Quem sou eu nesse Mundo Tao Confuso

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Tem certas coisas que eu não sei dizer, mas sei escrever para quem ousa entender.

Eu me perco na rua de casa, quando você me olha com aquele olhar de quem não desejar nunca terminar de me esculpir.

Sei que falta alguns pedaços em mim, mas os que sobraram que não puderam levar, eu guardei para quem souber cuidar.

A solidão me apresentou a mim mesmo e eu fiquei. A solidão pode ser espelho, quem ali nos visita pode ser o próprio eu que ainda havia de nascer.

Eu não pensei no agora e joguei fora quem me amou, e o peso desse arrependimento é o mais difícil de carregar.

A fé me devolveu a mim mesmo,
quando eu já tinha esquecido quem era, ela me levantou antes mesmo que eu pedisse, e hoje eu sigo firme, porque sei de onde vem minha força.

Fiz da ausência um hábito, depois um vício e, por fim, meu próprio nome. Já não sei quem eu seria se o vazio me deixasse.

Habito o hiato entre quem eu fui e quem eu nunca serei. É um espaço desconfortável, mas é o único lugar onde sou real.

Sinto saudades de uma versão minha que talvez nem tenha existido, apenas a ideia de quem eu poderia ser antes de tudo.

Eu aprendi a sorrir como quem esconde evidências, arquivando sentimentos em lugares que nunca deveriam ser revisitados, porque algumas verdades não libertam, elas desmontam, e ainda assim, algo em mim insiste em reconstruir.

Eu me tornei um observador da própria dor, como se houvesse uma distância entre quem sente e quem entende, e talvez seja isso que me mantém funcional, porque sentir tudo diretamente seria insuportável.

Eu aprendi a habitar o desconforto como quem aprende a respirar embaixo d’água, com os pulmões rasgando por dentro, implorando por um ar que nunca vem, enquanto algo escuro e antigo me preenche por completo e, entre o desespero e a asfixia, fui deixando de lutar, até que a dor não apenas me envolveu… ela me consumiu, me refez, e passou a respirar por mim.


- Tiago Scheimann

Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.

Às vezes olho para trás e não sinto saudade de quem eu era. Sinto pena. Pena daquele homem que acreditava que a dor tinha um propósito, sem saber que algumas feridas simplesmente acontecem, permanecem e envelhecem conosco.

Onde Você Nunca Morou

Eu tentei amar você
como quem acende uma vela
no meio de uma tempestade.
Sabia que o vento era mais forte,
mas ainda assim protegi a chama
com as próprias mãos.

Você nunca me prometeu um lugar,
mas eu construí uma casa
dentro do meu peito
esperando que um dia
você chamasse de lar.

Enquanto eu aprendia
todos os detalhes do seu sorriso,
você aprendia
a viver sem o meu nome.

Há dores que não fazem barulho.
Apenas transformam o riso em lembrança,
o sono em batalha,
e os dias
em uma longa sala vazia.

O pior não foi descobrir
que você não me amava.
Foi perceber
que eu entreguei o melhor de mim
para alguém
que nunca quis segurá-lo.

Restou um coração
cheio de perguntas,
tentando entender
como alguém pode sobreviver
quando o amor escolhe
morar em apenas um dos lados.

*Pretérito Imperfeito*

O meu amor não envelhece
Só envelheceu quem eu tanto amei
O cabelo branco, a pele marcada
Mas o sentir? Esse eu guardei

E o tempo não quis que eu te esquecesse
De vez, por inteiro, pra sempre
Mesmo que isso fosse pretérito imperfeito
Eu te conjugo no presente

"Eu amo"
"Eu amava"
"Eu amarei"
Todos os tempos cabem
Quando o amor não sai

Não virou passado resolvido. Virou história que ainda respira.
(Saul Beleza)

A quem amei tanto
hoje chamo de esquecimento.
Mas quando a lembrança me visitar
eu sorrio por dentro,
porque lembro o tamanho do amor que te dei.
É tristeza alegre.
É amor que ainda existe,
é distância que insiste em ficar.
(Saul Beleza)

Eu digo que tô bem
como quem fecha a porta devagar.


Por dentro,
tudo faz barulho.


Não é dor,
é cansaço de existir acesa.


Queria um lugar sem nome,
onde eu pudesse cair
sem ninguém me pedir força.


Se eu ficar em silêncio,
talvez eu me encontre.

como quem encontra abrigo depois da tempestade,
teus lábios sabem meu nome antes mesmo de eu dizê-lo,
e no silêncio do toque, o mundo aprende a respirar outra vez.

⁠Há quem diga “eu te amo”
só para preencher o próprio vazio,
confundindo ilusão com carinho —
e deixando quem acredita recolher os cacos sozinho.