Quanto Vale um Abraco
O Elefante Branco e o Direito de Dizer Não
Participei de um debate sobre O Conto da Aia. Assistimos ao terceiro episódio da primeira temporada e, depois, conversamos sobre as relações entre a obra e a nossa realidade, especialmente os desafios que atravessam a vida das mulheres, a maternidade e as expectativas que a sociedade insiste em depositar sobre nós.
Havia mulheres de diferentes idades. As cadeiras foram organizadas em círculo. Por uma dessas coincidências que às vezes parecem destino, acabei ficando bem no meio da roda, de frente para a convidada que conduzia o encontro.
Enquanto as pessoas falavam, percebi que a conversa estava concentrada nas flores. E pensei que precisava mudar aquilo. Não queria participar de mais uma conversa em que todos contornassem os assuntos difíceis para preservar a delicadeza do ambiente. Dessa vez, queria falar sem florear, sem procurar palavras mais confortáveis e, principalmente, sem me calar.
Enquanto aguardava minha vez, organizei mentalmente tudo o que gostaria de dizer.
E o meu momento chegou:
Para mim, aquele episódio, assim como o que vi da primeira temporada, apresentava uma espécie de junção das experiências femininas, embora em uma perspectiva exagerada, com elementos de ficção. Afinal, muitas mulheres nascem e crescem condicionadas, quase sempre sem perceber, a viver para servir. Seja ao marido, aos filhos, à família ou às expectativas de uma sociedade que parece nunca estar satisfeita.
É a mulher que precisa ser mãe, mas também manter o corpo perfeito. Que precisa amamentar, trabalhar fora, cuidar da casa, dos filhos, do marido e de tudo o que parece estar sob sua responsabilidade. E, quando não consegue corresponder a tantas exigências, ainda precisa administrar a culpa de não ter conseguido.
Falei também que o silêncio não significa ausência de sofrimento. Não é porque não falamos que essas coisas não acontecem. E talvez parte desse sofrimento encontre expressão no adoecimento, nas síndromes e em tantas outras manifestações que merecem nossa atenção.
Quando chegou o momento de falar sobre um sinal de liberdade que já havia conquistado, mudei de ideia e falei do que eu gostaria de conquistar. Escolhi algo aparentemente simples, quase óbvio, mas que, para mim, ainda representa uma luta: o direito de dizer NÃO.
Não quero.
Não vou me submeter.
Não gosto disso.
Não quero mais.
Não. Simplesmente, não.
Não é não.
Mas, quando comecei a falar sobre isso, outras histórias vieram à minha cabeça. Lembrei de adolescentes pressionadas a ficar com os namorados porque o primeiro "não" não foi suficiente. Lembrei de mulheres que tiveram filhos em momentos nos quais não desejavam engravidar. Vieram relatos, vivências, lembranças e tantas outras situações que pareciam passar simultaneamente diante dos meus olhos.
Um filme se formava dentro de mim.
E então vieram as lágrimas.
Não era exatamente vergonha de falar em público. Era aquela emoção que me acompanha quando alguma coisa me atravessa. Às vezes, as dores nem são minhas, mas chegam de tal maneira que não consigo simplesmente observá-las de longe.
Tentei me controlar, fiquei incomodada comigo mesma, senti vergonha e até raiva por não conseguir terminar o que havia planejado. Mas, enquanto tentavas recuperar a compostura, percebi que outras mulheres também limpavam os olhos. Até a convidada que conduzia o encontro, com a voz um pouco embargada, tentava me acolher, concordando e sorrindo.
As pessoas continuaram falando. Algumas também se emocionaram. E comecei a observar uma coisa: muitas procuravam cuidadosamente as palavras, como se tentassem preservar não apenas a própria integridade, mas também a si mesmas.
Era como se dissessem: vamos deixar a minha casa de lado e falar da rua, da casa do vizinho. Vamos discutir a ficção, a realidade dos outros, qualquer coisa, menos aquilo que está bem diante de nós.
O elefante branco no meio da sala.
E talvez seja mais fácil falar sobre a opressão quando ela está representada em uma série, em um livro ou na história de outra mulher. Difícil é reconhecer suas manifestações dentro da nossa própria realidade.
A conversa terminou, mas algo continuou comigo.
A mulher que conduzia o debate encerrou retomando justamente as minhas palavras. Disse que se identificava com tudo aquilo e reforçou a importância desse limite para o mundo e, principalmente, para as mulheres. Repetiu a ideia que eu havia tentado transmitir: não é não.
Já tinha saído quando me lembrei de outra coisa.
Sempre fui assim.
Às vezes, não é a vergonha de falar em público que me faz chorar. É a emoção que toma conta de mim. Lembrei de uma ocasião na faculdade em que compartilhei essa dificuldade com meu grupo. Um colega respondeu que era justamente aquilo de que todos gostavam, que queriam sempre que eu falasse, porque conseguiam sentir a minha emoção.
Na época, talvez eu não tenha compreendido completamente o que ele quis dizer. Porém, aquela lembrança voltou com outro significado.
Passei tanto tempo tentando controlar essa característica, como se precisasse corrigir alguma coisa em mim, que me esqueci de considerar a possibilidade de ela também ser uma qualidade.
