Quem sou eu nesse Mundo Tao Confuso

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Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia... O calçamento
Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio calvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos vícios
Animais. Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!

Tal uma horda feroz de cães famintos,
Atravessando uma estação deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!

Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.

E aprofundando o raciocínio obscuro,
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos,
O trabalho genésico dos sexos,
Fazendo à noite os homens do Futuro.

Augusto dos Anjos

Nota: Trecho de "As Cismas do Destino": Link

Entre as ruas, eu,
e em mim, eu em outras ruas,
sob a mesma noite.

Sem eu’s nunca existirá nós. O nós é feito de eu’s.

Dez anos atrás eu rachava uma pedra de gelo ao meio com o jato do mijo. Hoje não empurro nem bola de naftalina.

Os espíritos valem conforme aquilo que exigem. Eu valho aquilo que quero.

É simples: se Deus existe, eu serei a primeira a ser informada.

gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado

durante o teu sonho
eu brinco com as nuvens
e tu não sabes de nada

Eu limpo meus óculos
mas vejo que me enganei.
É lua nublada.

Todos tem os seus defeitos, eu tenho e você também - permita-me dizê-lo!

Não é fácil ser eu.

Eu sabia que o meu filho era mortal.

Incerteza, oh, que deleite / Vós e eu nos vamos / Como se vão os caranguejos, / para trás, para trás.

Como não falaria eu com dificuldade? Tenho coisas novas a dizer.

Parece pretensioso o uso do «eu»; no entanto a forma pessoal é a única que exclui toda a pretensão. Quem a emprega traduz impressões recebidas, não emite sentenças, mas quem se veda o uso do «eu», constitui-se forçosamente num oráculo.

O eu é odioso, dizeis. Não o meu.

Eu escrevo para libertar o meu cérebro, não para atravancar o dos outros.

Você olha para qualquer grande corporação, e eu quero dizer as realmente grandes, e elas todas começaram com uma pessoa com uma ideía, fazendo-a bem.

⁠AMORES DESCARTÁVEIS

No tempo das pessoas descartáveis, o que o outro sente pouco importa. Não há amor, nem tão pouca compreensão. Há apenas corpos vazios e fúteis em uma grande confusão, sem conseguir distinguir a aparência da realidade. Nessa época onde todos são facilmente substituíveis a própria necessidade vem em primeiro lugar. O ser humano em si é corrupto, perigoso e astuto. Não há o que perder quando o assunto é vencer, então apostam para valer. Não se importam com quem ou com quantas pessoas vão precisar usar, se no final conseguirem aquilo que tanto almejam. As pessoas passaram a existir apenas para ocupar um lugar esquecido em alguma lista de contatos ou então em alguma discagem rápida para saciar os desejos carnais, e a regra é clara; apenas uma noite e nada mais!. Números, e mais números enchem as agendas e lotam os aplicativos de mensagens. Ali há os mais distintos tipos de seres; os solitários, que estão em busca de uma companhia, os românticos que querem encontros clichês e os momentâneos, que só querem curtir o momento. Enfim, existem de todos os tipos prontos para servir e ser servidos, usar ou serem usados. O descarte é certo, uma hora vai ocorrer. Se tu não descartares, logo o descartado será você.

MEIO ENTRE NÓS

Existe um meio entre mim e você
Primeiro à distância
Que nos mata, que nos prende e,
Que nos deixa com saudade.
Segundo os nossos medos
Ele é capaz de destruir tudo que construímos
Terceiro é lembranças de momentos não propícios
Isso pode acabar com tudo que nos sonhamos
Mas sabe de uma coisa, o medo, à distância, as lembranças,
Não pode acabar um grande amor assim.
Mesmo que seja o fim, o amor vai prevalecer.
Pois, só amor é capaz de curar, restaurar, de viver o que é impossível.

Inserida por kdpaulofernando