Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

Cerca de 307351 frases e pensamentos: Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

Existe uma lucidez perigosa em quem já esteve no fundo e percebeu que ainda assim continuou existindo.

Há algo quase indestrutível em quem já não teme mais se perder, porque já esteve perdido e voltou.

Eu aprendi a habitar o desconforto como quem aprende a respirar embaixo d’água, com os pulmões rasgando por dentro, implorando por um ar que nunca vem, enquanto algo escuro e antigo me preenche por completo e, entre o desespero e a asfixia, fui deixando de lutar, até que a dor não apenas me envolveu… ela me consumiu, me refez, e passou a respirar por mim.


- Tiago Scheimann

Não me peça para ser inteiro todos os dias, pois aprendi a amar os meus fragmentos como quem cuida de cacos de vidro que ainda brilham sob o sol, a perfeição é uma mentira bonita, mas a minha imperfeição é a única verdade que me mantém humano e minimamente vivo.

Existe uma sacralidade no cansaço de quem deu o seu melhor e falhou, pois o fracasso honesto é mil vezes mais digno do que o sucesso construído sobre a areia movediça da falsidade e da negação da própria essência humana que nos torna falíveis e reais.

O brilho nos olhos de quem recomeçou do zero carrega uma intensidade singular, uma força silenciosa, independente das circunstâncias, sustentada por uma determinação interna que transforma desafios em evolução e consistência em resultados.

O espelho não reflete apenas quem somos hoje, mas quem a dor nos obrigou a ser para sobreviver.

​Olhar para o espelho e não reconhecer quem nos tornámos é o preço mais cruel que pagamos pelas feridas que o mundo nos causou.

Há dias em que caminho como quem atravessa um inverno sem fim. Dentro de mim, tudo parece frio, pesado, quase irreconhecível. Cada passo é menos coragem do que insistência em não cair. E sigo, não porque a dor diminuiu,
mas porque me recuso a deixar que ela escreva o fim da minha história.

Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.

Seja o farol que ilumina a vida de quem já se tornou parte da escuridão.

O trabalho é a fronteira entre existir e conquistar; quem foge dele condena seus sonhos a morrerem no deserto da espera.

A nossa vida é comparada, a uma estrada para caminhar, mas quem lá no fim chegou, nunca mais voltou e nem voltará.

O homem se molda à sua realidade. Reclama de uma refeição repetida quem nunca sentiu o estômago vazio por dias. Reclama de seu amor quem nunca dormiu sozinho em um colchão duro, sem abrigo nem abraço. Reclama de acordar para o trabalho quem nunca sentiu o peso da porta fechada do desemprego e o olhar de desprezo da sociedade. Reclama da vida quem nunca enfrentou a violência, a injustiça, a miséria, a fome que corrói ossos e esperança. Reclama de existir quem nunca precisou lutar para sobreviver, quem nunca foi invisível aos olhos de um mundo cruel.

Elegantemente, vou ignorando tudo e todos, um gesto contido que guarda meu silêncio como quem preserva um relicário.

O silêncio da alma grita como trovão, é o rugido calado de quem sobreviveu ao impossível.

Nos doamos, nos sacrificamos, amores, empresas, amigos, entregamos partes inteiras de nós a quem raramente as merece. Muda o cenário, mas a indiferença tem sempre o mesmo rosto.

Nos desdobramos, renunciamos, por quem mal nota o valor do gesto. Seja amor, família, ou profissão, a recompensa costuma ser o mesmo vazio.

Caminhamos entre doações de afeto, suor e esperança, como quem deposita moedas num cofre alheio sem chave. Não cabe esperar reciprocidade, pois o coração humano é falho em devolver o que recebe. E quase sempre, como um reflexo cruel, a decepção retorna com o mesmo peso daquilo que oferecemos.

Cair é só parte da estrada de quem não desiste do voo.