Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra
O Chão Que Eu Deixei Limpo
Não escrevo pela vaidade do aplauso,
nem pelo adorno de uma frase bela;
escrevo pelo caminho que pisei,
pela luz que acendi na minha janela.
Quem quiser saber da minha história,
da força que trago no passo e na voz,
não me procure nos ruídos do mundo:
procure nos versos que deixo para nós.
Cada linha traz a marca da vida,
o peso do chão que eu já superei;
é o tempero da alma que não se rende,
a colheita da dor que eu enfrentei.
Se a minha escrita servir de abrigo,
se clarear a noite de quem vai passar,
então o verso cumpriu seu destino:
virou vela acesa para o outro guiar.
Eu me dou por inteira nas palavras,
sem filtro, sem pressa e sem ilusão;
quem me lê com a alma me conhece,
pois escrevo por mim, com a força do chão.
Escrever para sinalizar o caminho e deixar a caminhada mais leve para os outros é a forma mais pura de generosidade. Suas palavras viram farol.
A Vontade e a Raiz
O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.
Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.
E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.
Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.
Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.
Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.
Manipulação
Eu só queria entender por que me entreguei a você sem antes me dar o devido valor. Rasguei a minha alma e me sujei no teu peito, enquanto o teu egoísmo me calava por dentro. Relembrar tudo isso ainda dói.
Eu era tão imatura, tão apaixonada... Fiz-me cega para não enxergar os golpes repetidos de um jogo em que eu me perdia a cada rodada. Lembra-se do dia em que você manchou o meu nome? Acumulei desgostos e chorei por dias seguidos, afundada em uma escuridão que quase me levou a desistir da minha própria existência.
Te conhecer foi e sempre será o meu maior erro. O que você fez comigo? Por que fez? Pareceu um plano cruel, em que eu representava a boa-fé e você, a maldade pura. Quanto desprezo guardo hoje do que vivemos. Houve um tempo em que desejei que a vida lhe retribuísse na mesma moeda, pela irresponsabilidade com que tratou os meus sentimentos. Como se pode cometer tamanha perversidade contra alguém que só buscava um gesto simples de afeto?
Teria sido mais simples ter me tirado da sua vida, ter apagado o meu nome e a minha rota. Mas fui tratada como mero entretenimento, enquanto eu acolhia você como um verdadeiro presente.
Que este desabafo definitivo varra de vez a sua sombra. Eu já te enterrei no passado. Não permito mais que a sua lembrança vagueie pelos meus dias como um pesadelo sem fim. A própria dor que você me causou virou a minha armadura. Nunca mais me aproximarei de você — nem nesta vida, nem além dela.
BFé Que Liberta, Rito Que Prende
Queriam vender o espaço no céu,
Em troca de moedas, de medo e de dor.
Transformaram o sagrado em um pesado véu,
Dizendo que a culpa era prova de amor.
Apagaram a alma, moldaram o pensar,
Fizeram do dogma uma escura prisão.
Diziam que para o divino alcançar,
Era preciso anular o próprio coração.
Mas Deus não habita em barganha de templo,
Nem cobra pedágio na porta da luz.
A fé de verdade se mostra no exemplo,
É o amor sem algemas que o homem conduz.
A fé que constrói traz asas nos pés,
Não força o espírito a se ajoelhar no chão.
Se a religião só traz correntes e viés,
Não vem do divino... é só invenção.
Pois o Pai da existência não quer servidão,
Quer mentes despertas, o peito altivo.
A fé que é real não vende salvação:
Ela liberta a alma e nos mantém vivos.
V Religião Não É Algema
A religiosidade enrijecida adoece.
Mata o riso, julga a dor,
Cria um Deus que só cobra e cobra,
E esquece que a essência é o amor.
Se o seu dogma te faz olhar com desprezo,
Se o seu templo exige o seu próprio fim,
Isso não é fé, é cativeiro de pedra.
