Quando a Gente se Encontrou
“Amigos de verdade lembram de você quando você não lembra de pedir ajuda.” — Guilherme Abner | Amazon
Quando feliz, que o vento te traga
Quando triste, que o vento me leve
Quando em bando, que nunca me esqueça
Quando só, que eu sempre apareça
Quando te acharem, que não se desencontre
Quando perdida, que eu sempre te encontre
Quando desejar, que seja mais cedo
Quando renunciar, que seja ao seu medo
PARABÉNS!
À todos aqueles que sabem que a enfermagem só funciona bem quando é desempenhada em equipe.
Na equipe, não existe maior nem menor; pois somos parte de um corpo, onde cada membro tem função preciosa!
Lutamos unidos para proporcionar conforto e cuidados aqueles que querendo ou não tem suas vidas em nossas mãos. ...
Tinna Barbosa
#euescolhicuidar
Quando eu fui privada de liberdade, por uma condição clínica psiquiátrica, eu percebi rapidamente a lógica da instituição: "Salve-se quem puder". E comecei a travessia, não bonita como em uma obra de Guimarães Rosa, mas atravessada pela dor e violência simbólica contínua. Eu percebi que a minha existência incomodava e tentei me fazer invisível o máximo que pude. Percebi que era proibido ter insônia e me mantinha acordada deitada na cama, ainda que meu ser pedisse circulação. Recusar um cigarro? Proibido. A recusa poderia resultar em agressão física. E eu perguntava a Deus, por que eu não podia olhar o céu, porque havia um muro alto com arame farpado e seguranças na porta. E chorei, não como que derruba lágrimas, foi um choro interno, que inundou minha alma. Eu estava sozinha em um lugar onde o terror era naturalizado. O meu silêncio profundo foi patologizado. Ela não melhorou. E eu segui me desviando da violência, sem palavras, sem chão, sem aplausos. Recusei a comida, como quem recusa a vida. E engolia os remédios com pressa, para não ser repreendida. Minha alma chorava e não havia céu no horizonte, apenas pessoas brutalizadas, que confundiam o meu silêncio com apatia. E o meu olhar era quase uma oração: "Senhor Deus que eu creio, livrai-me desse destino". E a oração se seguia de um desespero catatônico. Nesse lugar, de que me serviam os livro que eu li? Ali eu era um número, conveniente o suficiente para me calar. Muito mais eu poderia dizer desse lugar e de mim. Mas deixo o passado e suas sombras. Estou na minha casa em silêncio e grande vitória é a chave da porta. Quem nunca passou por uma internação agressiva, talvez nunca entenda minha palavras, e nunca saibam que a palavra 'Liberdade' é sagrada. E diz tudo aquilo que o sistema cala. Sobrevivi, inteira o suficiente para narrar minhas memórias. E sei com clareza absurda a hierarquia das nessecidades humanas. E o amor romântico não entra nessa equação. É um luxo facilmente descartável. E a saúde e a dignidade são absolutamente inegociáveis. Sigo firme e forte, o que não me mata, aumenta minha Lucidez.
