Remorso do Filho Ingrato
O poeta contra o tempo
Diante da frieza do tempo, que passa sem remorso —
a angústia da finitude.
O poema é estático;
mas o tempo, carrasco, segue em fluxo.
E nessa discrepância entre obra e vida,
tudo escorre pelas linhas do tempo —
e o poeta, impotente, apenas escreve.
Enquanto o arrependimento é o ato de repousar o olhar no descanso, na paz... Com o remorso - às vezes confundido como arrependimento - a pessoa é consumida: focado na culpa, na punição, na ausência de paz, e sem o encontro ou reencontro com Deus.
Pedro negou Jesus, o galo cantou e ele chorou amargamente - quando se lembrou das Palavras de Jesus.
Arrependido, entregou a sua vida ao renovo de Cristo - trocando o pecado pela vida no espírito, com Deus.
Judas, ao contrário, seguiu outro caminho. Ele recebeu de Jesus à advertência do erro e o apelo para se arrepender, mas optou por escolher a morte espiritual e se enforcou - consumando, também, a morte física.
Remorso e Renascimento.
Por: Rafaela A. Dalle.
Remorso:
Inquietação, abatimento da consciência que percebe ter cometido uma falta, um erro; arrependimento, remordimento.
Renascimento:
Ação de renascer, de nascer novamente, de dar nova vida, existência ou vigor a; renascença: o renascimento do romantismo.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Nasceram gêmeos, fruto da mesma árvore, hospedeiro da mesma mãe, divisores da mesma casa e subsequentemente donos da mesma cova.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Pelos vizinho e pessoas das ruas, benção infinita. Para a família, maldição eterna.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
O favoritismo veio do berço e era inegável. Suas certidões denunciavam de quem gostavam mais. A propósito, eles dividiram o mesmo berço.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso gostou de uma garota, Renascimento a conquistou primeiro. Remorso começou a desenhar, Renascimento já finalizava pinturas. Remorso escrevia ensaios e poemas, Renascimento completava seu terceiro livro. Remorso tirava uns acordes no violão, Renascimento acabara sua primeira música.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Festa de aniversário, data importante. Banquete, jantar, jogos e muitos convidados, presentes bem embrulhados, caros com laços vermelhos num nó perfeitamente impossível de se desamarrar.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Ao assoprar as velas, dividiram as fatias de bolo para os convidados e Renascimento foi-se paparicado por todos os presentes, já Remorso quase foi barrado na entrada.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Todos os presentes foram para Renascimento. Foi entregue a Remorso tudo o que Renascimento não quis ou julgou ser apropriado para o gêmeo de mesma face.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Formatura. Se Remorso tinha média nove, Renascimento dava um jeito de arranjar média onze. Se Remorso se mostrava habilidoso com uma matéria em especifico, Renascimento aprimorava-se o suficiente para superar o irmão. E se Remorso se formou e começaria uma faculdade de medicina, Renascimento faria igual.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Dito e feito. Gêmeos na mesma turma, andando nos mesmos corredores com focos diferentes. Renascimento queria ultrapassar o irmão que já estava tão atrás, Remorso apenas gostaria de um emprego longe do...
