Que Saudade dos meus 15 anos
Quero sair, quero aproveitar a vida que ainda posso me deleitar; mas não tenho forças.
Mesmo o meu corpo rogue por atividades a minha mente se mantêm estancável e imóvel.
O tédio me corrói, a solidão é visível. Mesmo a solitude sendo nobre e prezo por ela; mas estar sozinho é gritante, da mesma forma que é gritante como eu sou carente e necessito de estar com outras pessoas que me amem de verdade.
Sinto falta de conversas inteligentes, sinto falta de troca de cultura. Isso é necessário para o meu crescimento, principalmente para quem não cultua o físico ou não o convêm.
Eu procuro sempre pequenas coisas que façam sentido para continuar pelo menos aquele dia. Pelo menos até o começo da noite. Mas quando acho que encontrei pequenos sentidos, eu paro e não vejo mas nenhum sentido nisso. E novamente tudo fica de lado. E tudo fica triste. E volto ao meu sofá, vendo TV e fingindo rir de piadas rotineiras e infames.
Hoje aprecio mais as piadas de humor negro. Me sinto bem ao ouvi-las. Aprendi que pessoas que riem, sinceramente, de sua desgraça, são pessoas altamente inteligentes, pois reconhecem como Shakespeare que a vida é um sopro e nada significa.
Quando estou em algum lugar, sempre estou feliz por estar lá. Mas o caminho é muito desgastante, e normalmente ninguém quer passar isso com voce. Pois voce não vale a pena.
Estou cansado de estar cansado. Estou cansado de promessas de andar lado a lado quando estão na sua frente, mas basta estar longe e tudo vira meras falácias. Palavras sem sentido e esquecível para quem declama; mas para mim que acredito, dói muito se sentir apenas uma pessoa qualquer que apenas cruzou o caminho de alguém por afinidades parentais ou nem isso.
Sempre é assim. As coisas que antes me alegravam, nem me levantam da cama mais.
Eu grito e mostro como posso ser feliz, mas a pessoa ouve, olha no meus olhos e escuta uma coisa totalmente diferente.
Não sei até quando vou gritar e ninguém vai ouvir. Não sei até quando vou ter voz. E quando estiver mudo, ainda valerá a pena?
"E eu poderia passar horas falando sobre cada detalhe seu que eu amo. Poderia passar dias só te beijando e abraçando. Ou semanas te agarrando. Poderia passar meses com você. Só com você. Te mimando, te agradando, te querendo. Mas a verdade é que eu poderia passar vidas, só te amando."
Às vezes é preciso um banho de realidade para que possamos acordar e resgatar nossa própria essência, abalada pela imposição da vivência que outro quer trazer a nossa vida. Passamos a entender que essa guinada pessoal não importa que sejamos mais ou menos para os outros, mas que sejamos autênticos. Em outras palavras, sincero consigo mesmo.
Tudo nessa terra tem prazo de validade. Acostume-se com isso e valorize seu conteúdo, porque a embalagem será consumida e sua essência precisa ser preservada.
A verdade não cabe nos livros – está nos livros, no papel que foi celulose, na celulose que foi árvore, na árvore que foi semente, na semente que foi amor.
Se escrevesse um poema neste instante, escreveria uma árvore. Deixaria meu sangue circular em sua seiva, e os pássaros fazerem ninho com palavras de paina.
Não somos um só. Somos múltiplos em nossas vidas e em nossas mortes. Encruzilhadas entre o passado e o futuro, sentimos em torno de nós os rostos vazios daqueles que se foram, daqueles que virão.
Melhor terminar no começo o que pode fazer uma pessoa sofrer. Dando uma resposta que um dia não deram a você!
Na educação há muito a se fazer, nós educadores temos obrigação de trabalhar com nossos alunos a realidade e o novo, temos por obrigação e amor formar seres pensantes, pesquisadores que não tenham medo de enfrentar a vida e conquistar seu espaço.
As impressões digitais
Eu nasci e cresci debaixo das estrelas do Cruzeiro do Sul.
Aonde quer que eu vá, elas me perseguem. Debaixo do Cruzeiro do Sul, cruz de fulgores, vou vivendo as estações de meu destino.
Não tenho nenhum deus. Se tivesse, pediria a ele que não me deixe chegar à morte: ainda não. Falta muito o que andar. Existem luas para as quais ainda não lati e sóis nos quais ainda não me incendiei. Ainda não mergulhei em todos os mares deste mundo, que dizem que são sete, nem em todos os rios do Paraíso, que dizem que são quatro.
Em Montevidéu, existe um menino que explica:
— Eu não quero morrer nunca, porque quero brincar sempre.
p. 267
Quando eu já não estiver, o vento estará, continuará estando.
(O ar e o vento, p. 269)
A ventania
Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contra-vento, e sou o vento que bate em minha cara.
p. 270
É! Os corações serão tocados, mas jamais unidos. O amor continua a existir enquanto houver amor próprio. Um recado: talvez o final seja somente continuar em frente, sem ter o que se esperava, mas tendo o que já está dentro de você, uma nova poesia.
É como se eu procurasse um meio de ver uma solução, mas o problema está dentro de mim e é tão visível que me cegar parece o único remédio. Mas, minha sorte muda, quando eu mudo e me valorizo. Eu não preciso correr atrás de ninguém, até porque se eu preciso encontrar alguém, esse alguém sou eu!
