Quanto Vale um Abraco
Eu te amo no tempo que não cobra, no passo calmo de quem cuida.
Um amor que não invade, aprende a permanecer.
Não te quero por medo do vazio, mas pela alegria de te ver livre. É afeto que não aperta,
é presença que respira contigo.
Se um dia teu sentir encontrar o meu, que seja por vontade, não por urgência. Se não for, sigo inteiro, porque amar também é saber soltar.
E quando o mundo cansar teu peito, que em mim exista silêncio e abrigo. Eu fico — não por posse ou promessa, mas porque te amar é onde sou verdadeiro.
Podcast do Amor – No Ar
Então…
fica aqui comigo um pouco.
Apaga o resto do mundo.
Hoje não tem pressa,
Só verdade.
Se essa voz chegar em você,
já valeu a noite.
Eu não vim explicar o amor.
Vim sentir.
Vim dizer que,
quando penso em paz,
é o teu nome que
responde primeiro.
Às vezes eu paro…
respiro…
porque falar de você
acelera tudo aqui dentro.
É fundo, sem medida,
como fé que não vacila.
E mesmo sem ensaio,
soa certo.
Se esse episódio acabar
agora, tudo bem.
O que é nosso não desliga.
Continua tocando baixo,
constante, porque é você
dentro do meu coração.
O que sustenta um relacionamento
O que sustenta um relacionamento
não é só o amor que chega bonito,
é a escolha diária de ficar
quando seria mais fácil partir.
É o respeito que segura a palavra,
o silêncio que não vira desprezo,
é saber ouvir a dor do outro
sem transformar amor em disputa.
Sustenta-se no cuidado dos gestos simples, no “estou aqui” dito sem alarde, na paciência que entende o tempo e na lealdade quando ninguém vê.
Porque amar é fácil quando tudo floresce, difícil é regar quando o chão está seco, e só permanece quem entende que amor se constrói…
não se promete.
Chama do Destino
Nasceu pequena,
quase um sussurro,
entre o acaso e o querer não dito.
Uma centelha tímida no escuro,
como se o destino respirasse comigo.
Cresceu no tempo,
ardendo em silêncio,
iluminando caminhos
que eu temia pisar.
Queimou dúvidas,
aqueceu ausências,
fez do medo apenas cinza no ar.
Mesmo quando o vento tentou apagar, ela dançou,
firme, contra a noite.
Pois há chamas que
não pedem permissão:
existem para arder,
custe o que custar.
E sigo, marcado por essa luz antiga,
sabendo que não fui eu quem escolheu.
Foi a chama do destino que me encontrou e, ao tocar meu peito, escreveu quem sou.
Um fogo tímido
A chama nasceu pequena,
quase um sussurro,
acendeu no escuro
do peito sem pedir licença.
Era medo e esperança dançando juntos, um fogo tímido que já sabia arder.
O destino soprou ventos contrários,
tentou apagar promessas e sonhos antigos.
Mas a chama aprendeu a resistir no silêncio, crescendo firme entre quedas e recomeços.
Houve noites em que queimou como saudade, dolorida, intensa, impossível de esconder.
Ainda assim, iluminou caminhos tortos, mostrando que até a dor pode guiar.
Hoje a chama é farol e coragem,
não consome
— transforma quem sou.
No centro dela, entendo enfim:
meu destino é arder sem deixar de amar.
Derby Paulista
O estádio é um coração cercado de concreto, bate em verde e em preto, em branco e em fé.
Cada canto é uma veia pulsando promessa, a cidade inteira prende o fôlego no apito inicial.
No gramado, a bola é um sol inquieto, ora foge, ora queima nos pés apressados.
As chuteiras escrevem versos na grama curta, poesia suada, rasgada, impossível de ensaiar.
As arquibancadas viram mar revolto,
ondas de gritos quebrando no mesmo cais.
Bandeiras são pássaros em guerra no vento, e cada gol é um trovão rasgando o céu paulista.
Quando o jogo acaba, a noite cai em silêncio estranho, como depois de uma briga entre irmãos.
Mas o derby fica — cicatriz e lenda —
gravado no peito da cidade que nunca dorme.
Amor de História
Nos apaixonamos como quem descobre um manuscrito antigo,
com cuidado para não rasgar o tempo, folheando silêncios,
lendo sentimentos escritos à margem.
Teu olhar era linha do tempo,
me levando do agora ao sempre,
cada palavra tua uma data marcada
no calendário secreto do meu coração.
Havia batalhas internas, tratados não assinados, um amor vivendo entre capítulos proibidos, como se o destino pedisse notas de rodapé para explicar o que não podia ser vivido.
E mesmo sem final oficial,
nos tornamos fato histórico
um no outro:
um amor que não se apaga,
apenas muda de século dentro da memória.
Encontrei um pergaminho antigo,
guardado no fundo do tempo,
nele dizia que o amor não se desfaz,
apenas muda de caligrafia.
