Quem Gosta de Ouvir Nao quer Falar
Tem gente que diz que o caráter de uma pessoa se revela nas grandes decisões da vida. Eu, particularmente, acho que se revela mesmo é no beijo. Porque ali não tem discurso bonito, não tem filtro do Instagram, não tem tempo de ensaiar frase inteligente. É só você, o outro e aquele momento meio ridículo, meio mágico, onde dois seres humanos resolvem encostar boca com boca como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. E é. Ou deveria ser.
Agora me explica, com toda a calma do universo, como é que alguém consegue beijar de olho aberto. Não é nem uma questão de julgamento, é quase um fenômeno científico que eu gostaria de estudar. Porque pra mim, beijo de olho aberto tem uma energia de auditor fiscal emocional. A pessoa não está ali vivendo, ela está conferindo. Tipo assim, deixa eu ver se tá bom mesmo, deixa eu analisar o desempenho, deixa eu checar se isso aqui vale o investimento. E pronto, o romance virou planilha.
Eu imagino a cena e já me dá um leve desconforto. Você ali, entregue, achando que está vivendo um momento digno de trilha sonora, e do outro lado a criatura te encarando como se estivesse avaliando um produto na prateleira. Falta só puxar o celular e dar uma nota. Três estrelas, poderia ser mais envolvente, textura interessante, retorno duvidoso. Obrigada, próximo.
E não me venha com esse papo de que é curiosidade. Curiosidade a gente mata vendo série, stalkeando ex, abrindo geladeira de madrugada sem fome. No beijo, curiosidade demais vira suspeita. Porque quem está presente de verdade fecha os olhos não por obrigação, mas porque o mundo ali fora simplesmente perde a graça. É quase um desligar automático. Tipo quando você encontra um lugar confortável e nem percebe que relaxou.
Beijar de olho fechado é um voto silencioso de confiança. É tipo dizer, por alguns segundos eu não preciso ver nada, porque sentir já é suficiente. Agora, beijar de olho aberto... não sei, tem um quê de gente que não larga o controle remoto nem quando o filme já acabou. Sempre esperando algo melhor, sempre pronto pra trocar de canal.
Mas também, sendo bem honesta comigo mesma, talvez eu esteja exagerando. Talvez não seja falsidade, talvez seja só gente que ainda não aprendeu a se perder. Porque se tem uma coisa que assusta hoje em dia é justamente isso, se permitir viver algo sem supervisão, sem análise, sem garantia. Fechar os olhos virou quase um ato de coragem. E tem gente que ainda não chegou lá.
Só que eu, do alto da minha teimosia emocional e um leve drama que me acompanha desde sempre, continuo achando que quem beija de olho aberto não está completamente ali. E se não está ali, já começou errado. Porque beijo bom não é o que você vê, é o que você sente quando esquece até de existir por alguns segundos.
E se for pra viver algo pela metade, eu prefiro nem começar. Agora me diz, você também desconfia ou eu já tô criando teoria demais por causa de um beijo?
E aí você tá ali, inteira, presente, entregue, vivendo o momento como se fosse uma cena bonita daquelas que a gente gostaria de congelar… e do outro lado tem alguém que parece estar em outro continente emocional, talvez pensando na vida, talvez pensando em nada, talvez só… existindo. E pronto. Bastou isso. O cérebro já dispara: “não sou suficiente”, “ele não quer mais”, “virei paisagem”.
O equilíbrio tá justamente aí: sentir sem se perder, questionar sem atacar, e entender sem se anular.
Tem dias em que eu olho pra minha vida por fora e penso, pronto, desandou. Parece aquelas casas antigas que a gente vê passando de carro, com a pintura descascando, a janela torta, o portão fazendo um barulho suspeito de abandono emocional. Tudo meio fora do lugar, meio cansado, meio capenga. E aí, no meio desse cenário que facilmente renderia um drama mexicano, eu faço uma coisa quase subversiva: eu me olho no espelho.
E não é aquele olhar automático de quem só confere se o cabelo cooperou ou se a olheira já virou patrimônio histórico. É um olhar mais demorado, mais honesto, quase um inventário interno. E aí vem o susto: por dentro… está tudo bem.
É estranho, eu sei. A gente cresce achando que paz interior vem depois que tudo se resolve do lado de fora. Depois que o dinheiro entra, o amor se encaixa, os planos dão certo, o mundo aplaude. Mas a vida, essa debochada profissional, faz o contrário. Às vezes está tudo um caos do lado de fora, e ainda assim, lá dentro, existe um silêncio confortável, uma calma quase teimosa que insiste em ficar.
E aí vem o julgamento alheio, claro. Porque quando você não está desesperada o suficiente, o mundo acha que você desistiu. Quando você não está correndo igual uma louca atrás de tudo ao mesmo tempo, interpretam como falta de ambição. Como se paz fosse sinônimo de preguiça emocional. Como se estar bem consigo mesma fosse algum tipo de falha de caráter.
