente. A justiça divina trabalha unida ao amor e oferece ao Espírito infinitas oportunidades de aprendizado.
O criminoso de ontem pode tornar-se o trabalhador do bem amanhã.
A mensagem profunda do relato é que o maior cárcere não possui grades materiais: ele é construído dentro da própria consciência quando o Espírito se recusa a compreender, amar e renovar-se.
Jesus ensinou:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)
Sob a interpretação espírita, essa verdade é o despertar da consciência para o amor, para a responsabilidade e para a evolução espiritual.
O Espírito de Castelnaudary não precisava apenas abandonar uma casa; precisava abandonar o passado que carregava dentro de si.
FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos — Ano de 1860. Estudo: “História de um danado” e comunicações do Espírito de Castelnaudary.
Bíblia do Caminho
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 621 — A lei divina gravada na consciência.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Segunda parte — Exemplos sobre a situação dos Espíritos.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Estudos sobre arrependimento, justiça divina e misericórdia.
XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz.
BÍBLIA SAGRADA. Evangelho de João, capítulo 8, versículo 32.
Diante do túmulo, todo o remorso se transforma em flores; todas as lágrimas que nunca caíram dos olhos, em um gesto de condolências. Toda a bondade que nunca foi compartilhada se transforma em elogios. Ah, se o cadáver falasse! Ele certamente diria: "Guarde para o seu orgulho, já não me serve, pois já não existo."
“Hoje eu entendo por que os cemitérios têm tantas flores: o remorso floresce tarde, quando já não há quem possa sentir seu perfume.”
Juro que por todo esse tempo pensei que tinha feito você FELIZ e agora meu maior remorso é ser INFELIZ por achar que não te fiz FELIZ.
O remorso agora te consome
Se vale o que você come
Na próxima vai fazer diferente
Ninguém é seu cachorro na corrente
Não duvides do que pode fazer, apenas faça. Eu acho que não queres viver com um remorso, lembrar que poderia ter lutado, poderia ter conseguido, mais não teve coragem suficiente.
O que é o ódio para aqueles que não sentem remorso, rancor, medo ou não tem
senso de justiça algum? O que é o ódio para aqueles que o único prazer é ver o mundo queimar em suas mãos? Não há ódio quando se é o próprio ódio!Mas a Justiça! Ah, A Justiça! Sábio pavio do estopim da aurora que trás consigo o calor da Esperança, da Sabedoria, e executada tão piamente, traz a Paz e a Harmonia. Mas é uma pena que a Justiça é tão falha enquanto o ódio é tão correto.
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