Quem Ama Nao Erra
Parábola Esquecida do Último Pagão
nos deixe
cair em tentação,
nós não queremos
ser salvos,
nós nunca
quisemos ser.
não queremos
que vosso reino
venha a nós,
desprezamos
toda e qualquer
ambição monárquica.
tua vontade não será
feita aqui,
sobre esta terra
ou sob este céu,
pois jamais perdoaremos,
quem nos têm ofendido.
sim senhor,
em vosso elevado
e santo nome,
conhecemos bem
a impiedosa
misericórdia divina.
ainda nos safamos quase
ilesos, dos tantos males
que nos assolam.
tudo o que buscamos
é ir até o limite
e depois cruzá-lo.
não desejamos
a salvação,
sempre
estivemos perdidos,
nos encontramos,
na perdição.
04/10/23
Michel F.M.
Desfoque Gaussiano
a vida
é a consequência
do que não foi.
porque
se tivesse sido,
de outra forma
(nas inesgotáveis
probabilidades
que não resultaram),
jamais seria
esta causa
que se perdeu.
19/10/23
Michel F.M.
Fugiu numa noite gélida,
Logo caiu nas poções encantadas,
Não imaginou as ruas tão violentas,
Mais uma usuária viciada.
[Não só é possível,
como totalmente
plausível e factual]
Amar de igual pra igual,
numa paridade
matemática,
em proporções simétricas,
como somente os sapiens
sabem fazer.
harmonicamente
nesta sinfonia
melódica,
de intensidade
astronômica
e musical.
garimpando
a virtuosa
poeticidade,
como somente os sapiens
sabem fazer.
Amar de igual pra igual,
numa paridade cósmica.
alguns corpos celestes
esperam bilhões
de anos
para se chocar,
nós nos chocamos
desde o princípio
e muito antes disso.
(Bruno Michel Ferraz Margoni - 06/12/23)
Emprega(dores)
a façanha destes
espécimes tão exóticos,
é o fato deles não
somente desejarem
lhe escravizar,
com requintes de
extrema crueldade
e um acentuado
sadismo,
mas também
desejam, que sejamos
todos gratos,
pela generosa
oportunidade
ofertada, de sermos
brutalmente
escravizados.
Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
07/12/23
[Sorvete de Cicuta]
todos têm um preço,
mas a maioria se vende
por quase nada.
não me julgue
com severidade,
sou só mais um
ser humano falho,
falhando.
movido pelo esforço
incessante na
busca por descanso.
tomar veneno ou
servi-lo, eis a questão;
que bebamos juntos.
incendiamos o Éden
e traímos a confiança
divina, para isso.
pelo nobre direito
de pecar, e ser
açoitado, receber
o mais furioso
castigo.
minto, distorço,
mato e destruo
qualquer coisa,
para colher
o tão adocicado
fruto;
para obter
meu tão merecido
conforto.
Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
12/12/23
[Maroto]
aonde você vai?!
eu vou ali.
ali onde?!
onde não é aqui,
é ali.
13/12/23
Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração
Bruno Michel Ferraz Margoni
[A relatividade do autodeclarado melhor poema de todos os tempos]
talvez este
não seja
o melhor
poema de
todos os
tempos.
contudo,
há quem diga,
que em nenhum
dentre todos
os tempos,
fora escrito
poema melhor
do que este.
Michel F.M. - Trilogia Flores do Pântano
Bruno Michel Ferraz Margoni
28/12/23
[Cromossomos]
Mesmo sabendo que não é muito,
Eu só posso te dar uma coisa,
Absolutamente
tudo.
(Michel F.M. - Altas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Eu não entendo
como um amor começa,
mas hoje compreendo,
como ele se eterniza.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Não cobiço carreira,
Não cobiço estabilidade,
Sou a ameaça sociopata,
O risco perigosamente presente;
Se a cachaça não alterasse a perspectiva,
Certamente garimparia a definitiva
Identificação com a confissão
De que este causador fora
Outrora sóbrio.
Sendo um bom colecionador,
Daquilo que me desfavorece,
Não promovo a preocupação,
Ela ocupa a posição que merece.
Ser ou não ser nunca foi a questão,
Tudo sempre será mera constatação,
Num dia tu és, no outro não.
A Sala de Aula do Mundo Moderno
Outro dia me peguei pensando em como a escola mudou.
Não falo apenas das lousas digitais, dos computadores, dos aplicativos ou dos celulares que hoje parecem extensão das mãos dos alunos.
Falo das pessoas.
Dos comportamentos.
Das responsabilidades.
E, principalmente, da forma como passamos a enxergar educação.
Pertencente a uma geração que aprendeu que nem sempre a vida diria "sim", confesso que às vezes me sinto um turista perdido visitando o admirável mundo novo.
Hoje tudo parece delicado.
Tudo parece urgente.
Tudo parece motivo para preocupação.
Uma palavra mal colocada vira trauma.
Uma crítica vira perseguição.
Uma cobrança vira opressão.
