Quero Alguém que Me Dê Flores

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O luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome.

Há duas coisas que não se perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apostasia.

Um empreendimento imagina-se e começa-se com facilidade; mas na maior parte das vezes sai-se dele com dificuldade.

Os defeitos de quem amamos, devemos vê-los com os mesmos olhos com que vemos os nossos.

Um político de gênio, quando se encontra à frente dos negócios públicos, deve trabalhar para não se tornar indispensável.

O desejo de igualdade levado ao extremo acaba no despotismo de uma única pessoa.

Só o silêncio é grande, tudo o mais é fraqueza.

Ser-se livre não é nada fazer, é ser-se o único árbitro daquilo que se faz ou daquilo que se não faz.

De todos os sentimentos, o mais difícil de simular é o orgulho.

Nunca comeces o casamento por uma violação.

O homem que diz não ter nascido feliz, podia ao menos vir a sê-lo mediante a felicidade dos amigos e parentes. A inveja priva-o deste ultimo recurso.

O casamento é o egoísmo a duo.

A vida, quando é miserável, custa a suportar; se é feliz, é horrível perdê-la. Uma coisa equivale à outra.

Beleza, presente de um dia que o Céu nos oferece.

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

Os homens fingem desinteresse para melhor promoverem os seus interesses.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental

Não há poder. Há um abuso do poder, nada mais.

O nosso espírito é essencialmente livre, mas o nosso corpo torna-o frequentes vezes escravo.

O muito torna-se pouco com desejar um pouco mais.