Mas eu descobri uma coisa meio libertadora, dessas que a gente não posta porque não dá tanto engajamento quanto um surto bem editado: nem toda calma é falta de vontade. Às vezes é maturidade. Às vezes é exaustão que virou sabedoria. Às vezes é só a consciência de que nem tudo precisa ser uma guerra.
Eu ainda quero coisas, claro. Ainda tenho sonhos, planos, vontades que cutucam. Mas já não é mais naquele ritmo desesperado de quem acha que precisa provar alguma coisa o tempo todo. Tem uma diferença enorme entre querer crescer e precisar correr o tempo inteiro. Eu continuo caminhando, mas sem me atropelar no processo.
E no meio desse mundo que vive gritando urgência, eu tenho aprendido o valor do que não faz barulho. Do que não aparece. Do que não precisa ser explicado. Porque no fim das contas, de que adianta ganhar o mundo e perder a própria paz? Parece frase de camiseta, mas quando a gente entende de verdade, muda tudo.
Então se por fora parecer que está tudo meio bagunçado, mas por dentro existir esse lugar tranquilo, não se assuste. Talvez você não esteja atrasada. Talvez você só esteja, finalmente, no lugar certo dentro de si mesma.
A terra já tem gente demais… e ainda assim parece que falta alguém. Olha que ironia bonita e meio trágica. A gente se esbarra no mercado, no trânsito, na fila do banco, nos stories de gente que a gente nem lembra como começou a seguir… e mesmo assim, no fundo, existe um silêncio que não é de falta de barulho, é de falta de presença de verdade.
Tem dia que eu olho ao redor e penso: não cabia mais ninguém aqui. Não cabe mais carro, não cabe mais prédio, não cabe mais opinião sendo jogada como se fosse pedra. Todo mundo falando, ninguém ouvindo. Todo mundo mostrando, quase ninguém sendo. Parece que a humanidade virou uma feira livre de egos, onde cada um grita mais alto pra ver se vende um pedacinho da própria existência.
E o curioso é que, quanto mais gente tem, mais raro fica encontrar alguém que realmente fique. Fique na conversa sem olhar o celular. Fique no abraço sem pressa. Fique no olhar sem cálculo. A terra está cheia de corpos, mas vazia de encontros.
Às vezes eu acho que o problema não é a quantidade… é o jeito. Porque gente demais não seria um problema se fosse gente de verdade. Gente que sente, que respeita, que não pisa no outro só pra subir um degrau que nem precisava subir. Mas parece que estamos todos disputando um pódio invisível, correndo uma corrida que ninguém explicou direito qual é o prêmio.
E no meio disso tudo, eu me pego querendo menos. Menos barulho, menos gente superficial, menos necessidade de provar qualquer coisa. Porque no fundo, a gente não precisa de mais gente no mundo… a gente precisa de mais humanidade dentro das pessoas que já estão aqui.
Talvez a terra não esteja cheia demais. Talvez ela esteja mal preenchida. Cheia de pressa, de aparência, de distração… e com falta daquele tipo de presença que não ocupa espaço, mas transforma tudo.
No fim das contas, não é sobre quantos somos. É sobre como somos. Porque uma única pessoa inteira vale mais do que mil vazias passando por você sem nem deixar rastro.
E eu sigo aqui, no meio dessa multidão, tentando não ser só mais uma. Tentando ser alguém que fica, que sente, que olha de verdade… porque já tem gente demais no mundo, mas ainda falta quem saiba ser gente.
Tem uma coisa que ninguém conta quando a gente começa a viver achando que é protagonista de alguma grande história… é que no final, o público vai embora sem avisar. Um por um. Sem aplauso, sem despedida organizada, sem aquela trilha sonora dramática que a gente imaginou na cabeça. A vida não tem créditos finais, ela tem silêncio.
Eu fico pensando nisso às vezes, assim, do nada, mexendo no celular ou lavando uma louça qualquer. Em algum momento, vai existir um dia em que a última pessoa que lembra de mim vai respirar fundo pela última vez… e pronto. Acabou. Não sobra nem eco. Nem alguém pra dizer “ela gostava disso”, “ela ria assim”, “ela tinha esse jeitinho estranho de pensar demais enquanto fingia que estava de boa”.
E olha que curioso, porque a gente passa a vida inteira tentando deixar marca. Filho, foto, vídeo, texto, briga, reconciliação, status bonito, frase de efeito… como se a gente estivesse assinando presença no mundo. Só que o mundo é um quadro branco gigante e insistente, que apaga tudo com o tempo. Sem dó, sem cerimônia, sem perguntar se pode.
E não é triste do jeito que parece, sabe? É quase libertador, mas com um toque de deboche. Porque se tudo isso vai desaparecer mesmo… então pra quê tanto peso? Pra quê viver como se estivesse sendo avaliada por um júri invisível que nem vai existir daqui a alguns anos?
Eu começo a achar que a graça da vida não está em ser lembrada, mas em sentir enquanto dá tempo. Em rir alto mesmo sabendo que ninguém vai guardar o som. Em amar alguém mesmo sabendo que essa história não vai virar lenda. Em viver como quem escreve na areia, sabendo que a onda vem… mas escrevendo mesmo assim, caprichando na letra, fazendo até um coraçãozinho no final.