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Lua, garota da faculdade. Linda como a lua. Se interessou por Remorso. Renascimento, interveio na relação incompleta e tentou conquista-la. Lua não deu ouvidos para o outro gêmeo, se focou em Remorso.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Renascimento a fez propostas de altas quantias em dinheiro, ela recusou. Renascimento tentou inventar traições, nenhum deles acreditou. Renascimento espalhava mentiras pelas aulas, e eles não ligavam.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Não se casaram, mas disseram a família que esperavam um bebê. Renascimento atravessou países e mundos, até encontrar, o mais rápido possível, qualquer mulher disposta a ter um filho dele.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Nasceu, de Remorso, menina. Nasceu, de Renascimento, menino. A menina de Remorso foi chamada de Sol. O menino de Renascimento foi chamado Eco.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Eles se formaram na faculdade e começariam a trabalhar.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso anunciou seu casamento com Lua. Renascimento catou a mulher que teve seu filho para se casar, nem que ele a pagasse mensalmente para a tarefa.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso anunciou que se casaria em agosto, Renascimento, dias depois, decidiu se casar em julho.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso disse ao irmão gêmeo que teria mais um filho. Renascimento, após seu casamento, catou sua mulher para ter mais um filho, mas a esposa recusou e separou-se dele, levando o menino, Eco.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Era tudo mentira de Remorso, ele não teria mais um filho. Não naquele período de tempo.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso abria crânios, Renascimento tremia com o bisturi em mãos. Remorso ganhou um prêmio após salvar todo um exército, Renascimento matou todo um exército.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Renascimento foi expulso do hospital e Remorso fazia as mais diversas cirurgias que ele tanto gostava. Renascimento voltou para a casa dos pais e Remorso comprava a mais nova casa da cidade. Renascimento vendeu suas pinturas, seus livros e suas músicas, Remorso foi quem comprou cada um deles.
— Valeu me perseguir por todos esses anos, Renascimento?
— Não valeu.
— Valeu trilhar meus passos para ser melhor e se afundar em cada um deles?
— Não valeu.
— Valeu perder a sua mulher e seu filho pois queria competir comigo e com a minha família?
— Não valeu.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
— Pois bem. Tem remorso?
— Tenho.
— Então te darei minha casa e meu dinheiro, você seguirá a especialização que quiser e tomará o contato com sua mulher e seu filho.
— Por qual motivo faz isso, irmão?
— Você já se respondeu.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Nasceram do mesmo ventre e foram enterrados na mesma cova. Renascimento foi quem morreu primeiro, deixando uma esposa e dois filhos, Eco e Regret.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Remorso morreu dia seguinte de Renascimento, deixou uma esposa e uma filha crescida, Sol.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Uma mensagem foi deixada por Renascimento, antes de morrer.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Te segui por toda a minha vida, tínhamos a mesma face, mas não o mesmo comportamento. Você nunca competiu comigo, mas eu sempre competi com você. Sendo assim, eu espero que não morra antes de mim, ou eu terei de te acompanhar até o túmulo.
Dois irmãos, Remorso e Renascimento.
Não sinta medo, remorso ou raiva!
Isso só te trará energias ruins e pesadelos à noite.
Encontre Deus em seu interior e nunca mais terá falta de paz.
O amor transbordará em você por toda a vida.
A omissão também pode causar remorso. Teus pesadelos são reflexos do que não fizestes de bem durante o dia.
“Hoje eu entendo por que os cemitérios têm tantas flores: o remorso floresce tarde, quando já não há quem possa sentir seu perfume.”
Características da psicopatia:
Falta de empatia e remorso.
Comportamento manipulador e mentiras patológicas.
Egocentrismo e senso grandioso de autoestima.
Impulsividade e falta de responsabilidade.
Incapacidade de formar laços afetivos profundos.
PS: Todo Psicopata é Narcisista.
Diante do túmulo, todo o remorso se transforma em flores; todas as lágrimas que nunca caíram dos olhos, em um gesto de condolências. Toda a bondade que nunca foi compartilhada se transforma em elogios. Ah, se o cadáver falasse! Ele certamente diria: "Guarde para o seu orgulho, já não me serve, pois já não existo."
O ESPÍRITO DE CASTELNAUDARY:
A CONSCIÊNCIA APRISIONADA PELO REMORSO E O CAMINHO DA REGENERAÇÃO
UMA ANÁLISE ESPÍRITA À LUZ DE ALLAN KARDEC E ANDRÉ LUIZ.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Encontraremos entre os relatos publicados por Allan Kardec na Revista Espírita de 1860, encontra-se um dos estudos mais profundos sobre o sofrimento moral de um Espírito após a desencarnação: o caso conhecido como “História de um danado” ou “Espírito de Castelnaudary”. Longe de representar uma condenação eterna, o episódio revela, sob a ótica espírita, como a própria consciência pode transformar-se em tribunal interior quando permanece dominada pelo remorso, pelo apego ao passado e pela ausência de compreensão espiritual.
