Reflexão Humildade
Foi preciso espaço para a minha reconstrução, nos remendos, aprendi a humildade do ser. Acabei moldado em meu próprio formato, inteiro.
A vastidão do céu estrelado e o silêncio majestoso da terra são o convite diário à humildade, um espelho onde se reflete a perfeição que nos transcende. Em cada detalhe da natureza, encontramos o rastro indubitável da Tua Magnificência, elevando a alma a um patamar de gratidão que se renova a cada amanhecer, confirmando a grandeza do Artífice que tudo sustenta.
A sabedoria é o reconhecimento humilde de que o amor é a única moeda que compra a verdadeira felicidade e a paz.
A força que tanto busco não está distante. Ela reside, humilde e poderosa, no inesperado e constante aconchego ao meu lado.
O justo socorro está disponível para aqueles que têm a humildade de admitir que não podem lutar sozinhos.
Deus honra mais a humildade crua da sua dor do que a engenharia hipócrita da sua felicidade encenada.
A humildade é a armadura invisível que neutraliza o veneno da inveja, pois desarma quem não suporta o seu brilho autêntico.
Muitos anseiam pelo protagonismo da chama, mas poucos se sujeitam à humildade da cinza que carrega o potencial de todo recomeço.
A humildade é o reconhecimento de que, mesmo sendo forte, você é apenas um instrumento de uma força maior.
A humildade não é a ausência de força, mas a sabedoria de reconhecer que a vida é um empréstimo temporário, e que todo o sucesso material que alcançamos pode ser varrido pelo vento da impermanência em um instante, deixando apenas o saldo das nossas ações invisíveis, aquelas que nutrimos no silêncio do coração. O maior tesouro que um homem pode acumular é a lembrança de ter sido um canal de paz e auxílio, pois a verdadeira riqueza não está no que se guarda nos cofres, mas naquilo que se distribui sem alarde, e na leveza da alma que sabe que a mão que se estende jamais se sente vazia.
Enquanto o orgulho se tranca em fortalezas inexpugnáveis, é a humildade que desenha os caminhos por onde a vida e o afeto voltam a circular.
O Espelho e a Pedra
O humilde não possui nada,
E por isso, possui o mundo.
Ele se senta à mesa do silêncio
E come o pão que a soberba despreza.
Sua riqueza é um segredo que a poeira guarda,
E sua felicidade não faz barulho,
Não brilha,
Não fere os olhos de quem passa.
Mas há um espelho.
E o espelho é a alma do cruel.
O cruel olha para o humilde
E não vê um homem.
Vê um espelho partido,
Um reflexo embaçado de tudo o que ele teme perder.
E o que mais dói nesse reflexo
Não é a pobreza do outro.
É a paz do outro.
O humilde sorri com os olhos,
E o cruel se contorce por dentro.
Pois a felicidade completa do humilde
É um tribunal silencioso.
Ela não julga, não grita, não condena.
Ela apenas é.
E ser, para quem só sabe ter,
É a sentença mais cruel.
O cruel bebe o vinho da posse
E sente sede.
O humilde bebe a água da fonte
E está saciado.
O cruel acumula exércitos
E dorme em guerra.
O humilde não tem exércitos
E dorme em paz.
E quando o cruel se deita no espelho,
Ele não vê a si mesmo.
Ele vê o humilde dormindo.
E essa visão — ah, essa visão —
É o que mais dói.
Pois o humilde não precisa de espelho
Para saber quem é.
Ele é.
E a sua felicidade é um rio que corre
Sem pedir licença à seca.
O cruel, no entanto,
Precisa do espelho para existir.
E no fundo desse vidro,
A imagem que o atormenta
Não é a sua própria crueldade.
É a inocência do humilde.
É a sua inteireza.
É a sua completa e insuportável
Felicidade.
E isso, meu caro,
É o que mais dói.
Não a dor do humilde.
Mas a alegria dele.
Pois a alegria do humilde
É a única coisa que o cruel
Nunca poderá comprar,
Nunca poderá roubar,
Nunca poderá entender.
E no silêncio do espelho,
O cruel aprende, tarde demais,
Que a maior pobreza
É não saber ser feliz
Sem precisar que o outro seja infeliz.
André Vicente Carvalho de Toledo.
Humilde homenagem ao meu Espírito Santo
Por Marcio Melo
A7+ D7M
Olha, lá!
A7+
Cucina do peito
Bm7 A7+
A fé que se inspira na reza
D7M
de quem sabe acreditar
Bm7 A7+
Daqui debaixo o olhar puro
C#m7 Bm7
de um povo simples na humildade
D7M
de um sorriso que vive neste
A7+ D7M
paraíso
A7+ D7M
Ah! Espírito Santo
Bm7 C#m7
minha casa, cheio de belezas naturais
Bm7 C#m7
das montanhas de onde se escorrem suas
Bm7 C9
águas em cachoeiras
A7+ D7M C#m7
de Vitória a Serra de Cariacica e
Bm7
Viana
Em A7+
das praias onde se põe o sol
D7M
Povo que trabalha e canta
A7+
da pesca de rede e ao sol
E E7 A7+ D7M
Este é o meu lugar, orgulho de ser capixaba
Na casinha simples de família humilde, a mãe colocava na mesa a comida feita com amor e carinho: cuscuz, arroz, feijão de corda cozido com carne de sol, fruto do nosso trabalho. E o suco de caju não poderia faltar. Era um banquete!
Mas a alegria estava estampada no sorriso. A mãe e o pai faziam o sinal da cruz, agradecidos:
"Obrigado ao nosso Senhor."
Era pura simplicidade, onde a fé fortalecia a esperança e esta enchia o peito de coragem. A pobreza não existia. E toda a nossa riqueza estava ali, em volta de uma só mesa: a família...
Bem maior!
Por Marcio Melo