No fundo, talvez a gente não precise ser eterno. Talvez a gente só precise ser intenso o suficiente pra que, enquanto estamos aqui, faça sentido. Nem que esse sentido dure só o tempo de um café quente ou de uma conversa que ninguém mais vai lembrar amanhã.
Porque veja bem… o esquecimento não é um castigo. É só o jeito do mundo seguir em frente. E a gente, enquanto ainda está aqui, pode escolher: viver tentando não ser apagada… ou viver sabendo que vai ser, mas mesmo assim, viver bonito.
Agora me diz, se tudo acaba no silêncio… não dá uma vontade ainda maior de fazer barulho enquanto dá tempo?
Tem dias em que eu acordo com a sensação estranha de que fui colocada aqui sem nem ter concordado com os termos de uso. Tipo aqueles aplicativos que a gente aceita tudo sem ler, só que nesse caso… não tem como desinstalar, nem voltar pra versão anterior, nem reclamar no suporte. E aí eu fico nesse meio-termo curioso, quase filosófico, quase dramático, meio cômico também, porque olha a situação: eu não queria ter nascido, mas também não quero morrer. Eu só queria… sei lá… um intervalo. Um botão de “pausar existência” pra respirar sem ter que existir tanto.
E é engraçado perceber como essa ideia desmonta aquele discurso bonitinho de que viver é sempre um presente. Presente pra quem exatamente? Porque tem dias que parece mais uma entrega surpresa que ninguém pediu, embrulhada com expectativa, boleto e uma leve crise existencial de brinde. E ainda assim, eu fico. Eu continuo. Eu escovo os dentes, tomo café, respondo mensagem, faço planos, reclamo do calor, rio de meme. Uma rotina inteira construída em cima de alguém que nunca pediu pra estar aqui, mas também não tem coragem de ir embora. Olha que ironia elegante.
E aí vem a outra parte, aquela que pesa mais do que parece. Eu nunca quis dar essa experiência pra ninguém. Não por falta de amor, não por falta de vontade de cuidar, mas por uma lucidez meio incômoda: existir é bonito, mas também é cansativo. É um pacote completo, com alegria e angústia no mesmo combo, e eu fico pensando se é justo colocar alguém nisso só porque eu quis. Tem gente que chama de egoísmo não ter filhos, mas, sinceramente, às vezes me parece mais egoísmo trazer alguém sem garantir que o mundo vai ser gentil com ela. E o mundo… bom, o mundo acorda de mau humor com uma frequência preocupante.
Só que no meio desse pensamento todo, existe uma coisa que me segura, quase silenciosa. Uma curiosidade. Um “já que estou aqui…” meio despretensioso. Já que estou aqui, deixa eu ver o que acontece amanhã. Já que estou aqui, deixa eu sentir mais um pouco, rir de novo, me decepcionar de novo, amar de novo, reclamar de novo, porque reclamar também é uma forma de continuar. Eu não pedi pra nascer, mas já que nasci, eu vou observar essa bagunça toda como quem assiste uma série longa demais e pensa “agora eu quero saber como termina”.
No fundo, talvez não seja sobre querer ou não querer. Talvez seja só sobre estar. E ir lidando com esse estar do jeito que dá, com humor quando possível, com paciência quando necessário, e com aquela sinceridade crua de quem não romantiza tudo, mas também não desiste de tudo.
Agora me conta, você também já se sentiu assim?
Tem gente que ainda acredita que o sofrimento tem CEP e conta bancária. Como se a dor fosse uma funcionária pública que só atende bairro pobre, senha limitada, horário comercial. Mas a vida não respeita esse tipo de organização. A vida entra em qualquer casa, seja ela de tijolo cru ou com portão eletrônico que abre sozinha, e senta no sofá como visita inconveniente que não vai embora nunca.
Eu já pensei que dinheiro fosse uma espécie de vacina emocional. Tipo assim, tomou a dose, pronto, imunizada contra angústia, insegurança, insônia e aqueles pensamentos que aparecem às três da manhã sem pedir licença. Só que não. O dinheiro compra silêncio, mas não compra paz. Compra espaço, mas não compra leveza. E, às vezes, compra até mais barulho, porque quanto mais você tem, mais gente opina, mais gente quer, mais gente observa. É uma vitrine que nunca apaga a luz.
Tem gente sofrendo dentro de casa grande, com quarto sobrando e abraço faltando. Família que parece propaganda de comercial, mas por dentro é um campo minado de mágoas antigas, palavras engolidas, expectativas que viraram cobrança. E aí não adianta o tamanho da mesa se ninguém se olha de verdade enquanto janta. Não adianta o carro importado se o coração vive andando a pé, cansado, sem destino.
E tem também o peso de ser visto demais. A pessoa vira alvo, vira assunto, vira comparação. É como se cada passo fosse monitorado por uma plateia invisível, pronta pra aplaudir ou apedrejar dependendo do humor do dia. A falta de segurança não é só física, é emocional. É não saber em quem confiar, é duvidar até do elogio, é se perguntar se gostam de mim ou do que eu tenho. Isso cansa num nível que nenhum spa resolve.
