Quem sou eu nesse Mundo Tao Confuso

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Já fui inverno, hoje sou primavera em reconstrução.

Sou prova de que o recomeço é sempre possível.

O tempo me tirou pressa e me deu propósito, já fui verbo, hoje sou silêncio que fala.

Sou o resultado das orações que ninguém ouviu.

Já fui dúvida, hoje sou entrega.

Já fui promessa, hoje sou cumprimento.

Já fui escuridão, hoje sou luz que lembra de onde veio.

Já fui ruína, hoje sou reconstrução.

As quedas que vivi foram pontes para o que sou.

Já fui cansaço, hoje sou paciência.

Já fui noite escura, hoje sou amanhecer de fé.

Não sobrevivi à dor… fui moldado por ela. Sou o que restou das lágrimas que não se secaram.

Já fui pressa, tropecei na ânsia de chegar. Hoje sou permanência, aprendi o valor de ficar.

Um dia fui queda, hoje sou voo atento. Aprendi o chão antes de conhecer o céu. O cuidado me deu outro modo de subir, voo lento, mas sigo certo do meu destino.

Sou porto seguro em mar de aflições, ancore aí o teu cansaço.

Sou a soma dos choques e dos abraços que escolhi aceitar.

Sou obra inacabada, e essa incompletude me permite renascer.

Sou o sentinela e o prisioneiro de uma guerra que nunca cessa. No tribunal noturno da mente, cada lembrança esquecida retorna como testemunha hostil, expondo minhas feridas com uma precisão cruel. O silêncio, esse juiz disfarçado de paz, sentencia-me a reviver o que tentei enterrar. Quando os pensamentos se libertam, tornam-se lâminas: cortam sem aviso, rasgam o que o tempo tentou cicatrizar. A sombra, paciente, estende sua mão, prometendo descanso em troca da rendição. Mas há em mim uma centelha teimosa, um lampejo que recusa a dissolução. Assim sigo, numa vigília interminável, onde a lucidez é tanto escudo quanto lâmina. Cada instante é um duelo, e cada suspiro, um veredito suspenso entre a luz que sangra e a escuridão que observa.

Quando me detenho sob o vasto e silencioso palco do universo, a paisagem se dissolve e sou forçado a reconhecer uma caligrafia divina em cada detalhe fugaz, desde a intrincada geometria de um floco de neve até o ritmo imutável das marés oceânicas, o firmamento, em seu silêncio estelar, não é mudo, mas um arauto de uma inteligência que transcende a minha compreensão, e essa sinfonia cósmica, tecida em leis físicas inquebráveis, ressoa como um testemunho inegável da Tua soberania absoluta. Não é apenas grandeza, mas uma perfeição tão avassaladora que anula qualquer dúvida sobre a fonte de toda a existência.

Não sou feito de calmaria, sou feito de vulcões adormecidos e mares inquietos, mas aprendi a domar minhas próprias marés, e hoje navego sem medo do que existe dentro de mim, autodomínio é minha maior conquista.