Antes de te conhecer,
eu era só um menino sonhador,
rabiscando o mundo em guardanapos, acreditando que versos eram abrigo.
Eu caminhava com o peito aberto,
como quem atravessa um deserto
seguindo estrelas que não sabia nomear, colecionando silêncios como mapas.
Então você surgiu feito tinta viva,
molhou meus dias de cor e sentido,
ensinou minha mão a escrever sem medo, como quem descobre a própria língua.
Hoje sei:
o pergaminho não era papel,
era o meu coração esperando leitura,
e o amor que diz durar pra sempre
aprendeu a morar no teu nome.
Um pedido de desculpas
O coração não voltou a bater sozinho,
virou casa abandonada depois da tempestade,
janelas rangendo saudade,
esperando passos que soubessem chegar sem quebrar.
Eu ouvi um pedido de desculpas
como chuva fina em terra rachada,
não fez barulho, mas ficou,
penetrando devagar no que ainda era seco.
Entre escombros, te vi juntando cacos
como quem remenda um vaso antigo com ouro,
sabendo que as rachaduras não somem,
apenas aprendem a brilhar de outro jeito.
Hoje o peito bate como farol cansado,
não ilumina por excesso, mas por insistência.
Porque amar, depois do erro,
é navegar mesmo sabendo do mar.
Filhos do Futuro
Carregam nos olhos
a luz que ainda não vi,
Sementes de um mundo
que insiste em nascer.
Em cada gesto, em cada riso,
há o que eu sonhei,
E o que eu não consegui,
talvez, vocês consigam.
Que aprendam com
o vento a suavidade
do tempo,
E com a chuva,
que às vezes tudo se renova.
Que saibam que o amor é força
e é abrigo,
E que perdoar é a ponte
que une corações.
Que encontrem caminhos
mesmo na sombra da dor,
E que nunca temam
a vastidão
de seus sonhos.
Pois cada passo,
mesmo incerto,
é história viva,
E cada escolha é música
que o mundo irá ouvir.
Filhos do futuro,
guardem a esperança,
Como quem segura
estrelas nas mãos.
Vocês são promessa,
raiz e asas,
O começo que transforma
o ontem em amanhã.
Um artigo dizia:
''Historicamente, se diz que no coração está a origem do amor, da coragem e da bravura.''.
Você
Hoje acordei com teu nome pousado na boca,
como quem sussurra um segredo ao amanhecer.
Abri a janela e o vento perguntou por ti,
e eu respondi com silêncio… mas pensando em você.
Pensei em dançar na chuva sem medo do frio,
em rir alto só porque o dia nasceu bonito,
em procurar no mundo um cheiro que me lembrasse
o abraço que só encontro quando te imagino comigo.
Por um instante doeu lembrar tua ausência,
esse espaço vazio na cadeira ao lado.
Mas até a saudade tem teu jeito manso —
ela me visita e diz que você nunca foi passado.
Porque mesmo distante dos meus braços,
você mora onde ninguém pode arrancar:
na parte mais viva do meu peito,
onde cada batida aprende a te amar.
Nós dois em um
Você me chamou de seu,
e o mundo inteiro mudou de endereço.
Como se eu deixasse de ser apenas passagem evirasse porto no seu peito.
Depois me chamou de sua,
e eu senti o cuidado
escondido na palavra.
Não como posse
— mas como promessa,
como quem diz “fica”
semprecisar falar.
Ser seu é repousar na sua certeza,
é ter abrigo no tom da sua voz.
Ser sua é florir nos seus braços,
é pertencer ao instante que é só de nós.
E entre “seu” e “sua” eu me encontro,
inteiro, entregue, sem medo algum.
Porque quando você me nomeia assim, amor deixa de ser verbo
— e vira nós dois em um.
E talvez amar de verdade seja isso:
aceitar que certas dores não pedem cura, apenas pedem um lugar seguro no peito, onde a esperança possa, enfim, descansar.
Sua voz fica
Quero ouvir a sua voz,
porque nela existe um lugar
onde descanso.
Quando o mundo pesa,
é o som dela que
me lembraquem eu sou.
Eu me sinto mais
próximaquando ouço ela,
como se a distância se
encolhesse em silêncio,
como se cada palavra sua
tocasse onde ninguém mais alcança.
Mesmo quando você
não está aqui, sua voz fica
— eco suave dentro de mim.
E enquanto eu puder ouvi-la,
sei que nunca estarei realmente longe de você.
Eu fiz da espera uma forma de fé,
do abandono, um hábito discreto.
Enquanto eu sangrava tentando ficar,
você partia sem olhar pra trás
— ileso.
Hoje entendo: amar você
foi trabalhar por um salário que nunca veio.
No fim, a única coisa que conquistei
foi aprender que sentir não garante direito ao final feliz.
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