Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida

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Reciprocidade.

“Amiga, me ajuda.”
Você me ajudou quando eu precisei?

“Amiga, me coloca no evento.”
Você esteve presente quando sua presença era importante?

“Amiga, posta minha empresa.”
Você também fortalece e engaja o meu trabalho?

Reciprocidade não é interesse. É equilíbrio.

Quem lembra de você apenas quando precisa, mas nunca está presente quando você precisa, não pode cobrar prioridade.

Se a sua resposta para essas perguntas é “não”, então você já sabe qual é a minha resposta.

Relaxa. Não é pessoal. Eu só mantenho salvos os contatos que realmente agregam.

Gira a Roda

O que eu quero agora? Que não me tires a calcinha, que me venha com vontade, que me tenha como se nunca tivesse tocado minha pele ou sentido meu cheiro. Quanto mais você me quer, mais eu quero você; e assim giramos a roda do desejo, eu e você.

Quando eu solto as rédeas, Deus assume o caminho.

Eu escolho o valor do que temos, e não a ilusão do que ainda não veio.

perdoe-me por tudo o que fiz,
eu já me perdoei pelo o que eu não fiz...

SOBRE ESTA ANSIEDADE

Houve um tempo que eu era triste só e infeliz,
Houve um tempo
Que eu era solitário demais pra ser infeliz
Houve um tempo
Que eu era triste demais pra ser solitário.
Houve um tempo
Que eu não tinha mais tempo pra ser só
Hoje não tenho mais tempo pra ser eu...

TORMENTA
Se eu soubesse chover...
Não me molharia tanto.
Se eu soubesse sumir...
Seria só um crepúsculo,
Se eu soubesse morrer...
Não doeria tanto.
Mas porque tanto barulho,
Tanta comemoração,
Se todo dia é esta tormenta...
E me derramo todo,
Se sumo e desapareço
Nesse desalento
Se morro a cada momento...

Há um purgatório em mim,
mil poetas se debatem, gritam, choram
e eu escrevo...
há uma caverna com mil morcegos
e eu me penitencio...

Há um purgatório em mim
Mil poetas gritam,
Choram e se debatem
E eu escrevo...

Há uma caverna
Com milhares de morcegos
E eu me penitencio...

Mil poetas habitam em mim
Muitos deles vem das trevas
Podem ver não tenho estilo
Sou uma espécie de purgatório
Para os seus dias de juízo...

Eu posso te dizer, que a dor de ser assim quem sou, não chega a ser assim um purgatório...

Se eu soubesse chover
não me molharia tanto...

EU, O LOUCO E O ANJO

O louco cata o lixo na tarde
Sem saber porque a tarde se esvai,
O anjo cata o louco no lixo
Sem se importar com o tempo
Eu assobio a sinfonia da eternidade
Porque já fui louco,
Já fui anjo
E agora penso que sou Deus...

Eu sou assim, um alguém a olhar o mar, mais querer contemplar que tentar entender, eu sou assim, um alguém a olhar o mar, mais solitude que solidão; a verdade é que eu tento entender o que eu sou ou não sou, o que penso que sei, e a verdade do que sou ou do que sei ou do que penso, as respostas pra tudo isso são de nenhuma significância, nenhuma relevância, todas as conjecturas compõem esta existência, esta vida. Eu olho o mar a engolir todas as minhas ansiedades; e a cuspir a minha arrogância, zombando dos meus marasmos com toda essa imensidão profícua e infinita generosidade divina, que acolhe a minúscula jangada e sopra sua vela com a suavidade de sua brisa propondo retorno e reencontros... os pescadores catam seus apetrechos com a satisfação de amplos sorrisos por pesca satisfatória; são nobres dentro de suas roupas rotas, consumidas pelo sol e pelo sal. Retorno à minha introspecção sob a poeira da estrada e as cores fubentas de um final de tarde gris; ao longe a cerca de marmelo que delimita o meu mundo, uma meia-água que guarda a minha verdade e "mofo" o jumento, a zurrar a monotonia e "quebra-queixo" a alarmar suas infinitas suspeitas fiel e leal com seu latir e ganir. Zuíla é silenciosa, mas eu sei que tem todas as respostas para as minhas introspecções, abraços para as minhas ansiedades, tem o mar nos olhos com a mesma imensidão do atlântico, que acolhe a jangada e gratifica os pescadores; e tem uma barriga proeminente que cresce a cada dia, onde germina a promessa de novas introspecções, outras conjecturas oceanos e imensidões para este meu espirito de pescador.

Se algum dia eu sonhar com algo que não for poesia....
Se algum dia os desencantos não me encantarem...

⁠Não é fácil lavar louça quando eu poderia estar lendo um soneto da Cecília, um poema do Bukowski, qualquer coisa do Drummond... se bem que o tilintar de colheres, facas e garfos é inspirador; a espuma do detergente, o barulho dos pratos, a água caindo... ah, tudo é poesia e isso me transporta pra um horizonte sem limites; eu sou um anjo e condeno os pecados do mundo, mas eu também tenho os meus pecados, esta paixão... esta paixão pela vida; Louis Armstrong sabe de tudo: "what a wonderful world!" que mundo maravilhoso; garfos, facas e colheres tilintam... pratos e panelas são lavados lembrando-me que pessoas se alimentaram, a água cai como cristais lembrando rios e lagos, a poesia é viva e dinâmica; e eu reflito no meu horizonte: os pecadores passam, a paixão nos rejuvenesce e a poesia... a poesia é o ar que você respira, a água que você bebe, é o que te alimenta. Ah, quem vive sem poesia?

⁠Não quero ver teus olhos tristes
sob o céu tão estrelado,
o lado que eu gosto do teu lado,
é o lado de dentro quando
eu entro calmo como se o teu coração
fosse minha morada,
beijo teu útero como se fosse meu último desejo,
mas meu último desejo é sempre o penúltimo,
e eu quero sempre esse beijo...
sou triste porque esse é o álibi pra tua presença,
amar-te não é crime,
mas amas este meu lado marte,
esse meu lado triste, vazio, imenso
que comporta a tua presença
com todos os teus pecados

Ele não me salvou apenas para a eternidade. Ele me salvou de quem eu era.

Desde que me conheço, os olhos me chamam antes de tudo. Eu os desenho, os observo — e por vezes juro que os escuto, porque falam mais que a boca e carregam histórias que um cérebro inteiro talvez não caiba.
Fascinam-me como galáxias: cada olhar é um mundo distinto, às vezes repleto, às vezes vazio.
Acho que a maior dádiva é poder observar. Observar me dá vontade de viver: detectar minúcias, e desvendar outros olhares, torcendo para que alguém queira desvendar os meus também.

É como se eu estivesse num devaneio taciturno, sem fim,
regredindo — pertencendo menos a este inóspito mundo.