Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida

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As lágrimas que caíram ontem regaram a força que tenho hoje.

Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.

Se existe uma composição preferida na música clássica? Tenho muitas, de Beethoven, Rachmaninoff, mas a que mais me toca, a que realmente amo é um prelúdio, que foi Inspirado pelo inverno chuvoso de Maiorca e por um estado febril no isolamento de um mosteiro, Frédéric Chopin eternizou a melancolia da chuva constante na nota repetida de seu famoso Prelúdio "Raindrop" (Op. 28, No. 15).

Tenho uma coleção de despedidas que nunca foram ditas. Elas ficam dobradas em gavetas, amassadas, cheias de pó emocional. Quando as revisito, sinto o gosto metálico do adeus e vejo que o maior ato é não mais guardá-las como se fossem provas de culpa.

Tenho um bolso cheio de noites que não cabem no sono. Cada uma delas traz a voz de um passado que insiste em ensinar. Guardo perguntas que não ouso responder em voz alta. O corpo se cansa mas o pensamento não dorme. Há uma leve certeza de que seremos menos estranhos à vida quando aprendermos a perdoar o silêncio.

Tenho medo de festas cheias de risos que
não escuto. Elas me lembram de vozes que falavam por mim. Aprendi a rir em casa, quando ninguém olha. O riso tem um gosto de sobrevivência. E, por isso, o guardo como se fosse documento.

Tenho pavor da apatia. Prefiro a dor que me lembra que estou vivo ao gelo que me protege de sentir qualquer coisa.

Há dias em que tenho a perturbadora sensação de estar me fundindo à própria cadeira do escritório, como se, aos poucos, eu deixasse de ocupar aquele espaço e passasse a pertencer a ele. O ambiente corporativo, com suas luzes artificiais, o zumbido contínuo das máquinas e a liturgia repetitiva das obrigações diárias, por vezes parece deixar de ser apenas um local de trabalho para transformar-se em uma espécie de universo hermético, uma bolha silenciosa onde o tempo perde organicidade e a existência se resume a telas acesas, notificações incessantes e pensamentos confinados em intervalos cada vez menores de lucidez.


Existem momentos em que o corpo permanece estático diante do monitor, mas internamente há um colapso silencioso em andamento. A mente atravessa labirintos de exaustão emocional, pressões invisíveis e reflexões que jamais são verbalizadas. Sustentar produtividade contínua enquanto o espírito lentamente se desgasta exige uma força que raramente é percebida por quem observa de fora. E talvez seja justamente essa invisibilidade que torne tudo mais sufocante: a obrigação quase involuntária de aparentar estabilidade enquanto, por dentro, algo vai se tornando progressivamente mais fatigado, mais distante, mais anestesiado.


Às vezes, o escritório deixa de parecer um ambiente profissional e assume contornos existenciais. As paredes tornam-se fronteiras simbólicas entre o mundo exterior e uma realidade paralela feita de prazos, silêncios protocolares e uma rotina tão reiteradamente mecânica que passa a corroer a percepção dos próprios dias. Há uma estranha melancolia em perceber que grande parte da vida adulta se desenrola sob luzes frias, cercada por teclados, planilhas, relatórios e relógios, enquanto fragmentos inteiros da subjetividade vão sendo silenciosamente arquivados em nome da funcionalidade.


E o mais inquietante é que o verdadeiro esgotamento raramente chega de maneira abrupta. Ele se infiltra de forma gradual, quase imperceptível, dissolvendo pequenas capacidades humanas: o entusiasmo espontâneo, a contemplação despretensiosa, a leveza diante da existência. Até que, em determinados dias, tudo o que resta é a sensação de estar enclausurado dentro da própria rotina, como se aquele escritório tivesse se tornado não apenas um lugar de trabalho, mas uma extensão psicológica da própria solidão.


- Tiago Scheimann

Não me aproximo nem das pessoas e nem dos lugares que não tenho nada para aprender ou acrescentar. Todos os locais são livres mas nem todos nos convém e assim também são com as relações interpessoais.

Ainda não tenho a certeza ser sou louco ou se o mundo inteiro e retardado.

⁠Acho que já nasci meio Cético, mas tenho certeza de que o Immanuel Kant poliu meu Ceticismo Desapaixonado.


Não porque tenha me ensinado a duvidar de tudo, mas porque me ensinou a desconfiar das certezas fáceis e, sobretudo, das fabricadas.


Há uma diferença enorme entre não acreditar e aprender a perguntar.


O ceticismo apaixonado, imaturo, fecha janelas; o pensamento crítico mete o pé na porta.


O mundo se move com as respostas, mas subsiste com as perguntas.


Kant me fez perceber que a razão, tão orgulhosa de sua capacidade de compreender o mundo, também precisa reconhecer os seus próprios limites.


Há coisas que podemos conhecer, coisas que podemos apenas pensar que conhecemos e outras diante das quais só nos resta o silêncio.


