Reconstruir
Reconstruir a fé é aceitar que algumas perguntas nunca terão resposta, mas ainda assim escolher permanecer. Não porque tudo faz sentido, mas porque Deus continua sendo abrigo mesmo quando não explica.
Vou me quebrar um milhão de vezes pra me reconstruir, até encontrar a estrutura que suporte passar por pontes, estradas esburacadas, muros, barreiras grandes e pequenas, pelo fogo, pela água, pela larva escaldante, mas quando me reconstruir estarei inteira.
E estando inteira, não haverá barreira intransponível, estrada intransitável, muros impossíveis de escalar, fogo que me queime , água que me afogue ou larva escaldante que não me permita a passagem.
Meu espírito estará forte e minhas asas me tornarão capaz de plainar sobre cada obstáculo que em algum momento não me permitiu a passagem e de algum modo me quebrou…
Não peça tantas desculpas por tão pouco esperado, mas um abraço pode reconstruir o que foi destruído;
A fragilidade da promessa ou do meu sorriso estarrece minha esperança;
A Arte de Refazer-se
Reconstruir não é voltar ao lugar
onde a ruína aprendeu a morar.
É olhar cada resto, sem se iludir,
e escolher o que fica, o que vai ruir.
Depois da queda, muda-se o mapa,
a voz já não pede, a presença não escapa.
Muda-se a língua, o jeito de falar,
porque quem se refaz aprende a se nomear.
Também muda o acesso, a porta, a janela,
nem toda presença merece a sala mais bela.
Existem distâncias que não são abandono,
são muros erguidos para proteger o sono.
Reúne-se tudo: silêncio e memória,
feridas, desejos, fracassos, história.
Nada é varrido para fingir perfeição,
até o que doeu ganha outra posição.
E então se percebe, no fundo da pele,
que mudar não é negar aquilo que fere.
É retirar da ferida o direito de mandar,
sem deixar que o passado escolha onde ficar.
Quem se reconstrói não volta igual,
troca o caminho, recalibra o sinal.
Não distribui chaves por medo de perder,
nem abre a própria casa para qualquer querer.
E se perguntarem por que tudo mudou,
não foi o mundo: foi quem se encontrou.
Mudou a linguagem, a porta e a direção,
porque reconstruir também é mudar a própria posição.
Reconstruir
As vezes me sinto como se estivesse sozinho no pico de uma montanha coberta de neve,
Ando pelas ruas da cidade grande a noite e esbarro em algumas pessoas, mas parece que sou invisível,
Minha sombra tem sido a minha unica companheira nestes últimos tempos, os sons dos animais urbanos e os ruídos dos carros são o meu consolo, a noite apenas a Lua me escuta e me entende,
Cuidadosamente, o travesseiro tenta contar histórias boas para eu dormir, me livrando momentaneamente da insonia,
Nada melhor que um dia após o outro, diriam os antigos sábios,
Aconteceu comigo, estes dias chegaram. Recuperei o meu impeto, a minha sede de vitória e o algo mais que estava faltando, sinto a brisa do mar me alcançando, agora além da Lua, conquistei a amizade do Sol, percebo a energia positiva cobrindo o meu corpo e a minha mente, estou ressurgindo das cinzas para um novo momento, para reconstruir a minha história.
"A verdadeira nobreza não está em saber ir, mas em saber ficar e reconstruir quando tudo parece ruir."
Ontem sonhei com algo que jamais me permitiria reconstruir. Desmoronei em silêncio, como se o amanhã fosse apenas uma invenção distante, dessas que a madrugada costuma esquecer.
Diante do mundo, senti aquilo que talvez pudesse ter evitado. E, ainda assim, permaneci ali, levitando entre pequenas pedras e fragmentos de coisas sem nome, enquanto as ondas devolviam à superfície um reflexo quase insano da lua.
Observei, então, cada passo desnecessário da minha própria alma, vagando por lugares que já não reconheço. Havia uma estranha delicadeza naquele vazio, como se a tristeza tivesse aprendido a se vestir de elegância.
E, no fim, restaram apenas memórias leves quase inexistentes de quando éramos felizes, antes que os dias adquirissem compromissos, antes que nossas vidas fossem condenadas às rotinas e o tempo descobrisse uma maneira silenciosa de nos separar.
A segunda-feira nos lembra que o tempo não espera: cada manhã é um convite a reconstruir o que fomos e a aproximar o que ainda sonhamos ser.
A dor não me destruiu, ela me desfez em mil pedaços e foi ali que eu aprendi a me reconstruir de formas que jamais imaginei.
A criança ignorada muitas vezes sobrevive, mas o adulto precisa aprender a reconstruir o que faltou.