No fim, a dor não pede extrato bancário. Ela chega do mesmo jeito, senta do mesmo jeito, aperta do mesmo jeito. Só muda o cenário, mas o roteiro é parecido. Porque sofrimento não é sobre o que falta fora, é sobre o que transborda dentro. E tem coisa que dinheiro nenhum consegue organizar.
Eu olho pra tudo isso e penso que talvez a maior riqueza seja conseguir deitar a cabeça no travesseiro e não travar uma guerra interna antes de dormir. Conseguir confiar, rir sem desconfiança, existir sem sentir que está sempre devendo algo pra alguém. Isso sim é luxo. O resto é acessório.
Eu já pensei nisso num dia comum, desses que a gente tá lavando uma louça meio torta, olhando pra própria vida como quem olha pro fundo de uma panela e pensa, era tão bom se isso aqui nunca acabasse. Viver é bom, sim. É gostoso demais, chega a ser até meio suspeito. Um cafezinho quente, uma risada fora de hora, um abraço que demora um pouquinho mais do que o normal. Aí vem a realidade, com aquela cara de quem não pediu licença, e lembra: calma, minha filha, isso aqui tem prazo.
E não é um prazo negociável, não tem como parcelar, nem pedir mais um tempinho igual quando a gente esquece de pagar boleto. A vida é tipo aquelas promoções relâmpago, quando você vê já acabou e ainda ficou com a sensação de que devia ter aproveitado melhor. E o mais curioso é que, no meio de bilhões de pessoas, a nossa existência é quase um sussurro. A gente se sente protagonista, claro, porque é o nosso filme, mas pro resto do mundo... é só mais um episódio que passa e ninguém nem percebe que mudou o canal.
Somos animais também, né. Essa parte é engraçada e meio humilhante ao mesmo tempo. A gente se acha cheio de filosofia, de profundidade, mas no fim tá todo mundo comendo, dormindo, sentindo medo e tentando sobreviver emocionalmente num mundo que não para nem pra tomar um copo d’água. A diferença é que a gente pensa sobre isso, complica, escreve texto, sofre duas vezes.
E aí entra a parte mais crua, que ninguém gosta de encarar por muito tempo: quando a gente for embora, o mundo não vai dar pausa dramática. O sol nasce, o trânsito continua, alguém vai rir de uma piada ruim, e pronto. É quase ofensivo, mas ao mesmo tempo é libertador. Porque se nada disso para, então talvez a gente também não precise viver como se estivesse sendo avaliada o tempo todo.
Importa pra quem ama a gente, e isso já é gigante. Já é tudo. Ser importante no coração de alguém não é pouca coisa, não. É ali que a gente realmente existe. O resto é cenário, é barulho de fundo. O mundo pode até seguir igual, mas dentro de algumas pessoas, a nossa ausência faz um silêncio que ecoa.
Então, já que é isso... já que não tem como ser pra sempre... que seja bom enquanto é. Do nosso jeito mesmo, meio bagunçado, meio improvisado, meio rindo de nervoso às vezes. Porque no fim, a vida não é um grande plano mirabolante. É um monte de momentos pequenos que, quando a gente junta, dá essa coisa intensa que a gente chama de viver.
Experiências e aprendizados. Nada mais. E, sinceramente, nada menos também.
Eu fico observando essa ideia de que o universo é uma espécie de banco seletivo, desses que liberam crédito só pra quem já tem dinheiro. Ele escolhe meia dúzia, despeja fama, beleza, contratos, milhões, seguidores, e a gente aqui, olhando, pensando que talvez exista um plano maior, quase uma missão secreta digna de filme. Aí eu piscando, esperando o plot twist… e nada acontece. Porque, na prática, quem recebe tudo, muitas vezes não consegue nem administrar o próprio silêncio.
E não é sobre inveja, é sobre estranheza mesmo. Porque a lógica não fecha. Se a vida fosse uma professora justa, ela distribuiria poder pra quem tem vocação de cuidar. Mas parece que ela gosta de testar o caos. Coloca tudo na mão de quem ainda nem se encontrou, como dar um avião pra quem mal aprendeu a andar de bicicleta. E aí a gente vê casos como Virginia Fonseca, que chegou num lugar onde muita gente acredita que mora a felicidade… mas que, olhando de fora, parece mais um palco do que um lar.
E eu penso, no auge de uma tarde quente, com um café meio morno na mão, que talvez o problema não seja ter muito. É não saber o que fazer com esse muito. Porque dinheiro compra conforto, mas não compra direção. Compra aplauso, mas não compra sentido. E quando a vida vira vitrine, a alma vira estoque encalhado.
A gente romantiza demais o topo, como se lá em cima tivesse uma resposta secreta, um manual da felicidade, uma paz premium desbloqueada. Mas às vezes o topo é só mais alto mesmo… e o vazio ecoa mais forte lá de cima. É como gritar num prédio vazio e ouvir a própria voz voltando, só que mais triste.
