Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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Não declamo poemas.
Escrevo sobre a Amazônia,
e é ela quem me declama.


Não declamo poemas.
Escrevo sobre o Cerrado,
e é ele quem me declama.


Não declamo poemas.
Escrevo sobre Caatinga,
e é ela quem me declama.


Não declamo poemas.
Escrevo sobre a Mata Atlântica,
e é ela quem me declama.


Não declamo poemas.
Escrevo sobre o Pantanal,
e é ele quem me declama.


Não declamo poemas.
Escrevo sobre o Pampa,
e é ele quem me declama.


Não escrevo sobre o amor,
Escrevo sobre a tua existência
que é chama e me incendeia.

Durante a travessia encontrei
quem procurava com os olhos
atentos no meio da multidão,
para tornar parte do coração.


Mantenho com toda doçura
a beleza da preparação
para nutrir pensamentos belos
para os caminhos serem libertos,
e quem sabe unir universos?


Tenho sonhado o tempo inteiro
com os meus dois olhos
amáveis, convictos e abertos,
para dar passos concretos.

Quem implode a ponte do diálogo comigo, eu sempre perdoo e quero distância. Manter por perto a vida já me provou que não vale o desgaste seja no mundo real ou no mundo virtual. As pessoas são incorrigíveis.

Não sabia a quem
havia pertencido o quimono,
Não sabia da onde
tinha vindo,
Não sabia nem que
era o escolhido,
Não sabia qual seria
o próprio destino,
Ao final pela escuridão
e pelo mistério foi absorvido.

Para quem mora aqui em Rodeio
no Médio Vale do Itajaí
a vida também acontece em Timbó:


Ontem, puder ver tudo acontecendo,
os ipês roxo, branco e amarelo
florescendo ao mesmo tempo.


É sobre viver, o olhar e o desejo.

A memória não é uma qualquer,
sabe para quem ou não dar palco;
foi testemunha do tempo
de ateliês de portas abertas.


​Por ela ninguém foi esquecido:
a memória está íntegra,
sabe o que é ter subido e descido
o Morro de Santa Teresa
para pular Carnaval no bloco
no Largo das Neves.


​A memória sobreviveu,
e por dentro continua ainda mais viva
recordando que chegou a ir
sob chuva e fogo seja para ir na gira
ou para dançar Jongo
no quintal de uma casa desconhecida.

Quem o fez?
A pessoa mais inteligente
e mais controlada que conheci,
e ao mesmo tempo não
tenho ideia de quem seja.


Quando o fez?
No fundo nós dois
sabemos e silenciamos
algo que entre nós
ainda não explicamos.


Como o fez? Conversando,
causas e com humor ensinando,
em algum momento por razões
pessoais tive de me afastar,
não tive tempo de me desculpar,
e outras vezes por excesso
de sensibilidade e deixamos de nos falar.


Onde o fez? Melhor não contar,
deixar o amor por nós dois
crescentemente vir a falar.

A poesia está morta para quem morreu e ainda não sabe. A poesia é eterna.

Pela metade
será o eclipse,
Não sei de quem
será a arteirice.

Flutuou e entregou
tudo nos braços
dos espaços do tempo
como quem descarrega
bagagens em alto mar
até esvaziado ficar.

A vida de quem mora
em Rodeio também
acontece em Timbó,
Há muita gratidão
envolvida para com
esta cidade vizinha
sempre hospitaleira
e por nós tão querida.


No início de setembro,
eu vi ipês amarelos
poéticos florescendo
na querida Timbó
que encheram o peito
de amor tremendo;
Até parecia que
Lindolf Bell estava
escrevendo um poema
naquele momento.


É sobre a vida acontecendo...

O sentido da tua existência
nunca será o outro,
nem nunca virá do outro.
Quem entendeu isso
antes de caminhar encontrou
previamente o tesouro.


Depender de que a sua vida
por terceiros seja validada
é puxar para si uma carga
absurdamente pesada.


Se a tua vida não tem cor,
é só olhar para a natureza,
porque ali reside a beleza.


Quando não houver razões
plenas para continuar,
peço que fique e resista
para, daqui adiante, incomodar
todo aquele que te premiou
para você se abandonar.

O coração não é brinquedo,
É de carne e de fogo.
Quem brinca com o que não conhece
Sempre pode se queimar,
Aprendendo a respeitar
De um jeito ou de outro.


Como conheço o que é
Ter um coração, prefiro esperar,
Leve o tempo que levar.

De ti nada meu dá incerta:
tudo serena e com amor
infinito sempre se entrega.


Como quem mergulha
aqui no Parcel da Deserta,
na intimidade não encerra.


[Conhece a linguagem poética.]

Não posso fazer versos,


com ou sem acento,


com ou sem ortografia,


para quem acredito que


nasceu com asas e poesia.






À poetisa Gioconda, sempre querida

Guardião das noites, com pelos de ônix,
espírito que passeia sem ser visto,
ladeando com quem precisa ser protegido.


Provocado, pode ser o tormento oculto,
antes nunca por ninguém conhecido.
Sem condições para lidar com o perigo,
advirto que é melhor não correr o risco.


Deixe-o livre para cumprir o seu caminho;
depois, não se queixe que não foi avisado:
o mensageiro das sombras mora ao lado.


[Olhos de gato: pelos séculos, veem no escuro.]

Diplomacia não se faz
com pirotecnia,
e nem com intrometimento
na Pátria alheia,
Quem não quiser ter
o bom entendimento:
Só lamento.


[A grosseria também
se abriga na diplomacia.]

⁠Não há porque pensar em futuro com quem é de momento.

⁠Os que só se preocupam com quem dormir, se privam da graça de descobrirem com quem valha a pena acordar.

⁠Pessoas com quem se possa conversar sobre absolutamente qualquer coisa _ do assunto mais sério ao mais “bobo” _ sem ter que pisar em ovos, são impagáveis.