Deus nunca quis ninguém assim.
A verdadeira luz não pesa.
Ela não humilha, não sufoca, não fere.
A fé que vem do alto liberta a alma,
Cura a vida e o bem prefere.
Rasgue a culpa, abra a mão,
Deixe o peito voltar a respirar.
Quem aprendeu a amar de verdade
Não precisa de medo para se salvar.
. A Religiosidade Que Mata
A religiosidade virou uma prisão.
Em vez de salvar, ela tem tirado a vida,
Pesa nos ombros, sufoca o coração,
E deixa a alma ferida.
Deus não habita no julgamento,
Nem no olhar duro de quem se acha puro.
Se a sua religião só produz tormento,
Ela não é luz, é muro.
A verdadeira fé não mata, ela cura.
Não exige fardo, traz leveza e paz.
Quem ama de verdade não condena a estrutura:
Abraça, acolhe e o bem refaz.
Mude o passo, abandone a rigidez.
Se a religião não te faz mais humano,
Ela perdeu a razão de ser.
A Casa do Pai
O amor não veste terno de julgamento,
Nem pede que você esconda a sua dor.
O abraço do Sagrado é acolhimento,
É descanso, é remédio, é puro afeto e calor.
Se a religião te fez sentir pequeno,
Se te deram pedras em vez de pão,
Saiba que o céu não guarda esse veneno:
Deus é o alívio para o seu coração.
Ele não quer a sua perfeição fingida,
Nem a culpa que te faz curvar o olhar.
Ele quer a sua alma livre, erguida,
Com espaço para sorrir e respirar.
Desarme o peito, esqueça a aspereza.
A luz divina é leveza, é mão estendida.
Quem ama de verdade não apaga a sua luz,
Mas te acende de novo para a vida.
A Fé Não Mata
A religiosidade virou arma,
Virou tribunal, virou prisão.
Matam a alegria em nome do céu
E fecham a porta do coração.
Mas Jesus não veio trazer algemas,
Não veio impor peso, nem olhar de fel.
Ele veio ensinar a abraçar a vida,
Pois o amor é a única ponte pro céu.
Se o seu rito te faz mais duro,
Se a sua igreja te faz julgar,
Sua religião virou um veneno
Que você insiste em beber e pregar.
Volte à essência. Seja humano.
Deus é o alívio de quem se cansa.
Luz de verdade não apaga o outro:
Ela acende o mundo de esperança.
O Veneno do Dogma
Usam o nome do Sagrado
Para erguer muros, ditar a dor,
Transformaram a graça em tribunal
E esqueceram o som do amor.
Gente de rosto fechado e bíblia na mão,
Pronta para condenar quem passa,
Adoecendo a si e ao irmão,
Confundindo veneno com graça.
Mas o Divino não mora na opressão.
Não habita no medo, na culpa, na dor.
Se a sua religião sufoca o seu peito,
Ela é só regra de homem, não é amor.
Desarme a mente, acolha o mundo,
Seja a leveza que o céu pediu.
A fé real não destrói ninguém:
Ela resgata o que a rigidez feriu.
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
Nossa História, Nosso Amor
Não foi o acaso que nos uniu,
foi a vida pedindo recomeço.
A dor de lá encontrou a dor de cá,
e no meio da tempestade
a gente descobriu o nosso abrigo.
Ele veio lá do Sul,
com o vento frio e o peito ferido.
Eu, aqui no asfalto paulistano,
com a alma aflita, cuidando dos meus.
A vida nos testou com força,
mas do meio dos espinhos
nasceu o carinho mais bonito
que o coração humano pode ter.
O tempo olhou para nós dois
e contou trinta anos no relógio,
mas o amor não sabe contar anos.
O amor só sabe contar abraços,
só sabe contar o desejo, a entrega,
o arrepio na pele ao segurar a mão.
A Avenida Paulista parou para ver
o nosso primeiro encontro.