Um conselho vira ofensa.
E o simples ato de contrariar alguém pode ser interpretado como um atentado contra a felicidade universal.
Não estou dizendo que os problemas emocionais não existam.
Eles existem.
E merecem atenção, respeito e tratamento sério.
Mas também me pergunto se, em alguns casos, não estamos transformando dificuldades normais da vida em diagnósticos automáticos.
A tristeza virou doença.
A frustração virou síndrome.
A ansiedade virou identidade.
E a responsabilidade, curiosamente, parece ter desaparecido da conversa.
Muitos pais, sobrecarregados pelas próprias rotinas, acabam transferindo para a escola funções que antes pertenciam à família.
Esperam que a escola eduque.
Ensine limites.
Corrija comportamentos.
Resolva conflitos.
Forme caráter.
Desenvolva valores.
Enquanto isso, o professor recebe mais uma missão para sua coleção já bastante extensa.
Porque o professor moderno não é apenas professor.
Ele é educador.
Mediador.
Conselheiro.
Psicólogo informal.
Assistente social improvisado.
Pacificador de conflitos.
Especialista em tecnologia.
Preenchedor de relatórios.
Participante de reuniões.
Executor de projetos.
E, quando sobra algum tempo, tenta ensinar a matéria.
A escola de antigamente tinha seus defeitos.
Muitos.
Mas existia uma compreensão mais clara sobre papéis e responsabilidades.
Hoje, frequentemente, o professor precisa justificar uma nota, uma advertência, uma cobrança e até mesmo uma orientação pedagógica.
A autoridade tornou-se suspeita.
A disciplina tornou-se questionável.
E a exigência acadêmica muitas vezes parece competir com uma cultura que valoriza resultados rápidos sem esforço proporcional.
O mais curioso é que aqueles que raramente entram numa sala de aula costumam ter opiniões muito firmes sobre o trabalho de quem está lá todos os dias.
— Professor reclama demais.
— Tem muitas férias.
— Trabalha poucas horas.
Quem diz isso normalmente vê apenas o horário da aula.
Não vê as correções.
Não vê os planejamentos.
Não vê os relatórios.
Não vê os cursos.
Não vê as formações.
Não vê as noites preparando atividades.
Não vê os finais de semana organizando conteúdos.
Não vê a exaustão silenciosa acumulada ao longo dos anos.
E, principalmente, não vê o desgaste emocional.
Porque ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento.
Ensinar é lidar diariamente com expectativas, conflitos, desafios e realidades completamente diferentes.
Há professores que chegam em casa carregando problemas que não cabem nos livros didáticos.
Problemas de alunos.
Problemas de famílias.
Problemas do próprio sistema.
Falando em sistema, este merece um capítulo especial.
A cada ano surgem novas plataformas.
Novos formulários.
Novos procedimentos.
Novas exigências.
Novas metas.
Novas estatísticas.
Novos indicadores.
Parece que tudo muda.
Exceto aquilo que realmente deveria melhorar.
E assim o professor segue.
Preenchendo documentos.
Participando de reuniões.
Atualizando sistemas.
Respondendo questionários.
Enquanto tenta encontrar espaço para aquilo que deveria ser o centro de tudo: ensinar.
O resultado é um profissional cada vez mais cansado.
Mais pressionado.
Mais responsabilizado.
E, muitas vezes, menos valorizado.
Ainda assim, algo impressionante acontece.
Apesar de todas as dificuldades, milhares de professores continuam entrando em sala de aula todos os dias.
Continuam acreditando.
Continuam tentando.
Continuam explicando pela décima vez o mesmo conteúdo.
Continuam incentivando quem quer aprender.
Continuam estendendo a mão para quem precisa.
Continuam lutando contra a maré.
Talvez porque saibam de uma verdade simples.
Sem professores não existem médicos.
Não existem engenheiros.
Não existem advogados.
Não existem cientistas.
Não existem administradores.
Não existem governantes.
Não existe profissão alguma.
Todas passam primeiro pela carteira de uma sala de aula.
Por isso, quando alguém pergunta se ainda existe solução para a educação, respondo que sim.
Mas ela não nascerá de um único decreto, de uma nova plataforma ou de mais um discurso otimista.
Ela surgirá quando família, escola, sociedade e governo compreenderem que educar é uma responsabilidade compartilhada.
Até lá, o professor continuará fazendo o que sempre fez.
Entrará em sala.
Respirará fundo.
Abrirá o diário.
Preparará a aula.
E seguirá tentando iluminar caminhos.
Mesmo quando o próprio caminho parecer cada vez mais escuro.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
- Relacionados
- Textos de amizade para honrar quem está sempre do seu lado
- Frases de quem sou eu para status que definem a sua versão
- Poemas que falam quem eu sou
- Mensagens de amizade para valorizar e celebrar quem sempre está ao seu lado
- Poemas Quem Sou Eu
- Frases de Raul Seixas para quem ama rock e poesia
- Frases de Amor Não Correspondido