O CENÁRIO DO DRAMA ESPIRITUAL.
O acontecimento estava ligado a uma pequena casa próxima de Castelnaudary, na França, onde, segundo os relatos recebidos pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, ocorriam manifestações consideradas perturbadoras. A tradição local associava aquele ambiente a um antigo crime ocorrido séculos antes.
Nas comunicações mediúnicas, revelou-se a presença de um Espírito profundamente perturbado, que inicialmente demonstrava revolta, agressividade e incapacidade de dialogar. Durante uma das manifestações, apresentou sinais de intensa agitação, chegando a quebrar lápis e lançar objetos, demonstrando o estado de desequilíbrio íntimo em que se encontrava.
Posteriormente, através do diálogo conduzido por Allan Kardec, esclareceu-se a origem daquele sofrimento.
O CRIME OCORRIDO EM 1608.
O Espírito declarou chamar-se Pierre Dupont e relatou que, quando encarnado, era salsicheiro em Castelnaudary. Segundo seu depoimento, seu irmão mais velho, Charles Dupont, assassinou-o com um punhal na noite de 6 de maio de 1608, tomado por ciúme e por uma suspeita infundada relacionada a uma mulher por quem nutria sentimentos.
O crime não terminou ali. A mulher envolvida na história, Marguerite Aeder, esposa Dupont, também teria sido assassinada posteriormente pelo mesmo homem, movido pelo ciúme e por interesses pessoais.
Entretanto, o Espírito que se manifestava nas sessões não era Pierre Dupont, mas aquele que carregava a responsabilidade moral pelos acontecimentos e permanecia ligado ao cenário do crime.
DUZENTOS ANOS DE SOFRIMENTO: A ILUSÃO DO TEMPO ESPIRITUAL.
Esse é um dos pontos mais impressionantes do relato é a afirmação do Espírito de que sofria havia duzentos anos. Questionado sobre quando cometera o crime, respondeu: “Em 1608”, afirmando permanecer naquele estado desde então.
Para compreender esse ponto, é necessário recorrer à explicação espírita sobre o tempo no mundo espiritual. Kardec estudou que o Espírito, fora do corpo físico, não experimenta o tempo exatamente como o encarnado. Contudo, quando permanece preso a uma ideia fixa, o sofrimento pode adquirir uma duração psicológica imensa.
O Espírito de Castelnaudary vivia uma espécie de aprisionamento mental. Ele não estava apenas preso a uma casa física, mas principalmente ao próprio campo vibratório de sua consciência.
Como explicou o Espírito São Luís nas comunicações analisadas por Kardec, o suplício daquele ser consistia em permanecer ligado ao local do crime, com o pensamento constantemente voltado para o acontecimento doloroso, como se a cena estivesse sempre diante de seus olhos.
O VERDADEIRO MOTIVO DO SOFRIMENTO.
À luz do Espiritismo, o sofrimento não era uma punição arbitrária imposta por Deus, mas uma consequência natural do estado moral do Espírito.
A maior dor daquele Espírito não estava apenas na lembrança do crime cometido, mas na percepção interior da própria culpa. Ele carregava a imagem do passado como uma ferida aberta.
Kardec demonstra, nesse estudo, que a consciência espiritual possui mecanismos profundos: enquanto o Espírito não aceita a necessidade de transformação, ele permanece envolvido pelas próprias sombras.
O sofrimento moral era, portanto, uma manifestação da lei de causa e efeito: a criatura colhia os reflexos espirituais das escolhas equivocadas que havia realizado.
Essa compreensão concorda com O Livro dos Espíritos, especialmente na questão 621, quando os Espíritos Superiores ensinam que a lei divina está gravada na consciência humana.
UMA ANALOGIA COM ANDRÉ LUIZ E A VIDA ESPIRITUAL.