Enfrentei o vento forte das terras dele,
o frio gelado que assusta a gente,
mas o calor que recebi no peito
deixou a vida quente de novo.
Que não seja eterno posto que é chama,
mas que seja infinito enquanto dure.
Hoje a gente vive assim:
corpo, alma, paixão e verdade.
Ele é meu porto seguro, meu homem,
meu presente e meu futuro.
A prova viva e bonita
de que o amor de verdade
sempre vale a pena.
🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹
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🌸 Tesouros na Calçada 🌸
🌹 🌹
🎼 Ando pela rua com o olhar atento, 🎼
🐦 Reparo na vida que nasce do chão. 🐦
🌸 Florzinhas miúdas, presente do vento, 🌸
🌹 Nascendo nas pedras do meu calçadão. 🌹
🌿 🌿
🍃 Borboletas leves vêm dançar no ar, 🍃
🎼 Chegam tão perto, quase me tocar. 🎼
🐦 Trazem tantas cores pra minha jornada, 🐦
🌸 Enchendo de graça a minha caminhada. 🌸
🌹 🌹
🌿 E as asas mais escuras, tom de mistério, 🌿
🍃 Pousam no silêncio do meu caminho. 🍃
🎼 Mostram que a beleza exige um critério: 🎼
🐦 Ver a poesia em cada detalhinho. 🐦
🌸 🌸
🌹 Seguro no peito essa doce alegria, 🌹
🌿 De ver o milagre que a rua nos traz. 🌿
🍃 Flor que nasce em pedra se faz poesia, 🍃
🎼 E o voo do encanto me devolve a paz. 🎼
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🌸 Na Paz da Minha Noite 🌸
🌹 🌹
🎼 O dia correu leve, o dever foi cumprido, 🎼
🐦 A casa em ordem, o descanso chegou. 🐦
🌸 Na paz da minha noite, o peito acolhido, 🌸
🌹 Agradeço por tudo que o tempo me deu. 🌹
🌿 🌿
🍃 Agora é o momento de olhar pra frente, 🍃
🎼 Preparar a mente pro que está por vir. 🎼
🐦 A dignidade financeira vem no tempo certo, 🐦
🌸 Pra dar estrutura pra quem me faz sorrir. 🌸
🌹 🌹
🌿 Quero do mundo o que ele tem pra oferecer, 🌿
🍃 Pra repartir com os meus e proteger quem ama. 🍃
🎼 Guardo os meus no alto, em lugar seguro, 🎼
🐦 Onde o mal não alcança e nem se aproxima. 🐦
🌸 🌸
🌹 Nenhum inimigo vai ver o nosso canto, 🌹
🌿 Pois Deus é o escudo que nos cobre de luz. 🌿
🍃 O Criador me sustenta e ilumina o rumo, 🍃
🎼 E na graça D'ele, o meu povo segue a salvo. 🎼
🐦 🐦
🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹
Até quando a alegria feminina
será lida como: ela queria?
Sorriso não é convite,
liberdade não é serventia.
Meu Pai Terreno
Você foi a presença e a saudade,
Um enigma difícil de decifrar.
Às vezes lendo a sua alma inteira,
Outras vezes vendo você se distanciar.
A vida foi curta, o tempo foi pouco,
E as sombras do mundo quiseram levar
O homem que trazia nos olhos um sonho:
O desejo bonito de me ver voar.
Mas guardo no peito o seu melhor gesto,
A lembrança mais pura que não vai partir:
Suas mãos no meu cabelo, o cuidado no banho,
Arrumando a pequena pra o mundo florir.
Você queria me mostrar um lugar lindo,
Passear em família, nos dar o melhor,
E mesmo nas lutas que travou sozinho,
Seu amor de pai quis me fazer maior.
Pai terreno, de marcas e afetos,
Ficou a memória do que foi amor.
O tempo foi breve, mas foi intenso,
E na minha história, o seu cuidado ficou.
🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹
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🌸 Luzes na Mão, Luzes na Memória 🌸
🌹 🌹
🎼 Na juventude eu ouvia falar, 🎼
🐦 Mas não entendia o mistério da luz. 🐦
🌸 Passava o tempo sem reparar 🌸
🌹 No brilho discreto que a noite produz. 🌹
🌿 🌿
🍃 Vi num cinema a fogueira a queimar, 🍃
🎼 Um pote de vidro guardando a magia, 🎼
🐦 Pais e crianças no escuro a olhar 🐦
🌸 Aquela lanterna que o céu acendia. 🌸
🌹 🌹
🌿 Hoje guardo uma doce lembrança no olhar, 🌿
🍃 Sei que eles brilham em outro lugar, 🍃
🎼 Lá no sertão, onde a noite é serena, 🎼
🐦 Pela mata adentro, longe da nossa cena. 🐦
🌸 🌸
🌹 Fica no peito essa memória afetiva, 🌹
🌿 De ver na natureza essa chama viva. 🌿
🍃 Um agradecimento por cada ponto a piscar, 🍃
🎼 Guardando essa poesia que o tempo nos dá. 🎼
🐦 🐦
🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🎼 🐦 🌸 🌹
🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🍃 🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🍃 🎼 🐦 🌸 🌹
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🌸 Cadê as Joaninhas? 🌸
🌹 🌹
🎼 Olho pro vaso, procuro no jardim, 🎼
🐦 Reparo na folha onde o sol costumava bater. 🐦
🌸 Lembro do tempo em que era fácil assim: 🌸
🌹 Ver uma joaninha bem perto de mim nascer. 🌹
🌿 🌿
🍃 Ela entrava em casa sem pedir licença, 🍃
🎼 Pousava na mesa, no meu avental. 🎼
🐦 Trazia uma sorte singela e intensa, 🐦
🌸 Um pingo vermelho no meu quintal. 🌸
🌹 🌹
🌿 Hoje procurei entre as pétalas da flor, 🌿
🍃 Caminhei no gramado com todo o cuidado. 🍃
🎼 Senti tanta falta daquele pequeno amor, 🎼
🐦 Do vestido de bolinhas que ficou no passado.🐦
🌸 🌸
🌹 Onde foi parar a joaninha do meu lar? 🌹
🌿 Aonde voou esse pedaço de encanto? 🌿
🍃 Guardo a saudade e a esperança no olhar, 🍃
🎼 De ver seu vermelho florir no meu canto. 🎼
🐦 🐦
🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🍃 🎼 🐦 🌸 🌹 🌿 🍃 🎼 🐦 🌸 🌹
A Casa, a Montanha e as Asas
Bati o tapete, arrumei o meu canto,
A rotina da casa se fez poesia.
Enquanto eu gravava, envolta em encanto,
Olhei pra montanha ao fim do meu dia.
A névoa descia serena e veloz,
Cobria o topo com um véu de algodão,
Como se o mundo guardasse nossa voz
Pra transformar a tarde em oração.
E no meio desse cenário abençoado,
Um visitante de penas surgiu,
Com peito amarelo e olhar apressado,
Vindo do alto que a névoa cobriu.
Eles entram sem medo, procurando por mim,
Voam no espaço do meu próprio lar,
Pois sabem que a casa é um belo jardim
Onde a alma é leve e pronta pra amar.
Se a chuva lá fora impede o banquete,
A mesa se põe em tom de louvor.
Nem a água que cai, nem o vento que mete
Desfaz essa laço de tanto valor.
Eu canto pro céu, pro Grande Criador,
E as asas se chegam pra me acompanhar,
Na brisa suave de um puro amor,
Onde homem e bicho aprendem a cantar.
Como pequena mulher da criação,
Zelo por tudo que o Pai me confiou:
A montanha de névoa, a limpa canção,
E o passarinho que hoje me visitou.
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