E sobre “não ajuda ninguém”… eu fico aqui pensando que talvez a maior carência não seja de dinheiro sendo distribuído, mas de consciência sendo acordada. Porque ajudar não é só dar, é perceber. E muita gente rica vive num estado curioso de distração permanente, como se estivesse sempre ocupada demais pra enxergar o mundo fora da própria bolha.
No fim das contas, eu concluo, meio rindo de nervoso, meio séria, que o universo não escolhe salvadores. Ele só distribui ferramentas. E cada um faz o que dá, ou o que quer, ou o que consegue com elas. Alguns constroem pontes. Outros, vitrines. E tem gente que nem percebe que poderia ter feito algo além de acumular.
Enquanto isso, eu sigo aqui, tentando não precisar de milhões pra ser alguém que faz diferença, nem que seja na vida de uma pessoa só. Porque talvez salvar o mundo seja isso mesmo, uma coisa pequena, repetida, quase invisível. E não um espetáculo com patrocinador.
Eu tenho uma espécie de vício silencioso que ninguém diagnostica, mas eu sinto todos os dias: olhar pro céu. Não é nem olhar, é encarar mesmo, como quem procura resposta num lugar que nunca prometeu nada. E ainda assim, entrega tudo. É curioso isso… o céu não cobra, não julga, não pede senha, não trava acesso. Ele só está ali, aberto, escancarado, como se dissesse: “se vira aí com o que você sente”.
E eu me viro.
Tem dia que eu olho e penso que a vida podia ser mais simples, tipo o vento passando entre as árvores, sem reunião, sem boleto, sem gente complicada. O ar entra no pulmão como se fosse um abraço invisível, desses que ninguém vê, mas muda tudo por dentro. E eu fico ali, respirando como se estivesse reaprendendo a existir. Porque no fundo, viver mesmo é isso: perceber que você está viva enquanto o mundo continua sem precisar de você.
A natureza tem esse talento meio debochado de continuar linda mesmo quando a gente tá um caos. A árvore não entra em crise existencial porque perdeu uma folha. O rio não faz drama porque tem pedra no caminho. E eu? Eu já quis surtar porque o Wi-Fi caiu. É humilhante.
Mas aí eu sento, olho pro céu de novo, e lembro que tem coisas que simplesmente seguem. O vento não pede licença pra tocar meu rosto, o sol não pergunta se pode nascer, e os pássaros… ah, os pássaros não fazem planejamento estratégico pra voar. Eles só vão.
E talvez seja isso que me prende tanto nesse ritual de observar tudo: a natureza não tenta ser nada além do que é. E eu, no meio disso tudo, tentando entender quem eu sou, acabo encontrando pequenos pedaços de resposta no barulho das folhas, no cheiro da terra, no silêncio entre um pensamento e outro.
No final das contas, eu acho que não é só sobre gostar do céu. É sobre precisar dele. Como quem precisa lembrar que existe algo maior, mais leve, mais livre… e que talvez eu também possa ser assim, pelo menos um pouquinho.
Agora me conta… você também para pra sentir isso tudo ou tá só sobrevivendo no automático?
Eu descobri que cultivar plantas no quintal é uma forma sofisticada de enlouquecer com elegância. Porque veja bem, enquanto tem gente colecionando problemas, eu coleciono folhas, raízes, frutos e uma esperança diária de que a vida, pelo menos ali, obedeça algum tipo de lógica. E obedece. Planta não mente. Ou ela cresce, ou ela morre. Simples, direto, quase ofensivo de tão honesto.
No meu quintal tem de quase tudo, e eu falo isso com o peito estufado de quem virou praticamente uma fazendeira de um metro quadrado. Tem fruta que eu mesma já nem lembro quem plantou, se fui eu num surto de motivação ou se foi o vento sendo mais competente que muita gente. Tem erva pra chá, e a minha querida cidreira que, diferente de certas pessoas, me acalma de verdade. Basta eu chegar perto, amassar uma folhinha e pronto, já sinto como se o mundo tivesse pedido desculpa por existir.
E o mais curioso é que cuidar dessas plantas me ensinou mais sobre a vida do que muita conversa profunda por aí. Planta não cresce no grito, não responde à pressa, não floresce porque você está ansiosa. Ela cresce no tempo dela, no silêncio dela, na teimosia dela. E eu ali, regando, observando, aprendendo a esperar, coisa que a gente detesta, mas precisa.
Tem dias que eu converso com elas, confesso. Não por achar que vão responder, mas porque, de certa forma, já respondem. Quando brota uma folha nova, quando dá fruto, quando resiste a um sol de rachar ou a uma chuva sem aviso, é como se elas dissessem bem baixinho: continua. E eu continuo.
No meio desse mundo barulhento, onde todo mundo quer tudo pra ontem e ninguém sabe direito o que está fazendo, eu vou lá pro meu quintal, sujo a mão de terra e lembro que a vida de verdade não acontece na pressa. Ela acontece ali, quietinha, crescendo sem alarde.
