Quem Ama Nao Erra

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Eu não estava vagando,
eu estava andando.
Eu não estava perdida, nem inerte;
eu estava pensando.
Estava somente pensando.

Senti o efeito passar por mim.
Não é literal; é fato.
Estou me quebrando aos poucos.
Ossos puídos não param de surgir — é certo. Segundo a minha ciência, não há o que fazer.
Rio aqui, pois há coisas que, lá atrás, jamais imaginei existir. Ainda assim, concluí em meu TCC, na Universidade da Vida, que verdades também são cruéis.
Aprendi que o super-homem também envelhece, também sente cansaço, reflete muito e morre.

A dúvida se torna um perigo. Questiono e reflito:
a gente não dá as costas e ainda assim fica sem entender por que passou e não ficou.
Agora o efeito cessou, e tudo se apresenta assim — com dores, e o sorriso não se abre.
Mesmo assim, à sombra, em soslaio, vejo… e pouco entendo.

Meus olhos

Meus olhos enxergam cores que os seus não veem.
Meus olhos percebem energias que poucos conseguem perceber.
Não há como sustentar uma felicidade inexistente,
nem uma riqueza falsa ou um glamour impertinente,
pois meus olhos veem além das aparências.

Nós
A gente se vê e não se incomoda com a linguagem das palavras, nem com a dos corpos.
Na minha visão, somente a sua voz é o meu foco.

Nossos sinais não precisam de explicação: são feitos pela energia, pela telepatia — como o cheiro de doce sob uma lua vermelha, intensa em seu vermelho de magia constante.

Nesse momento, a felicidade torna-se intrigante, e a gente vê e respira poesia em tudo.
Um salve silencioso, cheio de surpresas é transmitido, como energias gritantes, que gritam sem som.
Então, eu acredito na felicidade —
e Deus me livre sair dessa sintonia.

Mas pensamentos pairam como nuvens de chuva e tempestade:
histórias escondem felicidades e tristezas, assim como a vida esconde aquilo que não se pode ver, amar, nem tocar.

Não mate tudo aquilo que depositei em você.
Não se iluda, pois o inferno existe — é insano, mas real.
Não se engane: feche os olhos, sorria e me siga.

Eu lamento não ter o poder nas mãos para consolar a todos,
nem o poder de abraçar cada um.
Resta-me apenas fechar os olhos e, em minha mente,
fazer minha alma ajoelhar-se
e pedir ao Supremo que olhe por seus filhos.

EU somente
Se eu não sentisse essa rede de emoções — por mais clichês que pareçam —, esses sentimentos que me tomam dia após dia, eu não seria um ser humano; seria apenas um ser existente.

Dúvidas
Às vezes, construímos muros e esquecemos por onde sair — ou talvez não queiramos lembrar.
Nessas horas, chuvas de dúvidas persistem e trazem pensamentos tempestuosos.
São esses pensamentos que oscilam a paz do ser humano.
A cada esquina, ruas se formam, e nós continuamos aqui, vivos, em nuvens de interrogações que cobrem a nossa mente.

Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.

A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.

É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.

vida
Ainda que muitos não encontrem a paz,
eu, ao me virar, ainda me encontro.
Ainda me emociono,
ainda que seja apenas um sopro.
Ainda assim, é vida.

E, sendo vida, talvez devêssemos nos sentar e observar onde está o erro,
pois não existe somatório feito de um número só.

Meu dom!
Deus nos concedeu um dom. Cabe a nós explorá-lo, meu amigo.
Não é insanidade — é mérito.

O sopro
Eu escrevo para mim, não para ti.
Recomponha-se. O sopro da verdade e do amor reacendeu meu coração, e, desde então, eu sigo feliz.

Meu melhor remédio
Às vezes, não é questão de medicação; basta vê-lo.
Ao fechar os meus olhos, ouço a sua voz a me dizer coisas.
Entre o corredor da lembrança e da saudade, sigo ouvindo, entorpecida, a letra daquela melodia — aquela música marcante.
Sinto-me forte, até porque você é o meu melhor remédio.

Entre Órion e a Saudade

Eu o via como um menino,
daqueles que não querem crescer.
Carinhoso, um Peter Pan.