Os relatos de André Luiz, especialmente na obra Nosso Lar, psicografada por Francisco Cândido Xavier, apresentam uma descrição compatível com esse princípio: o Espírito desencarnado leva consigo suas conquistas morais, seus pensamentos e seus estados íntimos.
Em Nosso Lar, André Luiz descreve sua própria experiência após a morte física, quando desperta em uma condição de sofrimento, denominada Umbral, região espiritual caracterizada pelo desequilíbrio de consciências ainda vinculadas às próprias imperfeições.
A analogia com o Espírito de Castelnaudary é evidente: ambos revelam que a realidade espiritual não é determinada apenas pelo local onde o Espírito se encontra, mas principalmente pelo estado de sua consciência.
O Espírito culpado constrói, através dos próprios pensamentos, ambientes de sofrimento. A mente torna-se instrumento de libertação ou de aprisionamento.
Assim como André Luiz precisou modificar sua visão interior para iniciar sua recuperação espiritual, o Espírito de Castelnaudary necessitou despertar para o arrependimento e para a misericórdia divina.
O DESPERTAR PELO ARREPENDIMENTO.
Um dos momentos mais belos do relato é a transformação gradual daquele Espírito.
Inicialmente, dominado pelo desespero, afirmava acreditar que seu sofrimento seria eterno. Entretanto, através das preces e do diálogo fraterno, começou a modificar-se.
Quando questionado se começava a ter esperança, respondeu:
“Sim, meu arrependimento é grande.”
Essa frase demonstra o início da cura espiritual.
O arrependimento, dentro da visão espírita, não é simplesmente remorso passivo. É o primeiro movimento da alma em direção à renovação.
O Espírito que antes dizia não existir perdão começou a perceber que a misericórdia divina não abandona nenhuma criatura.
A GRANDE LIÇÃO DO CASO.
O episódio de Castelnaudary ensina que ninguém está condenado ao mal eternamente. A justiça divina trabalha unida ao amor e oferece ao Espírito infinitas oportunidades de aprendizado.
O criminoso de ontem pode tornar-se o trabalhador do bem amanhã.
A mensagem profunda do relato é que o maior cárcere não possui grades materiais: ele é construído dentro da própria consciência quando o Espírito se recusa a compreender, amar e renovar-se.
Jesus ensinou:
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)
Sob a interpretação espírita, essa verdade é o despertar da consciência para o amor, para a responsabilidade e para a evolução espiritual.
O Espírito de Castelnaudary não precisava apenas abandonar uma casa; precisava abandonar o passado que carregava dentro de si.
FONTES CONSULTADAS:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos — Ano de 1860. Estudo: “História de um danado” e comunicações do Espírito de Castelnaudary.
Bíblia do Caminho
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 621 — A lei divina gravada na consciência.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Segunda parte — Exemplos sobre a situação dos Espíritos.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Estudos sobre arrependimento, justiça divina e misericórdia.
XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz.
BÍBLIA SAGRADA. Evangelho de João, capítulo 8, versículo 32.
O remorso que carrego é fósforo que às vezes acende. Ilumina o que precisa ser reparado. Não há vergonha em ver a própria falha à luz. A vergonha vem quando escondemos e furtamos o conserto. Por sorte, sempre há tempo de apagar e recomeçar.
... segundo
os mentores da luz: de tão
copioso abalo causado pelo remorso,
advém a justa razão e o misericordioso
acesso àquilo que, ontem, alvo de nossos desvios, hoje nos reencontra
para um redentor
reparo!
A riqueza que honra a Deus é aquela que, ao ser conquistada, traz paz ao coração e não remorso à consciência.
Trocamos a generosidade e a compaixão por um egoísmo sanguinário, ferindo o próximo sem remorso e afundando a sociedade na lama da própria maldade.
Juro que por todo esse tempo pensei que tinha feito você FELIZ e agora meu maior remorso é ser INFELIZ por achar que não te fiz FELIZ.
O remorso agora te consome
Se vale o que você come
Na próxima vai fazer diferente
Ninguém é seu cachorro na corrente
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