E no fim das contas, talvez eu nem esteja cultivando só plantas. Talvez eu esteja cultivando paciência, presença, e um tipo de felicidade que não faz barulho, mas preenche tudo.
LIBERTEM-SE DA ILUSÃO EMOCIONAL, PORQUE ELA É UMA PRISÃO...
Cada um de vocês pode se libertar disso. Isso não é amor; vocês amam a versão que inventaram da pessoa. Mas, se hoje fossem viver um romance, acabariam do mesmo jeito. Idealizamos aquilo que não existe mais ou aquilo que a gente acabou inventando.
Pensamos, choramos, a ponto de sentir tanta dor emocional que achamos que vamos enlouquecer. Eu passei muito tempo sofrendo assim; sonhava, mesmo sem querer pensava. É como se os ventos trouxessem memórias de nós e soprassem nos meus ouvidos, alcançando o subconsciente.
Poxa, foi aos 16 anos, e isso ainda perdurou por muito tempo.
Um dia, tive a coragem de escrever e contar tudo o que sentia, tudo o que me lastimava. Eu precisava me libertar! Nunca mais seríamos nada um para o outro, além de memória. Ele confessou também que, se fosse em outra época, talvez mais adiante, e se não tivéssemos ninguém, talvez seríamos perfeitos um para o outro e daríamos o amor que tanto não entendemos. Mas hoje nós dois seguimos nossas vidas, respeitamos nossos parceiros, e ambos resolvemos nunca mais entrar em contato.
Eu disse isso; já ele falou no silêncio. Nas desculpas por não ter percebido o quanto eu o amava, pediu perdão. Eu disse que não havia nada para perdoar e que desejava que ele fosse muito feliz em sua vida, porque ambos estamos sendo cuidados, e que assim permaneça.
Nunca mais chorei, nunca mais sofri, nunca mais pensei no que poderia ter sido. Escrever diretamente ao destinatário e abrir a alma me libertou. Nunca mais escrevi melancolias; hoje sou motivação. E, sim, ninguém esquece, a menos que soframos um colapso mental e percamos a memória. Mas a gente consegue, a partir disso, seguir a vida como se nunca tivesse se decepcionado durante todo esse tempo.
Espero que façam o mesmo e se libertem, deixando bem claro que já é passado e que tudo o que queriam era colocar para fora o que faz doer.
Tem um momento na vida em que a gente para de ensaiar discurso no espelho e simplesmente envia. Sem revisão, sem filtro, sem aquela esperança secreta de que a outra pessoa vai ler e, num surto de lucidez romântica, mudar o roteiro inteiro. Eu fiz isso. Abri a alma, empacotei tudo que era sentimento acumulado, memória inflada, expectativa maquiada… e enviei. E curiosamente, não foi a resposta que me libertou. Foi o ato de parar de esconder de mim mesma o que eu já sabia.
Porque a grande virada não acontece quando o outro entende. Acontece quando eu entendo. E entender que a dor não estava na perda, mas no apego à ilusão, foi quase um tapa elegante da realidade. Daqueles que não deixam marca no rosto, mas reorganizam o cérebro inteiro. Eu não estava sofrendo por alguém que se foi. Eu estava sofrendo por uma história que eu não queria admitir que nunca existiu do jeito que eu contei para mim mesma.
E aí vem essa imagem perfeita, quase cruel de tão precisa. Um palco vazio. Luz acesa. Eu no centro, decorando falas, me entregando, esperando aplausos… de alguém que já tinha ido embora há muito tempo. E o mais impressionante é que eu sabia disso. Mas a gente insiste. Porque enquanto eu continuo atuando, eu não preciso encarar o silêncio da plateia vazia. E o silêncio, minha amiga… ele exige maturidade.
Quando ele disse que não me amaria, que já tinha alguém no coração, aquilo doeu, claro que doeu. Não existe dignidade emocional que impeça esse tipo de impacto. Mas junto com a dor veio uma coisa rara: liberdade. Porque ali não tinha mais espaço para dúvida, para interpretação criativa, para esperança teimosa. Era um não. Simples, direto, quase gentil dentro da brutalidade que um “não te amo” carrega. E foi exatamente isso que me soltou.
Agora, vamos rir um pouco da ironia da vida, porque ela merece. Tempos depois, outro homem me solta praticamente o mesmo discurso… que nunca amou ninguém. E hoje, olha só, me chama de primeiro amor. Eu fico entre lisonjeada e levemente desconfiada, pensando se o amor não é também uma construção que a gente vai entendendo melhor com o tempo. Porque no auge da minha ousadia juvenil, eu realmente achei que poderia conquistar qualquer coração. Que bastava insistência, charme, presença estratégica… quase uma espada lendária emocional, pronta para ser cravada no peito alheio. Olha a audácia. Eu, achando que amor era território conquistável.
Mas não é. E ainda bem que não é.
