Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida
San Telmo
Tenho saudade de San Telmo
não como lembrança bonita,
mas como falta física.
Daquelas que apertam o peito sem pedir licença.
Saudade das ruas gastas,
do chão que já ouviu passos demais
e ainda assim sustenta quem passa.
Ali, o tempo não corre. Ele observa.
Sinto falta do cheiro antigo das casas,
do tango escapando pelas esquinas
como quem não quer ser esquecido.
Em San Telmo, até o silêncio tem memória.
Ali eu era parte do cenário,
não visita.
O bairro me reconhecia
antes mesmo de eu dizer meu nome.
Hoje carrego San Telmo dentro,
feito ferida que não infecciona,
mas também não fecha.
É casa que virou ausência.
Não dói por ser passado.
Dói porque ainda é meu.
Obrigado Deus, por me refazer, por me auxiliar nestes momentos difíceis que tenho enfrentado, obrigado por me levantar da escuridão do vale dos mortos.
Gratidão senhor por não desistir de mim!
Toda gloria a ti Jesus
“Tenho dentro de mim uma biblioteca de pessoas que o tempo levou, mas que a memória recusou abandonar.”
— Juliana Hoffmann Liska
Não tenho medo das perguntas sem resposta. Tenho medo das respostas que nos impedem de continuar perguntando.”
— Juliana Hoffmann Liska
autobahn.
Não tenho GPS, mas, de tanto memorizar filmes, me parece que estou na Autobahn. A música alta quase não deixa escutar o ronco do carro em que estou pilotando. Acho que estou ficando maluco, porque fechei os olhos, abaixei o volume e continuo dirigindo esse carro que, por algum motivo, deve ser meu. Sem me guiar pela visão, apenas pelo barulho reconhecido do motor, já devo estar batendo uns cento e noventa por hora.
Como eu vim parar aqui?
Nem precisei sair da minha cidade. Talvez tenha saído apenas da minha sanidade.
Quero sentir que o perigo que estou correndo de morrer vai queimar mais nas minhas veias com a junção do que está tocando ao fundo, porque talvez seja onde eu consiga chegar mais perto daquela sensação. Quero me afogar nesse sentido.
O que fizeram comigo?
Você é alguma espécie de droga?
Porque eu não consigo parar.
Talvez seja isso que uma droga faça. Não necessariamente aquilo que entra no corpo, mas aquilo que entra na cabeça e começa a convencer a gente de que, por alguns segundos, viver no limite é melhor do que viver normalmente.
A pista continua.
Ou talvez seja a minha cabeça que continue inventando uma pista.
Não vejo placas. Não vejo outros carros. Não vejo nada além daquele pedaço de estrada que minha imaginação decidiu construir para mim. E, ainda assim, tudo parece tão real que consigo sentir o volante vibrando nas minhas mãos.
Talvez eu esteja tentando fugir.
Engraçado.
Passei tanto tempo querendo ir embora daqui que agora nem sei mais se estou dirigindo para algum lugar ou apenas tentando chegar longe de mim.
A cidade ficou para trás.
As pessoas também.
Os planos, as promessas, os nomes que um dia significaram alguma coisa. Tudo parece pequeno quando visto pelo retrovisor, até desaparecer completamente.
A música muda.
Por alguns segundos, eu não reconheço a próxima faixa.
E isso me assusta mais do que a velocidade.
Porque eu sempre reconheci as músicas.
Sempre soube qual vinha depois. Sempre soube qual música ouvir quando alguma coisa doía, como um médico que receita exatamente o remédio para onde você precisa resolver a dor, qual colocar quando precisava lembrar de alguém, qual deixar tocar quando queria fingir que estava tudo bem.
Mas agora não reconheço.
Talvez eu esteja finalmente chegando em algum lugar que nunca conheci.
Acelero.
Não porque quero morrer.
Isso seria fácil demais de explicar.
Acelero porque quero sentir alguma coisa que não seja essa espécie de vazio educado que me acompanha todos os dias. Quero que o coração bata por alguma razão que não seja ansiedade. Quero que minhas mãos tremam porque estou vivo, não porque estou tentando entender por que ainda me importo com certas coisas.
Quero um motivo físico para sentir aquilo que já não sei explicar por dentro.
E então percebo que talvez eu tenha confundido intensidade com vida.
