Recados de Amor
“Nem toda mãe que entregou um filho deixou de amar; muitas foram obrigadas a escolher entre a fome, a vergonha e a sobrevivência.”
Do livro Mulher: Entre Correntes e Asas, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A atenção não é apenas uma função cerebral; é ponte para aprender, conviver, amar, trabalhar e existir com mais presença.”
Do livro TDAH: A Mente que Não Descansa, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Amar um filho imensamente não impede uma mãe de sentir cansaço, medo, raiva, saudade de si e vontade de descansar.”
Do livro Mães Atípicas: As Filhas do Silêncio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“A mãe pode amar o filho com toda a alma e, ainda assim, chorar pela mulher que foi ficando soterrada sob o cuidado.”
Do livro Mães Atípicas: As Filhas do Silêncio, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Lembrar da morte não é amar menos a vida; é compreender que cada dia merece ser vivido com mais presença.”
Do livro Tempestade Serena, de Nina Lee Magalhães de Sá.
“Amar sem possuir é permitir que o outro exista inteiro, sem obrigá-lo a caber nas medidas da nossa carência.”
Do livro O Espelho da Alma Livre — Amor, Consciência e Dissolução do Ego no Silêncio Divino, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“Ninguém nasce para amar o próprio cárcere; aprende a confundir medo com afeto quando a sobrevivência depende de quem fere.”
Do livro Síndrome de Estocolmo — Quando o Afeto Nasce do Cativeiro, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
O que não posso viver
por Sariel Oliveira
Amar você
foi como segurar o mar nas mãos.
Por mais que eu tentasse,
por mais que eu quisesse…
nunca foi algo que eu pudesse manter.
Você nunca foi minha,
mas, ainda assim,
morou em mim
como se tivesse escolhido ficar.
E talvez esse seja o pior tipo de amor:
aquele que nasce inteiro,
mas não encontra espaço no mundo
pra existir.
Eu te vivi em pensamentos,
em silêncios,
em conversas que nunca aconteceram.
Te senti perto
mesmo quando tudo gritava distância.
E o mais cruel de tudo…
é que não faltou amor.
Faltou tempo.
Faltou caminho.
Faltou “nós”.
Hoje eu entendo:
nem todo sentimento vem pra ser vivido.
Alguns vêm
só pra atravessar a gente
e deixar marcas
que ninguém vê —
mas que mudam tudo por dentro.
E você foi isso…
um amor que eu senti inteiro,
mas que a vida
não deixou acontecer.
Maturei e entendi, que eu não quero só amar uma mulher. Eu quero dividir os dias com ela, os medos, as pequenas alegrias, uma vida inteira. Antes, eu achava que amor era incêndio. Hoje eu sei que amor também é café passado cedo e presença que fica. É acordar num domingo sem relógio nos empurrando pra longe, sem despedida atravessando a manhã. É construir memória dentro da própria casa, deixar nossos rastros nos cômodos, o nosso cheiro nos lençóis, o nosso silêncio confortável ocupando o espaço.
Mas existe um cansaço silencioso em amar outra mulher : o de sentir que o nosso amor está sempre diante de um tribunal sem rosto, severo e invisível. Como se precisássemos provar o tempo inteiro que é sério, que é família, que é amor legítimo, como qualquer outro. As pessoas perguntam demais, desconfiam demais, até dos nossos planos mais simples: ficar, envelhecer, construir futuro.
E isso cria uma tristeza difícil de explicar, como se a gente tivesse que parecer forte até quando só se quer colo. Como se desejar estabilidade, família, permanência fosse fraqueza. Como se amar profundamente fosse depender.
Mas eu quero, sim. Quero amar e ser amada com essa disposição . Quero uma casa cheia de rotina. Tenho um filho. Talvez queira outros. Quero o cotidiano dividido em dois corpos. Quero alguém que tenha vontade de permanecer, que olhe pra mim como quem encontrou casa. Quero viver um amor que não precise se justificar pra merecer respeito.
No fim, eu acho que pessoas como nós nunca sonharam alto demais. A gente só sonha com aquilo que tentaram negar por tanto tempo: o direito ao afeto, à permanência e à delicadeza de uma vida comum.
Alexsándra Duárte
A profundidade da tristeza revela a profundidade da nossa capacidade de amar, sentir e experimentar alegria.
E o que era para nós amar, não amamos.
E o que era para nós esquecer, não esquecemos.
"Porque valorizamos o inimigo e desprezamos o amigo."
Nós sabemos que amar é perigoso, que dói e que, às vezes, é impossível sair dessa aventura sem nenhum arranhão. Mesmo assim, isso nunca foi suficiente para que nós nos recusassemos a amar.
