Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida
Ainda é Dia das Mães
Minha mãe partiu muito nova…
mas nunca deixou de estar perto.
Ela mora nas entrelinhas do vento,
no cheiro do bolo que não acertei,
no jeito que ajeito os cabelos,
nas palavras que uso sem notar.
Ela está no colo que me ensinou a dar,
na coragem que aparece quando tudo parece cair,
no silêncio que acolhe,
no riso que brota mesmo com saudade.
Mãe não vai embora, ela muda de lugar.
Sai do mundo visível e passa a morar
no abraço que deixamos de dar
mas nunca de sentir.
Neste dia das mães, eu celebro
a mulher que me deu a vida
e continua a viver…
em cada gesto meu
que ainda tem um pouco dela.
O que quero dizer com meus poemas?
O que interpreto?
Ora, me digas tu.
Minha liberdade poética,
És sua liberdade de pensar.
Talvez
Repreensão demasiada
não traz disciplina, e sim o ódio.
Meu ego grita.
Minha humildade cala.
Minha educação consente.
Minha consciência guarda.
O tempo passa,
e minhas atitudes
se tornaram implausíveis.
Aonde errei?
Talvez, e só talvez
O erro não seja meu.
Quando você disse seu último adeus
Logo o sol parou de brilhar
Você pegou minha alma e a desprezou
Cansado de seus falsos alarmes
O meu mundo parou de girar
Você não é mais a mesma
Eu também não sou
Porque você me deixou?
E disse seu ultimo adeus
Você pode dizer o que quiser
Mas não é tão fácil assim
Quando tudo chega ao fim
Vemos o que realmente era
E tudo é muito frio
O sol parou de esquentar
E eu pensava
Que eu nunca ia te deixar
Te deixar escapar
Mas não somos mais os mesmos
Eu lembro de você e eu
Mas você tomou seu caminho
E meu caminho não é mais o seu
E então, você disse seu ultimo adeus
Plantei uma flor que não pode florescer
Construí na minha mente
Terra fértil pra plantio
Impossível suportar a tempestade dentro do meu peito
A água e os ventos
Tudo destroem
Já está difícil segurar as raízes
Absorver o que é bom
Eu estou com medo
No jardim já tudo se desfez
O dia escurece a cada segundo
E com mais força
Tudo se repete
Vamos conseguir superar?
Essa catástrofe é natural
O sol tímido logo vai aparecer
Queimando as memórias remanescentes
E tudo
Naufrágio em Mim
Minha cama vira barco
quando a noite se estende
como um oceano sem margens,
e minhas lágrimas desenham
rotas incertas na pele
de um horizonte que nunca chega.
No grande vazio
onde o silêncio ecoa,
não sei para onde navegar.
Sou marinheiro de olhos fechados,
tateando as ondas com mãos vazias,
e a bússola que carrego
não aponta o caminho
para lugar algum.
Sinto fome,
uma ânsia que não cabe
no peito salgado de mágoas.
Dê-me de comer,
mas que seja algo
além desse vazio repetido,
além desse sal que corta a boca
e engasga meu grito mudo.
E quando tudo se perde
no mar que me afoga,
ele é meu único refúgio,
porto improvisado
nas águas turvas do medo.
Sua voz é como farol
que rompe a escuridão,
e eu, à deriva,
me deixo ser salvo
pela calma que ele traz,
pela promessa de terra firme
onde meu corpo cansado
possa, enfim, descansar.
Então, quando o calor de sua mão
toca minha pele fria,
a tempestade se dissolve
como névoa ao amanhecer.
A luz que ele lança sobre mim
é cais onde meus olhos secos
desaguam esperanças.
E no balanço desse barco incerto,
encontro o ritmo da paz
que tanto busquei
nos ventos que me arrastaram.
Naquele porto improvisado,
eu sou embarcação que cansa,
ancorando meus medos no peito
de quem não teme minhas águas.
Ele, farol e cais,
é o norte que escolhi seguir,
a promessa de que, mesmo à deriva,
há um destino além da tormenta,
um abraço onde o barco repousa
e meu naufrágio se desfaz.
Se minha Mãe nada mais tivesse feito por mim, já seria credora do meu respeito e do meu amor, apenas por ter me dado a vida.
MÃE. Minha primeira morada foi dentro de você! Me alimentei de você, cresci em você. Tudo em mim veio de você. Você é meu tudo e tudo te devo. Deus abençoe todas as Mães.
Quando minha Mãe foi embora, restou somente lembrança. Se me tirarem a lembrança, não sobrará nada de mim!
Na mesma proporção que amplio os meus conhecimentos, cresce a minha responsabilidade e o meu compromisso para com meu próximo, com a natureza e com Deus.
Nasci, cresci e me mantive no ideal católico enquanto minha sede de saber era saciada com as respostas recebidas, mas, conforme a sabedoria popular, o que não se encontra em casa, vai ser buscar em outro lugar.
Valdecir! nominho feio esse, não sei se foi meu pai ou minha mãe que me deu, não importa, o que me importa é que eles me compensaram com muitos bons exemplos, muito afeto e muito amor.
Peço licença para minha ignorância para saciar minha sede de conhecimento na fonte de sua sabedoria.
Minha passagem aqui na Terra é muito rápida, só vim para tentar consertar um pouco do que estraguei. Vou insistir até conseguir, voltarei se me for permitido.
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