Talvez eu não precise aprender a falar sem me emocionar. Talvez precise apenas parar de acreditar que as lágrimas diminuem a força das minhas palavras.
Afinal, não é porque a voz embarga que a mensagem perde o sentido. E não é porque os olhos se enchem de lágrimas que alguém deixou de ser capaz de sustentar aquilo em que acredita.
Saí daquele encontro pensando nas mulheres, nas meninas, nas tantas histórias que não chegam às rodas de conversa e nos muitos "nãos" que ainda precisam ser respeitados.
Mas também saí pensando em mim.
Se quero conquistar o direito de dizer não ao que me desagrada, preciso aprender a dizer sim àquilo que sou. À minha intensidade, à minha sensibilidade, à minha maneira de sentir o mundo e, até mesmo, às lágrimas que aparecem quando as palavras encontram lugares que ainda doem.
Porque a liberdade também começa quando deixamos de nos violentar para caber nas expectativas dos outros.
E, quem sabe, um dia, não precisemos mais fazer tanto esforço para dizer não, nem sentir vergonha por chorar enquanto tentamos explicar por quê.
Não é não. E sentir também não é fraqueza.
Quando cientes
de nossa missão nesse mundo, deixamos de ser
um símbolode resistência
e nos tornamosum
modelo desuperação!
Entre concordar ou discordar; crer ou não crer, mais salutar o argumento. Sobretudo porque, sem um justo argumento, também não encontraremos qualquer razão para
crer ou não crer, concordar ou discordar!
... um gesto de perdão
evidencia a virtuosa estatura
de um Ser... E, aos ora acolhidos por
misericordioso aceno, a chance de
remediar suas criadas demandas e
deslizes - ainda que, em muitos casos,
resgatados mediante o amoroso
bálsamo da contrariedade
e da dor!
... não é
preciso ser perfeito
para que um bem maiorpossa
acontecer; prevaleça!
Necessário é reconhecer e viver
o bem por todos meioseeficiência
que sejas capaz - e,por tal
atitudealcances a
perfeição!
... aos dispersos
de um cordial e estimulante
gesto de gratidão,decerto
não faltarão os rasos
pretextospor não
expressá-lo!
... desejar
um viver sem culpas
é render-se ao inconcebível -
refreando possibilidades; quando
não ,o próprio destino - na verdade,
cada homem vive sob os limites
de sua própria índole
sempre carente de
reparos!
... os que,
presunçosos, afirmam
aos quatro cantos da vida que,
nossa humanidade trata-se de um
caso perdido - são os mesmos que,
juram de pé junto não
fazerem parte
da lista!
... a ninguém
subjugar, aguilhoado a um
mesmo e vezes sorrateiro argumento -
visto que, na pertinente disseminação
das diferentes questões e ideias, a genuína ordenação que nos assegura e inspira
em tão proativa arte de viver
e conviver!
... a diz a filosofia cristã
que a ninguém deves subjugar,
aguilhoando-o a um sorrateiro e
ilegítimo silogismo - visto que, na
pertinente disseminação das diferentes
questões e ideias, a genuína ordenação
que nos assegura e inspira em
tão proativa arte de viver e
conviver!
... um equívoco,
eu diria, querer atribuir
a uma entidade sobrenatural
todo mal que nos aflige - visto que,
um homem sozinho é capaz
de qualquer coisa!
... ao sujeitarmos
à inquietude e a pressa
nossa busca por um pouco de
de harmonia e felicidade, corremos
o risco de passar por elas sem
percebê-las!
... a inspiração,
diferente do que muitos
consideram não se trata de um
fenômeno abstrato, casual - e sim,
de natural desfecho de todo esforço
e refinamento que dedicados
alcançamos!
... um espírito
que nada busque, poucocaminhe,
raras vezes se arrisque, decerto criará
gorduras indesejáveis - resultando num incômodo sobrepeso - seja para si
mesmo,por vezes, para
o outro!
... estabelecer
verdades não é tarefa
de um escritor honesto, argumenta
José Saramago... Cabe-lhe, e nada
mais do que isto, estimular a
sua busca!
...uma relação de amor
nem sempre é fruto de simples
escolha - amor é percepção, é atração,
um resvalo de pele, o encanto
da diferença - afinal, somos desiguais,
embora, não em essência;
por vezes, amamos, mesmo
divergindo!
... um homem,
por vezes, é taxado como
um louco, em virtude daquilo
que acredita e busca - outras vezes,
aclamado como um verdadeiro
sábio,em virtude daquilo que
acreditando, buscando,
conquistou!
... tal
ânsia por poder
e prazeres, em momento
algum, sugere um elogiável
manifesto estampando um
descomunal talento - mas
consequência de uma
debilidade mal
resolvida!
... um
espontâneo
gesto de utilidade,
exteriormente nos situa,
entusiasma - ao mesmo tempo
que, interiormente
nos robustece,
renova!
... um homem
pode ser um 'expert' em
muitas coisas, bem informado
em tantas outras; no entanto, aquele
resquício de sabedoria que tanto admira
e procura só é acessível pela prática,
ou melhor, por todo bem que,
praticando, seja capaz de
oferecer!
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