Porque se fosse, não teria valor nenhum. Amor não é sobre vencer alguém, é sobre encontrar alguém disposto a construir junto. E isso muda tudo. Eu não me arrependo de ter feito alguém me amar profundamente, porque ali também teve verdade. Mas hoje eu entendo que o que sustenta não é o encantamento inicial, é a construção diária, silenciosa, imperfeita e real.
E quanto ao primeiro… eu guardo com carinho. Não como quem ainda espera, mas como quem reconhece. Ele foi importante, foi intenso, foi necessário. Mas não foi definitivo. E tudo bem. Porque a vida não é sobre quem chega primeiro, é sobre quem permanece com verdade.
No fim, eu não perdi nada. Eu amadureci. Eu parei de tentar transformar ilusão em destino e comecei a viver o que é concreto, presente, possível. E isso, minha querida, vale muito mais do que qualquer história bonita que só existia na minha cabeça.
Se você também já tentou conquistar o impossível, já atuou em palco vazio ou já acreditou que amor era questão de estratégia… respira. A gente aprende. E aprende vivendo, errando, sentindo e, principalmente, aceitando.
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
Tem dias em que eu paro e penso que amar é quase um esporte radical, daqueles que a gente entra achando que é caminhada leve e, de repente, já está pendurada num penhasco emocional, sem equipamento, só com fé e um pouco de teimosia. E eu amei… amei de um jeito que não cabe em explicação bonita, dessas que ficam bem em legenda de foto. Foi um amor que existiu, que teve voz, que teve troca, que teve vida em algum canto do mundo. Não foi invenção da minha cabeça, não. Foi real. E talvez justamente por isso tenha doído tanto.
E aí vem a vida, com aquela elegância duvidosa dela, e me coloca dentro de outro amor. Um amor que não nasceu perfeito, que não veio embalado em promessas cinematográficas, mas que foi sendo construído no meio dos cacos. Porque é isso que ninguém conta, a gente não constrói amor só com flores, a gente constrói com restos também. Com pedaços que sobraram de histórias antigas, com silêncios desconfortáveis, com verdades que poderiam muito bem ter sido escondidas, mas não foram.
Eu poderia ter guardado esse amor antigo como um segredo bonito, desses que a gente esconde numa gaveta interna e visita de vez em quando, em silêncio. Mas não. Eu escolhi abrir. Escolhi colocar na mesa, olhar de frente, dividir. E isso… isso não é simples. Não é leve. Não é coisa de gente fraca. É coisa de quem decidiu não viver pela metade.
E ele ficou. Olhou para tudo isso e não saiu correndo. Pelo contrário, teve a coragem de me perguntar por que eu não escrevo sobre isso. Como se, no meio de toda essa bagunça emocional, ele ainda enxergasse arte. Como se ele dissesse, sem dizer exatamente: transforma essa confusão em algo bonito.
E eu fico pensando… que tipo de amor é esse que não exige perfeição, mas presença? Que não pede um passado limpo, mas um presente honesto? Porque, vamos combinar, talvez muita gente não suportasse. Talvez muita gente preferisse a versão editada da história, aquela sem capítulos difíceis, sem sentimentos atravessados. Mas a gente… a gente escolheu ficar.
E não foi porque era fácil. Foi porque, de algum jeito meio torto e muito humano, ainda existia vontade. Vontade de tentar, de reconstruir, de olhar para os degraus quebrados e, ao invés de desistir da escada, começar a consertar um por um.
Eu não sei se isso é o tipo de amor que vira conto de fadas. Provavelmente não. Mas talvez seja o tipo que vira verdade. E no fim das contas, verdade sustenta muito mais do que qualquer ilusão bem contada.
Então eu escrevo. Escrevo porque viver isso tudo e ficar em silêncio seria quase um desperdício emocional. Escrevo porque, no meio de tanta coisa que poderia ter nos separado, a gente decidiu, de forma quase teimosa, continuar.
E se isso não é uma forma bonita de amor… eu sinceramente não sei o que é.
Nunca foi segredo. E olha que, nesse mundo onde até o “bom dia” às vezes vem ensaiado, eu escolhi viver sem esconderijo. Meu primeiro amor sempre teve nome, lembrança, capítulos que nem sempre fecharam direito. E a pessoa que hoje divide a vida comigo sabe de tudo. Não porque foi confortável contar, mas porque esconder sempre me pareceu mais pesado do que encarar.
Eu aprendi, meio na marra, que omitir é só uma mentira bem vestida. E eu nunca fui boa em sustentar personagem. Uma hora a verdade escapa pelo olhar, pela pausa estranha no meio da conversa, pelo silêncio que diz mais do que qualquer frase. Então eu prefiro ser direta. Entrego tudo, às vezes até bagunçado, mas real. Porque amor que precisa de versão editada já começa cansado.
E no meio disso tudo, aconteceu uma coisa bonita, dessas que não fazem barulho, mas mudam tudo: nós escolhemos ficar. Não por falta de opção, não por medo de recomeçar, mas por decisão. Daquelas conscientes, quase teimosas. E foi aí que, sem perceber, a gente deixou de ser apenas duas histórias que se cruzaram… e virou o melhor amor um do outro.