Talvez a verdadeira Maturidade Intelectual comece justamente quando deixamos de confundir aquilo que pensamos com aquilo que sabemos.


Com o tempo, descobri que duvidar não é necessariamente afastar-se da fé.


Às vezes, a dúvida é o caminho mais curto pelo qual a fé deixa de ser herança, hábito ou medo e passa a ser uma escolha consciente.


Uma fé que nunca enfrentou perguntas difíceis pode ser apenas uma convicção protegida do vento.


Já aquela que atravessou noites de dúvidas talvez tenha aprendido a permanecer de pé sem precisar fingir que possui todas as respostas.


Talvez por isso eu desconfie tanto dos que têm explicações definitivas para quase tudo.


Há uma espécie de Arrogância Intelectual em quem transforma o mistério em certeza e uma espécie de Sabedoria Portentosa em quem consegue dizer: “não sei”.


Afinal, pensar não é acumular respostas; é aprender a formular perguntas melhores.


E talvez o meu Ceticismo Desapaixonado tenha começado como uma resistência a acreditar em qualquer coisa, mas, depois de Kant, tornou-se algo mais humilde: a disposição de não acreditar cegamente nem naquilo que eu gostaria muito que fosse verdade.


No fim, talvez seja essa a grande lição: não precisamos abandonar a fé para respeitar a razão, nem abandonar a razão para admitir o mistério.


Podemos caminhar entre as duas, conscientes de que há verdades que a mente alcança, verdades que o coração intui e mistérios diante dos quais ambos precisam aprender a se calar.


Porque, às vezes, duvidar não é perder a fé.


É apenas impedir que a nossa certeza se atreva a tentar se tornar maior do que a verdade.

Sou autora. Não tenho musos. Tenho alvos.

*Quando a Noite Dura Demais*

Não tenho mais sonhos e nem planos,
Disse o peito cansado.
Tenho só a triste realidade
Que me consome dia a dia.

Mas a terra também parece morta no inverno,
E ainda assim guarda semente.
E o poeta, mesmo sem verso,
Ainda guarda gente.

Porque esperança não grita.
Ela insiste.
É o fio que sobra quando tudo arrebenta,
É o “ainda” depois do “nunca mais”.

Um dia, sem aviso,
A realidade cansa de consumir.
E quem foi consumido,
Aprende a florescer no escombro.

Então guarda isso aqui:
Sem sonhos hoje, tudo bem.
Sem planos hoje, tudo bem.
Mas sem você, o poema acaba.
E o mundo ainda precisa do teu próximo verso.

Você ainda está aqui. Isso já é esperança começando
(Saul Beleza)

Não tenho mais aquela eloquência ao teu ouvido,
não nos abraçamos mais com carinho,
não nos beijamos mais com desejo.
Nossa conchinha se separou,
ficou um espaço frio no meio da cama,
onde antes cabia o mundo.
Nossas gargalhadas não têm mais graça,
viraram riso sem vontade,
só pra disfarçar o silêncio.
Nosso banho é cada vez mais curto,
antes era demora,
agora é pressa de sair.
E o nosso amor...
esse nosso amor?
onde foi que a gente se perdeu
dentro da própria casa?
A gente ainda se ama,
ou só tem medo de admitir.

*- Saul Beleza*

Tenho feito muita coisa.

Ando pra lá, ando pra cá,
sem ao menos titubear.
Sinto-me acelerado e ansioso,
como um carro, corro.

Será que vou parar?

"Confesso (e não nego)! Tenho cometido 'heresias' graves (mas nem tanto) contra a língua em que fui alfabetizado. Esses casos: não acentuo mais paroxítonas terminadas em ditongos crescentes ('distancia', por exemplo) e, nos meus gerundios, omito deliberadamente a letra 'd'. 'Subino', por exemplo, é mais bonito do que 'Subindo', mesmo 'estano' fora da Regra, Hum!"


TextoMeu 1212
📖

"Nesse Ano que se inicia tenho planos de continuar escrevendo sobre o que sei, o que vi e o que vivi. Sem especular, por exemplo, sobre quem é, o que faz e o que deseja Deus. Não entro nessa. Quem sou eu? Hum!"


TextoMeu 1258
🎇⛪🦜

"Mais vale uma Lagosta Grelhada do que duzentos jilós flambados no Rum. Tenho dito isso por onde como. É facto!"


TextoMeu 1266
🦞

"No próximo Ano Novo, pretendo manter todas as Noivas que tenho hoje e quantas mais não resistirem a Mim. Que venham! Sempre disse e continuo 'dizeno' e 'garantino' e eu não minto!"


TextoMeu 1267
👰

"Assim que o Ano Novo chegar, começará a contagem regressiva para o Carnaval. É o que tenho visto, desde que fui 'lançado' neste querido país!"


Meu Texto No.1186 (Ano 2022)
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