Talvez tenha passado tanto tempo procurando alguma coisa que me fizesse sentir que comecei a aceitar qualquer coisa que doesse o suficiente.
É por isso que você parece uma droga.
Porque eu sei que não deveria precisar de você.
E mesmo assim, quando você aparece, tudo fica mais alto.
As músicas.
As lembranças.
As vontades.
Até o silêncio.
Você não precisa fazer nada. Basta existir em algum canto da minha cabeça para que eu volte a ser aquele idiota que acredita que talvez dessa vez seja diferente.
Talvez seja por isso que eu estou nessa estrada.
Não estou fugindo da cidade.
Estou fugindo da possibilidade de que a minha vida tenha se acostumado demais com a ausência de certas coisas.
E talvez eu tenha vindo parar aqui porque precisava de um lugar onde ninguém pudesse me perguntar para onde estou indo.
Porque eu não sei.
Não sei onde termina essa estrada.
Não sei quem colocou essa música.
Não sei por que o velocímetro continua subindo.
Não sei por que ainda estou segurando o volante.
Só sei que, pela primeira vez em muito tempo, existe alguma coisa dentro de mim gritando.
E eu acho que estava com saudade de ouvir minha própria voz.
Então diminuo.
Não paro.
Apenas diminuo.
O suficiente para ouvir o motor.
Depois o vento.
Depois minha respiração.
E, por último, aquilo que eu vinha tentando calar desde o começo.
Meu próprio pensamento.
Talvez eu não precise morrer para descobrir que estou vivo.
Talvez eu só precise parar de correr como se a vida estivesse sempre alguns quilômetros à minha frente.
Olho para a estrada.
Dessa vez, com os olhos abertos.
E ela continua.
Longa, escura, absurda.
Como quase tudo que ainda não sei resolver.
Mas, pela primeira vez, eu não tenho tanta pressa de chegar.
Porque talvez o destino nunca tenha sido a parte mais importante,
E sim…
“Questiono tudo, pois é a única maneira que tenho de pensar naquilo que outros pensaram e querem me fazer acreditar.”
Não tenho vergonha das cicatrizes que não se veem na pele. Essas marcas quietas, gravadas na alma, não me envergonham, elas gritam a verdade de quem eu sou. As feridas do corpo cicatrizam com tempo e pomada, mas as da alma? Essas sangram em silêncio, teimam em doer nas noites frias, mas é delas que eu me orgulho. Porque cada racha no peito, cada sombra que o medo deixou, prova o quanto eu sou maior. Maior que as quedas que me jogaram no chão, maior que as palavras que tentaram me apagar, maior que os vendavais que arrancaram pedaços de mim. Elas não me definem pela dor, mas pela dança que fiz depois: levantei, costurei o que restou com fios de coragem, e floresci onde antes só havia terra seca. Essas cicatrizes invisíveis são minhas medalhas. Mostram as batalhas que venci sozinho, os abismos que cruzei sem mapa. Quem me olhou de fora viu fraqueza? Enganou-se. Elas revelam a força bruta de quem sobreviveu e cresceu. Sou o carvalho que o raio fez uma fenda, mas não derrubou; a onda que o rochedo partiu, mas seguiu correndo para o mar.
Depois do jogo de ontem, tenho essa certeza: o único hexa esse ano será do PT! Lula rumo ao tetra! PT rumo ao hexa!
Que vergonha! Tenho 49 anos e nunca vi uma seleção pior! Fiasco total! Mas, nem com o Pelé! Falta coração e fé!
Às vezes tenho a sensação que as coisas que escrevo tem gosto de dipirona para alguns e sorvete de baunilha para outros.
Não sei se sou resistente ou mais teimosa que minhas dores emocionais. Com a alma dilacerada tenho que suportar as suas maldades!
Não tenho tempo a perder julgando ou condenando as pessoas. Isso é papel da justiça e de Deus. Estou aqui para somar e não dividir!
Entre a menina e a mulher
Tenho andado sozinha.
Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.
Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.
Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.
E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.
Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.
E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.
A lógica do sentir
Sinto muito.
Tenho essa mania de sentir demais.
Mas amar é isso, né?
Sentir mais do que se pode entender.
Não é defeito sentir além da conta.
Às vezes dói, às vezes cansa,
mas é isso que faz o amor ser vivo
não morno.
Quem ama não entende tudo:
sente primeiro,
entende depois…
quando entende.
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