Não porque somos perfeitos, longe disso. Mas porque decidimos cuidar. Cuidar das feridas que não fomos nós que causamos. Cuidar das inseguranças que vieram de outras histórias. Cuidar até dos silêncios, que às vezes dizem mais do que qualquer declaração bonita. A gente escolheu fazer feliz a vida que o outro não quis fazer. E isso tem uma profundidade que não cabe em frase pronta de rede social.
Teve dor? Teve. Teve momentos em que eu pensei que talvez a sinceridade fosse demais. Mas aí eu percebia que o que a gente estava construindo não cabia em metade de verdade. Era tudo ou nada. E a gente escolheu o tudo, mesmo sabendo que o “tudo” vem com passado, com marcas, com lembranças que às vezes ainda respiram baixinho dentro da gente.
E olha que curioso: quando você encontra alguém disposto a ficar de verdade, o passado perde o peso de ameaça e vira só contexto. Não é mais competição, não é mais sombra. É só parte da história que me trouxe até aqui. Até nós.
Hoje, eu não amo menos por ter amado antes. Eu amo diferente. Mais consciente, mais presente, mais inteira. Porque agora não é só sentimento. É escolha diária. É compromisso silencioso. É aquele tipo de amor que não precisa provar nada pra ninguém, só continuar existindo com verdade.
No fim, a sinceridade não garante perfeição, mas constrói algo muito mais raro: um amor que aguenta a realidade. E nós somos isso. Imperfeitos, verdadeiros… e, ainda assim, o melhor amor que poderíamos ser um para o outro.
Meu pai é pobre lascado, minha mãe sempre foi violentada por ele, até Enlouquecer, mais de 30 anos de abusos... Perdeu a sanidade Mental, passou por hospitais psiquiatricos e tratamentos de choque, nós cuidamos dela, ela ficou melhor, está lá com ele novamente, e diz que ele nunca fez nada com ela e nem conosco... Não tenha pena de gente assim! Eles sofrem por suas próprias escolhas e dependência emocional. Lavei minhas mãos...
Ela sempre nos ameaça, dizendo que a gente que precisa ir preso no lugar dele, só porque a gente fala pra ela deixar ele. Nunca parou de apanhar dele, está enlouquecendo novamente!!
Hoje sonhei com uma mulher negra e uma criança. Eu estava na África. Ela era artesã, e eu a chamava para vir para Barra do Corda, porque lá ela não tinha como vender nada, mesmo tendo muito talento.
Depois, sonhei com a vizinha daqui organizando um grande churrasco. Ela colocava convites do tamanho de duas folhas A4, pendurados em um cordão com prendedores de roupa. Estavam muito altos, praticamente na altura do céu.
Em seguida, sonhei com uma mulher árabe se escondendo de muçulmanos. Não entendi bem, já que era a mesma religião, mas ela tinha medo de que descobrissem que também era muçulmana. Eu a escondia.
Depois, sonhei com um homem que foi amarrado dentro de um carro e jogado em uma gruta cheia de outros carros, todos luxuosos.
No final, eu queria salvá-lo. Mas, de repente, eu era ele, tentando retirar as fibras que prendiam meu pé. Acabei me escondendo de uma pessoa que fazia parte de uma família muçulmana… e então acordei, kkkkk.
Ontem sonhei que estava em um tipo de abrigo, junto com várias outras pessoas que também precisavam de cuidados. Havia uma indiana chamada Lininus; ela era muito alegre e feliz, e estava com uma criança. Ela me dizia “Deus te abençoe” e me deu um abraço forte. Eu disse a ela que, se conseguisse algo material na vida, iria procurá-la para ajudar no que fosse possível. Ela riu.
Depois, apareceu um rapaz negro. Ele sorriu para mim e orou por mim, segurando o topo da minha cabeça com a mão direita e os olhos fechados. Eu também fechei os meus. Ao final, ele me desejou boa sorte e deu um leve beijo na ponta do meu ombro esquerdo.
Em seguida, havia uma menina que conheço. Ela estava diferente da vida real: tinha cortado o cabelo em chanel curto e estava muito, muito feliz ao contar um sonho que teve comigo, para mim e para quem quisesse ouvir. Ela começou dizendo: “Era uma linda flor, e apareceu o espírito…”. Ela gesticulava e ria. Eu vi várias outras pessoas conhecidas ali, naquele lugar.
No sonho, eu estava voltando para minha casa após dois meses me recuperando de uma cirurgia. O curioso é que, na vida real, estou na casa da minha sogra, me recuperando de uma cirurgia de três hérnias, uma umbilical e duas inguinais. Hoje, 18 de abril de 2026, faz 1 mês e 13 dias da minha segunda cirurgia.
Nesse sonho, acredito que eram guias espirituais zelando por mim, em forma de pessoas que conheço. Eu estava muito feliz e disse a todos que os ajudaria de alguma forma, algum dia na vida. No final, nem deu para ouvir o restante do sonho da Alessandra, porque meu marido entrou no quarto e eu acabei despertando.
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