Quero Alguém que Me Dê Flores

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Muitas coisas, não vale a pena dizê-las. E muita gente não merece que lhes digam outras coisas. Isto faz muito silêncio.

Soneto da Desesperança

De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.

Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.

Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: - Mato-a!

E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.

Uma grande qualidade ou talento desculpa muitos pequenos defeitos.

A pobreza e a preguiça andam sempre em companhia.

O acaso é o maior romancista do mundo; para se ser fecundo, basta estudá-lo.

Existem algumas derrotas mais triunfantes que vitórias.

Ninguém avalia tão caro o nosso merecimento, como o nosso amor-próprio.

Não se corrige aquele que se enforca, corrigem-se outros através dele.

Todo mundo acredita muito facilmente em qualquer coisa que tema ou deseje.

Aquele que, de certa forma, não vive para os outros, raramente vive para si mesmo.

Amei e fui amado; tal basta para o meu túmulo.

É preciso saber o valor do dinheiro: os pródigos não o sabem e os avaros ainda menos.

Ordinariamente tratamos com indiferença aquelas pessoas de quem não esperamos bens nem receamos males.

O louvor vale pela pessoa que o dá.

Trabalhai, fazei alguma coisa: é o alicerce mais seguro.

Pode querer bem aos outros quem não quer bem a si mesmo?

Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Cadernos de Poesias do Aluno Oswald, Círculo do Livro, São Paulo

Quando a cólera ou o amor nos visita a razão se despede.

Os homens só serão grandes, se estiverem realmente decididos a sê-lo.

Profundo silêncio.
Na escuridão da floresta
Dançam vaga-lumes.