Ele prometeu me mostrar a constelação de Órion,
visível a olho nu — um presente do universo.

Certo dia, disse-me que, quando a saudade chegasse
e a noite estivesse em prantos,
bastaria eu fechar os olhos
para que o manto negro surgisse.

Mas que eu não me preocupasse,
pois logo a claridade apareceria,
com estrelas brilhantes e felizes.

A brisa não escolheu você

É uma pena que a brisa que me confortou não tenha te abraçado.

Mesmo em meio à tempestade que habitava o meu peito, bastava olhar através da cortina para compreender que o tempo seguia — lento, mas fiel à sua normalidade.

O céu permanecia azul.
A vida continuava.
E a brisa passava, suave, como se escolhesse quem envolver em seu abraço.

Talvez não seja a brisa que escolhe, mas a disposição de cada um para senti-la.

Hoje me visto de mim

Eu não me vesti de medo para me proteger, pois acreditei que a vida seria fácil.
Mas, por sorte ou abençoada pelo toque divino, aprendi com o tempo.

Hoje, visto-me de estabilidade, de amor e de felicidade, que já fazem parte de quem eu sou.

Maldade Humana

Neste mundo em que vivemos, o limite da maldade humana parece não ter fim. É como se nem mesmo conhecesse o significado da palavra “limite”.

Eles vivem aqui. Convivem conosco.

Suas ações transformam o nosso mundo em um mundo imundo — escória.

Notícias que sangram. Selfies ao lado de corpos sem vida. Uma necessidade cada vez maior por likes. Há os que sorriem enquanto outros morrem por curtidas. Há os que fazem piadas, os que não se importam.

As atrocidades contra nossas crianças e nossos idosos são gritantes.

Nem os animais escapam da crueldade dos insensíveis.

É a minha opinião — mas o amor faz tão bem.

Que mundo imundo… escória.

No futuro, monstros serão abraçados, a escória exaltada, a beleza plastificada admirada, e o dinheiro lavado ocupará o topo da pirâmide.

Nesse dia, a palavra perderá seu valor — e o cheiro será um só.

Ops… será que já está acontecendo?

É a minha opinião, mas o amor me faz tão bem.

É achismo ou realidade? Será que o mundo já está sendo comandado por um só? Será aquele que todos temem? Ou estaremos todos errados, e tudo não passa de balela? Será que ninguém está percebendo? Ou todos fingem não enxergar, porque acreditam que nada podem fazer? Será apenas uma fase de reconstrução?

Medo!

Entre a Claridade e a Escuridão

Você, com toda a sua graça, não conseguiu subir os degraus do meu olhar para enxugar a tristeza que derretia em mim — de um amor assim dito por ti aos quatro cantos do mundo, e que agora se tornou uma hoste de imensa tristeza.

Sim,
hoje saio da sua vida, até porque a gente não rima mais.

Entre a claridade e a escuridão, existe você — alguém sem memória. Acho que ela se dissipou no ar gélido do seu olhar.

Olhe nos meus olhos.
Se você não reconhece o significado de amar, tampouco reconhecerá o rio que desce as montanhas — intenso, inevitável, verdadeiro.

Sonhei que, a qualquer momento, tudo mudaria.
Mas sei que você não vai chorar.
Você já não sabe mais o que o amor representa.
Você não sabe o que é faltar o ar por um amor contido.

Você me fez morrer várias vezes.
Saiba que a fênix é imortal — mas você não.

Agora vejo você aqui, nu em seus sentimentos, em súplica.
Mas o universo está ao meu lado.

Quanto a você, receba o meu silêncio.
E seja feliz.

Correntes Invisíveis
Quando não há confiança e cumplicidade, o abraço não se fecha, e correntes insistem em prender algo inexistente.

O invisível torna-se um sopro em lágrimas que se dissipa no ar. A união vai se tornando cada vez mais distante, e já não se consegue ser o “eu” transparente, pois correntes ausentes parecem prender os pés, o corpo e o coração. Ainda assim, o ser humano consegue seguir, sem entender como foi capaz de tal proeza.

E nós, aqui de fora, lemos o histórico como coadjuvantes de uma história que tenta se manter de cabeça erguida.

Confiança é tudo.